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Revista Brasileira de Fruticultura

versão impressa ISSN 0100-2945

Rev. Bras. Frutic. vol.32 no.4 Jaboticabal dez. 2010 Epub 07-Jan-2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-29452011005000002 

Fixação de frutos de limeiras ácidas 'Tahiti' aneladas e tratadas com ácido giberélico1

 

The onset of the floral structures and fruits of acid lime trees 'Tahiti' girdled and treated with gibberillic acid

 

 

Cassiano Spaziani PereiraI; Dalmo Lopes De SiqueiraII; Luiz Carlos Chamum SalomãoIII; Paulo Roberto CeconIV

IEng. Agr. DSc, Prof. Adjunto da Universidade Federal de Rondônia, Departamento de Agronomia, Rolim de Moura – RO, email: caspaziani@yahoo.com.br
IIEng. Agr. DSc Prof. Associado da Universidade Federal de Viçosa, Departamento de Fitotecnia, Viçosa – MG, Siqueira@ufv.br
IIIEng. Agr. DSc Prof. Associado da Universidade Federal de Viçosa, Departamento de Fitotecnia, Viçosa – MG, Luiz.salomão@pq.cnpq.br
IVEng. Agr.,DSc, Professor Associado da Universidade Federal de Viçosa, Departamento de informática, Viçosa-MG, email: paulo.cecon@pq.cnpq.br

 

 


RESUMO

O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito do ácido giberélico (GA3) e do anelamento de ramos sobre a abscisão de estruturas florais e o pegamento de frutos em limeira ácida 'Tahiti'. Para as variáveis relacionadas à abscisão de estruturas reprodutivas, o esquema experimental foi em parcelas subdivididas no tempo, com o fatorial 4 x 3 nas parcelas. Quanto ao pegamento de frutos, o esquema experimental foi apenas o fatorial 4 x 3. O primeiro fator foi a aplicação de GA3 em quatro concentrações (0; 7; 14 e 21 mg/L), e o segundo, as duas épocas de anelamento: no início do florescimento (AIF) e a um mês após o florescimento (AMAF), mais a testemunha sem anelamento (SA). O delineamento experimental foi em blocos casualizados (DBC), com cinco repetições. Verificou-se que o GA3 não inibe a abscisão das estruturas reprodutivas e não afeta o pegamento dos frutos de limeira ácida 'Tahiti'. O anelamento reduziu a abscisão das estruturas reprodutivas. O pegamento de frutos nas plantas com o AIF foi 15,66% e com o AMAF, de 16,11%, o que significa aumentos de 220% e 229%, respectivamente, em relação às plantas SA, que tiveram pegamento de 4,89%.

Termos para indexação: anelamento de ramos, ácido giberélico, limeira ácida 'Tahiti", pegamento de frutos, abscisão de frutos.


ABSTRACT

The objective of this work was to evaluate the effect of the gibberellic acid and of the girdling of branches on the abscission of the floral structures and on the onset of fruits of the acid lime tree 'Tahiti'. For the variables related to the abscission of the reproductive structures, the experimental design was on subdivided plots in time, with the factorial 4 x 3 in the plots. As to the onset of fruits, the experimental design was the factorial 4 x 3. The first factor was the application of GA3 in four concentrations (0, 7, 14 and 21 mg/L), and the second one, the two periods of girdling: one at the beginning of flowering (AIF) and the other one a month later (AMAF), plus the control without girdling (SA). The experimental design was in casualized plots (DBC), with five repetitions. It was observed that the GA3 did not change the abscission of the reproductive structures and neither the onset of the fruits of the acid lime tree 'Tahiti'. The girdled plants had a reduction of the abscission of the reproductive structures. The onset in the AIF plants was of 15.66%, and, on the AMAF plants, the onset was of 16.11%, which were increases of 220 and 229%, respectively, in relation to the SA plants, that had an onset of 4.89%.

Index terms: girdling trunk, gibberellic acid, 'Tahiti lime fruit, fruit set, fruit abscission.


 

 

Durante a floração dos Citrus, ocorre forte competição por carboidratos entre flores, frutos e o crescimento vegetativo. Quando o florescimento é muito intenso, os teores de carboidratos nos tecidos diminuem, havendo um comando interno, possivelmente hormonal, que aciona o processo de abscisão, equilibrando os teores de carboidratos com o número de frutos que irão chegar à colheita (RIVAS et al., 2007).

A abscisão de flores e frutos em limeira ácida'Tahiti' é mais acentuada do que nas cultivares com sementes. As principais causas da abscisão em citros são os desequilíbrios hormonais e a intensa floração em cachos florais desprovidos de folhas maduras (fontes) (SCHAFER et al., 1999).

No processo de abscisão, estão envolvidos o ácido abscísico, o etileno e as giberelinas. O etileno e o ácido abscísico promovem a abscisão, e as giberelinas reduzem a abscisão por meio do aumento da divisão e alongamento celular, aumentando a força de dreno do órgão (TALÓN et al., 1998).

Com o intuito de reduzir a abscisão, recomenda-se a aplicação de ácido giberélico (GA3), que estimula a formação de folhas novas e aumenta a área foliar, incrementando, consequentemente, a síntese de fotoassimilados, o crescimento de ramos e o pegamento de frutos (SHANI et al., 2006).

Outra prática recomendada para aumentar o pegamento de frutos é o anelamento de ramos. O anelamento consiste na confecção de dois cortes paralelos e posterior retirada de uma pequena porção da casca, em toda a circunferência do tronco (SATORI; ILHA, 2005).

O anelamento promove retenção temporária de carboidratos na parte aérea das plantas, impedindo a descida dos fotoassimilados até as raízes, disponibilizando com isso mais carboidratos para os frutos e aumentando consequentemente, o pegamento (RIVAS et al., 2006; RIVAS et al., 2007).

Diante do exposto, o objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito do anelamento e da aplicação de GA3 sobre o pegamento de frutos em limeira ácida 'Tahiti'.

O experimento foi conduzido no Pomar do "Fundão", do Setor de Fruticultura da Universidade Federal de Viçosa (UFV) - Viçosa-MG, no período de 18-08-2006, início do florescimento, até o final da colheita dos frutos, no final de abril de 2007.

Para o experimento, foram utilizadas plantas de limeira ácida 'Tahiti' (Citrus latifolia Tanaka), em campo, com aproximadamente oito anos de idade, enxertadas sobre o limoeiro 'Cravo' (Citrus limonia Osbeck). As copas das plantas ainda estavam em crescimento devido a uma poda drástica realizada em 2005. O espaçamento utilizado foi de 7 x 3 metros. A adubação seguiu as recomendações da Comissão de Fertilidade do Solo do Estado de Minas Gerais (1999). Durante o experimento, as plantas não foram irrigadas.

O esquema experimental utilizado para as variáveis de abscisão de estruturas reprodutivas foi em parcelas subdivididas no tempo, com o fatorial 4 x 3 nas parcelas. Para o pegamento de frutos, foi empregado o esquema fatorial 4 x 3. O primeiro fator consistiu na aplicação de GA3 em quatro concentrações (0; 7; 14 e 21 mg/L), em 13-9-2006. O segundo fator foram as duas épocas de anelamento: Anelamento no início do florescimento (AIF), realizado em 21-8-2006, e anelamento um mês após o florescimento (AMAF), realizado em 21-9-2006, mais a testemunha sem anelamento (SA). O delineamento adotado foi em blocos casualizados, com cinco repetições e duas plantas por parcela.

As caldas com GA3 foram aplicadas dia 13-09-2006, constituídas de GA3, água e espalhante adesivo siliconado, não sendo controlado o pH da calda. A aplicação do GA3 nas plantas foi com auxílio de um pulverizador manual, quando cerca de 80% das pétalas haviam sofrido abscisão, seguindo recomendações de Primo-Millo (1993).

Os anelamentos foram realizados a aproximadamente 15 cm acima do local de enxertia, rompendo-se o floema em toda a sua circunferência, removendo porções da casca de 5 mm de espessura. Tomou-se o cuidado de não aprofundar demasiadamente o corte para evitar danos ao xilema, o que promove extravasamento de seiva, interrompendo temporariamente o fluxo ascendente para região acima do anelamento (SARTORI et al., 2003).

Foram avaliados a abscisão de estruturas reprodutivas, o pegamento e a produção de frutos.

Para determinar a abscisão de estruturas reprodutivas, foram colocadas redes do tipo "clarite" sob a copa das plantas, e a cada 15 dias, as estruturas reprodutivas foram coletadas, contadas e classificadas em botões florais, flores e frutos.

A colheita foi do final de fevereiro até o final de abril, quando os frutos apresentavam a coloração verde-clara e casca lisa, características de frutos com teor de suco superior a 40% (GAYET et al.,1995).

Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância e de regressão. As médias foram comparadas, utilizando-se do teste de Tukey, a 5% de probabilidade. As análises estatísticas foram realizadas com o auxílio do software "Sisvar" (FERREIRA, 2000).

O GA3 não teve efeito sobre a abscisão das estruturas reprodutivas, número de frutos colhidos e o pegamento de frutos de limeira ácida 'Tahiti'.

A ausência de efeitos do GA3 pode ter ocorrido devido às concentrações de carboidratos nos tecidos das plantas, no momento da aplicação (TALÓN et al., 1998); estado nutricional das plantas; época de aplicação; concentração de GA3 aplicada; condições ambientais (GUARDIOLA, 1996), natureza do espalhante (GUARDIOLA, 1988) e pH da calda, que não foi monitorado, sendo o recomendado pH 4,5 (CASAGRANDE JR. et al., 1999).

Verificou-se que a abscisão de botões florais foi maior nas plantas SA e AMAF, 10,7 e 12,1 botões/parcela, respectivamente. A menor abscisão ocorreu nas plantas com AIF (4,15 botões/parcela), redução de 57,94% em relação às plantas SA (Figura 1a).

 



 

A abscisão de flores nas plantas SA e com AMAF foi 93,1 e 94,85 flores/parcela, respectivamente. Nas plantas com AIF, a abscisão foi de 31,8 flores/parcela, (redução de 65,84% em relação às plantas SA) (Figura 1b). A abscisão de frutos não teve diferença entre os tratamentos (Figura 1c).

As duas épocas de anelamento aumentaram o pegamento de frutos, não havendo diferença significativa entre elas. As plantas com o AIF e o AMAF tiveram pegamento de 15,66 e 16,11%, aumento de 220 e 229%, respectivamente, em comparação com as plantas SA, que tiveram pegamento de 4,89% (Figura 2).

 

 

O aumento do pegamento de frutos ocorreu devido à capacidade do anelamento em reduzir a abscisão de estruturas florais, isso porque o anelamento bloqueia o transporte via floema de fotoassimilados, hormônios e nutrientes, da parte aérea das plantas para as raízes, promovendo um acúmulo destas substâncias na parte aérea das plantas (RIVAS et al., 2006; TAKAYOSHI, 2006; Riva et al.,2007; MEHOUACHI et al., 2009).

O GA3 não contribui para aumentar o pegamento de frutos. O anelamento do início do florescimento até um mês depois contribui para aumentar o pegamento de frutos.

 

REFERÊNCIAS

CASAGRANDE JR., J. G.; FACHINELLO, J. C.; FARIA, J. L. C. O pH da calda de aplicação e a absorção de ácido giberélico por frutas de laranja cv. 'Valência'. Scientia Agrícola. v.56 n.4, p. 933-938 1999.         [ Links ]

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Recebido em: 19-10-2009.
Aceito para publicação em: 27-05-2010.

 

 

1 (Trabalho 240-09).