SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.26 issue1Caracterization and classification of solid waste "pó do balão", produced by merchant pig iron industry which use charcoal as energy source in Brasil: case study of Sete Lagoas region, State of Minas Gerais author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Química Nova

Print version ISSN 0100-4042On-line version ISSN 1678-7064

Quím. Nova vol.26 no.1 São Paulo Jan./Feb. 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-40422003000100001 

EDITORIAL

 

Desafios para a química brasileira

 

 

Vitor F. Ferreira ¾ UFF

Editor de QN

 

 

No final de 2002 ocorreu um evento importante que terá reflexo significativo para a área de Química em 2003: a realização do workshop "A QUÍMICA NO BRASIL: SITUAÇÃO ATUAL E PERSPECTIVAS", em Salvador entre os dias 04-06 de dezembro, promovido pela Sociedade Brasileira de Química.

A Diretoria e o Conselho Consultivo da SBQ decidiram promover este evento dentro do plano de ação denominado "Eixos Mobilizadores da Química". Neste sentido, foram abordados temas relacionados com o ensino de Graduação e Pós-graduação em Química, modelos de financiamento à pesquisa, a situação e as perspectivas da área de Química.

Este "workshop" foi coordenado pelos Conselheiros Jailson B. de Andrade e Solange Cadore e teve o apoio financeiro da FINEP, CAPES e do CNPq. Participaram os membros da Diretoria e do Conselho da SBQ, 35 Coordenadores de Programas de PG, além de sócios da SBQ que, atualmente, ocupam posições em diversos comitês, como o de Avaliação da CAPES, CA do CNPq e CD-CNPq. Não é minha intenção fazer um relato detalhado do evento, pois os documentos gerados no "workshop" serão amplamente divulgados pela SBQ. Porém, destacarei neste editorial alguns pontos importantes que surgiram das discussões nos diversos grupos de trabalho, que constituíram o "workshop".

No grupo "Avaliação: do Pesquisador, do Grupo de Pesquisa e da Pós-graduação" ficou evidente que as diretrizes do processo de avaliação dos programas devem ser sempre divulgadas com antecedência, discutidas previamente com a comunidade e demonstrar transparência nos parâmetros utilizados para a classificação dos programas nos seus diversos níveis. Temas como a endogenia individual e temática e os índices de impacto das revistas foram amplamente debatidos. O grupo de trabalho que analisou os aspectos de alguns "Programas Recentes da CAPES e do CNPq", juntamente com o GT sobre a "Formação de Recursos Humanos: da Graduação à Pós-graduação", detectou que diversas ações devem ser tomadas no sentido de discutir amplamente os resultados alcançados por estes programas e a necessidade de uma efetiva integração entre graduação e pós-graduação. O GT que tratou da "Desconcentração Regional e Combate à Endogenia" teve o desafio de examinar e propor alternativas sobre a desigualdade regional e sugerir providências para minimizar estas distorções da área. O GT sobre "Gargalos Institucionais e Interdisciplinaridade" analisou diversas ações que podem melhorar as atividades de ensino e pesquisa em Química nas Universidades.

Outros temas foram motivos de preocupação de todos os GTs, como por exemplo os valores das bolsas de pós-graduação que não são reajustados há oito anos, o número de bolsas de mestrado do CNPq que está diminuindo e o crescimento verificado nas bolsas de doutorado na CAPES e no CNPq está muito distante da taxa de crescimento do alunado. No que diz respeito à pesquisa, a preocupação geral foi a falta de continuidade dos instrumentos de fomento à pesquisa.

Nas discussões pude notar um desejo dos participantes no sentido de que a CAPES seja responsável pelo financiamento global do sistema de pós-graduação e o CNPq pelo financiamento direto à pesquisa, porém os estados devem prover uma contrapartida ao financiamento à pesquisa através das FAPs. Da mesma forma, houve opiniões favoráveis a uma atitude pró-ativa do pesquisador em relação ao setor empresarial, visando ampliar a inovação tecnológica e a competitividade do país. Focalizar na inovação tecnológica e na formação de novas lideranças científicas com amplo leque de oportunidades na interface com outras áreas - é o nosso desafio.

Esta reunião demonstrou que a Sociedade Brasileira de Química continua mobilizada e está sintonizada com as novas demandas do setor. O enfrentamento claro e objetivo dos desafios atuais da Química brasileira envolve ampla discussão, em reuniões como a realizada em Salvador, que certamente resultará em ações concretas por parte da nossa SBQ.

Creative Commons License All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License