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Summa Phytopathologica

Print version ISSN 0100-5405

Summa phytopathol. vol.34 no.4 Botucatu Oct./Dec. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-54052008000400011 

NOTAS CIENTÍFICAS

 

Análise do progresso e danos causadas pelo amarelão do meloeiro

 

Progress analysis and damages due to melon yellowing-associated virus

 

 

Antonio Apoliano dos Santos; José Edmilson Cardoso; Marlos Alves Bezerra; Luiz Gonzaga Pinheiro Neto

Embrapa Agroindústria Tropical, CP 3762, CEP 60 511-110 - Fortaleza, CE. Apoio parcial: Programa de Produção Integrada de Melão, CNPq/ MCT

 

 


RESUMO

A análise do progresso do amarelão do meloeiro causado pelo Melon Yellowing-associated Virus (MYaV) e os danos causados por essa doença na produção e no teor de sólidos solúveis totais de frutos do meloeiro foram estudadas em dois híbridos (Aclain e Frevo), sob condições naturais de infecção, em um plantio comercial no município de Russas, Ceará. As plantas foram monitoradas durante todo o ciclo quanto à incidência. Ao final do ciclo, os frutos foram colhidos, pesados e o teor de sólidos solúveis foi estimado. Foram avaliados os modelos linear, exponencial, monomolecular, logístico e de Gompertz quanto ao máximo ajuste aos dados obtidos. O modelo monomolecular revelou a maior ajuste na descrição da epidemia em ambos os híbridos com base no coeficiente de determinação e no quadrado médio do resíduo, embora no híbrido Aclain o modelo de Gompertz também tenha descrito muito bem a epidemia. O peso e o teor de sólidos solúveis dos frutos não foram afetados pelo amarelão nos híbridos estudados.

Palavras-chave adicionais: Cucumis melo, epidemiologia.


ABSTRACT

The analysis of progress and the yield losses due to melon yellowing, caused by Melon yellowing-associated virus (MYaV), were studied in two melon hybrids (Aclain and Frevo) under natural infection in a commercial field in Russas county, Ceará State (Brazil). Plants were monitored throughout a growing cycle following the incidence of melon yellowing. By the end of the cycle, fruits were harvested, weighted and sampled to estimate the total solid soluble (TSS). The linear, exponential, monomolecular, logistic and Gompertz models were used for examining their suitability in fitting growth data. The monomolecular model attained the best fitness to describe the data for both hybrids according to the coefficient of determination and error mean square, although the Gompertz model also described the data well for the Aclain hybrid. Fruit weight and TSS contents were not affected by melon yellowing in both hybrids.

Keywords: Cucumis melo; epidemiology.


 

 

A expansão da área e o cultivo contínuo do meloeiro (Cucumis melo L.) no nordeste brasileiro têm favorecido o surgimento de novas doenças, como o amarelão, detectado em plantios comerciais do município de Baraúnas, RN, em 1997 (1), cujo agente causal é um vírus do gênero Flexivirus, tentativamente denominado Melon yellowing-associated virus, MYaV (3).

O sintoma inicial do amarelão surge nas folhas mais velhas como um leve amarelecimento entre as nervuras. Em pouco tempo, a região clara se amplia e o limbo foliar se torna completamente amarelo. Cerca um mês após o primeiro sintoma, a lavoura pode se encontrar totalmente afetada, dependendo da susceptibilidade do hospedeiro e da população do vetor natural, mosca-branca (Bemisia argentifolii Bellows & Perring) (4).

Estudos epidemiológicos do amarelão não existem na literatura, em razão de se tratar de uma doença relativamente nova na cultura. Tornando-se essencial a elucidação de tópicos como a dinâmica espaço-temporal e os danos à fisiologia e à produção.

O objetivo deste trabalho foi de estudar o progresso e os danos causados pelo amarelão do meloeiro em dois híbridos comerciais.

O trabalho foi conduzido em um plantio comercial de melão na fazenda Agrosagno, município de Russas, Ceará, sob condições de infecção natural. Duas áreas adjacentes cultivadas com os híbridos Aclain e Frevo foram subdivididas em quatro blocos, cada bloco com 500 e 200 plantas dos respectivos híbridos. As plantas foram examinadas, semanalmente, a partir do 12º dia após plantio até a colheita, anotando-se a incidência, número de plantas com sintomas do amarelão por parcela (6). Esses dados foram plotados com o tempo (dias após plantio), gerando as curvas de progresso do amarelão por bloco e por híbrido. O máximo ajuste da forma linearizada dos modelos linear, monomolecular, logístico e de Gompertz foi examinada por análise de regressão linear do índice da doença.

Os frutos foram pesados, e o teor de sólidos solúveis totais (SST) foi estimado em uma amostra de 15 unidades de cada um dos híbridos. Os danos na produção e em SST foram estimadas pela análise da variância dos tratamentos, com e sem amarelão, comparadas pelo teste F (P=0,05). A determinação do SST foi realizada no Laboratório de Fitopatologia da Embrapa Agroindústria Tropical, utilizando-se de um refratômetro digital manual (Marca: Atago, Modelo: N-50E).

A doença foi detectada aos 33 e 34 dias após plantio nos híbridos Aclain e Frevo, respectivamente. No início da epidemia, o progresso da doença foi mais lento no híbrido Aclain do que no Frevo (Figura 1). Em ambos os genótipos, os sintomas iniciais surgiram em índices diferenciadas de 0,1% e 30,5% de plantas afetadas para os híbridos Aclain e Frevo, respectivamente, elevando-se para mais de 50%, aos 41 dias após plantio, no melão Frevo e somente aos 61 dias após plantio, no melão 'Aclain'. Na época da colheita, neste híbrido, 64% das plantas apresentavam os sintomas do amarelão, enquanto no melão Frevo, o percentual foi de 96,9%. (Figura 1).

 

 

Os critérios mais comumente usados para seleção do modelo que descreve o progresso de uma doença são os valores do coeficiente de determinação (R2), o quadrado médio do erro, o desvio padrão e a plotagem do erro padrão observado versus o predito pelo modelo (2).

No presente estudo, a observação da curva de progresso do amarelão mostrou um nivelamento ao final do ciclo, fato que elimina a possibilidade do modelo exponencial que permite que a doença cresça infinitamente. Conseqüentemente, foram avaliados apenas os modelos monomolecular, logístico e de Gompertz (Tabela 1).

 

 

A análise dos modelos em ambos os híbridos, com base nos valores de R2 e no quadrado médio do erro, revelou uma forte tendência para seleção do modelo de Gompertz para as curvas de progresso, embora o modelo logístico também tenha descrito muito bem a epidemia no híbrido Frevo (Tabela 1).

A diferença em susceptibilidade dos híbridos é claramente observada na análise do progresso da doença, tanto pelo atraso do inicio da epidemia como pelo nível de doença ao final do ciclo do híbrido Aclain, notadamente mais resistente (Figura 1).

A avaliação do efeito do amarelão na produção e no teor de sólidos solúveis totais (SST) em frutos do meloeiro revelou-se não significativa nos dois híbridos, ou seja: o amarelão não contribuiu para a redução do peso e do teor de SST dos frutos. Resultados semelhantes foram obtidos por Santos et al (5), em condições controladas (casa de vegetação), trabalhando com o híbrido Gold Mine, em que plantas inoculadas por meio de mosca-branca e apresentando os sintomas iniciais do amarelão aos 20 dias de idade, não foram prejudicadas na produção (peso de fruto) e na qualidade (teor de sólidos solúveis totais). Presume-se que a taxa fotossintética foi afetada somente quando as plantas atingiram idade próxima do início da colheita. Estes dados não refletem resultados obtidos em outros paises, onde doenças e sintomatologias semelhantes produziram severas perdas na produção (7). O ciclo da cultura do meloeiro nessas regiões, geralmente em torno de 120 dias, contrastando com o ciclo médio das nossas condições (60 a 70 dias), pode explicar a ausência de efeitos deletérios nas condições aqui estudadas.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Alerta: amarelão do meloeiro. Fortaleza: Secretaria de Agricultura Irrigada, Embrapa Agroindústria Tropical: UFC; Mossoró: ESAM, 2001. 4p.         [ Links ]

2. Campbell, C.L.; Madden, L.V. Introduction to plant disease epidemiology. New York: J. Wiley, 1990. 532p.         [ Links ]

3. Nagata, T.; Alves, D.M.T.; Ionue-Nagata, A.K.; Tian, T.-Y.; Kitajima, E.W.; Cardoso, J.E.; Ávila, A.C. A novel melon flexivirus transmitted by whitefly. Archives of Virology, Viena, v.150, p.379-387, 2005.         [ Links ]

4. Santos, A.A.; Cardoso, J.E.; Vidal, J.C; Oliveira, J.N.; Cardoso, J.W. Transmissão do amarelão do meloeiro através da mosca-branca (Bemisia argentifolii). Fitopatologia Brasileira, Brasília, v.27, Suplemento, p.211, 2002a.         [ Links ]

5. Santos, A.A.; Bezerra, M.A.;Cardoso, J.E.; Vidal, J.C.; Sobral, A.R.A.; Braga, C.A.T. Efeito do amarelão e da mosca-branca na fixação de CO2, na produção e no teor de sólidos solúveis totais de frutos do meloeiro. Revista Ciência Agronômica, Fortaleza, v.35, p.214-219, 2004.         [ Links ] Número especial.

6. Santos, A.A. Avaliação da transmissão do amarelão pelas sementes de melão. Comunicado Técnico. Embrapa Agroindústria Tropical, n.98 2004. 2p.         [ Links ]

7. Wesler, G.C.; Dufus, J.E.; Liu, H.-Y.; Li, R.H. Ecology and epidemiology of whitefly-transmitted Closteroviruses. Plant Disease, St. Paul, v.82, p.270-280, 1998.         [ Links ]

 

 

Data de chegada: 28/03/2005
Aceito para publicação em: 14/04/2008

 

 

Autor para correspondência: José Edmilson Cardoso