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Fitopatologia Brasileira

Print version ISSN 0100-4158

Fitopatol. bras. vol.30 no.4 Brasília July/Aug. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-41582005000400024 

NOTAS FITOPATOLÓGICAS PHYTOPATHOLOGICAL NOTES

 

Ocorrência de Fuligo septica em alface e coentro de caboclo

 

Occurrence of Fuligo septica on lettuce and long coriander

 

 

Gilson S. SilvaI; José L. BezerraII

IUniversidade Estadual do Maranhão, Departamento de Fitotecnia e Fitossanidade, CEP 65001-970, São Luís, MA, e-mail: gilson_soares@uol.com.br
IICeplac/Cepec/Sefit, Cx. Postal 07, CEP 45600-970, Itabuna, BA

 

 


ABSTRACT

Fuligo septica was reported for the first time in the State of Maranhão, Brazil, on lettuce (Lactuca sativa ) and long coriander (Eryngium foetidum), causing severe losses. The fungus was identified based on its specific Myxomycetes characteristics. Although the F. septica is not a plant parasite, its presence in lettuce and long coriander caused serious damages.


 

 

Nos últimos anos, especialmente durante a estação chuvosa, têm sido recebidas para análise, no Laboratório de Fitopatologia da Universidade Estadual do Maranhão, em São Luís, amostras de alface (Lactuca sativa L.) com as folhas recobertas por um intenso crescimento fúngico de coloração branco-acinzentada formando crostas (Figura1A). Posteriormente, amostras de coentro de caboclo (Eryngium foetidum L.), também conhecido como chicória do Pará, foram coletadas nos arredores de São Luís e Paço do Lumiar, Maranhão, apresentando sintomas semelhantes àqueles da alface, tanto nas folhas como nas inflorescências (Figura 1B). O exame do material revelou que a crosta era formada por colônias anfígenas, extensas, irregulares, cinérias, consistindo de frutificações compostas e sésseis (etálios) do patógeno, friáveis e facilmente destacáveis. Os etálios eram constituídos de perídio esbranquiçado, rompendo-se à maturidade por fendilhamento irregular. Não foi observado capilício. Os esporos eram castanhos ao microscópio (Figura 2), negros em massa, epinescentes, elipsóides a globosos, medindo 10 x 12 mm. Com base nessas características, identificou-se o patógeno como o Myxomycete Fuligo septica (L.) Wiggers. (Teixeira, Gêneros de Myxomycetes, Rickia, supl.4:48-49.1971), um organismo com ampla distribuição mundial, ocorrendo sobre diversos substratos tais como madeira apodrecida, troncos caídos, cascas de árvores vivas e, eventualmente, sobre plantas cultivadas como morango (Fragaria spp.) , batata doce [Ipomoea batatas (L.) Lam.], gramados, dentre outras (Alexopoulos, Introductory Mycology. 1971). Não obstante F. septica não ser um parasita, a sua ocorrência em alface e coentro de caboclo causou elevados prejuízos, pois os produtos foram rejeitados pelo mercado consumidor. De acordo com a literatura disponível, não foram encontradas referências anteriores sobre a ocorrência de F. septica em alface e coentro de caboclo devendo ser este o primeiro relato no Brasil.

 

 

 

 

 

Aceito para publicação em 08/04/2005

 

 

Autor para correspondência: Gilson Soares da Silva