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Química Nova

Print version ISSN 0100-4042

Quím. Nova vol.31 no.7 São Paulo  2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-40422008000700003 

ARTIGO

 

Fluxos de óxido nitroso na interface ar-mar na baía de Guanabara

 

Nitrous oxide fluxes at the air-sea interface in Guanabara bay

 

 

Giselle Parno Guimarães; William Zamboni de Mello*

Departamento de Geoquímica, Instituto de Química, Universidade Federal Fluminense, Outeiro de São João Batista, s/n, 24020-007 Niterói - RJ, Brasil

 

 


ABSTRACT

In Surface water concentrations of N2O were measured at 37 stations in Guanabara Bay and fluxes estimated across the air-sea interface. Concentrations averaged 8.2 ± 2.2 nmol L-1 and 90% of the stations showed supersaturation averaging 33%. N2O fluxes were estimated using a two-film model which is given by the product of the concentration difference across the film and the gas transfer coefficient (kw). Two parametrizations of kw were used which provided average fluxes of 0.3 and 3.0 µg N m-2 h-1. Flux measurements using floating chambers (not reported here) seem to agree with the upper limit of these estimates.

Keywords: nitrous oxide; air-sea exchange; Guanabara Bay.


 

 

INTRODUÇÃO

O óxido nitroso (N2O) é o segundo composto de nitrogênio (N) mais abundante na atmosfera terrestre e origina-se de fontes naturais e antrópicas. O N2O exerce importante papel no controle do ozônio (O3) estratosférico bem como na temperatura da superfície do planeta. Por ser a principal fonte estratosférica de óxido nítrico [N2O + O(1D) → 2NO], o N2O contribui de forma indireta para o consumo do O3 estratosférico [NO + O3 → NO2 + O2], que protege a superfície do planeta de uma maior incidência de radiação ultravioleta. Na troposfera, o N2O absorve a radiação infravermelha emitida pela superfície da Terra e é responsável por 5-6% do efeito estufa.1

Por ser um gás pouco reativo na troposfera, o N2O possui um tempo de vida de aproximadamente 125 anos, que é o quociente da razão entre sua massa total na atmosfera [~ 1500 Tg N (1 Tg = 1 teragrama = 1012 g)] e sua taxa de consumo global na atmosfera (~ 12 Tg N ano-1).2 De meados do século XVIII até 2003, a concentração (fração molar) de N2O na atmosfera superficial cresceu 17%, isto é, de 270 a 317 ppb 2,3 (parte por bilhão, ppb = 10-9; 1 ppb de N2O = 1,80 µg N2O m-3, para T = 25 ºC e P = 1 atm). Nos últimos 25 anos, esse crescimento tem sido linear e de 0,8 ppb ano-1 (0,25% ano-1), representando um acúmulo anual da ordem de 4 Tg N. Este crescimento é atribuído principalmente às atividades agropecuárias, a alguns processos industriais e às queimadas.3,4 Aproximadamente metade do total global de N2O emitido para a atmosfera origina-se de fontes antrópicas.2

Na natureza, o N2O é produzido por processos microbiológicos de nitrificação e desnitrificação em sistemas continentais e marinhos (solo, água e sedimentos). A nitrificação, definida como a oxidação biológica do amônio (NH4+) a nitrato (NO3-), é conduzida predominantemente por bactérias quimioautotróficas que obtêm energia da oxidação do NH4+ a nitrito (NO2-) e do NO2- a NO3- para transformar dióxido de carbono (CO2) em matéria orgânica. O N2O é um subproduto da nitrificação na etapa de oxidação do NH4+ a NO2- :5

A bioquímica de produção de N2O via nitrificação ainda não é bem esclarecida, embora vários mecanismos tenham sido propostos.6 Na etapa da nitrificação em que o NH4+ é oxidado a NO2- a hidroxilamina (NH2OH) se forma como produto intermediário e o N2O pode se formar a partir de sua decomposição. Wrage et al.6 apresentam uma súmula dos mecanismos de produção de N2O via nitrificação e desnitrificação.

A desnitrificação ocorre em ambiente estritamente anaeróbio. As bactérias desnitrificadoras oxidam substâncias orgânicas (fontes de energia) e utilizam os íons NO3- ou NO2- como receptores de elétrons, que são reduzidos às formas gasosas de N2O ou nitrogênio diatômico (N2), como exemplificado pela redução do NO2- a N2O:

A desnitrificação pode tanto produzir quanto consumir N2O. Nesse último caso ele é utilizado como receptor de elétrons e reduzido a N2:

A eutrofização de sistemas aquáticos provoca aumento na produção de N2O.7 Seitzinger e Kroeze8 estimaram para 1990 uma emissão global de N2O de rios, estuários e plataformas continentais da ordem de 1,9 (0,9-9,0) Tg N ano-1, dos quais cerca de 90% foram atribuídos às atividades antrópicas, destacando-se o uso de fertilizantes, mas também o aporte atmosférico e a descarga de esgotos. A contribuição desses sistemas representa aproximada mente 25% da emissão global de N2O atribuída às atividades antrópicas.2 Seitzinger e Kroeze8 prevêem para meados do século XXI um incremento na emissão global de N2O de rios, estuários e plataformas continentais, em relação a 1990, que atingiria aproximadamente 4,9 (1,3-13,0) Tg N ano-1. Deve-se ressaltar que a maior parte dos estudos relacionados às emissões de N2O em sistemas aquáticos costeiros e marinhos expressivamente influenciados por atividades humanas ocorrem no Hemisfério Norte.

No Brasil, se desconhece qualquer estudo relacionado à emissão de gases de N (NH3 e N2O) em sistemas aquáticos costeiros eutrofizados excetuando-se o recentemente publicado por Guimarães e de Mello,9 que apresenta uma estimativa das emissões de NH3 das águas da Baía de Guanabara. Face à grande carga de N orgânico lançada diariamente na Baía de Guanabara10 e aos elevados níveis de nitrogênio amoniacal (NHx) verificados nestas águas9,11 é de se esperar também concentrações elevadas de N2O em relação às águas da plataforma continental. O presente estudo, uma complementação àquele de Guimarães e de Mello,9 teve como objetivo estimar os fluxos de N2O na interface ar-mar na Baía de Guanabara, conhecer sua variação espacial e aventar sobre seus processos de produção nas águas superficiais da baía.

 

PARTE EXPERIMENTAL

Área de estudo

A Baía de Guanabara possui 384 km2 de área superficial total e 328 km2 de espelho d'água, descontadas as áreas de suas 42 ilhas.12 Atualmente a baía é reduzida em cerca de 10% de sua área original devido a aterros. A sua bacia de drenagem (4080 km2), posicionada entre o Atlântico e a Serra do Mar, abrange total ou parcialmente 15 municípios, englobando grande parte da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.13 Dos 45 rios e canais que compõem a bacia de drenagem da baía, 6 são responsáveis por 85% da descarga fluvial total, estimada em 100 m3 s-1.12 A descarga fluvial total apresenta variação sazonal significativa, cujas médias mensais estimadas variam de 33 m3 s-1 (julho) a 186 m3 s-1 (janeiro).12 Em abril, mês em que se realizou o presente estudo, a descarga fluvial média estimada é de aproximadamente 115 m3 s-1.12

A Baía de Guanabara possui batimetria complexa, descrita por Amador.14 O canal central, que se estende da entrada da baía até a Ilha de Paquetá, possui uma largura mediana de 400 m e profundidade média de 30 m. Os trechos noroeste, norte e nordeste (APA de Guapimirim) são bastante rasos. A profundidade média ponderada pela área da baía é de 5,7 m.

Coletas e tratamento de amostras

A coleta de amostras compreendeu 37 estações e ocorreu no período de 5 a 7 de abril de 2004. A distribuição das estações de amostragem, as trajetórias realizadas por data de coleta e a descrição dos procedimentos adotados para coleta de amostras de água, bem como das medições de pH, condutividade e temperatura realizadas in situ, encontram-se em Guimarães e de Mello.9

Amostras de ar atmosférico foram coletadas somente em 6 das 37 estações de amostragem para quantificação de N2O na água. Para isso, aproximadamente 20 mL de ar atmosférico foram coletados e armazenados em seringas (Embramac) de polipropileno de 60 mL vedadas por meio de torneiras plásticas de 3 vias.

Para extração e posterior determinação da concentração de N2O na água do mar, adotou-se a técnica do equilíbrio em headspace. Na estação de amostragem, um volume ligeiramente superior a 30 mL de amostra de água foi transferido diretamente da garrafa de van Dorn, por meio de uma mangueira de borracha, para uma seringa do mesmo tipo da utilizada para coleta de ar atmosférico. Esta transferência foi feita cuidadosamente, evitando-se a formação de bolhas de ar na amostra de água na seringa. Logo em seguida, o volume de amostra de água foi reduzido a 30 mL e a seringa preenchida com igual volume de ar atmosférico. A seringa foi então imediatamente submetida a 50 agitações manuais e, após este procedimento, o ar contido no headspace foi transferido para outra seringa (seca) de 60 mL através do acoplamento das torneiras de 3 vias das duas seringas. Este procedimento foi efetuado para evitar o risco de transferência de água do mar ao sistema analítico, podendo resultar em prejuízo às determinações de N2O e danos à coluna cromatográfica. As seringas, contendo amostras de ar atmosférico e de ar do headspace (resultante da extração), foram então conduzidas ao laboratório e analisadas em menos de 24 h.

A concentração de N2O na água do mar (cmar; em nmol L-1) foi calculada através da Equação 4:

onde chs(f) e chs(i) são, respectivamente, as concentrações de N2O (em ppb) final e inicial no headspace da seringa [Obs.: chs(i) representa a concentração de N2O no ar ambiente, portanto, chs(i) = car (Equação 11)], K0 é o coeficiente de solubilidade do N2O 15 calculado para a temperatura e salinidade da água do mar in situ e pressão de 1 atm (Equação 11), P é a pressão (assume-se 1 atm), R é a constante universal dos gases (0,082 L atm K-1 mol-1) e T (em K) é a temperatura da água do mar in situ.

No laboratório, alíquotas das amostras de água do mar foram filtradas, no mesmo dia da coleta, através de membranas de fibra de vidro de aproximadamente 0,7 µm de diâmetro de poro (Sartorius®). Após filtragem, uma parcela do volume filtrado de cada amostra foi destinada à determinação (no mesmo dia) de NO2- e uma outra foi imediatamente estocada em freezer (a aproximadamente -22 ºC) para posterior determinação de NO3-.

Análises químicas

Nas amostras de água do mar foram efetuadas as análises de nitrogênio amoniacal (NHx), nitrito (NO2-) e nitrato (NO3-). As especificidades do procedimento para determinação de NHx encontram-se detalhadamente descritas em Guimarães e de Mello.9 O NO2- foi determinado pelo método do acoplamento da sulfanilamida diazotada com o dicloridrato de N-1-nafitiletilenodiamina, com absorbância medida a 525 nm.16 O NO3- foi determinado após redução a NO2- em coluna redutora de cádmio e subtração da concentração inicial de NO2-.16,17 As medidas de absorbância de amostras e padrões foram realizadas em um espectrofotômetro Hitachi modelo U-1100. Os limites de detecção foram de 0,1 µmol L-1 para NO2- e NO3-. As precisões analíticas das determinações de NO2- e NO3- realizadas em triplicata estiveram nas faixas de ± 7%.

O N2O, nas amostras de ar atmosférico e do headspace resultante das extrações das amostras de água, foi analisado em um cromatógrafo a gás (CG) Shimadzu modelo GC-17A, equipado com detector de captura de elétrons de Ni63 operado a 340 ºC. O gás de arraste utilizado, numa vazão de 30 cm3 min-1, é uma mistura de argônio com 5% de metano (White Martins, gases especiais). Primeiramente, as amostras de ar são injetadas em um loop de 2 cm3 acoplado a uma válvula de 6 vias em aço inoxidável, fixada na parte externa do forno do CG. Com a mudança de posição da alavanca da válvula, a amostra contida no loop é transferida diretamente à coluna cromatográfica, construída em tubo de aço inoxidável (comprimento = 3,2 m; d.i. = 1/8") e empacotada com Porapak Q (80-100 mesh), que é operada a 60 ºC. A concentração de N2O na amostra foi determinada por comparação da área integrada do pico obtido da amostra com a área do pico de padrões analíticos de N2O diluídos em N2, cujas concentrações foram de 356 e 840 ppb (White Martins, gases especiais). As amostras foram analisadas de 3 a 15 h após as coletas ou extrações. A precisão analítica foi de ± 1%, valor que representa o coeficiente de variação das áreas dos picos de 5 réplicas de cada um dos padrões.

Cálculo do fluxo de óxido nitroso na interface ar-mar

Liss e Slater18 descreveram um modelo no qual a transferência do gás é realizada através de duas microcamadas adjacentes (two-layer model) na interface ar-mar. Parte-se do princípio que ambos os fluidos (ar e mar) são considerados bem misturados e a resistência ao transporte em ambas as fases acontece em uma estreita camada, na qual a transferência é realizada por difusão molecular. Através deste modelo, o fluxo de N2O na interface ar-mar pode ser parametrizado como:

onde F é o fluxo do gás na interface ar-mar, kw é a velocidade de transferência do gás na fase aquosa, cmar é a concentração do gás medida na superfície da água do mar e ceq,ar é a concentração do gás calculada para a superfície da água do mar sob a condição de equilíbrio com sua concentração medida no ar. Neste caso, os valores de F positivos denotam transferência do gás da superfície do mar para a atmosfera e o inverso para os valores de F negativos.

A velocidade de transferência, kw, é função de processos físicos na camada limite estagnada (stagnant boundary layer), da viscosidade cinemática da água (ν) e do coeficiente de difusão molecular do gás em água (D).18-21 A razão entre os dois últimos termos representa o número de Schmidt (Sc = ν/D), que é específico para cada gás e varia em função da temperatura (Sc decresce à medida que cresce a temperatura) e, em menor proporção, da salinidade. O Sc é adimensional, pois ν e D expressam-se na mesma unidade, i.e., área tempo-1, em geral cm2 s-1.

A velocidade de transferência para gases com maior resistência na fase aquosa, tais como óxido nitroso (N2O), metano (CH4) e sulfeto de dimetila (CH3SCH3), e sua relação com a velocidade do vento, u, é discutida por Liss e Merlivat,20 que utilizaram resultados de vários estudos em túnel de vento para tentar especificar a relação entre kw e u. Os estudos em túnel de vento mostram que a relação entre kw e u se ajusta a três equações lineares com distintos coeficientes angulares:20

onde kw é a velocidade de transferência na fase aquosa (cm h-1) e u10 é a velocidade do vento a 10 m de altura (m s-1).

Entretanto, em se tratando de águas de rios e estuários, alguns estudos utilizam diferentes parametrizações para o cálculo de kw, considerando que nesses sistemas a velocidade de transferência está sujeita não somente à turbulência provocada pelos ventos,19-21 mas também pelo movimento das marés.22,23 Raymond e Cole23 discutiram a aplicação de diferentes técnicas para a estimativa do fluxo de gases na interface ar-água em rios e estuários. Combinando resultados de vários estudos, cujos valores de kw foram medidos por meio de câmaras flutuantes e traçadores (e.g., 3He, 222Rn e SF6,) para velocidades de vento na faixa de 0,2 a 6,5 m s-1, Raymond e Cole23 propuseram a seguinte equação para o cálculo de fluxo de gases em sistemas fluviais e estuarinos:

No presente estudo, os fluxos de N2O na interface ar-mar foram estimados com base nas equações propostas por Liss e Melivat20 para o cálculo de kw, as mesmas utilizadas por Hashimoto et al.24 e Zhang et al.25 para estimativas de fluxos de N2O nas baías de Tóquio (Japão) e Jiaozhou (China), respectivamente, e na equação proposta por Raymond e Cole,23 aplicada por Harrison e Matson26 para determinação de fluxos de N2O na interface ar-água em rios do Valle del Yaqui (México).

O número 600 nas Equações 6-9 é o valor de referência do Sc para CO2 em água doce a temperatura de 20 ºC. O valor do Sc para o N2O pode ser calculado através da Equação 10, proposta por Wanninkhof21 para água do mar, para T em K:

A concentração de N2O na superfície da água do mar sob a condição de equilíbrio com a concentração de N2O no ar (ceq,ar; em mol L-1) é calculada pela Equação 11:

onde K0 representa o coeficiente de solubilidade do N2O (mol L-1 atm-1) e car é a concentração de N2O medida no ar expressa como pressão parcial do gás (atm). Neste caso, utilizou-se a função K0, válida para a faixa de temperatura de 0 a 40 ºC, ajustada à condição de ar saturado em umidade e pressão total de 1 atm, definida por Weiss e Price15 como:

onde T é a temperatura (em K) e S a salinidade (em ups). Os valores atribuídos às constantes são:15 A1 = -165,8806, A2 = 222,8743, A3 = 92,0792, A4 = -1,48425, B1 = -0,056235, B2 = 0,031619 e B3 = -0,0048472. Para as possíveis faixas de temperatura e salinidade do ambiente estudado (i.e., águas da Baía de Guanabara),9 a temperatura exerce maior influência sobre a solubilidade do N2O do que a salinidade. Por exemplo, a 25 ºC, a solubilidade do N2O em água com S = 35 ups é 7,3% menor que para S = 20 ups, ao passo que em água com S = 30 ups, a solubilidade do N2O a 30 ºC é 26% menor que a 20 ºC.

O grau de saturação do N2O na água (ΔN2O; em %) é calculado através da seguinte equação:

Valores positivos de ΔN2O (supersaturação) sugerem produção do N2O na água, ao passo que valores negativos (subsaturação) sugerem consumo.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A Tabela 1 apresenta a estatística descritiva da temperatura, salinidade, pH, nitrogênio amoniacal (NHx = NH4+ + NH3), nitrito (NO2-), nitrato (NO3-) e óxido nitroso (N2O), medidos no período compreendido de 5 a 7 de abril de 2004 em amostras de águas superficiais obtidas de 37 estações de amostragem distribuídas pela Baía de Guanabara. A distribuição das concentrações de NHx nas águas superficiais da Baía de Guanabara e as estimativas de fluxos de NH3 na interface ar-mar, referentes a esta mesma campanha, foram apresentadas por Guimarães e de Mello.9

Distribuição das concentrações de óxido nitroso

Para o cálculo de ceq,ar, variável independente nas Equações 5 e 13, utilizou-se como concentração de N2O no ar (car) (Equação 11) o valor 325 ppb, que é a média aritmética das concentrações de N2O determinadas em algumas poucas amostras de ar (n = 6) coletadas durante os 3 dias de campanha. Apesar do pequeno número de determinações, este valor concorda com a concentração média de N2O no ar (326 ± 6 ppb; n = 50), resultante de medições semanais realizadas no período de outubro de 2004 a outubro de 2005 no Instituto de Química da UFF.27

As concentrações de N2O nas águas superficiais da Baía de Guanabara variaram de 5,3 a 15 nmol L-1 (Tabela 1), cerca de três ordens de grandeza inferiores às encontradas para o NHx (2-143 µmol L-1) no mesmo período.9 As águas superficiais da Baía de Guanabara apresentaram concentrações de N2O que variaram de condições de subsaturação (ΔN2O < 0) a supersaturação (ΔN2O > 0) em relação às concentrações sob a condição de equilíbrio com a concentração de N2O na atmosfera (325 ppb) (Tabela 2). Contudo, condições de supersaturação (ΔN2O = 6-147%; n = 33) prevaleceram em relação às de subsaturação (ΔN2O = -14 - -3%; n = 3). O ΔN2O médio da Baía foi 33%, superior ao ΔN2O médio observado em águas oceânicas (4%).28 As altas concentrações de N2O nas águas superficiais da Baía estão relacionadas à elevada carga de esgoto doméstico recebida, em especial no setor oeste.

Condições de supersaturação de N2O superiores às encontradas na Baía de Guanabara foram relatadas por Hashimoto et al.24 para as águas da Baía de Tóquio (ΔN2O = 16-1530%), que foram atribuídas à grande descarga de efluentes de esgoto doméstico após tratamento aeróbico. Amostras de água coletadas no estágio final de uma única estação de tratamento na Baía de Tóquio, cuja vazão média era de 13,1 m3 s-1, apresentaram uma concentração média de N2O de 5,4 µmol L-1, resultando numa descarga diária de N2O para a baía de 170 kg N.24

A distribuição das concentrações de N2O nas águas superficiais da Baía de Guanabara é mostrada na Figura 1. As menores concentrações foram registradas em estações do canal central, enquanto que as maiores ocorreram nos arredores da Ilha do Governador, especialmente nas estações 17A e 18, localizadas respectivamente a sudeste e sul da ilha, onde os valores de ΔN2O foram, respectivamente, 135 e 147% (Tabela 2). Estas altas concentrações de N2O têm relação com a maior descarga de esgotos domésticos neste trecho da Baía e, em decorrência disso, maior atividade microbiológica.

 

 

As concentrações da entrada da Baía de Guanabara (estações 1, 2 e 3) estiveram na faixa de 7,0 a 7,4 nmol L-1, com valores de ΔN2O na faixa de 13-27%. Estes resultados encontram-se nas faixas verificadas por Morell et al.29 em águas superficiais do Oceano Atlântico ao norte e sul de Porto Rico, onde as concentrações de N2O variaram de 6,1 a 8,3 nmol L-1 (ΔN2O 4-44%). Já em águas superficiais do Atlântico equatorial entre a América do Sul e a África, Oudot et al.30 encontraram um ΔN2O médio de 8%, com valores mais elevados nas margens continentais, em especial na africana, com valores de ΔN2O de até 20%.

Distribuição das concentrações de nitrito e nitrato

As menores concentrações de NO2- (< 0,5 µmol L-1) foram observadas principalmente em estações do canal central, enquanto valores mais elevados (> 1,5 µmol L-1) ocorreram ao sul, sudeste e leste da Ilha do Governador (Figura 2). Ao sul da ponta do Jequiá (Ilha do Governador), na estação 17A, foi verificada a maior concentração (2,1 µmol L-1). A estação 18, localizada a aproximadamente 1,5 km ao sul da Ponta de Santa Cruz (Ilha do Governador), e a estação 19, próxima à ponte de conexão entre a Ilha do Fundão e a Ilha do Governador, apresentaram valores de 2,0 e 1,5 µmol L-1, respectivamente. Na estação 24, a leste da praia do Cocotá (Ilha do Governador), foi registrado 1,6 µmol L-1. Em algumas estações a nordeste da Ilha do Governador e arredores da Ilha de Paquetá (estações 28, 33, 34 e 35) as concentrações de NO2- foram menores que o limite de detecção (0,1 µmol L-1).

 

 

As concentrações de NO3- foram muito próximas às de NO2-. Os maiores valores foram observados ao longo de toda a extensão do trecho a oeste do canal central e os litorais dos municípios do Rio de Janeiro e Duque de Caxias (Figura 3). Os valores mais baixos de NO3- (< 0,5 µmol L-1) ocorreram em estações ao norte da baía, no setor entre a praia de Mauá (município de Magé) e a Ilha de Paquetá, a nordeste da Ilha do Governador, e a oeste da praia de Itaóca, município de São Gonçalo (estações 25, 26, 28, 34, 35 e 42). Nas três estações localizadas fora da entrada da Baía de Guanabara, as concentrações de NO3- estiveram na faixa de 0,5 a 1,5 µmol L-1.

 

 

Com base em monitoramentos realizados pela FEEMA (Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente) em 13 estações de amostragem durante o período de 1980 a 1993, Kjerfve et al.12 relataram para as águas superficiais da Baía de Guanabara concentrações médias de NO2- na faixa de 0,2 ± 0,3 a 2,6 ± 3,0 µmol L-1 e NO3- na faixa de 1,2 ± 0,6 a 5,2 ± 1,6 µmol L-1. Os valores de NO2- medidos no presente estudo (< 2,1 µmol L-1) (Tabela 1) foram semelhantes àqueles citados por Kjerfve et al.12, entretanto, os de NO3- (< 1,8 µM) estiveram próximos ao limite inferior citado por eles.

As concentrações de N2O nas águas superficiais da Baía de Guanabara apresentaram uma correlação clara e estatisticamente significativa com as concentrações de NO2- (r = 0,84; P < 0,01) (Figura 4a), o que sugere que a produção do N2O neste ambiente possa estar associada predominantemente ao processo de nitrificação, do qual o N2O surge como subproduto na etapa de oxidação do NH4+ a NO2- (Equação 1). Menos evidentes, embora que estatisticamente significativas, foram as correlações entre N2O e NO3- (r = 0,37; P < 0,05) (Figura 4b) e NHx (r = 0,60; P < 0,01) (Figura 4c).

 



 

Na nitrificação, a produção de N2O depende da disponibilidade de O2. De acordo com dados compilados por Kjerfve et al.,12 as águas superficiais da Baía de Guanabara são, em geral, supersaturadas em O2 dissolvido (concentração média ~ 8,5 mg L-1; ΔO2 ~ 25%), condições favoráveis ao processo de nitrificação. Experimentos laboratoriais, com culturas de bactérias nitrificadoras do gênero Nitrosomonas, mostram que a razão N2O/NO2-, como resultado da oxidação do NH4+, tende a aumentar com a redução da concentração de O2 no meio.31 Goreau et al.31 observaram um aumento de 0,003 a 0,1 na razão N2O/NO2- (mol de N/mol de N) quando a concentração de O2 foi reduzida de 7 para 0,18 mg L-1. A razão N2O/NO2- média verificada nas águas superficiais da Baía de Guanabara foi de 0,02, valor intermediário a faixa encontrada por Goreau et al..31 Apesar da dinâmica dos vários processos biogeoquímicos responsáveis pelas transformações das espécies nitrogenadas nas águas superficiais da Baía de Guanabara, a razão N2O/NO2- média corrobora a hipótese de que a nitrificação seja o principal processo formador do N2O nas águas superficiais da Baía.

Fluxos de óxido nitroso

Os fluxos de N2O na interface ar-mar da Baía de Guanabara, calculados individualmente para as 37 estações amostradas em abril de 2004, encontram-se compilados na Tabela 2. Os fluxos foram computados com base nas velocidades de transferência do gás (kw) calculadas através das Equações propostas por Liss e Merlivat20 (abrev. LM86) e Raymond e Cole23 (abrev. RC01). Para os cálculos de kw foram utilizadas velocidades de vento medidas a aproximadamente 10 m acima da superfície do mar (u10) da estação meteorológica do campus do Gragoatá da UFF. Os valores de u10 foram utilizados como média horária e corresponderam individualmente ao momento do dia em que cada amostra foi coletada. O período de coleta foi entre o início da manhã e o meio da tarde, período em que gradualmente o vento aumenta de intensidade, uma característica da brisa marítima. Nesse caso, as médias horárias de u10 variaram de 1,8 a 3,2 m s-1 (Tabela 2). Sendo assim, aplicando-se LM86, os valores de kw foram todos calculados através da Equação 6, que é a utilizada para vento cuja velocidade é inferior ou igual a 3,6 m s-1. Esses valores de kw variaram de 0,33 a 0,64 cm h-1. Para a mesma faixa de u10, os valores de kw calculados com base na Equação 9 de RC01 variaram de 3,8 a 6,6 cm h-1. Esses valores encontram-se na faixa de kw recomendada por Raymond e Cole23 (i.e., 3-7 cm h-1) como sendo aquela que expressa maior confiança nos resultados de fluxos de gases em rios e estuários calculados a partir da Equação 9.

As médias aritméticas (± desvio padrão) dos fluxos de N2O foram 0,30 ± 0,37 µg N m-2 h-1, aplicando-se LM86, e 3,1 ± 3,8 µg N m-2 h-1, aplicando-se RC01 (Tabela 2). As medianas foram, respectivamente, 0,16 e 1,7 µg N m-2 h-1. A diferença entre os resultados é atribuída exclusivamente aos valores de kw utilizados. LM86 considera que em lagos e oceanos kw é influenciada pela turbulência provocada pela ação dos ventos, ao passo que RC01 considera no caso dos rios e estuários, além do vento, que kw é influenciada também pela turbulência resultante do movimento das correntes. Com base nos valores médios encontrados na Baía de Guanabara para concentração de N2O na água (cmar = 8,2 nmol L-1), concentração de N2O no ar (car = 325 ppb), temperatura (T = 27,6 ºC) e salinidade (S = 30,8 ups), a Figura 5 apresenta as variações do fluxo de N2O (FN2O) em função da velocidade do vento, para a faixa de 0 a 10 m s-1, computadas a partir das Equações propostas por LM86 (Equações 6 e 7) e RC01 (Equação 9) para o cálculo de kw. Na Equação 9 (RC01), somente a velocidade do vento aparece como variável independente, a influência da turbulência devido à ação das marés encontra-se incorporada ao valor de sua constante. Isso se faz notar no valor de FN2O = 1,2 µg N m-2 h-1 para a condição de ausência total de vento (u10 = 0) no caso da Equação 9 (RC01), ao passo que, sob essa mesma condição, FN2O = 0 no caso da Equação 6 (LM86).

 

 

Os maiores fluxos de N2O foram obtidos para as estações 17A e 18, situadas à sudeste da Ilha do Governador, em virtude desses locais terem apresentado as maiores concentrações de N2O (Figura 1). Do total de estações amostradas (n = 37), a maioria (n = 33) apresentou valores de fluxo positivos (i.e., cmar > ceq,ar; Equação 5), o que indica que a transferência de N2O ocorre predominantemente das águas superficiais da Baía para a atmosfera.

Apesar do ΔN2O médio da Baía de Guanabara (33%) ser maior que o ΔN2O médio dos oceanos do mundo (4%),28 as emissões de N2O das águas da Baía se assemelham às emissões oceânicas (0,4-2,2 µg N m-2 h-1).28 Isso se explica em virtude da velocidade do vento exercer forte influência sobre kw e esta sobre o fluxo na interface ar-mar. Por exemplo, em águas equatoriais do Atlântico, Oudot et al.30 encontraram valores médios de ΔN2O de 8% e de u10 de 7,0 m s-1, e computaram fluxos de N2O (kw de LM86) na faixa de 1,3 a 2,1 µg N m-2 h-1. Com base nos valores médios encontrados na Baía de Guanabara para T, S, cmar (Tabela 1) e car (325 ppb), os fluxos de N2O calculados a partir de kw de LM86 para velocidades de vento de 2,5 e 5,0 m s-1 são, respectivamente, 0,3 e 2,9 µg N m-2 h-1. Utilizando-se kw de RC01 para as mesmas condições estabelecidas, os fluxos são, respectivamente, 2,9 e 6,9 µg N m-2 h-1. Ressalta-se que a resposta de kw de LM86 é mais acentuada para ventos com velocidade superior a 3,6 m s-1 (Equação 7) que para aqueles com velocidade igual ou inferior a 3,6 m s-1 (Equação 6).

Na Baía de Jiaozhou, utilizando kw de LM86,20 Zhang et al.25 determinaram um fluxo médio de N2O de 10,8 µg N m-2 h-1. Esta baía possui algumas semelhanças geomorfológicas com a Baía de Guanabara e é subdividida em três sub-regiões distintas, de acordo com os impactos resultantes de atividades humanas e o regime de circulação de águas. Os fluxos elevados na Baía de Jiaozhou em relação aos computados para a Baía de Guanabara devem-se às maiores concentrações de N2O encontradas nas águas superficiais (4,7-84 nmol L-1) e maiores velocidades dos ventos, cujos valores médios variaram de 4,7 a 6,2 m s-1. Na Baía de Tóquio, utilizando kw de LM86, Hashimoto et al.24 computaram fluxos de N2O na faixa de 1,8 a 179 µg N m-2 h-1, obtidos de concentrações de N2O na faixa de 8,8 a 139 nmol L-1 e uma velocidade do vento fixa de 5,0 m s-1. As velocidades do ventos utilizadas nos estudos de Zhang et al.25 e Hashimoto et al.24 foram em média duas vezes maiores que a velocidade do vento média para os horários de coleta das amostras do presente estudo na Baía de Guanabara.

Utilizando-se os valores médios encontrados na Baía de Guanabara de concentração T, S, cmar, u10 (Tabelas 1 e 2) e car (325 ppb), os fluxos de N2O computados a partir de kw de LM86 e RC01 são, respectivamente, 0,3 e 2,9 µg N m-2 h-1. A partir desses valores estima-se uma taxa de emissão de N2O das águas da Baía (área = 328 km2) na faixa de 2 a 23 kg N dia-1. Os fluxos de N2O computados a partir de kw de RC01 para as estações situadas na costa sul da Ilha do Governador (17A, 18 19 e 20) são bastante próximos aos medidos diretamente por meio de câmaras flutuantes por Couto27 em local mais próximo à costa da Ilha do Governador, situado entre as estações 18 e 19. Entretanto, ressalta-se que a viabilidade de uso de câmaras flutuantes se limita às condições de águas sem ou com fracas ondulações, ou seja, condições de calmaria ou ventos fracos.

 

CONCLUSÕES

As concentrações de N2O nas águas superficiais da Baía de Guanabara variaram de 5,3 a 15 nmol L-1, com média de 8,2 nmol L-1, correspondendo a uma condição de supersaturação média de 33%, que é superior à verificada para as águas oceânicas (4%).28 As maiores concentrações ocorrem nas áreas mais poluídas por descarga de esgotos domésticos, apresentando forte correlação com as concentrações de N amoniacal e, principalmente, nitrito. Isso sugere que a nitrificação deva ser o principal processo formador do gás nas águas superficiais da Baía, hipótese que é corroborada por outros estudos realizados em sistemas semelhantes.24,25 Os fluxos médios de N2O na Baía, computados a partir das Equações propostas por Liss e Merlivat20 e Raymond e Cole23 para o cálculo das velocidades de transferência (kw) na interface ar-mar foram, respectivamente, 0,3 e 3,1 µg N m-2 h-1. Estima-se, portanto, que a baía de Guanabara emita diariamente para a atmosfera de 2 a 23 kg de N sob a forma de N2O. Essa diferença de uma ordem de grandeza se deve exclusivamente às diferentes equações utilizadas para o cálculo de kw. Considerando-se que a equação proposta por Raymond e Cole23 para o cálculo de kw seja a mais apropriada para a estimativa da troca de gases entre a atmosfera e águas fluviais e estuarinas, é admissível que a taxa de emissão de N2O das águas da Baía de Guanabara seja próxima ao limite superior estimado. Nesse caso, cerca de 0,02% do total de N lançado diariamente através dos rios na Baía de Guanabara (130-140 t N) 32 são transferidos como N2O para a atmosfera nos limites geográficos compreendidos pela Baía. Essa relação entre a quantidade de N2O emitido e a de N total que entra na Baía por vias fluviais se assemelha àquela encontrada por Harrison et al.26 em canais e rios receptores de águas drenadas de campos agrícolas do Valle del Yaqui (México), que estimaram que 0,05% do total de N aplicado na agricultura foram emitidos para a atmosfera como N2O das superfícies dos rios e canais. Esses valores são, entretanto, inferiores à razão (0,33%) entre a quantidade anual de N2O emitida de estuários (3,3 x 103 t N) e a quantidade de N inorgânico lançada pelos rios às águas do Atlântico Sul (9,9 x 105 t N), estimada por Seitzinger e Kroeze.8

 

AGRADECIMENTOS

Ao Prof. E. D. Barbiére, do Departamento de Geoquímica da UFF, pela concessão dos dados meteorológicos, e ao CNPq pelo apoio financeiro concedido através dos Projetos 474113/2003-5 e 477073/2007-7.

 

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Recebido em 23/5/07; aceito em 11/4/08; publicado na web em 24/9/08

 

 

* e-mail: zamboni@geoq.uff.br