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Radiologia Brasileira

versão impressa ISSN 0100-3984

Radiol Bras vol.45 no.5 São Paulo set./out. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-39842012000500001 

EDITORIAL

 

Radiologia pediátrica: quando o diagnóstico deve ser "amigo" da criança

 

 

Marcelo ValenteI; Luiz Antonio Nunes de OliveiraII; Magda Carneiro-SampaioIII

IDoutor, Médico Neurorradiologista do Serviço de Diagnóstico por Imagem do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (ICr/HC-FMUSP), São Paulo, SP, Brasil
II
Especialista em Diagnóstico por Imagem pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), Médico Chefe do Serviço de Diagnóstico por Imagem do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (ICr/HC-FMUSP), São Paulo, SP, Brasil. E-mail: lan.oliv@terra.com.br
III
Professora Titular do Departamento de Pediatria, Presidente do Conselho Diretor do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (ICr/HC-FMUSP), São Paulo, SP, Brasil

 

 

Em um cenário atual de intenso desenvolvimento tecnológico, no despontar de uma nova era de informação digital online, nunca é demais ressaltar que há uma grande preocupação na formação dos futuros radiologistas, pediatras e, especificamente, dos futuros radiologistas pediátricos, pautada no sentido de orientar e estimular o exercício da prática médica para que os exames complementares essenciais ao diagnóstico e tratamento das condições pediátricas obtenham o máximo de benefício frente ao menor risco possível, evitando que a criança seja exposta desnecessariamente a situações de risco imediato e futuro, preservando a criança ou o adolescente de situações desnecessárias de sofrimento físico ou de quaisquer agravos psicológicos evitáveis.

A incorporação na prática diária de algumas ações simples pode determinar benefícios reais em favor do diagnóstico por imagem em pediatria, em um cenário de cada vez mais amigável às nossas crianças. Dentre estas ações destacamos:

A preocupação com a realização do menor número possível de exames complementares, priorizando aqueles que realmente possam proporcionar informações necessárias, e muitas vezes suficientes, para confirmar/afastar determinada hipótese diagnóstica. Tal objetivo pode ser na maior parte das vezes obtido mediante a otimização do binômio compreendido entre o aperfeiçoamento na realização da anamnese e do exame físico, associada a uma maior interação entre o pediatra e o radiologista.

À criança deve-se prover o adequado acolhimento não somente na ambientação, mas também com a padronização de técnicas e equipamentos mais apropriados a uma abordagem especificamente direcionada a cada faixa etária, garantindo situações de ambiente físico alegre e acolhedor, promovendo tranquilidade e segurança tanto ao paciente quanto a seus familiares.

Outro fato importante está na escolha da modalidade diagnóstica que permita a exploração mais adequada, dentro do conceito ALARA de mínimo risco, priorizando, neste caso, os fundamentos preconizados pelos protocolos Image Gently ou Image Wisely, nos quais as escolhas consideram as técnicas de doses mais baixas, ou que não usem radiação ionizante, como ultrassonografia e ressonância magnética, métodos que podemos considerar "amigos da criança".

De maneira semelhante, o emprego de sedativos e anestésicos com a finalidade de se obter uma imagem tecnicamente perfeita pode ser reduzido desde que empreguemos o conceito de imagem tecnicamente suficiente e segura para a obtenção da resposta à solicitação clínica específica, devendo-se restringir o uso destas técnicas somente em situações muito precisas, levando-se em consideração seus riscos dentro de uma perspectiva de abordagem minimamente invasiva.

Em uma época de grandes avanços tecnológicos travam-se atualmente grandes batalhas, ora contra o uso excessivo da radiação ionizante, ora no exercício de uma medicina defensiva, judicializada, ora na necessidade administrativa desenfreada pela redução de custos.

Neste contexto, sugere-se que o maior amigo para o diagnóstico das crianças ainda seja o esmero na realização da atividade médica de examinar e pautar as decisões clínicas com carinho, dedicação, responsabilidade e, principalmente, bom senso. Os métodos de imagem solicitados devem atender essas premissas básicas.