SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.45 issue1 author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Radiologia Brasileira

Print version ISSN 0100-3984

Radiol Bras vol.45 no.1 São Paulo Jan./Feb. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-39842012000100001 

EDITORIAL

 

Pesquisas multi-institucionais

 

 

Edson Marchiori

Professor Associado e Coordenador Adjunto do Curso de Pós-Graduação em Radiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil. E-mail: edmarchiori@gmail.com

 

 

Um dos principais aspectos dos grupos sociais é o da associação, mediante a criação de parcerias em busca de diversos objetivos comuns, como sociais, de defesa, financeiros, esportivos, entre outros.

Também na esfera científica e acadêmica é essencial firmarem-se parcerias, agregando conhecimento e experiências de diferentes grupos e instituições no interesse de todos.

Na maioria dos países do primeiro mundo, pesquisas multicêntricas congregando universidades, hospitais e empresas governamentais e privadas são comumente desenvolvidas, o que timidamente está sendo implementado em nosso país.

Causa estranheza quando se discutem, na prática, os motivos de grupos e instituições fortes, experientes e consolidados - que têm muito a oferecer para a sociedade em termos de conhecimento - não publicarem os resultados de suas pesquisas. Várias justificativas são colocadas, algumas bastante fortes e coerentes: a falta de treinamento e capacitação para organizar o seu material, a dificuldade de redigir trabalhos nos moldes acadêmicos e, a maior delas, a falta de tempo, em razão do dia-a-dia de trabalho sempre atribulado.

Todavia, essas e outras dificuldades intrínsecas a pesquisas - uni ou multicêntricas - e publicação de seus resultados podem ser superadas estabelecendo-se parcerias entre grupos/instituições/profissionais com material científico de alta qualidade, com arquivos bem organizados, e outros pesquisadores com maior experiência na estruturação de trabalhos científicos. A título de exemplo, a reunião de diferentes casuísticas, muitas vezes de doenças raras, transforma simples relatos de casos em artigos originais ao aumentar o número de casos, permitindo conclusões mais fundamentadas.

Às surpresas desagradáveis, decorrentes do desinteresse e recusa de participação no processo, contrapõe-se o surpreendente interesse de grande parte dos colegas ao se propor tais parcerias, motivado não só pelo preenchimento de anseios latentes, mas, e principalmente, pela disponibilidade, que é muito própria daqueles que pensam de maneira generosa.

Desse tipo de compartilhamento surgem pesquisas mais sólidas, com resultados mais conclusivos, não só aumentando o conhecimento e a experiência dos pesquisadores envolvidos e dos leitores, como também beneficiando o personagem maior da atividade médica: o paciente.