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Revista Brasileira de Fruticultura

versão impressa ISSN 0100-2945

Rev. Bras. Frutic. vol.33 no.4 Jaboticabal dez. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-29452011000400037 

COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA

 

Ocorrência de Badnavirus em frutos de bananeira no estado do Amazonas, Brasil1

 

Ocurrence of Badnavirus on banana fruits in the state of Amazonas, Brazil

 

 

Paulo Sergio Torres BriosoI; José Clério Rezende PereiraII; Luadir GasparottoIII

IDoutor, Pesquisador do CNPq, Professor Associado, Laboratório Oficial de Diagnóstico Fitossanitário/Área de Fitopatologia/DEF/IB/UFRRJ, Caixa Postal 74585, CEP 23851-970, Seropédica-RJ. E-mail: brioso@bighost.com.br
IIDoutor, Pesquisador da Embrapa Amazônia Ocidental, Caixa postal, 319, CEP 69011-970, Manaus-AM
IIIDoutor, Pesquisador do CNPq, Pesquisador da Embrapa Amazônia Ocidental, Caixa postal, 319, CEP 69011-970, Manaus-AM. E-mail: gasparotto@cpaa.embrapa.br

 

 


RESUMO

A produção brasileira de bananas atende principalmente ao mercado interno, no entanto, em função de problemas fitossanitários, a produtividade dos bananais, principalmente no Estado do Amazonas é extremamente baixa. Recentemente, foi constatada no Estado do Amazonas a ocorrência de lesões necróticas de formato irregular, nos frutos de plantas híbridas tetraploides 'FHIA 01', 'FHIA 18', 'BRS Caprichosa', 'BRS Garantida', 'Preciosa' e 'Pacovan Ken' depreciando-os completamente para a comercialização. Através de PCR, utilizando-se dos primers BADNA 1A e BADNA 4 foi detectada a presença de Badnavirus correlacionada com a estirpe BSV-BR1, e com o Banana streak Uganda B vírus. Esta é a primeira vez em que se relatam tais sintomas em frutos associados à Badnavirus, no País.

Termos para indexação: Musa spp., Sintomatologia, Polymerase Chain Reaction .


ABSTRACT

The Brazilian banana production serves the domestic market, however, due to phytosanitary problems the yield, mainly in the state of Amazonas, is considered low. Recently, it was found in the state of Amazonas, the occurrence of necrotic lesions with irregular shape on fruits of tetraploid hybrids plants 'FHIA 01', 'FHIA 18', 'BRS Caprichosa', 'BRS Garantida', 'Preciosa' and 'Pacovan Ken' depreciating them to commercialization. By PCR analysis with the BADNA 1A and BADNA 4 primers were detected the presence of Badnavirus correlated with BSV-BR1 strain and with Banana streak Uganda B virus. This is the first time such symptoms are reported in fruits associated with Badnavirus in the country.

Index terms: Musa spp., Symptomatology, Polymerase Chain Reaction.


 

 

A produção brasileira de bananas atende principalmente ao mercado interno, no entanto, em função de problemas fitossanitários, a produtividade de cultivares de bananeira (Musa spp.) é extremamente baixa (SILVA NETO; SILVA, 2009).

No Brasil, pelo menos quatro estirpes de Ba nana streak virus (BSV) podem infectar a bananeira (FIGUEIREDO et al., 2006a), sendo que, posteriormente, essas estirpes foram identificadas como quatro possíveis espécies de Badnavirus (FIGUEIREDO et al., 2006b). As estirpes de Badnavirus em bananeira, de modo geral, induzem sintomas do tipo estrias cloróticas, paralelas às nervuras secundárias, no limbo foliar, e também riscas estreitas e alongadas na face externa do pseudopecíolo das plantas. Segundo Pereira et al. (2003), danos em bananeiras, associados a Badnavirus, estão também relacionados a alterações na absorção e/ou, principalmente, na translocação de macronutrientes, resultando em menor taxa de emissão foliar e redução significativa no peso dos cachos.

A introdução e a disseminação de estirpes de Badnavirus no Estado do Amazonas, principalmente através de material propagativo de diversas origens, têm-se tornado preocupantes após a constatação da Sigatoka-Negra, causada pelo fungo Mycosphaerella fijiensis Morelet, em virtude da utilização de grandes quantidades de mudas propagadas via cultura de tecidos, para substituir as cultivares suscetíveis ao patógeno acima mencionado.

Recentemente, foi constatada a ocorrência de doença em frutos de bananeira, principalmente em híbridos tetraploides 'FHIA 01', 'FHIA 18', 'BRS Caprichosa', 'BRS Garantida', 'Preciosa' e 'Pacovan Ken'. Os sintomas nas folhas caracterizavam-se pelo aparecimento de estrias de coloração marrom-escura, tendendo à negra, dispostas sobre as nervuras secundárias e com necroses longitudinais a partir da nervura principal. Nos frutos verdes (Fig. 1A), ocorriam lesões de formato irregular, que podiam acentuar-se após a maturação (Fig. 1B), depreciando-os completamente para a comercialização. No engaço (Fig.1C), ocorria um escurecimento vascular localizado, que se constituía em manchas arredondadas e longas, e/ou estrias internas alongadas em todo o segmento do engaço.

Objetivando-se à identificação do agente etiológico, procedeu-se à análise de amostras de frutos de bananeira, através do teste de Polymerase Chain Reaction (PCR), utilizando-se da metodologia e oligonucleotídeos descritos por Figueiredo et al. (2006b), ou seja, os oligonucleotídeos BADNA 1A e BADNA 4, correspondentes á região dos genes da transcriptase reversa e RNAse H, a partir de casca de frutos sintomáticos de bananeira infectada, tendo como controle casca de frutos de planta sadia.

O perfil eletroforético, na análise por PCR, das amostras sintomáticas, associado à análise das sequências obtidas, permitiram identificar o agente etiológico como sendo uma espécie de Badnavirus correlacionada com a estirpe BSV-BR1 e, consequentemente, com o Banana streak Uganda B virus (HARPER et al., 2005; FIGUEIREDO et al., 2006b). Convém ressaltar que não houve amplificação de qualquer fragmento genômico a partir de casca de frutos de planta sadia.

Esta é a primeira vez que são descritos estes sintomas, associados à Badnavirus, em frutos de bananeira no País. A presença do vírus nos diferentes híbridos pode ser devido à utilização de pólen infectado com o vírus, visto que tal fato já foi mencionado por Brioso (2004).

A taxa de transmissão das estirpes do BSV (ou das possíveis espécies de Badnavirus que infectam cvs. de Musa spp.) por vetores é supostamente nula em condições naturais, embora em condições experimentais tenha sido citado como vetor cochonilha de diferentes espécies (SILVEIRA et al., 2008). A mais importante via de disseminação do vírus é por meio de propagação vegetativa da planta, seja em campo ou por cultura de tecidos (HARPER et al., 2002), seja por pólen contaminado (BRIOSO, 2004). Recentemente, foi demonstrado que possíveis espécies de Badnavirus que infectam a bananeira estão amplamente distribuídos no território nacional (FIGUEIREDO et al., 2006a; FIGUEIREDO et al., 2006b; POLTRONIERI et al., 2009).

A utilização do protocolo desenvolvido por Figueiredo e Brioso (2007), associada à Instrução Normativa nº 46 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (2010), e subsequente erradicação de mudas e/ou plantas infectadas, é uma possível estratégia de controle para as principais viroses da bananeira, que vêm a contribuir eficientemente, para a redução da sua incidência.

 

REFERÊNCIAS

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Recebido em: 21-02-2011.
Aceito para publicação em: 08-07-2011.

 

 

1 (Trabalho 081-11).