SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.34 número2Tamanho de amostras para avaliação da severidade da queima das folhas do inhameDetección de Myrothecium roridum en manchas foliares de soja en cultivos de Corrientes, Argentina índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Serviços Personalizados

Journal

Artigo

Indicadores

Links relacionados

Compartilhar


Summa Phytopathologica

versão impressa ISSN 0100-5405versão On-line ISSN 1980-5454

Summa phytopathol. v.34 n.2 Botucatu abr./jun. 2008

https://doi.org/10.1590/S0100-54052008000200019 

COMUNICADOS

 

Podridão-mole do alho causada por Pectobacterium carotovorum subsp. carotovorum no Estado de Minas Gerais

 

 

Dirceu MacagnanI, *; Reginaldo da Silva RomeiroI, *; Daniel Augusto SchurtII, **

ICentro Federal de Educação Tecnológica de Rio Verde, Rodovia Sul Goiana Km 01 Caixa postal 66 CEP 75.901-970 Rio Verde-GO dirceu.macagnan@yahoo.com.br
IIUniversidade Federal de Viçosa, Departamento de Fitopatologia, Viçosa, MG

 

 

O alho é uma importante cultura, explorada em quase todo o território nacional. Os maiores problemas fitossanitários dessa cultura são doenças de etiologia fúngica porém, algumas bactérias fitopatogênicas também incidem sobre a cultura (Kimati, H. et. al. Manual de Fitopatologia vol. II, Ed. Ceres SP, 2005. 663p.). Plantas de alho, em início de ciclo, provenientes de uma horta caseira do município de Viçosa, MG, e exibindo sintomas de podridão mole foram trazidas ao Laboratório de Bacteriologia de Plantas e Controle Biológico da UFV, para diagnose e identificação. Os sintomas eram observados inicialmente no bulbilho em formação e próximos às raízes. A região afetada apresentava coloração escurecida a qual se estendia ao pseudocaule (Fig. 1 A e B). Em função da severidade dos sintomas, as plantas infectadas desprendiam suas raízes no ato do arraquio.

 

 

Intensa exsudação bacteriana foi observada a partir de fragmentos de tecido doente em lâminas montadas em gota de água. O agente causal foi submetido a isolamento em meio 523 (Kado & Heskett, Phytopathology 60: 969-979, 1970). Após 24 h de incubação, a 28 ºC, foram observadas, colônias brancas, elevadas com bordos regulares e brilhantes, medindo em torno de 2 mm. Os testes de patogenicidade dos isolados, foram feitos por infiltração de suspensões aquosas (D.O.540 = 0,2) dos isolados em folhas de alho. Suspensões bacterianas foram também misturadas a solo esterilizado onde posteriormente foram plantados bulbilhos de alho. Como controle, folhas foram infiltradas com água e bulbilhos foram plantados em solo umedecido, não-infestado. Decorridos cinco dias da inoculação observou-se formação de clorose e posterior necrose de folhas de alho infiltradas com a bactéria (Fig. 1C). Os bulbilhos plantados em solo artificialmente infestado com a bactéria desenvolveram sintomas de podridão 12 dias depois da inoculação (Fig. D1). Bactérias com características idênticas às inoculadas foram recuperadas das folhas e bulbilhos de alho inoculados, concluindo-se assim os postulados de Koch.

O microrganismo em questão foi então submetido à identificação em nível de gênero (Schaad, N.W. et. al. Laboratory guide for identification of plant pathogenic bacteria. APS Press, 2001. 373p.), cujos resultados obtidos permitiram posiciona-lo como pertencente ao gênero Pectobacterium (Sin.:Erwinia). Para a determinação da espécie foram realizados os testes preconizados por Schaad, et. al. (2001) (Schaad, N.W. et. al. Laboratory guide for identification of plant pathogenic bacteria. APS Press, 2001. 373p.), por Bradbury, (1986) (Guide to plant pathogenic bacteria: Surrey: CAB International, 1986. 332p.) e por Fahy & Persley, (1983) (Plant bacterial diseases: a diagnostic guide. Centrecourt: Academic Press, 1983. 393p). De posse desses resultados foi possível posicionar o microrganismo como pertencente à espécie Pectobacterium carotovorum subsp. carotovorum (Sin.: Erwinia carotovora subsp. carotovora).

O referido patógeno é mais frequentemente relatado em pós-colheita sendo raramente assinalado como causador de prejuízos em condições de campo. Até o momento não há nenhum registro oficial de sintomas de podridão mole em alho causados por P.c. subsp. carotovorum no Estado de Minas Gerais, sendo este o seu primeiro relato.

 

 

Aceito para publicação em: 07/05/2007

 

 

* Bolsistas do CNPq;
** Bolsista 29/08/2005.

Creative Commons License Todo o conteúdo deste periódico, exceto onde está identificado, está licenciado sob uma Licença Creative Commons