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Summa Phytopathologica

Print version ISSN 0100-5405On-line version ISSN 1980-5454

Summa phytopathol. vol.35 no.2 Botucatu Apr./June 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-54052009000200008 

ARTIGOS

 

Gama de hospedeiros e reação de genótipos de tomateiro a Pseudomonas cichorii

 

Host range and genotypes reaction to Pseudomonas cichorii

 

 

Tadeu Antônio Fernandes da Silva JúniorI,1; Ricardo GioriaII; Antonio Carlos MaringoniI; Sebastião M. AzevedoII; Luís Otávio Saggion BeriamIII; Irene Maria Gatti de AlmeidaIII

IFCA/UNESP, CP 237, 18603-970, Botucatu-SP, e-mail: tafsjr@uol.com.br
IISakata Seed Sudamerica Ltda, CP 427, 12906-840, Bragança Paulista-SP
IIIInstituto Biologico, CP 70, 13001-970, Campinas-SP

 

 


RESUMO

Em 2005, foi constatada em dois campos comerciais de tomate no Estado de São Paulo, a ocorrência da queima bacteriana, causada por Pseudomonas cichorii. Em vista disso, foram desenvolvidos estudos visando a determinação da gama de hospedeiros de isolados de Pseudomonas cichorii (IBSBF 2309 e IBSBF 2323), obtidos de tomateiro, provenientes de campos comerciais localizados nos municípios de Bragança Paulista e Mogi Guaçú, SP. Plantas de abobrinha, alface, beldroega, berinjela, beterraba, cenoura, couvebrócolo, datura, fumo, girassol, jiló, melão, pepino, petúnia, pimentão, rabanete, repolho, rúcula, salsa e tomateiro foram inoculadas por pulverização, separadamente, com os dois isolados de P. cichorii de tomateiro e um isolado de girassol (GIR-1). Os isolados IBSBF 2309 e IBSBF 2323 foram patogênicos à beldroega, datura, girassol, pimentão e tomate; GIR-1 foi patogênico apenas à beldroega, datura e girassol, não sendo patogênico ao pimentão e ao tomateiro. No Brasil não se conhecem fontes de resistência dentro do gênero Lycopersicon ou a reação de cultivares de tomateiros a esta bactéria. Vinte e oito genótipos de tomateiro provenientes do Banco de Germoplasma da empresa Sakata Seed Sudamerica Ltda., foram avaliados quanto a reação aos isolados IBSBF 2309 e IBSBF 2323 de P. cichorii, pelo método de inoculação nas folhas. Os maiores níveis de resistência foram observados em AF 11768, AF 2521, AF 11766, AF 11772, AF 229, AF 5719-1 e AF 8162. O genótipo AF 5719-1, que possui o gene Pto, que confere resistência a P. syringae pv. tomato, apresentou um bom nível de resistência a P. cichorii. A identificação de genótipos que apresentem bons níveis de resistência a este patógeno é importante para utilização em programas de melhoramento genético do tomateiro, visando a incorporação de genes de resistência a P. cichorii.

Palavras-chave adicionais: Solanum lycopersicum L. , resistência, queima bacteriana.


ABSTRACT

The occurrence of the bacterial blight, caused by Pseudomonas cichorii, was observed in two commercial tomato fields in the State of São Paulo in 2005. In view of this, studies were carried out in order to determine the host range of Pseudomonas cichorii isolates (IBSBF 2309 and IBSBF 2323), obtained from tomato plants at commercial fields located in the cities of Bragança Paulista and Mogi Guaçú, SP, Brazil. Caserta pumpkin, lettuce, purslane, eggplant, beet, broccoli, carrot, Jimson weed, sunflower, tobacco, scarlet eggplant, melon, cucumber, petunia, green pepper, radish, cabbage, arugula, parsley, and tomato plants were spray-inoculated separately with two isolates of P. cichorii obtained from tomato and one from sunflower (GIR-1). The isolates IBSBF 2309 and IBSBF 2323 were pathogenic to purslane, Jimson weed, sunflower, green pepper, and tomato; GIR-1 was only pathogenic to purslane, Jimson weed, and sunflower, but not pathogenic to green pepper or tomato. In Brazil, no sources of resistance to this bacterium are known within the Lycopersicon genus. The reaction of tomato cultivars to the bacterium is also unknown. Twenty-eight tomato genotypes from the Sakata Seed Sudamerica Ltda. Germplasm Bank were evaluated for their reaction to P. cichorii isolates IBSBF 2309 and IBSBF 2323, using the leaf inoculation method. The highest resistance levels were observed in tomato genotypes AF 11768, AF 2521, AF 11766, AF 11772, AF 229, AF 5719-1, and AF 8162. The genotype AF 5719-1, wich has the Pto gene imparting resistance to P. syringae pv. tomato, showed a good level of resistance to P. cichorii. The identification of genotypes with good levels of resistance to this pathogen is important, since they represent potential resources to be used in tomato breeding programs for incorporation of resistance genes against P. cichorii.

Keywords: Solanum lycopersicum L., resistence, bacterial blight.


 

 

A cultura do tomateiro (Solanum lycopersicum L.) está sujeita a várias doenças que podem limitar sua produção. No Brasil, dentre as bacterioses causadas pelo gênero Pseudomonas. Kurozawa & Pavan (14) As duas bacterioses mais importantes são a pinta bacteriana ou mancha bacteriana pequena (Pseudomonas syringae pv. tomato (Okabe) Young, Dye&PaulaWilkie (Pst) eaqueimabacteriana (Pseudomonas syringae pv. syringae van Hall (Pss) (Kurozawa & Pavan (14). Há relatos na Nova Zelândia (29) e em Cuba (22) da ocorrência de Pseudomonas cichorii em tomateiro. Recentemente Silva Júnior et al. (28) relataram a ocorrência desta espécie causando queima foliar em plantas de tomateiro cultivadas em campos comerciais do Estado de São Paulo.

Nos E.U.A., essa bactéria ocorre em manjericão (Ocimum basilicum L.) (10), fícus (Ficus lyrata Warb. cv.Compacta)(7), gerânio (Pelargonium ortorium) (8), crisântemo (Chysanthemum morifolium Ramat.) (11), escarola (Cichorium endivia L.) (23)e alface (Lactuca sativa L.) (9).

Na Nova Zelândia, Young et al. (30) isolaram P. cichorii de açafroa (Carthamus tinctorius L.), escovinha (Centaurea cyanus L.), prímula (Primula officinalis)e Ranunculus acris L.Outros hospedeirosnaturais de P. cichorii sãorelatadospor Bradbury(6),como: cenoura (Daucus carota L.), couve-flor (Brassica oleracea L.), pereira (Pyrus communis L.), e por inoculação artificial, os hospedeiros conhecidos são abóbora (Cucurbita pepo L.), aveia (Avena sativa L.), batata inglesa (Solanum tuberosum L.), beterraba (Beta vulgaris L.), cebola (Allium cepa L.), ervilha (Pisum sativum L.), espinafre (Spinacea oleracea L.), feijão caupi (Vigna unguiculata L.), feijão comum (Phaseolus vulgaris L.) e pepino (Cucumis sativum L.).

No Brasil, P. cichorii é um patógeno de grande importância, pois temsidoconstatadoemplantas dediferentes espécies,destacando-se alface (2; 21), girassol (Helianthus annuus L.) (15; 26), girassol ornamental (Helianthus annuus cv. Sunrise) (1; 20), mandioquinhasalsa (Arracacia xanthorriza Bancr.) (4), melão (Cucumis melo L.) (3), calêndula (Calendula officinalis L.) (5), crisântemo(27), cafeeiro (Cofee arabica L.) (25), menta (Mentha arvensis L.) (17), eaindaem quiabo (Abelmoschus esculentus L.), cebola, salsão (Apium graveolens L.), Belloperone guttata, beterraba, couve (Brassica oleracea L.), brócolis, pimentão (Capsicum annuum L.), escarola, almeirão (Cichorium intibus L.), inhame (Colocasia esculenta L.), açafrão (Crocus sativus L.), dália (Dahlia pinnata L.), cenoura, falsa-serralha (Emilia sonchifolia L.), eucalipto (Eucalyptus globulus L.), gérbera (Gerbera jamesonii L.), corda-de-viola (Ipomea grandifolia L.), Murraia paniculata L., fumo (Nicotiana tabacum L.), manjericão, salsa (Petroselinum sativum L.), feijão (Phaseolus vulgaris L.), Philodendron spp., rabanete (Raphanus sativum L.), mamona (Ricnus communis L.), violeta (Viola odorata L.), berinjela (Solanum melongena L.), Syngonium podophyllum L. e Xanthosoma brasiliense L. (19).

Até o momento, não se tem relatos na literatura nacional e internacionaldareaçãodegenótipos de tomateiroa P. cichorii, mas se conhecem materiais com resistência a outras espécies de Pseudomonas. Pilowsky & Zutra (24) verificaram que a cultivar Ontario 7710, o acesso PI126430 e ageração F1 do cruzamento entre Ontário 7710 e PI 126430 foram resistentes a Pst.

Krause et al. (13) avaliaram a reação de 13 cultivares e híbridos para mesa, além de verificar a reação de espécies silvestres e duas cultivares importadas de Lycopersicon spp., provenientes da Universidade da Flórida, EUA, a um isolado brasileiro de Pst, a fim de determinar fontes de resistência para uso em programas de melhoramento genético da cultura. Todas as cultivares e híbridos de tomateiro para mesa avaliados (Stevens x Rodade, Stevens, Kada, Concorde Ag-595, Cláudia, Ângela Harper, Santa Clara-crescimento determinado, Jumbo Ag-592, Jará-1, Imperador, Santa Clara VF-5600, Débora, Ângela Zambom, Ângela 1-5100 e Sandra) mostraram-se suscetíveis a Pst e as cultivares Agrocica Botu-13 e Ontário 7710, ambas portadoras do gene Pto, foram resistentes. Dentre as introduções testadas, destacaram-se PI-127807, PI-128216-1-2 e principalmente a PI-126932-1-2 comportando-se como altamente resistente.

Kozik (12) testou 17 cultivares de tomateiro e quatro acessos do gênero Lycopersicon, e verificou que a cultivar Ontário 7710 e dois acessos de Lycopersicon hisurtun (LA 1773 e LA 1775) foram resistentes a Pst. As variedades MI8I2, Kujawski e Warszawski, também demonstraram um bom nível de resistência à bactéria.

Malavolta Júnior. et al. (18) verificaram a reação de 21 genótipos de tomateiro a Pss ea Pst, e observaram que os genótipos mais resistentes a Pst foram Agrocica Botu 13, Zenith, XPH 5976, XPH 5978, XPH 5979, XPH 12044, XPH 12045, XPH 12066, XPH 12067, XPH 12068, XPH 12070, enquanto que as mais suscetíveis foram ÂngelaHiper,IPA6,Santa Clara,Ângela,Colorado,Barão Vermelho, BrigadeeAF 26318.Comrelaçãoa Pseudomonas syringae pv. syringae (Pss), foram resistentes: Ângela, Brigade, Santa Clara, XPH 5978, XPH5979eXPH12068.Os demais genótipos testa dos comportaram-se como medianamente resistentes, com exceção da cultivar Colorado, que foi suscetível. Alguns genótipos portadores do gene Pto possuem resistência a Pss, enquanto outros não. Isso indicou que provavelmente outro(s) gene(s) é(são) responsável(eis) pela resistência a Pss.

Recentemente, foi observada em dois campos comerciais de tomateiro do tipo Salada e Italiano, em Bragança Paulista e Mogi Guaçú, SP, respectivamente, a ocorrência de uma doença que causava queima generalizada nas folhas, não se enquadrando nos sintomas de doenças bacterianas típicos a esta planta. A bactéria em questão foi identificada como sendo P. cichorii, já descrita na Nova Zelândia (29) e em Cuba (22).

Face à ocorrência recente de P. cichorii em tomateiro no Estado de São Paulo o presente trabalho teve por objetivos avaliar a gama de hospedeiros (plantas cultivadase daninhas) e areaçãode28genótipos de tomateiro a esta bactéria, uma vez que não há registros na bibliografia nacional e internacional sobre o assunto.

 

MATERIALE MÉTODOS

Gama de hospedeiros de Pseudomonas cichorii

No primeiro experimento para verificar a gama de hospedeiros de P. cichorii os isolados IBSBF 2323 e GIR-1 de P. cichorii, provenientes respectivamente de tomate e girassol, foram inoculados emplantas de abobrinha, alface, beldroega, berinjela, beterraba, caserta, cenoura, couve-brócolo, datura, fumo, girassol, jiló, melão, pepino, petúnia, pimentão, rabanete, repolho, rúcula, salsa e tomate, cultivadas em vasos de três litros de capacidade contendo substrato Tropstrato Hortaliças Vida Verde®, com três plantas de cada espécie. Cada planta hospedeira foi representada por cinco vasos com três plantas em cada e um vaso com três plantas como testemunha de cada hospedeira. O inóculo bacteriano foi obtido pelo cultivo dos isolados em meio de cultura caldo nutriente a 28ºC, durante 48 h., e posteriormente diluído em água destilada para se obter a concentração de equivalente a 107 cel.mL-1, ajustada pela escala turbidimétrica de Macfarland (16).

As plantas foram inoculadas no estágio de dois a quatro pares de folhas verdadeiras, pela pulverização de suspensão bacteriana nas faces abaxial e adaxial das folhas. No tratamento testemunha, as plantas foram pulverizadas com águaesterilizada. As plantas foram mantidas sob câmara úmida 24 h antes e após a inoculação, e nebulizadas com água, a intervalos de 5 minutos, com duração de um minuto, durante três dias. Durante o experimento, a temperatura média variou entre 25 e 30ºC.

As avaliações foram efetuadas três dias após a inoculação, com a observação da presença ou ausência de sintomas nas folhas das plantas.

No segundo experimento, foram utilizados os isolados IBSBF 2309 e IBSBF 2323 de P. cichorii, provenientes de tomate. Plantas de beldroega, datura, girassol, pimentão e tomate foram utilizadas como controles positivos e alface, fumo e petúnia como controles negativos. O cultivo das plantas, inoculação e avaliação foram similares aos do primeiro experimento.

Reação de genótipos de tomateiro a Pseudomonas cichorii

Vinte e oito genótipos de tomateiro do Banco de Germoplasma da empresa Sakata Seed Sudamerica Ltda., foram inoculados com os isolados IBSBF 2309 e IBSBF 2323 de P. cichorii, provenientes de tomate. Dentre os genótipos testados, AF 11771 (Agrocica Botu 13), AF 7109 (derivado de AF 11771), AF 5719-1 (Rotam-4), AF 7115 e AF 7116 (genótipos provenientes do AVRDC) possuem o gene Pto, que confere resistência à mancha bacteriana pequena do tomateiro.

As plantas de tomateiro foram cultivadas em bandejas de isopor de 128 células e foram inoculadas no estádio de um par de folhas verdadeiras, através de pulverização de suspensão bacteriana com concentração de 107 cel.mL-1, nas faces abaxial e adaxial das folhas. O inóculo foi obtido pelo cultivo dos isolados em meio de cultura NL a 28ºC, durante 48 h., e posteriormente diluído em água destilada para se obter a concentração bacteriana empregada, ajustada pela escala turbidimétrica de Macfarland (16). O tratamento testemunha foi representado por água esterilizada. As plantas foram mantidas sob câmara úmida 24 h antes e após a inoculação e nebulizadas com água, a intervalos de cinco minutos, com duração de um minuto, durante três dias. Foram inoculadas de 12 a 35 plantas por genótipo.

A avaliação foliar foi realizada cinco dias após a inoculação do patógeno, com escala de notas que variou de um a cinco (Figura 1), sendo: Nota1-ausência de sintomas nas folhas das plantas; Nota2- presença de manchas encharcadas nos bordos foliares; Nota 3 - manchas encharcadas em 25% do limbo foliar; Nota 4 - manchas encharcadas em mais de 50% do limbo foliar e Nota 5 - folha morta.

Os genótipos de tomateiro que apresentaram severidade média da doença d" 2,00 foram considerados como resistentes; severidade média entre 2,01 e 3,00 moderadamente resistentes; entre 3,01 e 4,00 suscetíveis, e severidade média e" 4,00 como sendo altamente suscetíveis. Os genó tipos resistentes foram utilizados em um segundo experimento; foram inoculadas 16 plantas de cada genótipo, com os isolados IBSBF 2309 e IBSBF 2323 de P. cichorii. O genótipo AF 1104 foi utilizado como controle negativo (pulverização com água esterilizada). O cultivo das plantas, inoculação, avaliação e escala de notas foramos mesmos doprimeiro experimento.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados dos experimentos realizados para se determinar a gama de hospedeiros de P. cichorii estão representados nas Tabelas 1 e 2. Os isolados IBSBF 2309 e IBSBF 2323 de P. cichorii, obtidos de tomateiro,forampatogênicos à beldroega, datura, girassol, pimentão e tomate (Figura 2), enquanto o isolado GIR-1 de P. cichorii, proveniente de girassol, foi patogênico à beldroega, datura e girassol, e não foi patogênico ao pimentão e ao tomateiro.

 

 

 

 

Em datura, os três isolados de P. cichorii provocaram pequenas lesões necróticas de formato irregular no limbo foliar das plantas. Já em beldroega, as lesões nas folhas eram encharcadas, de aspecto arredondado, que evoluíram para necrose. Em plantas daninhas, existem relatos da ocorrência de P. cichorii sendo patogênica à cordade- viola e à falsa-serralha (19), mas esta é a primeira constatação desta bactéria sob inoculação artificial em beldroega e datura, sendo estas plantas potenciais hospedeiros sob condições de campo.

Apesar dos relatos de P. cichorii colonizando alface, beterraba, berinjela, cenoura, salsa e rabanete (19) no Brasil, os isolados de P. cichorii IBSBF 2309 e IBSBF 2323 de tomateiro e GIR-1 de girassol não foram patogênicos a essas plantas através de inoculação artificial, evidenciando provável especialização patogênica desta bactéria ao tomate e ao girassol.

Os resultados das reações dos vinte e oito genótipos de tomateiro aos isolados IBSBF 2309 e IBSBF 2323 de P. cichorii estão apresentados nas Tabelas 3 e 4. Os genótipos resistentes (severidade média de doença < 2,00) foram: AF 11768, AF 2521, AF 11766, AF 11772, AF229, AF 5719-1 e AF8162. Dos genótipos que possuem o gene de resistência Pto, apenas o AF5719-1 apresentou um bom nível de resistência a P. cichorii, enquanto que o AF 7109 apresentou um nível moderado, e os AF 11771, AF 7115 e AF 7116 foram altamente suscetíveis aos isolados de P. cichorii avaliados. Os sintomas da queima bacteriana causados pelo isolado IBSBF 2323 de P. cichorii nos genótipos AF 2521, 11771 e 11188 estão ilustrados na Figura 3.

 

 

 

 

Até o momento não se tinha o conhecimento de cultivares de tomateiro com níveis de resistência a P. cichorii. A identificação de genótipos com altos níveis de resistência a este patógeno é importante, pois, potencialmente podem ser utilizados em programas de melhoramento genético de tomateiro, visando a incorporação de genes de resistência a P. cichorii.

 

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Data de chegada: 28/08/2007.
Aceito para publicação em: 25/02/2009

 

 

1 Autor para correspondência: Tadeu Antônio Fernandes da Silva Júnior

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