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Summa Phytopathologica

Print version ISSN 0100-5405

Summa phytopathol. vol.40 no.3 Botucatu July/Sept. 2014

http://dx.doi.org/10.1590/0100-5405/1914 

NOTAS CIENTÍFICAS

 

Infecção natural por Corynespora cassiicola em acessos de mamoeiro

 

Natural infection by Corynespora cassiicola in papaya accessions

 

 

Marcela Tonini VenturiniI; Lucas Calazans SantosII; Tacila Ribeiro SantosIII; Edna Dora Martins Newman LuzIV

IUniversidade Federal do Recôncavo da Bahia. cosalin2@yahoo.com.br
IIEngenheiro Agrônomo. INCAPER. lcs_agro@yahoo.com.br
IIIEngenheira Agrônoma. CEPLAC. tacila.ribeiro@hotmail.com
IVSetor de Fitopatologia, Comissão Executiva da Lavoura Cacaueira, Centro de Pesquisa do Cacau, Caixa Postal 7, CEP 45600-970, Rodovia Ilhéus- Itabuna. Ilhéus, Bahia, Brasil. ednadora@yahoo.com.br

Autor para correspondência

 

 


RESUMO

Corynespora cassiicola, um patógeno com ampla gama de hospedeiros, tem causado graves danos nos viveiros de mamoeiro na Bahia. Avaliou-se, em ambiente misto de cobertura e a pleno sol, a incidência natural de C. cassiicola em 49 acessos de mamoeiro em experimento conduzido em blocos casualizados com quatro repetições, 49 tratamentos e variável número de plantas/tratamento. O número de plantas com sintomas e mortas por C. cassiicola foi avaliado aos 27 e 32 dias após a semeadura. A análise de Cluster (p< 0,05) classificou os acessos em 5 grupos pelo número médio de plântulas infectadas e mortas. Os acessos com menor porcentagem de plântulas infectadas foram: Sunrise solo 72/12, Sunrise solo, Golden comercial, Grampola, Kapoho solo (polpa vermelha), Mamão roxo e Santa Helena (50A PLT - 09, 14A PLT - 05, 12A PLT- 06, 12A PLT - 07, 02A PLT -01). Nova sintomatologia causada pelo patógeno é descrita.

Palavras-chave adicionais: mancha marrom do mamoeiro, Carica papaya L., tombamento.


ABSTRACT

Corynespora cassiicola, a pathogen showing a wide range of hosts, has caused severe damage to papaya nurseries in Bahia. The present study evaluated, under mixed environment of coverage and full sun, the natural incidence of C. cassiicola in 49 papaya accessions as randomized blocks with four replicates, 49 treatments and variable number of plants per treatment. The number of symptomatic or dead plants due to C. cassiicola was evaluated at 27 and 32 days after sowing. Cluster Analysis (p< 0.05) classified the accessions into 5 groups according to the average number of infected or dead seedlings. Accessions showing the smallest percentage of infected seedlings were: Sunrise solo 72/12, Sunrise solo, Golden comercial, Grampola, Kapoho solo (red pulp), Mamão roxo and Santa Helena (50A PLT - 09, 14A PLT - 05, 12A PLT- 06, 12A PLT - 07, 02A PLT – 01). A new symptomatology caused by this pathogen is described.

Additional keywords: papaya brown spot, Carica papaya L., damping-off.


 

 

Corynespora cassiicola (Berk. & M.A. Curtis) C.T. Wei, causa a mancha de Corynespora, mancha marron, mancha gordurosa ou lesão foliar de Corynespora em mamoeiro (Carica papaya L.), afetando principalmente folhas e pecíolos, sendo mais suscetíveis as folhas mais velhas localizadas na parte inferior da copa (6). Este patógeno foi assinalado no Espírito Santo (1) causando podridão-interna do fruto juntamente com outros fungos (7).

Nas publicações consultadas, não é menciodo C. cassiicola causando tombamento de mudas em viveiro. Liberato & MC Taggard (4) são os únicos a mencionar estes sintomas, porém, em plantas inoculadas. No entanto, na Bahia, desde 2008, estes sintomas vêm sendo observados em plântulas enviveiradas de mamoeiro, principalmente no final dos períodos quentes e chuvosos. Por esta razão estudou-se o comportamento de acessos de germoplasma de mamoeiro quanto à infecção natural de C. cassiicola em condições de viveiro.

O experimento foi desenvolvido em viveiro com sistema misto de cobertura e a pleno sol, avaliando-se 49 acessos de mamoeiro do germoplasma da Calimam Agrícola, Linhares, ES (Tabela 1), distribuídos em delineamento de blocos casualizados com quatro repetições e variável número de plantas/tratamento. Para o preparo das mudas, foi feita a semeadura em tubetes com capacidade para 288 cm3 do substrato (50% Plantmax Floresta + 50% de solo autoclavado), utilizando o sistema de irrigação por aspersão três vezes ao dia por 2 minutos e fertirrigadas quinzenalmente. Aos 27 e 32 dias após a semeadura avaliou-se a incidência da doença através do número de plântulas sintomáticas e mortas, que foram removidas e transportadas ao laboratório para isolamento em BDA acidificado. Após esporulação, o patógeno foi identificado pela mensuração das estruturas somáticas e reprodutivas e comparadas com as chaves dicotômicas disponíveis (2,3). O patógeno obtido foi reinoculado em plântulas da cultivar Golden com 30 dias de idade, aplicando 1 mL da suspensão de 104 conídios no solo ao redor das plântulas para comprovação da patogenicidade. Realizou-se a ANOVA e as médias de plântulas infectadas/acesso foram analisadas pelo método de Cluster Analysis (p<0,05), pelo programa computacional SAS (9).

As infecções por C. cassiicola iniciaram quando as plantas estavam com 20 dias, afetando principalmente as hastes como lesões escuras e deprimidas, causando o tombamento das plantas. A primeira avaliação ocorreu aos 27 dias de germinação e a segunda, aos 32 (Tabela 1). De todas as plantas sintomáticas avaliadas, a partir das quais foi realizado o isolamento em meio de cultura, formaram-se colônias de cor cinza escura e produziram conídios com forma e dimensões que caracterizam C. cassiicola.

Os conídios obtidos a partir das colônias dos acessos infectados naturalmente reproduziram a mesma sintomatologia nas plântulas de mamoeiro da cultivar Golden, confirmando a patogenicidade de C. cassiicola. O patógeno é bastante agressivo sendo responsável também pelo tombamento de plântulas de mamoeiro nas condições de viveiro. Os acessos de mamoeiro infectados naturalmente variaram em relação ao número de plântulas infectadas (Tabela 1), com 10 deles apresentando acima de 35% de plantas infectadas, destacando-se como mais suscetíveis os acessos: Caliman AM, Calimosa e STZ-51 com 73, 73 e 74% de plantas mortas, respectivamente.

Pelo método de agrupamento (Cluster analysis p<0,05) os 49 acessos foram divididos em 5 grupos (Figura 1), com base na média de plântulas sintomáticas que variou entre 4% (Santa Helena III TRA 50A PLT-09) a 74% (STZ-51). Dos 49 acessos, 31 ficaram abaixo de 23,8%, média geral de plântulas infectadas em todo o experimento.

Os sintomas da doença nas plântulas do experimento foram mais intensos no mês de abril, que apresentou precipitação média de 8,8 mm, temperatura média de 24,8ºC e umidade relativa do ar de 87,9%, a mais alta para estas variáveis no ano, consideradas como condições favoráveis para o desenvolvimento da doença de acordo com Sinclair & Backmam (10).

Segundo Mendonça et al. (5), os conídios de C. cassiicola são facilmente removidos das lesões e disseminados a curtas distâncias pelo vento. O fungo sobrevive em restos de cultura, sementes infectadas, plantas invasoras e outros hospedeiros suscetíveis que podem servir de fonte de inóculo (8). Como o solo e o substrato utilizados para o plantio desse experimento foram autoclavados por duas horas a 120ºC, só houve a possibilidade de transmissão do patógeno através das sementes, ou por meio de outras plantas hospedeiras.

Segundo Oliveira & Santos Filho (6), as condições climáticas e o órgão da planta afetado são fatores que causam variações nos sintomas de C. cassiicola em plantas adultas. As plântulas do presente experimento naturalmente infectadas por C. cassiicola apresentaram lesões de crescimento rápido no caule, acinzentadas a princípio, deprimidas e elípticas, evoluindo para uma constricção da área afetada, escurecimento das lesões, tombamento e morte das plântulas que secavam completamente. A maioria das plantas afetadas apresentou sintomas de tombamento e morte. Apenas Liberato & MC Taggart (4) descreveram sintomas similares aos aqui relatados, no entanto, estes autores usaram plantas inoculadas artificialmente com C. cassiicola.

Como conclusão, descreve-se Corynespora cassiicola causando tombamento de plântulas de mamoeiro e destacam-se os acessos Sunrise solo 72/12, Sunrise solo, Golden comercial, Grampola, Kapoho solo (polpa vermelha), Mamão roxo e Santa Helena (50A PLT- 09, 14A PLT - 05, 12A PLT- 06, 12A PLT - 07, 02A PLT – 01) por apresentarem baixa incidência natural de C.cassiicola.

 

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem À Capes e ao CNPq pela concessão de bolsas ao primeiro e ao último autor, respectivamente; aos Drs. José Luiz Bezerra, Enilton Santana Nascimento e Stela Dalva M. Silva pelas sugestões e contribuições a este trabalho; ao estatístico Lindolfo Pereira dos Santos Filho; aos funcionários da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira – Ceplac/Cepec pela colaboração; ao Dr. Geraldo Ferreguetti e à Empresa Caliman Agrícola S/A pelo fornecimento das sementes de mamoeiro.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Andrade, J.S.; Tatagiba, J.S.; Ventura, J.A.; Costa, E.; Martins, D.S. Avaliação da mancha-de-Corynespora em diferentes sistemas de condução do mamoeiro no norte do Espírito Santo. In: Simpósio do Papaya Brasilileiro, 2003, Vitória. Papaya Brasil: Qualidade do mamão para o mercado interno. Vitória, Incaper, 2003, p.577-579.         [ Links ]

2. Ellis, M.B. Dematiaceaus hyphomycetes. Commouwealth mycological. Institute, Kew, Surrey, 1971, p.372-373.         [ Links ]

3. Ellis, M.B; Holliday, P. Corynespora cassiicola. Kew, Commonwealth Mycological Institute. Descriptions of pathogenic fungi and bacteria n.3, 1971.p.2.         [ Links ]

4. Liberato, J.R.; Mc Taggart, A.R. Corynespora Brown Spot of Papaya (Corynespora cassiicola). Pest and Diseases Image Library, Sidney, 2006. Disponível em: <http://www.padil.gov.au>. Acesso em: 18 fev. 2011.         [ Links ]

5. Mendonça, R.F.; Rodrigues, W.N.; Jesus Júnior, W.C.; Sambugaro, R.; Martins, L.D. Mancha de corynespora: desafio para a cultura do café conilon no Estado do Espírito Santo. Enciclopédia Biosfera, Goiânia, v. 8, n.14, p. 724-734, 2012.         [ Links ]

6. Oliveira, A.A.R; Santos Filho, H.P. Mancha de Corynespora. Mamão em Foco, Cruz das Almas, n.23, 2006. Disponível em: <http://www.cnpmf.embrapa.br/publicacoes>. Acesso em: 16 fev. 2011.         [ Links ]

7. Oliveira, R.R.; Vida, J.B.; Tessmann, D.J.; Aguiar, B.M.; Caixeta, M.P.; Barboza, A.A.L. Patogenicidade de isolados de Corynespora cassiicola a diferentes espécies de plantas. Summa Phytopathologica, Botucatu, v.33, n.3, p. 297-299, 2007.         [ Links ]

8. Santos, A.A.; Freire, F.C.O.; Cardoso, J.E. Ocorrência da podridão interna do mamão no Estado do Ceará. Fitopatologia Brasileira, Fortaleza, v. 26, n.3, p. 673, 2001.         [ Links ]

9. SAS Institute. SAS/STAT. User's guide. version 8.2. Cary, 1988. 943p.         [ Links ]

10. Sinclair, J.B.; Backman, P.A. Compendium of soybean Diseases. 3º Ed. St Paul, Minnesota: American Phytopathological Society, 1989, p.106.         [ Links ]

 

 

* Autor para correspondência:
Marcela Tonini Venturini
(cosalin2@yahoo.com.br).

Data de chegada: 09/08/2014.
Aceito para publicação em: 22/09/2014.

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