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Química Nova

Print version ISSN 0100-4042On-line version ISSN 1678-7064

Quím. Nova vol.24 no.1 São Paulo Jan./Feb. 2001

https://doi.org/10.1590/S0100-40422001000100001 

EDITORIAL

 

 

Este é o primeiro Editorial de Química Nova neste século, ou melhor, neste novo milênio. Já seria um privilégio escrevê-lo como o primeiro de um novo ano e o vigésimo-quarto da Sociedade Brasileira de Química, quanto mais como o primeiro do novo milênio, pois poucos têm a oportunidade de atravessar um milênio.

Portanto, este Editorial não se desenha como tarefa fácil em que o tema possa ser identificado simplesmente. Critérios para elegê-lo, ao contrário, são menos difíceis, mas considero que sua atualização e sintonia com o momento que vivemos possa ser o mais óbvio e pertinente, dentre eles.

Nestes tempos, em que tudo é novo, como o ano, o século e, sobretudo, o milênio, profecias são cobradas e têm eco, como nunca, aquelas mais alarmistas onde os prescientes utilizam bola-de-cristal, tarô, búzios e outras variadas formas de previdência capazes de anunciar o futuro. Alguns outros se refugiam na numerologia e identificam que 2001 assim como o século 21 resultam no número três que, notoriamente, é de bom presságio. Agrava-se este sintoma de otimismo quando se reconhece o duplo resultado - do ano que é milênio e do século - que também o é. Tomara!...

Essa coisa de números até que faz um certo sentido no mundo atual da Educação e Ciência brasileiras. Afinal, adotaram verdadeiras numerologias, talvez mais místicas que a original, utilizada nas presciências. Enquanto esta última é útil para prever o futuro dos crédulos, aquela ficou sendo oficialmente útil para "medir" o passado, do que se fez, do que se foi e, consequentemente, do que se é e mais, do que se será. É essencial para se identificar e divisar os produtivos, os bons, dos ditos improdutivos, os maus. Como se entre uns e outros, nenhum mais coubesse, tal o dualismo pouco inteligente da coisa. Algo assim como o número tal, talvez não só por coincidência o cabalístico sete, por exemplo, que corresponde a atributo de excelência para cursos de pós-graduação, medidos antes da "era numerológica" por letras, para o novo tempo atual, ultrapassadas. O "novo" GED, a nota mínima do "provão" aliás nunca entendi porque "ão", embora não venha a sufixar e sugerir "inha"! o escore da avaliação, classificação etc, praticamente tudo se mede neste novo século que se inicia, na Educação e na Ciência brasileiras, terra onde a CPMF que nasceu provisória, virou permanente e nem se deram ao trabalho de atualizar o "P".

Talvez, por ser tudo novo, de novo devêssemos rever estas questões numerológicas, tais como: a qualidade da educação está, de fato, refletida nesta numerologia? A capacidade crítica e reflexiva do aluno, que pode ser atributo essencial à cidadania, está sendo contemplada? Mede o "provão", realmente, o aprendizado que o jovem químico, por exemplo, adquiriu, na iniciação científica ou no estágio profissionalizante? Mede o GED a qualidade do conteúdo das inúmeras aulas ministradas pelos docentes ou apenas sua quantidade?

O novo milênio, o novo século e este novo ano colocam, de novo, velhas questões em pauta, que precisamos nos preparar para responder através do debate, sob pena de, por não identificarmos suas máscaras, passarmos à categoria de cidadãs e cidadãos meramente quantificáveis e quantificados, de novo agora com o sentido de mais uma vez, que poderá ser a última.

 

 

Eliezer J. Barreiro
Presidente - SBQ

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