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Primeiro registro de Myrothecium roridum em noni no Brasil

COMUNICADOS

Primeiro registro de Myrothecium roridum em noni no Brasil

Luiz Sebastião PoltronieriI,1 1 Autor para Correspondência: Luiz S. Poltronieri, e-mail: poltroni@cpatu.embrapa.br. ; Francisco das Chagas de Oliveira FreireII; Jaqueline Rosemeire VerzignassiIII; Tathianne Pastana de Sousa FerreiraIV; Ana Carla de Andrade Costa SouzaIV

IAmazônia Oriental, Tv. Enéas Pinheiro, S/N, CEP 66095-100, Belém, PA, e-mail: poltroni@cpatu.embrapa.br

IIEmbrapa Agroindústria Tropical, Rua Dra. Sara Mesquita, 2270, Planalto do Pici, CEP 60511-110, Fortaleza, CE

IIIEmbrapa Gado de Corte, Rod. BR 262, Km 4, Caixa Postal 154, CEP 79002-970, Campo Grande, MS

IVUniversidade Federal Rural da Amazônia, Av. Perimetral, 2501, CEP 66077-530, Caixa Postal 917, Belém, PA

O noni (Morinda citrifolia L.), planta da família das rubiáceas, é nativa do Sudeste da Ásia e produz frutos de importantes propriedades nutricionais e nutracêuticas. Há mais de 2000 anos os frutos são utilizados na Polinésia, China, Índia e, nos últimos anos, o cultivo foi iniciado também no Brasil. Mudas de noni, em pomar do campo experimental da Embrapa Amazônia Oriental (Belém, PA), apresentaram manchas foliares concêntricas castanho-claras, variando de 0,5 cm a 0,8 cm de diâmetro e dispersas pelo limbo foliar. O isolamento foi efetuado em BDA (26ºC e luz fluorescente, com fotoperíodo de 12h) e, aos três dias, foram observadas colônias de coloração branca. Observações ao microscópio óptico permitiram a identificação do fungo Myrothecium roridum Tode ex Fr. O fungo forma esporodóquios, algumas vezes sinematosos, com até 700 mm de diâmetro. Os conídios são formados em uma massa achatada, com aspecto úmido, de coloração negra e brilhante. A esporulação ocorre, freqüentemente, em círculos concêntricos. Os conídios apresentavam forma de bastões, às vezes elipsóides, com as extremidades comumente arredondadas, hialinos a levemente oliváceos, freqüentemente exibindo gotículas e medindo de 4,5 - 7,3 mm x 1,5 a 2 mm. Testes de patogenicidade foram efetuados em folhas e frutos destacados previamente feridos, inoculados com discos de cultura contendo estruturas do fitopatógeno e submetidos à câmara úmida por 48h. Após cinco dias, as folhas e os frutos apresentaram os mesmos sintomas encontrados no campo, dos quais efetuou-se o reisolamento do fungo, confirmando-se a sua patogenicidade. M. roridum foi detectado, anteriormente, no Pará, em juta (Corchorus capsularis L.) e acerola (Malpighia glabra L.). O isolado de noni foi inoculado em outras espécies de plantas citadas na literatura como hospedeiras de Myrothecium spp., seguindo-se a mesma metodologia utilizada para o teste de patogenicidade, a saber: café arábica (Coffea arabica L.), juta, soja (Glycine max (L.) Merr.), arroz (Oryza sativa L.), feijão (Phaseolus vulgaris L.), caupi (Vigna unguiculata L. Walp.), acerola, tomateiro (Solanum lycopersicum L.), algodoeiro (Gossypium sp. L.), tanchagem (Plantago major L.), grama-amendoim (Arachis repens Handro) e meloeiro (Cucumis melo L.). Com exceção ao meloeiro, todas as outras espécies de plantas foram suscetíveis, evidenciando a inespecificidade do isolado ao noni. Este é o primeiro registro de Myrothecium roridum afetando plantas de noni no Brasil e, provavelmente, no mundo.

Data de chegada: 20/12/2007.

Aceito para publicação em: 23/09/2008

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    Autor para Correspondência: Luiz S. Poltronieri, e-mail:
  • Datas de Publicação

    • Publicação nesta coleção
      26 Maio 2009
    • Data do Fascículo
      Fev 2009
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