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Radiologia Brasileira

Print version ISSN 0100-3984On-line version ISSN 1678-7099

Radiol Bras vol.52 no.1 São Paulo Jan./Feb. 2019

http://dx.doi.org/10.1590/0100-3984.2017.0228 

NOVIDADES EM RADIOLOGIA

Colangiobiópsia transbiliar percutânea

Thiago Franchi Nunes1 
http://orcid.org/0000-0003-0006-3725

Tiago Kojun Tibana1 
http://orcid.org/0000-0001-5930-1383

Rômulo Florêncio Tristão Santos1 
http://orcid.org/0000-0002-8679-7369

Bernardo Bacelar de Faria2 
http://orcid.org/0000-0002-4258-2198

Edson Marchiori3 
http://orcid.org/0000-0001-8797-7380

1Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Campo Grande, MS, Brasil.

2Santa Casa de Campo Grande, Campo Grande, MS, Brasil.

3Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil.


Resumo

Os tumores das vias biliares são, em sua maioria, muito pequenos para apresentarem características específicas por imagem ou para permitir punção percutânea com material suficiente para o diagnóstico. A drenagem biliar trans-hepática percutânea, além de ser uma técnica bem estabelecida no tratamento de icterícia obstrutiva, fornece um acesso adequado para amostragem de lesões obstrutivas. Nos casos de lesões biliares, a colangiobiópsia transbiliar percutânea demonstra ser uma boa técnica diagnóstica, com acurácia ultrapassando 90% em alguns centros de referência.

Unitermos: Neoplasias dos ductos biliares; Sistema biliar; Biópsia/métodos; Biópsia por agulha/métodos; Colangiografia

Abstract

Most tumors of the biliary tract are too small to have specific imaging characteristics or for percutaneous puncture to provide sufficient material for diagnosis. Percutaneous transhepatic biliary drainage, in addition to being a well-established technique in the treatment of obstructive jaundice, provides adequate access for sampling obstructive lesions. In cases of biliary lesions, percutaneous transhepatic biopsy of the biliary tract has proven to be a useful diagnostic technique, with a reported accuracy of over 90% at some referral centers.

Keywords: Bile duct neoplasms; Biliary tract; Biopsy/methods; Biopsy, needle/methods; Cholangiography

INTRODUÇÃO

Os tumores das vias biliares são, em sua maioria, muito pequenos para apresentarem características específicas por imagem ou para permitir punção percutânea com material suficiente para o diagnóstico(1,2). Além disso, as neoplasias malignas não são facilmente distinguidas das benignas com base na análise anatomopatológica. Os resultados de punção aspirativa por agulha fina (PAAF) do sistema biliar são inferiores aos da PAAF de outros locais(2). Portanto, outras técnicas para obtenção de amostras histológicas foram desenvolvidas nessa área(3-10).

A drenagem biliar trans-hepática percutânea, além de ser uma técnica bem estabelecida no tratamento de icterícia obstrutiva, fornece um acesso adequado para amostragem de lesões obstrutivas. Nos casos de lesões biliares, a colangiobiópsia transbiliar percutânea (CBTP) demonstra ser uma boa técnica diagnóstica, com acurácia ultrapassando 90% em alguns centros de referência(3,4).

Antes de quaisquer abordagens das vias biliares, é primordial um conhecimento avançado na interpretação dos exames de imagem, principalmente a colangiorressonância magnética(2,11,12). Devem ser identificadas possíveis variações anatômicas biliares e vasculares, determinado o nível da obstrução biliar e, finalmente, identificado o nível de invasão tumoral na porção hilar segundo a classificação de Bismuth(13). Os pacientes que mais se beneficiam da técnica de CBTP são aqueles que apresentam obstruções biliares altas, localizadas no hilo hepático (Klatskin-like) Bismuth II a IV, níveis séricos de bilirrubinas > 10 mg/dL, envolvimento circunferencial do ducto biliar (> 2/3) e estenoses longas (> 2 cm de extensão).

PROCEDIMENTO

Inicialmente, realiza-se a punção da via biliar (direita ou esquerda) com base nos exames por imagem prévios. Procede-se a colangiografia com projeção oblíqua anterior direita, com o objetivo de visualizar o ponto obstrutivo, a morfologia e a extensão da estenose, se possível com análise fibroscópica, visando uma melhor identificação da lesão alvo. Após a transposição da estenose, implanta-se uma bainha introdutora angulada na região a ser biopsiada. Em caso de se optar por bainha 8F, associar com fio-guia 0,014'', e em caso de se usar bainha 9F, associar com fio-guia 0,035''. Utilizando agulhas endoscópicas tipo fórceps, coletam-se pelo menos cinco fragmentos de porções diversas da lesão da região peri-hilar (Figuras 1 e 2). Ao final do procedimento é recomendada a colocação de dreno biliar com extremidade distal no duodeno ou drenagem externa, em caso de dificuldade técnica em ultrapassar a estenose.

Figura 1 A: Punção da via biliar direita em paciente com estenose Bismuth II. B: Passagem de fio-guia 0,035'', colocação de bainha 9F e biópsia com agulha tipo fórceps. Relatório anatomopatológico revelou colangiocarcinoma. 

Figura 2 A: Punção da via biliar esquerda em paciente com estenose Bismuth I. B: Colocação de bainha 8F e biópsia com agulha tipo fórceps sem fio-guia. Relatório anatomopatológico revelou metástase hepática de carcinoma colorretal. 

A CBTP é um exame simples do ponto de vista técnico, minimamente invasivo, com baixas taxas de complicações e altas taxas de sucesso diagnóstico quando comparada a outras técnicas já descritas(1,4). Sua utilização expandiu a pesquisa sobre afecções biliares e, na prática clínica, mostrou ser um novo método preciso e confiável para o diagnóstico histopatológico de neoplasias biliares, além de sua ampla aplicabilidade.

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Recebido: 3 de Novembro de 2017; Aceito: 7 de Janeiro de 2018

Correspondência: Dr. Thiago Franchi Nunes. Avenida Senador Filinto Müller, 355, Vila Ipiranga. Campo Grande, MS, Brasil, 79080-190. E-mail: thiagofranchinunes@gmail.com.

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