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Radiologia Brasileira

versão impressa ISSN 0100-3984

Radiol Bras v.41 n.1 São Paulo jan./fev. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-39842008000100002 

EDITORIAL

 

Perspectivas para o ensino em radiologia

 

 

Omar Taha

Médico Radiologista, Membro Titular do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem, Chefe do Departamento de Diagnóstico por Imagem da Associação Médica de Londrina, Diretor do Radiology.com.br. E-mail: taha@radiology.com.br

 

 

O ensino em radiologia e radiodiagnóstico vem sofrendo alterações significativas nos últimos anos, em virtude do desenvolvimento permanente do método e também pelo crescimento acentuado das suas aplicações(1). A medicina como um todo vem se utilizando, de forma intensa, das diversas modalidades de diagnóstico por imagem, englobando radiologia convencional, tomografia computadorizada, ultra-sonografia, ressonância magnética, mamografia, PET-CT, densitometria óssea e medicina nuclear, além da área cardíaca(2).

No Brasil, segundo informações do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem, existem 44 instituições qualificadas a treinar, no âmbito da residência médica, os profissionais da área de diagnóstico por imagem(2). A avaliação e qualificação desses serviços baseiam-se em uma série de critérios, dentre os quais a qualificação dos corpos docentes (mestrado, doutorado e pós-doutorado), a existência de equipamentos em condições de uso para a realização dos exames, o acesso a um serviço com razoável número de pacientes e a referência clínico-hospitalar(2).

O interesse pela especialidade continua alto(3), apesar das modificações observadas no mercado com a proliferação excessiva de clínicas e serviços, multiplicação das subespecialidades e surgimento do profissional médico subcontratado dos serviços, com redução dos honorários. Soma-se, a esta questão, a dificuldade em ingressar no sistema conveniado (saúde suplementar), que, por sua vez, remunera de forma regressiva o setor de SADT, englobando a área de diagnóstico por imagem, muitas vezes não atingindo os valores preconizados pela Associação Médica Brasileira por meio da CBHPM(4).

Esta questão é fundamental na motivação para que os formandos em medicina escolham a área de diagnóstico por imagem como preferida na especialização, residência ou pós-graduação, portas de entrada no mercado de trabalho em radiologia(5).

O treinamento de profissionais da área sofreu modificações significativas nos últimos anos, com aumento do número de serviços que oferecem a residência, aumento e especificação das subespecialidades, correspondente aumento da carga horária para residência e pós-graduação, aumento do interesse pelos acadêmicos com relação à radiologia, aumento do interesse dos residentes por áreas mais avançadas do diagnóstico por imagem, como ressonância magnética e tomografia computadorizada, utilização de elementos de imagem para administração de aulas em outras áreas do estudo médico, englobando desde anatomia, neurologia, urologia, e outras especialidades(6).

Observa-se também um crescimento do número de cursos não-vinculados a instituições acadêmicas que oferecem formação específica para áreas de atuação, como ecografia, tomografia, ressonância, também relacionados a um incremento do interesse de profissionais de outras áreas no setor de imagem.

Considerando estas e outras características do segmento, quais as perspectivas para o ensino de radiologia e de que forma as estruturas acadêmicas devem sofrer modificações para se adaptarem a estas novas realidades? Outra questão fundamental é: como lidar com os cursos "paraacadêmicos", que algumas vezes oferecem uma formação deficiente ao profissional?

A nosso ver, em primeiro lugar deve-se garantir a qualidade do ensino. E isso só poderá ser feito com investimentos maciços em pesquisa, com alargamento da base de trabalhos publicados e com desenvolvimento de massa crítica consistente no setor em termos de publicações científicas.

Outros aspectos relevantes são a descentralização e a regionalização do ensino. O alto custo dos equipamentos implica, na maior parte das vezes, concentração dos centros de ensino em grandes capitais. Faz-se necessária a implementação de uma estratégia que possibilite a descentralização do ensino em radiologia, com possibilidade de hierarquização — sistemas com equipamentos mais sofisticados e com maior número de profissionais referenciando centros menores.

Um aspecto que deve também ser considerado é a dedicação da pesquisa a aspectos regionais. Cada instituição ou centro de ensino deve estabelecer como meta prioritária de pesquisa os aspectos relacionados à realidade daquela comunidade. Parece óbvio, mas muitos recursos às vezes são despendidos desnecessariamente com centros médios e pequenos tentando repetir as pesquisas realizadas em grandes centros, quando poderiam estar aplicando recursos na verificação de aspectos mais próximos da sua realidade.

Um tópico fundamental é o reforço das atividades didático-práticas relacionadas ao ensino de radiologia, como reuniões de discussão de caso e treinamento objetivo com equipamentos diversos, oferecido em grades equilibradas em que o profissional tenha a oportunidade de desenvolver todas as suas habilidades.

E, finalmente, a questão do bom aproveitamento dos recursos tecnológicos para o ensino com treinamento em informática, utilização da internet, programas e sistemas de telerradiologia que possibilitem a disseminação do conhecimento no setor, atualização dos profissionais e intercâmbio permanente entre as diversas instituições.

Quanto aos cursos "paraacadêmicos", é preciso que de alguma forma as instituições reguladoras intervenham de forma gradual no mercado. Os cursos existem em decorrência da necessidade sentida dos profissionais em aperfeiçoarem-se e atualizarem-se. Mas, também, porque de certa forma ocorre uma facilitação na certificação através destes cursos.

Portanto, se houver um interesse genuíno em disciplinar esta área, é necessário que os órgãos reguladores intervenham não só na atuação das escolas — elaborando critérios e eventualmente certificando os bons cursos —, mas também normatizando a aceitação dos certificados emitidos por essas instituições junto aos convênios e também nas provas de obtenção de título.

 

Referências

1. Collins J, Herring W, Kwakwa F, et al. Current practices in evaluating radiology residents, faculty, and programs: results of a survey of radiology residency program directors. Acad Radiol. 2004;11:787–94.        [ Links ]

2. Colégio Brasileiro de Radiologia. Programa básico de residência médica ou curso de especialização para formação em radiologia: credenciamento (requisitos mínimos). [Acessado em: 4/4/2005]. Disponível em: http://www.cbr.org.br         [ Links ]

3. Fundação do Desenvolvimento Administrativo (Fundap). Seminário. Requisitos mínimos de um programa de residência médica: competências em radiologia [editorial]. Rev Imagem. 1991: 13:1–8.        [ Links ]

4. Associação Médica Brasileira. O que é CBHPM. [Acessado em: 15/5/2007]. Disponível em: http://www.amb.org.br/ent_cbhpm_ oquee.php3        [ Links ]

5. Taha OG, Barros N, Cerri GG, et al. Estudo das motivações para a escolha da residência médica em radiologia. Radiol Bras. 1995; 28:7–11.        [ Links ]

6. Boéchat AL, Souza EG, Moreira FA, et al. Proposta de um programa básico para a formação do médico residente em radiologia e diagnóstico por imagem. Radiol Bras. 2007;40:33–7.        [ Links ]