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Summa Phytopathologica

Print version ISSN 0100-5405

Summa phytopathol. vol.35 no.4 Botucatu Oct./Dec. 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-54052009000400015 

COMUNICAÇÕES/COMMUNICATIONS

 

Constatação de Graphiola phoenicis em tamareira no estado de São Paulo

 

 

Olga Maria Ripinskas RussomannoI, Pedro Carlos KruppaI, Michele Pereira SilvaI,III, Leila Nakati CoutinhoII

ICentro de Pesquisa e Desenvolvimento de Sanidade Vegetal, Instituto Biológico, 04014-002, São Paulo, SP, Brasil, E-mail: russomano@biologico.sp.gov.br
IIInstituto de Botânica, 04301-012, São Paulo, SP, Brasil
IIIBolsista de Iniciação Científica PIBIC/CNPq/IB

 

 

As palmeiras (família Arecaceae) são plantas comumente utilizadas no paisagismo na formação de jardins, isoladas ou compondo arranjos ornamentais com outras espécies vegetais. Nos últimos anos, o mercado dessas plantas cresceu consideravelmente, sendo cultivadas as mais diferentes espécies por viveiristas e produtores. Como todas as demais plantas, as palmeiras também são atacadas por fungos fitopatogênicos, causando danos consideráveis tanto à produção de mudas quanto a plantas adultas de médio e grande porte.

No final de 2007, folhas de palmeira tamareira (Phoenix dactylifera), procedentes do município de Campo Limpo Paulista, SP, foram enviadas ao Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Sanidade Vegetal, Instituto Biológico, para exames micológicos. Os sintomas iniciais da doença caracterizavam-se por pequenas manchas amarelas, localizadas nas duas faces da lâmina foliar. Com a coalescência das lesões, as manchas tornavam-se necróticas e sobre as mesmas emergiam as estruturas reprodutivas do fungo (soros), as quais se assemelhavam, quando visualizadas a olho nu, a um ataque de insetos, lembrando restos de suas carapaças ou fezes deixadas sobre as folhas (Figura 1A e 1B). O material foi colocado em câmara úmida, com temperatura de 24 oC, sendo examinado após três dias, sob microscopia óptica e estereoscópica. Esses exames possibilitaram a visualização de uma exsudação de pulverulentos esporos amarelos, intercalares com feixes de hifas, emergindo do interior de soros. Essas hifas estendiam-se por cerca de 1,0-2,0 mm para fora dos soros (Figura 1C). De acordo com as características do fungo e com auxílio de literatura especializada (Djerbi, M. Diseases of the palm (Phoenix dactylifera). Regional Project for Palm & Dates Research Centre in the Near East & North África. Baghdad, Iraq:FAO. 1983; Simone, G.W. Graphiola leaf spot (false smut). In: M. L. Elliot; T.K. Broschat (Eds.). Diseases and disorders of ornamental palms. Minnesota: American Phytopathological Society, 1993. p. 14-16), o mesmo foi identificado como Graphiola phoenicis (Moug.) Poit. 1824, sinonímia Phacidium phoenicis Moug. Ex Fr., 1823. Esse fungo é um Basidiomycota responsável pela doença conhecida como "mancha foliar de grafiola" ou "falso carvão" das palmeiras. Acomete ampla gama de plantas da família Arecaceae, principalmente o gênero Phoenix, e encontra-se disseminado por diversas regiões do mundo. A alta umidade do ambiente é fator preponderante para o desenvolvimento do fungo. No Brasil, G. phoenicis foi constatado em P. dactylifera nos estados de Pernambuco (Lima, M.F. Fitopatologia Brasileira, v. 20, p. 306, 1995; Lima, M.F. Plant Disease, v. 80, p. 823, 1996) e Espírito Santo (Câmara, M.P.S.; Dianese, J.C.; Ventura, J.A. Fitopatologia Brasileira, v. 20, p. 293, 1995). As características do fungo, distribuição geográfica, hospedeiros, sinais, sintomatologia, etiologia e controle, foram descritos por Russomanno & Kruppa (Russomanno, O.M.R.; Kruppa, P.C. Mancha foliar de grafiola. Documento Técnico no. 2, p. 1-8, 2008. Disponível em www.biologico.sp.gov.br ). Em São Paulo, através de levantamento realizado no Herbário Fitopatológico do Laboratório de Micologia Fitopatológica do Instituto Biológico, verificou-se a existência de cinco exsicatas de P. dactylifera parasitadas por G. phoenicis. Essas exsicatas datam de 1932, 1936, 1938, 1951 e 1955, sendo os materiais provenientes, respectivamente, de Sorocaba (SP), Nova Odessa (SP), Bonfim (BA), Cruz das Almas (BA) e Recife (PE). Entretanto, nenhuma dessas constatações foi publicada, o que leva os autores a enunciar que, no estado de São Paulo, esta é a primeira publicação da ocorrência de G. phoenicis sobre P. dactylifera.

 


 

 

Data de chegada: 20/11/2008
Aceito para publicação em: 19/06/2009