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Radiologia Brasileira

Print version ISSN 0100-3984

Radiol Bras vol.45 no.3 São Paulo May/June 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-39842012000300002 

CARTA AO EDITOR LETTER TO THE EDITOR

 

O que podemos citar da Radiologia Brasileira?

 

 

Antonio Carlos Pires Carvalho

Professor Associado do Departamento de Radiologia, Coordenador Adjunto do Programa de Pós-graduação em Medicina (Radiologia) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil. E-mail: acpcrj@ hucff.ufrj.br

 

 

Sr. Editor,

Em relação ao editorial recentemente publicado(1) , gostaria de fornecer mais elementos para enfatizar a importância da citação dos artigos publicados na revista Radiologia Brasileira (RB).

Inicialmente, deve ser feita uma análise do Journal Citations Report (JCR), do Web of Science, e do Cites per Doc (CPD) do SCImago, lembrando que a última avaliação disponível do JCR é a de 2010; a de 2011 ainda não foi finalizada.

Ambos, JCR e CPD, referem-se a um sistema que avalia a importância dos periódicos científicos pelas citações recebidas. Criado inicialmente pela Thomson Reuters, dentro do indexador Web of Knowledge e denominado fator de impacto (FI), é calculado a partir das citações, num determinado ano, dos artigos publicados nos dois anos anteriores. Exemplo: se uma revista publicou 50 artigos em 2009, 50 artigos em 2010, e obteve 200 citações a esses artigos em 2011 nos periódicos indexados no Web of Knowledge, seu FI é 2. Se obteve 400 citações, seu FI é 4, se obteve 20 citações, seu FI é 0,2. Do mesmo modo, o CPD foi criado pela Elsevier, gigante do mundo editorial, para avaliar as publicações em seu indexador, o SCImago. A sistemática é a mesma, número de citações dos dois anos anteriores no ano avaliado dividido pelo de artigos daqueles dois anos anteriores. Também a SciELO, base de dados onde estão quase todas as revistas científicas brasileiras importantes, segue método semelhante, fazendo o cálculo do mesmo modo.

Esta análise inicial da métrica onde estão indexadas as mais importantes revistas científicas do mundo nos remete a uma situação: por serem o FI e o CPD um dos quesitos referenciais da Capes na avaliação dos programas de pós-graduação, é imperativo citar a RB e dar a ela o peso merecido, por ser a principal revista de Radiologia em língua portuguesa, com edição impressa e online. Em língua espanhola, no JCR só há uma revista de Medicina Nuclear e nenhuma de Radiologia. Acredito que se nossa revista começar a ser citada em periódicos internacionais, sua indexação no JCR será conseguida com mais facilidade. Para isto precisamos publicar nela. E citar seus artigos, nela ou em outros periódicos. Muitos autores brasileiros publicam regularmente em periódicos internacionais. Estes podem e devem ser os principais geradores de citações da RB. Nossos três programas de Mestrado e/ou Doutorado em Radiologia podem melhorar o conceito obtido nas avaliações da Capes a partir das publicações na RB se esta tiver seu CPD alto.

Até maio, a RB recebeu, em 2012, nas várias revistas indexadas na SciELO, 35 citações, sendo apenas 13 para artigos de 2010 e 2011, as usadas no cálculo do FI de dois anos na SciELO (no momento, FI = 0,0903), base de dados onde está indexada. No SCImago, outra base na qual é indexada, o CPD (equivalente ao FI) está caindo. Chegou a 0,379 em 2009, mas caiu para 0,218 em 2010 e 0,085 em 2011. De um total de 173 revistas "da área" no SCImago, estamos na posição 129. Neste indexador, tivemos 59 citações em 2008, 86 em 2009 (nosso melhor ano), 66 em 2010 e apenas 24 em 2011.

Então, passo a descrever um resumo do que foi publicado em 2010 e 2011, que se pode citar da RB em 2012 e que terá influência direta no FI da SciELO e no CPD do SCImago.

Em 2010 a RB publicou 88 artigos, sendo 50 originais, 10 de revisão ou ensaios iconográficos, 17 relatos de caso ou da seção "qual o seu diagnóstico?" e 11 editoriais. Em 2011 publicou 90 artigos, sendo 11 editoriais, 44 originais, 14 de revisão/ensaios iconográficos e 21 relatos de caso/qual o seu diagnóstico?. Destes, foram contabilizados como citáveis pela SciELO 144 artigos, nas diversas áreas de conhecimento do universo radiológico. A soma das citações em 2012 destes artigos publicados em 2010 e 2011, dividido por 144, será o FI de 2012 na SciELO.

Se fizermos a separação por área de conhecimento, 21 artigos são de abdome/trato gastrintestinal, 8 de cabeça e pescoço, 15 do aparelho cardiovascular, 13 artigos abordam temas de controle de qualidade, radioproteção ou Física das radiações, 14 relacionam-se com aparelho urinário ou Gineco-Obstetrícia, 11 são especificamente de mama, 16 de musculoesquelético, 17 de neurorradiologia, 10 temas de Pediatria, 13 de Radiologia geral, 11 de Radioterapia, 16 de tórax e 9 são de "outros temas".

Agrupando por método de imagem, 26 são de Radiologia convencional, 36 de ultrassonografia (US), 41 de tomografia computadorizada (TC), 42 de ressonância magnética (RM), 11 de Medicina Nuclear/PET, 11 de mamografia, 12 de Radioterapia, isoladamente ou combinados em um mesmo artigo.

Ou seja, temos um amplo universo de artigos para citar em nossas futuras publicações. Deve-se considerar que todos os artigos desde setembro/outubro de 2006 estão integralmente traduzidos para o inglês, podendo estes ser citados por sua versão online em artigos enviados para revistas internacionais.

Alguns artigos publicados nestes dois anos descritos acima podem ser citados com frequência, por abordarem temas amplos, de revisão, ricamente ilustrados, bem escritos e de temas muito variados, abrangendo quase todas as áreas de conhecimento radiológico. Em 2010 tivemos artigos sobre a precisão do diagnóstico em mamografia(2,3) , anormalidades no primeiro trimestre da gestação(4) , PET-RM neurológico(5) , RM nas reações periosteais(6) e TC no enfisema(7) . Em 2011, artigos sobre RM de corpo inteiro no linfoma infanto-juvenil(8) , US das massas anexiais(9) , alterações musculoesqueléticas no lúpus(10) , TC no traumatismo cranioencefálico(11) , dois ensaios sobre sinais em neurorradiologia(12,13) e um de US sobre a interpretação do espessamento da parede vesicular(14) . No biênio, muitos artigos sobre dosimetria e radioproteção, vários outros de TC de alterações pulmonares variadas, Doppler, mamografia. Em resumo, uma ampla gama de artigos citáveis.

Novamente, permitam que me repita(1), só depende de nós fazermos citações à nossa revista, aos seus artigos, para fazer a RB crescer e torná-la mais importante no meio acadêmico, colocando-a no topo das revistas citadas. Os professores de Radiologia, com ênfase especial aos que participam dos Programas de Pós-graduação stricto sensu (Mestrado e Doutorado), podem ajudar muito a RB a crescer. Acredito que a citação de "nossos" artigos em revistas internacionais vai gerar curiosidade dos autores estrangeiros em conhecer as referências e, em consequência, a RB, e estes poderão passar a citá-las também. Muitos autores brasileiros têm hoje grande influência internacional e podem atrair a atenção para a nossa revista. A indexação no JCR, com um fator de impacto significativo, poderá ser a consequência e o ponto alto de tudo isto. Creio que pode ser conseguido.

 

REFERÊNCIAS

1. Carvalho ACP. A revista Radiologia Brasileira. Novas possibilidades de crescimento frente às modificações dos critérios da Capes. Radiol Bras. 2012;45(2):v-vi.         [ Links ]

2. Nascimento JHR, Silva VD, Maciel AC. Acurácia dos achados mamográficos do câncer de mama: correlação da classificação BI-RADS e achados histológicos. Radiol Bras. 2010;43:91–6.         [ Links ]

3. Koch HA, Castro MVK. Qualidade da interpretação do diagnóstico mamográfico. Radiol Bras. 2010;43:97–101.         [ Links ]

4. Rios LTM, Oliveira RVB, Martins MG, et al. Anormalidades do primeiro trimestre da gravidez: ensaio iconográfico. Radiol Bras. 2010; 43:125–32.         [ Links ]

5. Cavalcanti Filho JLG, Fonseca LMB, Domingues RC, et al. PET-RM neurológico com FDG-18F: ensaio iconográfico. Radiol Bras. 2010;43:195–201.         [ Links ]

6. Nogueira-Barbosa MH, Sá JL, Trad CS, et al. Ressonância magnética na avaliação das reações periosteais. Radiol Bras. 2010;43:266–71.         [ Links ]

7. Hochhegger B, Marchiori E, Irion KL, et al. Acurácia da mensuração do enfisema pulmonar na tomografia computadorizada: pontos importantes. Radiol Bras. 2010;43:260–5.         [ Links ]

8. Nava D, Oliveira HC, Luisi FA, et al. Aplicação da ressonância magnética de corpo inteiro para o estadiamento e acompanhamento de pacientes com linfoma de Hodgkin na faixa etária infanto-juvenil: comparação entre diferentes sequências. Radiol Bras. 2011;44:29–34.         [ Links ]

9. Andrade Neto F, Palma-Dias R, Costa FS. Ultrassonografia nas massas anexiais: aspectos de imagem. Radiol Bras. 2011;44:59–67.         [ Links ]

10. Ribeiro DS, Araújo Neto C, D'Almeida F, et al. Achados de imagem das alterações musculoesqueléticas associadas ao lúpus eritematoso sistêmico. Radiol Bras. 2011;44:52–8.         [ Links ]

11. Morgado FL, Rossi LA. Correlação entre a escala de coma de Glasgow e os achados de imagem de tomografia computadorizada em pacientes vítimas de traumatismo cranioencefálico. Radiol Bras. 2011;44:35–41.         [ Links ]

12. Gonçalves FG, Barra FR, Matos VL, et al. Sinais em neurorradiologia – Parte 1. Radiol Bras. 2011;44:123–8.         [ Links ]

13. Barra FR, Gonçalves FG, Matos VL, et al. Sinais em neurorradiologia – Parte 2. Radiol Bras. 2011;44:129–33.         [ Links ]

14. Barbosa ABR, Souza LRMF, Pereira RS, et al. Espessamento parietal da vesícula biliar no exame ultrassonográfico: como interpretar? Radiol Bras. 2011;44:381–7.         [ Links ]