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Radiologia Brasileira

versão impressa ISSN 0100-3984versão On-line ISSN 1678-7099

Radiol Bras vol.52 no.6 São Paulo nov./dez. 2019  Epub 25-Nov-2019

https://doi.org/10.1590/0100-3984.2017.0193 

Cartas ao Editor

Fístula ureterocolônica como achado incidental no enema opaco de enchimento

Michael Frank Pereira1 
http://orcid.org/0000-0001-8799-2951

1Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Vitória, ES, Brazil


Sr. Editor,

Paciente mulher, 42 anos, com história de cirurgia de Hartmann há 7 meses para tratamento de carcinoma colorretal, em avaliação pré-operatória para fechamento da colostomia. Negou queixas clínicas, comorbidades e quimiorradioterapia prévia. Durante realização de clister opaco (Figura 1), observou-se opacificação do ureter e sistema coletor renal esquerdo pelo meio de contraste baritado, compatível com fístula ureterocolônica, com trajeto fistuloso de difícil caracterização, provavelmente interligando o coto distal ao terço médio do ureter esquerdo.

Figura 1 Enema opaco de enchimento. A,B: Incidências em perfil mostrando opacificação inicial do reto e cólon distal remanescente, ureter e sistema coletor renal esquerdo (A) e opacificação posterior da bexiga urinária (B). C: Incidência em em posteroanterior demonstrando opacificação posterior da bexiga urinária. 

Houve também opacificação com o meio de contraste, posteriormente, da bexiga urinária. A análise cuidadosa das imagens é importante para evitar um diagnóstico incorreto de fístula vesicoentérica com refluxo vesicoureteral associado.

Fístulas ureterocolônicas são raras, apresentando causas variadas, a maioria correspondendo a alterações de origem urológica(1), de etiologia iatrogênica, inflamatória, neoplásica ou, ainda, idiopática. O recente aumento do número de ureteroscopias e laparoscopias contribuiu sobremaneira para o aumento de sua incidência(2), pois a manipulação cirúrgica gera subsequente inflamação que acomete o ureter e leva à formação de fístula(3). Anatomicamente, a maioria dos casos envolve o ureter direito em seus terços superior e médio, raramente ocorrendo à esquerda(1,4,5).

O sintoma mais comum é dor abdominal inespecífica, usualmente de localização em flancos. Irritação peritonial com acometimento do músculo psoas pode acarretar na ocorrência da tríade de Morton, composta por dor lombar, adução da coxa e flexão do membro inferior. Ausência de sintomas digestivos é a regra, sendo ocasional a presença de pneumatúria ou fezes na urina(6).

O diagnóstico pode ser feito durante a realização de exame radiográfico contrastado, como um clister opaco e uretrocistografia miccional retrógrada(7). O clister opaco é o método mais confiável para demonstrar o trajeto fistuloso(8). A uretrocistografia miccional retrógrada pode permitir a visualização do trajeto fistuloso, porém, pode apresentar dificuldade na identificação do meato ureteral devido a presença de edema circunjacente associado ao processo inflamatório e existência de obstrução do trajeto ureteral que se associa ao processo fistuloso. A tomografia computadorizada é o método mais sensível para identificação de gás na via urinária e observação do trajeto fistuloso.

O tratamento consiste na retirada cirúrgica da fístula, que apresentará técnica variável na dependência da porção ureteral acometida e também da presença ou não de uma eventual disfunção renal associada.

No caso aqui relatado, o surgimento da fístula foi iatrogênico por manipulação cirúrgica prévia. A realização do exame contrastado foi essencial para a paciente, pois permitiu que a fístula fosse corrigida já no procedimento cirúrgico que estava em planejamento, além de permitir o encaminhamento da paciente para a nefrologia para acompanhamento clínico de eventual disfunção renal em instalação.

REFERENCES

1 Sumiya H, Nagashima K, Naito H, et al. Ureteroduodenal fistula. Urol Int. 1985;40:33-5. [ Links ]

2 Maeda Y, Nakashima S, Misaki T. Ureterocolic fístula secondary to colonic diverticulitis. Urol Int. 1998;5:610-2. [ Links ]

3 Bensouda A, El Hader K, Sbihi L, et al. Entero-urinary fistula. Tunis Med. 2010;88:814-9. [ Links ]

4 Desmond JM, Evans SE, Couch A, et al. Pyeloduodenal fistulae. A report of two cases and review of the literature. Clin Radiol. 1989;40:267-70. [ Links ]

5 Infantino A, Dodi G, Lise M. Ureteroduodenal fistula. Br J Surg. 1987; 74:499. [ Links ]

6 Ducassou J, Richaud C, Duvainage JF, et al. A rare etiology of ureterocolic fistula. J Urol Nephrol (Paris). 1977;83:252-4. [ Links ]

7 Conde Santos G, Griñó Garreta J, Bielsa Gali O, et al. Uretero-colonic fistula in non-functioning ureter. Arch Esp Urol. 2001;54:1126-9. [ Links ]

8 Cirocco WC, Priolo SR, Golub RW. Spontaneous ureterocolic fistula: a rare complication of diverticular disease. Am Surg. 1994;60:832-5. [ Links ]

Recebido: 18 de Outubro de 2017; Aceito: 27 de Dezembro de 2017

Correspondência: Dr. Michael Frank Pereira Universidade Federal do Espírito Santo Avenida Marechal Campos, 1355, Santa Cecília Vitória, ES, Brasil. E-mail: michaelfp@gmail.com

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