SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.37 issue5A ultra-sonografia e os linfonodos cervicaisLiver and spleen magnetic resonance imaging evaluation in patients with chronic Schistosoma mansoni infection author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Radiologia Brasileira

On-line version ISSN 1678-7099

Radiol Bras vol.37 no.5 São Paulo Sept./Oct. 2004

https://doi.org/10.1590/S0100-39842004000500002 

EDITORIAL

 

Qual o seu diagnóstico?

 

 

Ricardo Jorge VitalI; Leandro Accardo de MattosI; Clayton Santos SousaII; Gustavo Souza Portes MeirellesIII; Reynaldo Tavares RodriguesIV; Jacob SzejnfeldV

IMédicos Residentes do Departamento de Diagnóstico por Imagem da Unifesp/EPM
IIMédico Residente em Nefrologia no Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia
IIIDoutor em Radiologia Clínica pelo Departamento de Diagnóstico por Imagem da Unifesp/EPM
IVChefe do Setor de Tórax do Departamento de Diagnóstico por Imagem da Unifesp/EPM
VChefe do Departamento de Diagnóstico por Imagem da Unifesp/EPM

Endereço para correspondência

 

 

Paciente do sexo masculino, 58 anos de idade, aposentado, procedente de São Paulo, SP, apresentando tosse e dispnéia progressiva há dois anos. Procurou o Hospital São Paulo, sendo encaminhado ao Departamento de Diagnóstico de Imagem para realização de radiografia (Figura 1) e tomografia computadorizada (Figuras 2 e 3) do tórax.

 

 

 

 

 

 

Achados de imagem

Radiografia do tórax: A radiografia mostra opacidades bilaterais, predominando nos campos médios e superiores, com elevação hilar e imagens luzentes de permeio.

Tomografia computadorizada do tórax: As imagens em alta resolução mostram numerosos micronódulos centrolobulares e subpleurais em ambos os pulmões, com predominância em campos superiores, associados a áreas de aumento irregular dos espaços aéreos. Na janela para mediastino notam-se massas conglomeradas peri-hilares com calcificações de permeio, além de linfonodos também calcificados no hilo direito.

Diagnóstico: Silicose complicada.

 

COMENTÁRIOS

A silicose representa um sério problema, uma vez que, apesar de ser potencialmente evitável, apresenta altos índices de incidência e prevalência, especialmente nos países menos desenvolvidos. O diagnóstico é baseado na radiografia de tórax, em conjunto com histórias clínica e ocupacional coerentes(1,2).

As fontes principais da exposição industrial à sílica consistem na sílica livre em minas, jateamento de areia, trabalho com vidro, cerâmica, mármore, tijolos e porcelana(3).

As anormalidades radiológicas características vistas nos pacientes com silicose simples consistem em pequenos nódulos, bem definidos, que medem usualmente entre 2 e 5 mm de diâmetro, variando de 1 a 10 mm, principalmente envolvendo as zonas superiores e posteriores dos pulmões(4).

O aparecimento de grandes opacidades ou de áreas hiperatenuantes maiores que 1 cm de diâmetro (fibrose maciça progressiva) indica a presença de silicose complicada. Essas massas tendem a aglomerar-se nos campos médios ou na periferia dos campos superiores, determinando elevação dos hilos e aumento irregular dos espaços aéreos. São freqüentemente bilaterais, simétricas, podendo calcificar ou cavitar. São vistos, ocasionalmente, linfonodos calcificados ("egg-shell") nos hilos e mediastino(4,5).

A combinação do quadro clínico com o histórico ocupacional, aliados aos achados radiológicos, pode significativamente melhorar a exatidão diagnóstica. Os radiologistas devem continuar sua participação na avaliação das doenças de pulmão ocupacionais(6).

 

REFERÊNCIAS

1. Algranti E, Capitani EM, Bagatin E. Sistema respiratório. In: Mendes R. Patologia do trabalho. 2ª ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 1995:99-137.

2. Carneiro APS, Siqueira AL, Algranti E, et al. Estudo comparativo entre tomografia computadorizada de alta resolução e radiografia de tórax no diagnóstico da silicose em casos incipientes. J Pneumologia 2001;27:199-205.

3. Stark P, Jacobson F, Shaffer K. Standard imaging in silicosis and coal worker's pneumoconiosis. Radiol Clin North Am 1992;30:1147-54.

4. Webb WR, Müller NL, Naidich DP. High-resolution CT of the lung. 2nd ed. Philadelphia: Lippincott-Raven, 1996:149-91.

5. Remy-Jardin M, Remy J, Farre I, Marquette CH. Computed tomographic evaluation of silicosis and coal worker's pneumoconiosis. Radiol Clin North Am 1992;30:1155-76.

6. Wiot JF, Linton OW. The radiologist and occupational lung disease: an appeal for continued involvement. AJR 2000;175:311-3.

 

 

Endereço para correspondência
Dr. Ricardo Jorge Vital
Rua Pedroso Alvarenga, 333, ap. 144B
Itaim Bibi. São Paulo, SP, 04531-010
E-mail: rjvital@bol.com.br

 

 

Trabalho realizado no Departamento de Diagnóstico por Imagem da Universidade Federal de São Paulo/Escola Paulista de Medicina (Unifesp/EPM), São Paulo, SP.

Creative Commons License All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License