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Fitopatologia Brasileira

Print version ISSN 0100-4158On-line version ISSN 1678-4677

Fitopatol. bras. vol.29 no.5 Brasília Sept./Oct. 2004

https://doi.org/10.1590/S0100-41582004000500012 

COMUNICAÇÕES COMMUNICATIONS

 

Avaliação de meios de cultura no crescimento micelial e esporulação de Alternaria brasiliensis

 

Evaluation of culture media on the mycelial growth and sporulation of Alternaria brasiliensis

 

 

Fátima M. QueirozI; Ulisses G. BatistaII; Sérgio H. BrommnschenkelII

IDiretoria de Pesquisa Agropecuária e Pesqueira, Secretaria Executiva de Agricultura, Irrigação, Pesca e Abastecimento, Cx. Postal 99, CEP 57020-050, Maceió, AL
IIDepartamento de Fitopatologia, Universidade Federal de Viçosa,
CEP 36570-000, Viçosa, MG

 

 


RESUMO

O crescimento micelial e a esporulação de Alternaria brasiliensis foram avaliados em 20 meios de cultura. Para tanto, discos de 5 mm de diâmetro retirados da borda de colônia desenvolvida em V-8A3, após seis dias de incubação, a 25 ºC, no escuro, foram repicados para placas de Petri contendo 15 ml de cada meio. Sete dias após, mediu-se o crescimento micelial e quantificou-se a esporulação. Verificou-se crescimento micelial de A. brasiliensis em todos os meios testados, embora esporulação só tenha ocorrido nos meios V-8A3, STA5 e SVA6. A maior quantidade de conídios foi produzida no meio V-8A3.

Palavras-chave adicionais: feijoeiro, mancha-de-Alternaria, fungo, esporulação.


ABSTRACT

The mycelial growth and sporulation of the Alternaria brasiliensis were evaluated on 20 culture media. Five mm-diameter disks taken from the margins of colonies grown for six days on V-8A3 medium at 25 ºC in the dark were transferred to Petri dishes containing 15 ml of each medium. After seven days, the mycelial growth and the sporulation were evaluated. Although mycelial growth of A. brasiliensis was observed on all tested media, sporulation was registered only on V-8A3, STA5 and SVA6. V-8A3 was the best medium tested in this study for sporulation of the fungus.


 

 

O feijoeiro (Phaseolus vulgaris L.) está sujeito ao ataque de um grande número de patógenos que podem ser limitantes à produção. Entre eles, o fungo Alternaria brasiliensis Queiroz, Muniz & Menezes, causador da mancha-de-Alternaria, que vem apresentando crescente importância econômica (Queiroz et al., 2001).

Nos últimos anos, sua ocorrência e severidade no município de Montanha, Estado do Espírito Santo, vem aumentando, devido, entre outros fatores, ao plantio de extensas áreas mecanizadas, sob irrigação por pivô central. Em decorrência de espécies de Alternaria esporularem irregularmente em cultura, a quantidade de inóculo produzida pode variar bastante dependendo da espécie, do isolado ou ainda das condições nutricionais (Simmons, 1992). Como conseqüência, a produção de esporos, normalmente é insuficiente para atender as inoculações em experimentos visando a seleção de fontes de resistência à doença.

Diversos meios de cultura que favorecem o crescimento micelial e estimulam a esporulação de espécies de Alternaria têm sido relatados na literatura. Entre eles, destacam-se o de batata-dextrose-ágar (Strider, 1978; Shahin & Shepard, 1979; Hotchkiss & Baxter, 1983; Cotty & Misaghi, 1985 e Strandberg, 1987), o de batata-ágar (Fahim, 1966), o de V-8A (Strider, 1978; Strandberg, 1987 e Simmons, 1992), o de cenoura-ágar (Hotchkiss & Baxter, 1983) e o de folha de cenoura-ágar (Strandberg, 1987). Em decorrência destes fatos, buscou-se neste trabalho, selecionar meios de cultura que viessem favorecer o crescimento micelial e a esporulação do fungo A. brasiliensis, como suporte nas inoculações visando a identificação de fontes de resistência à doença.

O trabalho foi realizado no Laboratório de Fitopatologia da Universidade Federal de Viçosa, em Viçosa, MG, sendo o isolado de A. brasiliensis utilizado no estudo, obtido de folhas de feijoeiro, cv. Carioquinha, provenientes de Montanha, Espírito Santo (Queiroz, 1991).

Os 20 meios de cultura avaliados estão relacionados na Tabela 1. A maioria dos meios foram preparados de acordo com sua descrição na literatura (Tabela 1). No entanto, os meios V-8A3, STA5 e SVA6 sofreram modificações conforme propostas por Miller (1955), Tuite (1969) e Del Peloso et al. (1989). Todos os meios foram autoclavados a 120 ºC, por 20 min, entretanto no meio SVA6, somente a mistura de 15,0 g de ágar; 3,0 g de CaCO3 e 1.000 ml de água destilada foi autoclavada, sendo que 50 ml de suco de vegetais Yakult foram acrescentados, assepticamente, momentos antes do meio ser vertido nas placas de Petri.

Para cada placa de Petri contendo 15 ml de meio foi repicado um disco de 5 mm de diâmetro, retirado das bordas de colônias desenvolvidas em meio V-8A3, durante seis dias, a 25 ºC, no escuro.

As placas foram incubadas a 25 ºC, com fotoperíodo de 12 h de luz negra, proporcionado por duas lâmpadas de 15 watts, marca Sylvania, F15T12/LN, dispostas 25 cm acima das placas. Após sete dias de crescimento, mediram-se os diâmetros das colônias e quantificou-se a esporulação nos diferentes meios. Para isso, foram adicionadas 10 ml de água destilada, contendo Tween 80 a 0,05% por placa de Petri, utilizando-se um pincel para facilitar a liberação dos conídios. A suspensão obtida foi filtrada em dupla camada de gaze e a concentração de conídios determinada ao microscópio.

O experimento seguiu delineamento inteiramente casualizado, com 20 tratamentos e oito repetições constituídas de uma placa de Petri. Pelos resultados observou-se crescimento micelial do fungo em todos os meios testados, embora esporulação só tenha sido registrada nos meios V-8A3, STA5 e SVA6 (Tabela 1). Por isso mesmo, só foram efetuadas análises estatísticas para os três meios onde se registrou esporulação (Tabela 2).

 

 

O crescimento micelial e a esporulação de A. brasiliensis no meio V-8A3 foi significativamente superior ao dos meios STA5 e SVA6 (Tabela 2). Meios de cultura contendo na sua composição decoctos, extratos e sucos oriundos de folhas ou de partes vegetais normalmente estimulam o crescimento micelial e a esporulação de vários fungos (Dhingra & Sinclair, 1985). Tal fato foi também observado com o fungo A. brasiliensis em relação aos meios semi-sintéticos contendo sucos de plantas e utilizados em baixas concentrações, os quais favoreceram a esporulação do fungo. Coty & Misaghi (1985), utilizando suco V-8 em baixa concentração, também encontraram maior esporulação de A. tagetica, em meio de V-8A. Não obstante Strider (1978) e Strandberg (1987) obtiveram menor esporulação de A. dianthi e A. dauci, em meio V-8A. Tal fato poderia estar relacionado a fatores, inerentes à espécie do fungo ou à maior concentração de suco V-8 no meio. De acordo com Moore-Landecker (1972) meios de cultura contendo altas concentrações de nutrientes inibem a reprodução dos fungos, sem afetar o crescimento micelial.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Aceito para publicação em 15/04/2004

 

 

Autor para correspondência: Fátima Maria Queiroz

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