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Fitopatologia Brasileira

Print version ISSN 0100-4158On-line version ISSN 1678-4677

Fitopatol. bras. vol.28 no.6 Brasília Nov./Dec. 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-41582003000600020 

NOTAS FITOPATOLÓGICAS / PHYTOPATHOLOGICAL NOTES

 

Estromas negros de Hypoxylon spp. em toras de eucalipto como fator negativo da qualidade da madeira para celulose

 

Black stromata of Hypoxylon spp. on Eucalyptus wood logs that reduces pulp quality

 

 

Reginaldo G. Mafia; Acelino C. Alfenas; Talyta G. Zarpelon; Elisangela M. do Nascimento

Departamento de Fitopatologia, Universidade Federal de Viçosa, UFV, CEP 36571-000, Viçosa, MG, e-mail: aalfenas@ufv.br

 

 


ABSTRACT

The incidence of Hypoxylon spp on Eucalyptus sp. wood logs is reported as a negative factor that reduces pulp quality, since these fungal structures are not dissolved by the bleaching process.


 

 

Nas últimas décadas, o Brasil passou de importador para um dos principais países exportadores de polpa celulósica do mundo. Para isso, a indústria de papel e celulose vem investindo em programas de qualidade para atender às exigências do mercado internacional. Neste sentido, o presente trabalho objetivou relatar a ocorrência de estromas negros em toras de eucalipto (Eucalyptus sp.) causados por Hypoxylon spp. afetando a qualidade da madeira para o processo de polpação e a condição de temperatura ótima para o seu desenvolvimento. Os estromas (Figura 1A) formados por este grupo de fungos abrigam numerosas cavidades periteciais (Figura 1B), negras e justapostas, nas quais se encontra uma mucilagem contendo numerosos ascos preenchidos com oito ascósporos uniseriados (Figura 1C), unicelular, claro a marrom escuro, subgloboso a elipsoidal. Em cortes realizados no sentido longitudinal e transversal da madeira, observa-se a formação de linhas zonais negras (Figura 1D e E) e nos cortes anatômicos uma colonização intensa dos vasos condutores (Figura 1F). Provavelmente, estas camadas apodrecidas devem contribuir para o aparecimento de pontuações negras na polpa celulósica, além dos estromas negros que aparentemente não são totalmente dissolvidos pelos produtos químicos usados no processo Kraft de branqueamento. As espécies de Hypoxylon freqüentemente relatadas em Minas Gerais (H. mummularium Bull & Fr. var. pseudopachiloma e H. stygium (Lév.) Sacc.) são saprófitas em casca e lenho e a ocorrência em toras de Eucalyptus spp. está associada a condições de alta umidade (Ferreira, F.A. Patologia Florestal: Principais Doenças Florestais no Brasil, 1989).

 

 

Constatou-se que H. stygium, cujos ascósporos medem 5-6 x 2-3 mm, apresenta um maior desenvolvimento em temperaturas elevadas, crescimento mínimo em temperatura < a 10 ºC ou > a 35 ºC. É possível inferir que em regiões com predominância de temperaturas mais elevadas, principalmente em épocas de maior úmida relativa do ar, os problemas possam ser agravados. Como medida de controle recomenda-se a utilização da madeira o mais rápido possível e caso se faça estocagem no campo, fazê-la a céu aberto, em local bem drenado, limpo e de modo a não exceder a mais de dois meses. Os pátios da indústria devem ser bem drenados e ventilados, onde as toras devem ser dispostas no sentido dos ventos dominantes de forma a permitir a ventilação livre entre as pilhas. Atualmente existe uma tendência das indústrias efetuarem o cavaqueamento da madeira no campo, que dada à existência de maior umidade e temperatura no interior das pilhas de estocagem, as chances de maiores problemas com este grupo de fungos tornam-se ainda maiores.

 

 

Aceito para publicação em 22/07/2003

 

 

Autor para correspondência: Acelino C. Alfenas

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