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Summa Phytopathologica

Print version ISSN 0100-5405

Summa phytopathol. vol.38 no.2 Botucatu Apr./June 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-54052012000200014 

COMUNICAÇÕES

 

Transmissão experimental revela novos potenciais reservatórios do Cowpea aphid-borne mosaic virus*

 

 

Leonardo Assis da Silva**; Renata Maia Garcêz***; Alexandre Levi Rodrigues Chaves; Addolorata Colariccio; Marcelo Eiras****

Instituto Biológico, LFF/CPDSV, São Paulo, SP, CEP 04014-002

 

 

O Brasil é, atualmente, o maior produtor mundial de maracujá. Porém, o rendimento da cultura ainda é limitado devido às doenças que causam perdas significativas na produção (Meletti LMM. Revista Brasileira de Fruticultura v. especial, p. 83-91, 2011). O endurecimento dos frutos, induzido pelo Cowpea aphid-borne mosaic virus (CABMV, Potyvirus), é a principal virose do maracujazeiro (Passiflora spp.), e seu difícil controle mantém elevada a sua incidência nos pomares em todo o Brasil. Como, ainda não há variedades comerciais de maracujazeiros resistentes ao CABMV, são empregadas táticas de manejo, tais como: (i) formação de pomares com plântulas livres de vírus; (ii) erradicação de pomares antigos; (iii) cuidados na poda para prevenir a transmissão mecânica do vírus; e (iv) controle de espécies de Fabaceae, possíveis reservatórios naturais do vírus (Fischer IH, Rezende JAM. Pest Technology v. 2, p. 1-19, 2008).

Visando à identificação de novos potenciais reservatórios do CABMV no campo, 12 plântulas de diferentes espécies de Fabaceae foram desafiadas com isolados virais provenientes de regiões do Estado de São Paulo: Bauru, Jacupiranga e Monte Alegre do Sul. A semeadura foi feita em bandejas, e as plântulas transplantadas, 15 dias após a germinação, para vasos de 350 mL, mantidas em casa de vegetação. Extratos vegetais, obtidos de folhas de maracujazeiros infectadas, em presença de sulfito de sódio 0,5%, pH 6,0, na proporção de 1:5 (g:mL) e carbureto de silício como abrasivo, foram friccionados com pistilo de porcelana esterilizado sobre a superfície adaxial de folhas das plantas avaliadas. Os controles constaram de plantas da mesma espécie e mesma idade, cujas folhas foram friccionadas com sulfito de sódio 0,5% e abrasivo, sendo em seguida lavadas com água. As plantas foram mantidas em casa de vegetação e a presença do vírus avaliada, 30 dias após a inoculação, pela observação dos sintomas e PTA-ELISA com antissoro policlonal contra o CABMV, cedido pelo Dr. J.A.M. Rezende, ESALQ.

As espécies Dolichos lablab, Leucaena leucocephala, Mucuna deeringiana (mucuna-anã) e cultivares de Arachis hypogaea ('BR1', 'BRS-Havana', 'BRS151L-7'), Phaseolus vulgaris ('Pérola', 'BRS-Pontal', 'BRS-7762-Supremo', 'BRS-Valente', 'BRS-Estilo') e Vigna unguiculata ('BR17-Gurgueia', 'BRS-Pajeú', 'Pampo', 'Pitiuba', 'Macaibo') comportaram-se como resistentes, não manifestaram sintomas, e não houve recuperação do vírus das mesmas, com resultados negativos em PTA-ELISA. Por outro lado, Canavalia ensiformes, Crotalaria juncea, C. incana, C. spectabilis, Cajanus cajan, Lupinus albus, Macroptilium atropurpureum, Neonotonia wightii (soja-perene) e Senna occidentalis manifestaram sintomas de mosaico e deformação foliar. Plantas de Pisum sativum (ervilha 'Triofin') reagiram com amarelecimento, mosaico e leve deformação foliar. Mucuna aterrina (mucuna-preta) e M. cinerea (mucuna-cinza) reagiram com anéis cloróticos locais nas folhas cotiledonares, e mosaico sistêmico nas folhas verdadeiras (Figura 1). O vírus foi detectado por PTA-ELISA e recuperado em Chenopodium amaranticolor, que manifestou lesões locais. As espécies avaliadas reagiram igualmente aos três isolados virais, com exceção de M. atropurpureum, que foi resistente ao isolado de Jacupiranga.

 

 

No Brasil, já foi descrito o "vírus do mosaico da alfafa" induzindo mosaico amarelo em mucuna-preta (Costa AS, Vega J, Braga NR. Fitopatologia Brasileira v. 12, p.30, 1986). Em P. sativum já havia relatos da infecção experimental pelo CABMV, porém sem indução de sintomas (Lovisolo O, Conti M. Netherland Journal of Plant Pathology v. 72, p. 265-269, 1966). Esta, portanto, é a primeira constatação de que M. cinerea, M. aterrina, N. wightii e P. sativum podem ser potenciais reservatórios do CABMV no campo, uma vez que M. aterrina, M. cinerea e N. wightii são amplamente difundidas no Brasil, por serem empregadas em adubação verde.

 

 

Data de chegada: 19/03/2012
Aceito para publicação em: 15/04/2012

 

 

* Parte da Dissertação do primeiro autor.
Programa de Pós-graduação do Instituto Biológico. Bolsistas de Mestrado ** FAPESP e ***CAPES.
**** Projeto financiado pela Fapesp, processo: 2011/11796-5.
Autor para correspondência: Marcelo Eiras (eiras@biologico.sp.gov.br).