SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.32 número1Efeito de pesticidas no crescimento micelial de Cercospora caricis índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Serviços Personalizados

Journal

Artigo

Indicadores

Links relacionados

Compartilhar


Summa Phytopathologica

versão impressa ISSN 0100-5405versão On-line ISSN 1980-5454

Summa phytopathol. v.32 n.1 Botucatu jan./mar. 2006

https://doi.org/10.1590/S0100-54052006000100019 

COMUNICAÇÕES

 

Primeiro relato de Oidiopsis haplophylli (Erysiphales) em Vernonia scorpioides (Asteraceae)

 

 

Douglas Ferreira Parreira; Dartanhã Jose Soares; Robert Weingart Barreto

Universidade Federal de Viçosa, Departamento de Fitopatologia, 36571-000, Viçosa MG

 

 

Vernonia scorpioides (Lan.) Pers., conhecida popularmente como Erva-de-São-Simão, pertence a família Asteraceae, é nativa do Brasil, e considerada como uma importante invasora de pastagens, principalmente nas planícies litorâneas, onde pode formar densos conglomerados (Lorenzi, H. Plantas daninhas do Brasil 3ª ed., Nova Odessa: Inst. Plantarum, 2000. 608p.). Em outubro de 2004, plantas doentes dessa espécie foram encontradas às margens da rodovia MG-265 em trecho próximo a Acaiaca. Estas apresentavam manchas cloróticas na face superior das folhas culminando com a queima e encarquilhamento do limbo foliar. Correspondendo ao tecido lesionado, observou-se na face inferior das folhas a presença de uma pulverulência branca correspondente as estruturas do patógeno (Fig. 1). O material coletado foi conduzido ao Laboratório de Micologia do Departamento de Fitopatologia da Universidade Federal de Viçosa onde foi examinado. Para o exame ao microscópio óptico foram preparadas lâminas contendo estruturas do patógeno, utilizando-se lactofucsina como meio de montagem. Uma amostra do material foi devidamente herborizada e depositada no herbário local (VIC 27837).

 

 

O fungo apresentava as seguintes características: Micélio hemiendofítico, septado, ramificado, hialino; Conidióforos originando-se do micélio interno e emergindo através dos estômatos, isolados ou em grupos frouxos, cilíndricos, ocasionalmente ramificados, 117,0-243,5 X 3,0-9,5 µm, septados, hialinos; Conídios unicelulares, dimórficos, -conídio primário lanceolado, 50,5-69,5 X 12,5-20,5 mm, razão c/l média 4,03, -conídios secundários cilíndricos 40,5-64,0 X 11,0-17,0 µm, razão c/l média 3,80, hialinos, lisos (Fig. 2-4).

Anamorfos de Erysiphales apresentando conidióforos que se originam apenas do micélio interno, com ramificações e conídios dimórficos são incluídos no gênero Oidiopsis. As dimensões do espécime em questão correspondem aquelas de Oidiopsis haplophylli (Magnus) Rulamort, principalmente com relação a razão c/l média dos conídios ser maior que 3. As dimensões comprimento e largura isoladamente são bastante variáveis para este gênero e portanto consideradas como sendo menos confiáveis (Braun, U. Beihefte Zur Nova Hewigia, V.89, p.1-700, 1987). Embora Braun indique que o nome correto a ser aplicado ao anamorfo de Leveillula taurica (Lev.) G. Arnaud seja Oidiopsis sicula Scalia, a maioria dos autores continua usando Oidiopsis taurica (Lev.) E.S.Salmon, ao se referir ao estágio assexual deste fungo. Liberato & Barreto (Liberato, J.R. & Barreto, R.W. Summa Phytopathologica, no prelo) comentam sobre a correta denominação do anamorfo de Leveillula taurica, e citam a opinião da autoridade mundial em Erysiphales (Dr. Uwe Braun) que atualmente considera o nome correto a ser aplicado para este fungo O. haplophylli.

O. haplophylli é relatado em numerosas espécies de plantas da família Asteraceae, inclusive Vernonia cinerea (L.) Less., mas não em V. scorpioides (Palti, J. Botanical Review, v.54, n.4, p.423-535, 1988). Este é, então, o primeiro relato de O. haplophylli nesta planta.

O. haplophylli é um patógeno inespecífico, capaz inclusive de causar doença em diversas espécies de plantas de relevante importância econômica, tais como pimentão, tomate, algodão, mamão dentre outras (Palti, J. Botanical Review, v.54, n.4, p.423-535, 1988), é possível então, que V. scorpioides sirva de fonte de inóculo primário deste patógeno, no entanto, no presente trabalho não foram realizados testes visando elucidar tal pressuposto.

 

 

Data de chegada: 15/12/04. Aceito para publicação em: 15/07/05.

 

 

Autor (a) para correspondência: Robert W. Barreto. <rbarreto@ufv.br>

Creative Commons License Todo o conteúdo deste periódico, exceto onde está identificado, está licenciado sob uma Licença Creative Commons