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Revista Brasileira de Fruticultura

Print version ISSN 0100-2945

Rev. Bras. Frutic. vol.34 no.1 Jaboticabal Mar. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-29452012000100015 

DEFESA FITOSSANITÁRIA PLANT PROTECTION

 

Efeito do manejo cultural e químico na incidência e severidade da mancha-preta dos citros1

 

Effect of cultural and chemical management in the incidence and severity of citrus black spot

 

 

Eliana Mayra Torrecillas ScaloppiI; Ronilda Lana AguiarI; Antonio de GoesI; Marcel Bellato SpósitoII

IDepartamento de Fitossanidade, UNESP/FCAV, Campus de Jaboticabal, Via de Acesso Prof. Paulo Donato Castellane, s/n, CEP 14890-900, Jaboticabal-SP. emts@fcav.unesp.br; ronildaaguiar@yahoo.com.br; agoes@fcav.unesp.br
IIDepartamento de Produção Vegetal, USP/ESALQ, Av. Pádua Dias, 11, CEP 13418-900, Piracicaba-SP. mbsposito@usp.br

 

 


RESUMO

A citricultura apresenta vários problemas fitossanitários, dentre os quais a mancha-preta dos citros (Guignardia citricarpa). O controle desta doença baseia-se no emprego de práticas culturais e no uso de fungicidas. Avaliou-se o efeito do manejo do mato em conjunto com o químico no controle da doença. Os experimentos foram instalados em pomares de laranjeiras-doces, nos municípios de Matão, Rio Claro e Mogi Guaçu, no Estado de São Paulo. No manejo do mato, comparou-se o uso isolado de roçadeira ecológica com o conjugado rastelo mecânico e trincha, aos 35 dias, após 2/3 de pétalas caídas. No controle químico, foram realizadas duas pulverizações com fungicida protetor e de 2 a 5 pulverizações da mistura de produto sistêmico com protetor, aos 45 dias, após 2/3 de pétalas caídas, em intervalos de aplicação de 35 dias. Em todas as aplicações, foi adicionado óleo mineral emulsionável (0,25%). Avaliou-se a área abaixo da curva de progresso da incidência e severidade da doença, com os dados de cinco avaliações realizadas quinzenalmente, a partir da maturidade fisiológica dos frutos. Em todas as áreas, o uso do controle químico, associado com o manejo do mato, reduziu a intensidade da doença.

Termo para indexação: Citrus spp., Guignardia citricarpa, fungicidas.


ABSTRACT

The citrus plants has several phytosanitary problems, including citrus black spot (Guignardia citricarpa). Control of this disease is based on cultural practices and application of fungicides. The effect of the weed management and chemical control was evaluated. The experiments were carried out in sweet orange orchards in Matão, Rio Claro and Mogi Guaçu municipalities in the state of São Paulo, Brazil. In the experiment of weed management, the use of ecological brushcutter was compared with the use of mechanical rake and brush combined, at 35 days after 2/3 of petals fallen. Chemical control was carried out by two spraying of protective fungicide and from 2 to 5 spraying of systemic and protective fungicides 45 days after 2/3 of petals fallen. The range of these spraying was 35 days and in all of them emulsifiable mineral oil (0.25%) was added. The area under the curve of the incidence progress and severity of the disease was evaluated using data from five evaluations that were realized every 15 days from the physiological maturity of the fruits. The use of chemical control associated with weed management decreased the intensity of the disease in all areas evaluated.

Index terms: Citrus spp., Guignardia citricarpa, fungicides.


 

 

INTRODUÇÃO

A mancha-preta dos citros (MPC), causada pelo fungo Guignardia citricarpa (Phyllosticta citricarpa McAlp. Van der Aa), produz lesões na casca dos frutos, depreciando-os comercialmente para o mercado interno de frutas frescas e restringindo sua exportação (AGUILAR-VILDOSO et al., 2002). Em áreas com alta intensidade da MPC, a doença pode causar queda prematura de frutos (CALAVAN, 1960; KLOTZ, 1978).

O patógeno produz dois tipos de inóculo, os ascósporos (esporos sexuais), formados em pseudotécios nas folhas caídas em decomposição e dispersos pela ação do vento, e os conídios (esporos assexuais), formados em picnídios nas lesões dos frutos e de folhas aderidas às plantas e em ramos secos, dispersos a curtas distâncias pela ação da água (McONIE, 1964; KOTZÉ, 1981).

Nas condições ambientais do Estado de São Paulo, onde o período de inverno é seco, ocorre queda acentuada de folhas cítricas, o que acarreta, no início do período chuvoso, na primavera, um aumento na produção e dispersão de ascósporos (AGUILAR-VILDOSO et al., 2002).

O controle da MPC baseia-se no emprego de práticas culturais e, principalmente, no uso de fungicidas. A prática cultural restringe-se ao uso de roçadeiras que apresentam as laterais abertas, conhecidas como roçadeiras ecológicas, cuja finalidade é roçar as entrelinhas de plantio e jogar o mato sob a copa das plantas. O mato roçado forma uma barreira física que impede a dispersão dos ascósporos, reduzindo as infecções em frutos (FEICHTENBERGER et al., 2005; ROSSÊTTO, 2009). Outros equipamentos vêm sendo testados no controle da MPC, como o uso do conjugado rastelo mecânico e trincha. O rastelo mecânico, composto por 30 hastes de borracha sintética, com tamanho variando de 24 a 32 cm, tem por finalidade remover as folhas de citros em decomposição debaixo da copa das plantas, jogando-as para a entrelinha de plantio e a trincha, que é um picador rotativo de eixo horizontal, composta por quatro correias dentadas, e um rolo triturador com 20 martelos de 1,3 kg cada tem por finalidade triturar o material vegetal (VICON, 2010). O uso desses equipamentos tem como objetivo reduzir a fonte de inóculo da MPC, principalmente no final do inverno, período seco, antes do florescimento dos citros, já que, nessa época, a maioria dos pomares não tem uma quantidade de mato necessária para utilizar a roçadeira ecológica.

Na maioria dos pomares paulistas, o controle da MPC está alicerçado na pulverização sequencial de fungicidas (FEICHTENBERGER et al., 2005). São aplicados fungicidas protetores, principalmente os cúpricos, nas fases de pós-florescimento, seguido de pulverizações com a mistura em tanque de fungicidas protetores e sistêmicos, acrescidos de óleo mineral ou vegetal emulsionáveis (GOES et al., 1990; GOES; WIT, 1999; FEICHTENBERGER et al., 2000). O número de pulverizações, assim como os fungicidas utilizados dependem de uma série de fatores, incluindo o nível de inóculo na área, a variedade de copa, a idade e o tamanho das plantas, e o destino da produção (FEICHTENBERGER et al., 2005). Os frutos das variedades cítricas tardias, mesmo apresentando suscetibilidade semelhante às variedades precoces e de meia-estação (SPÓSITO et al., 2004a), exibem maior nível de incidência e severidade de sintomas causados por G. citricarpa. Isso decorre pelo fato de essas apresentarem maturação mais lenta, permanecendo mais tempo nas plantas, e expondo-se, naturalmente, à maior temperatura e luminosidade nos meses da primavera e verão (BRODRICK; RABIES, 1971).

Dadas as características biológicas do fungo G. citricarpa e a dinâmica da MPC, depreende-se a necessidade da adoção, de forma integrada, de medidas de controle com o objetivo de minimizar os danos causados pela doença. A adoção sistematizada e harmoniosa dessas medidas de controle visa a interromper ou a desacelerar o progresso da doença (KIMATI; BERGAMIN FILHO, 1996). O manejo integrado implica a utilização de todas as técnicas disponíveis dentro de um programa unificado, de tal modo a manter a população de organismos nocivos abaixo do limiar de dano econômico e a minimizar os efeitos colaterais prejudiciais ao ambiente (BERGAMIN FILHO; AMORIM, 1996). Dentro dessas medidas, o uso de práticas culturais, principalmente relacionadas à redução do inóculo, como os ascósporos formados nas folhas de citros em decomposição, tem sido fonte de estudos (BELLOTTE et al., 2009; ROSSÊTTO, 2009).

O presente trabalho teve como objetivo avaliar o efeito do manejo do mato associado ao uso de fungicidas no controle da mancha-preta dos citros.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Área experimental

Foram conduzidos três experimentos, em pomares comerciais de laranjeiras-doces [Citrus sinensis (L.) Osbeck], na safra de 2008/2009, em diferentes municípios do Estado de São Paulo. Experimento 1 - no município de Matão, em pomar de laranjeira 'Natal', enxertada em citrumeleiro 'Swingle' (Citrus paradisi Macf. x Poncirus trifoliata L. Raf.), com 18 anos de idade, e plantado no espaçamento de 8 x 5 m. Experimento 2 - no município de Rio Claro, em pomar de laranjeira 'Natal', enxertada em limoeiro 'Cravo' (C. limonia Osbeck), com 18 anos de idade, e plantado no espaçamento de 7 x 5 m. Experimento 3 - no município de Mogi Guaçu, em pomar de laranjeira 'Folha Murcha', enxertada em limoeiro 'Cravo', com 14 anos de idade, e plantado no espaçamento de 8 x 3 m. Todas as áreas experimentais possuíam histórico da MPC. Os tratamentos foram iguais nas três áreas experimentais.

Delineamento experimental

Os experimentos foram conduzidos no delineamento de blocos casualizados, em faixas, com duas repetições. Os tratamentos foram constituídos pela combinação de cinco tratamentos com fungicidas e dois com o manejo do mato.

Cada parcela experimental foi constituída de 16 plantas na linha de plantio, sendo as quatro plantas centrais utilizadas nas avaliações. Entre os blocos, manteve-se uma linha de bordadura, para minimizar a contaminação das parcelas vizinhas devido à deriva dos fungicidas durante as pulverizações.

Controle químico

Todas as parcelas foram tratadas com duas aplicações de fungicida protetor, oxicloreto de cobre (Kocide WDG®, Du Pont do Brasil S.A.) a 90g Cu++/100 L de H2O, em mistura com óleo mineral emulsionável (Assist®, Basf S.A.) a 0,25%, após a queda de 2/3 de pétalas e 28 dias após.

Aos 45 dias após a queda de 2/3 de pétalas, iniciaram-se as aplicações com produtos sistêmicos, em mistura com oxicloreto de cobre e óleo mineral emulsionável (0,25%), variando de duas a cinco pulverizações, aplicadas em intervalos de 35 dias. Os fungicidas azoxystrobin (Amistar®, Syngenta Proteção de Cultivos Ltda.) a 3,75 g/100 L de H2O e tiofanato metílico (Cercobin®, Nippon Soda CO. Ltda.) a 50 mL/100 L de H2O foram aplicados alternadamente.

Os tratamentos químicos utilizados foram: (i) duas aplicações de fungicida protetor (2P); (ii) 2P mais duas aplicações de fungicida sistêmico em mistura com fungicida protetor (2P+2SP); (iii) 2P mais três aplicações de fungicida sistêmico em mistura com fungicida protetor (2P+3SP); (iv) 2P mais quatro aplicações de fungicida sistêmico em mistura com fungicida protetor (2P+4SP); e (v) 2P mais cinco aplicações de fungicida sistêmico em mistura com fungicida protetor (2P+5SP).

As pulverizações foram realizadas com auxílio de pulverizador equipado com defletor de ar bilateral, empregando nos experimentos 1 e 3 pulverizador Jacto, modelo Arbus 2000, e no experimento 2, pulverizador Natali, modelo Alfa 4000. O conjunto trator-pulverizador foi calibrado para proporcionar uma velocidade de deslocamento de 3 a 5 km/h. Foram utilizadas pontas de pulverização AD3/AC31, com pressão de trabalho de 150 Libras/pol2 e vazão de 1,63 L/min/bico, produzindo um espectro de gotas com diâmetro mediano volumétrico entre 150 e 200 µm, proporcionando um volume de calda de 4,3; 5,6 e 3,4 L/planta nos experimentos 1; 2 e 3, respectivamente.

Manejo do mato

Comparou-se o uso isolado da roçadeira ecológica com a roçadeira convencional mais o conjugado rastelo mecânico e trincha, aos 35 dias após o estádio de 2/3 de pétalas caídas, no intuito de reduzir a quantidade de doença nos frutos. O rastelo mecânico foi acoplado na parte dianteira do trator, e a trincha, modelo TRL 2,2, com largura de trabalho de 2,20 m, acoplada na traseira do trator. O equipamento conjugado foi calibrado para proporcionar uma velocidade de deslocamento de 2,4 km/h, removendo com o rastelo mecânico as folhas de citros em decomposição de baixo da copa das plantas para a entrelinha, para serem trituradas pela trincha. Durante toda a condução dos experimentos, as demais roçadas foram feitas exclusivamente com roçadeira ecológica em todas as parcelas das áreas experimentais.

Avaliações e análise dos dados

Avaliaram-se a incidência (porcentagem de frutos sintomáticos) e a severidade (porcentagem da casca lesionada) da MPC em 25 frutos ao acaso, de cada planta da área útil, em cinco períodos, a intervalos de quinze dias. As avaliações iniciaram-se 315 dias após o estádio de 2/3 de pétalas caídas, quando os frutos já estavam fisiologicamente maduros (sólidos solúveis/acidez titulável total próximo a 8). Para a avaliação da severidade da doença, foi utilizada escala diagramática (SPÓSITO et al., 2004b). Tanto para a incidência quanto para a severidade da MPC, foi calculada a área abaixo da curva de progresso da doença (AACPD), e os dados foram analisados pelo teste de comparação de médias de Tukey (0,5%), utilizando o programa AgroEstat versão 1.0 (BARBOSA; MALDONATO JÚNIOR, 2010).

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

No município de Matão, em pomar de laranjeira 'Natal' enxertada em citrumeleiro 'Swingle', as áreas abaixo da curva de progresso da incidência da MPC, independentemente do número de pulverizações, do uso de roçadeira ecológica ou do conjugado rastelo mecânico e trincha, 35 dias após o estádio de 2/3 de pétalas caídas, não apresentaram diferenças significativas (Tabela 1). Entretanto, dentro de cada sistema de manejo do mato, o tratamento químico 2P + 5SP apresentou menores valores de incidência da doença durante o período avaliado. Os tratamentos 2P + 2SP e 2P + 3SP não diferiram significativamente do tratamento com duas aplicações de cobre mais óleo emulsionável (2P) (Tabela 1).

Para a área abaixo da curva de progresso da severidade da MPC, não houve interação entre o manejo do mato e o controle químico. No manejo do mato, o conjugado rastelo mecânico e trincha reduziu a severidade da doença durante o período avaliado, quando comparado com a roçadeira ecológica (Tabela 2). Em relação ao controle químico, no tratamento 2P + 5SP, ocorreu a menor severidade (Tabela 3).

O uso do conjugado rastelo mecânico e trincha, portanto, reduziu a severidade dos sintomas nos frutos, mas não o número de frutos sintomáticos. Nessa situação, o controle químico 2P + 5SP diminuiu pela metade a incidência da MPC no período avaliado e em aproximadamente quatro vezes a severidade, quando comparado com apenas duas aplicações de protetor mais óleo mineral (2P).

No município de Rio Claro, em pomar de laranjeira 'Natal' enxertada em limoeiro 'Cravo', na área abaixo da curva de progresso da incidência da MPC, constatou-se um efeito positivo do uso do conjugado rastelo mecânico e trincha quando comparado com a roçadeira ecológica, somente nos tratamentos pulverizados com 2P + 4SP ou 2P + 5SP, reduzindo a incidência da doença no período avaliado (Tabela 4). Quanto ao controle químico, o tratamento 2P + 5SP diferiu significativamente dos demais tratamentos, no manejo com o conjugado rastelo mecânico e trincha, não diferindo significativamente de 2P + 4SP, no manejo com a roçadeira ecológica (Tabela 4).

Em relação à área abaixo da curva de progresso da severidade da MPC, não houve interação entre manejo do mato e controle químico. Quanto ao manejo do mato, não houve diferenças entre o uso do conjugado rastelo mecânico e trincha com o uso de roçadeira ecológica. Para o controle químico, os melhores tratamentos foram 2P + 4SP e 2P + 5SP, não diferindo estatisticamente entre si (Tabela 5).

A redução de uma aplicação de sistêmico mais protetor e óleo, de 2P + 5SP para 2P + 4SP, quando manejado em conjunto com roçadeira ecológica, proporcionou o mesmo controle da doença, tanto para a quantidade de frutos sintomáticos no período avaliado quanto para a severidade dos sintomas nos frutos. Entretanto, houve um efeito positivo entre o uso do rastelo mecânico e trincha com o tratamento químico 2P + 5SP, reduzindo pela metade a incidência da doença durante o período de avaliação.

No município de Mogi Guaçu, em pomar de laranjeira 'Folha Murcha', enxertada sobre limoeiro 'Cravo', na área abaixo da curva de progresso da incidência da MPC, verificou-se um efeito positivo do uso do conjugado rastelo mecânico e trincha quando comparado com a roçadeira ecológica, somente nos tratamentos pulverizados com 2P + 4SP ou 2P + 5SP, reduzindo a incidência da doença no período avaliado (Tabela 6). Quanto ao controle químico, o tratamento 2P + 5SP diferiu significativamente dos demais tratamentos, nos dois sistemas de manejos do mato utilizados (Tabela 6).

Para a área abaixo da curva de progresso da severidade da MPC, detectou-se uma diferença no manejo do mato somente no tratamento químico 2P, onde o uso do conjugado rastelo mecânico e trincha apresentou menor severidade durante o período de avaliação quando comparado com o uso da roçadeira ecológica. Quanto ao controle químico, independentemente do manejo do mato utilizado, 2P + 4SP e 2P + 5SP foram os que apresentaram menores valores para a severidade (Tabela 7).

Verificou-se um efeito positivo resultante do uso do manejo do mato associado ao controle químico, apresentando os menores valores de incidência da MPC no período avaliado com o uso do rastelo mecânico e trincha, em 2P + 5SP, com consequente redução dos níveis de sintomas, quando comparado com o controle químico 2P. Para a severidade, apenas com o controle químico, conseguiu-se reduzir a MPC. Os tratamentos 2P + 4SP e 2P + 5SP reduziram 3,5 vezes a quantidade de sintomas durante o período avaliado quando comparado com 2P.

De acordo com os dados obtidos, tanto para a incidência quanto para a severidade de sintomas de MPC, verificou-se que o aumento do número de pulverizações redundou em menor intensidade da doença, independentemente do manejo adotado. Quanto ao manejo do mato, foi observado que o uso do conjugado rastelo mecânico e trincha, nas três áreas experimentais, contribuiu para a redução da incidência de sintomas da MPC, especialmente nas áreas onde naturalmente há maior intensidade da doença (Rio Claro e Mogi Guaçu), somente quando as plantas foram tratadas com seis ou sete pulverizações de fungicidas. Já a severidade da MPC foi reduzida apenas em Matão, onde a intensidade da doença foi menor.

Em áreas onde o patógeno se encontra estabelecido há mais tempo, como em Rio Claro e Mogi Guaçu, a contribuição dos conídios ao incremento da doença tem maior importância do que os ascósporos, que são importantes no início da epidemia por aumentar o número de plantas com a doença (SPÓSITO et al., 2008). Portanto, nesses municípios, ao se aplicar de 6 a 7 vezes o fungicida, reduziu-se a intensidade da doença, fazendo com que fosse observada a contribuição adicional do conjugado rastelo mecânico e trincha na redução do número de ascósporos e, portanto, a redução da incidência da doença em frutos cítricos. Na área de Matão, onde a doença apresenta menor intensidade, pode-se observar maior contribuição do conjugado rastelo mecânico e trincha na redução da severidade da doença, isso provavelmente porque os ascósporos ainda nessa área apresentam um papel fundamental para o incremento da doença.

Em todas as áreas experimentais, o uso do conjugado rastelo mecânico e trincha, com a roçadeira convencional, aos 35 dias após 2/3 da queda de pétalas dos citros, seguido do uso sequencial de roçadeira ecológica, associado a 7 pulverizações de fungicidas, foi o tratamento que mais contribuiu para a redução da doença, expresso em termos de valores da curva de progresso da incidência da MPC. Portanto, o manejo do mato, em conjunto com o controle químico são de grande importância para a redução da intensidade de sintomas da mancha-preta em pomares cítricos.

 

REFERENCIAS

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Recebido em: 04-01-2011.
Aceito para publicação em: 19-01-2012.

 

 

Parte da Tese de Doutorado da primeira autora.
1 (Trabalho 021-11).