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Summa Phytopathologica

versão impressa ISSN 0100-5405

Summa phytopathol. vol.42 no.2 Botucatu abr./jun. 2016

https://doi.org/10.1590/0100-5405/2037 

Comunicações

Ocorrência de Phytophthora nicotianae em mamoneira (Ricinus communis L.) no Brasil

Haroldo Antunes Chagas1  * 

Ana Carolina Firmino1 

César Junior Bueno2 

Marcos Vinícius Oliveira dos Santos3 

Edna Dora Martins Newman Luz3 

Edson Luiz Furtado1 

Maurício Dutra Zanotto4 

1Faculdade de Ciências Agronômicas da UNESP, Departamento de Produção Vegetal/Defesa Fitossanitária. Rua José Barbosa de Barros, n. 1780, Cxa. Postal 237, CEP 18610-307, Botucatu-São Paulo

2Centro Experimental Central do Instituto Biológico/APTA. Rodovia Heitor Penteado, Km 3, Jd. das Palmeiras, CEP 13092-543, Campinas – São Paulo

3Seção de Fitopatologia, Centro de Pesquisas do Cacau, Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira, Cxa. Postal 07, CEP 45600-970, Itabuna, Bahia.

4Faculdade de Ciências Agronômicas da UNESP, Departamento de Produção Vegetal/Agricultura. Rua José Barbosa de Barros, n. 1780, Cxa. Postal 237, CEP 18610-307, Botucatu-São Paulo.


A cultura da mamoneira (Ricinus communis L.), apesar de sua rusticidade, pode sofrer ação de diversos fitopatógenos, implicando em perda de produtividade. Fusarium oxysporum f. sp. ricini é o único fungo de solo que ocorre na cultura [Massola Junior, N. S. & Bedendo, I. P. Doenças da mamoneira. In: Kimati, H. et al. (Eds.). Manual de fitopatologia: doenças das plantas cultivadas. 4 ed. São Paulo: Agronômica Ceres, 2005. v.2: p. 445-447].

Isolou-se de mudas de mamoneira (cv. IAC 80) plantadas diretamente em amostras de solo coletadas em 2010 em uma Fazenda produtora de mamoneira, localizada no município Santa Rita do Oeste / São Paulo – Brasil, no meio de cultura ágar-água, apenas um isolado do oomiceto Phytophthora sp. Como não há relato deste patógeno na cultura, o objetivo do presente trabalho foi relatar e identificar a espécie de Phytophthora que ocorre na mamoneira. Em copos plásticos descartáveis contendo solo autoclavado, plântulas de mamoneira cv. IAC 80 com 10 dias de germinação foram inoculadas com o isolado de Phythophthora sp. na região do colo pelo método do palito de madeira colonizado com o fungo (Trionfetti-Nisini et al. Screening for resistance to Didymellabryoniae in rootstocks of melon. Bulletin-OEPP, v. 30, n. 2, p. 231-234, 2000). Após 24 horas de câmara úmida, todas as plântulas inoculadas apresentaram a região do colo e suas raízes totalmente enegrecidas e as folhas encontravam-se murchas, diferindo das plântulas do tratamento testemunha que se encontravam sadias (Figura 1). A sintomatologia do teste de patogenicidade foi idêntica a que ocorreu nas plântulas de onde foi obtido o isolado. Após o re-isolamento do patógeno das plântulas inoculadas, o isolado de Phytophthora sp. foi considerado o agente causal de murcha e necrose de colo e raiz na mamoneira IAC 80 (Figura 1).

Figura 1 A) Teste de patogenicidade - Detalhe do colo necrosado e murcha das plântulas de mamoneira; B) Manchas necróticas em folhas de fumo (Nicotiana tabacum L.) inoculadas com discos de culturas do isolado de Phytophthora nicotianae obtido de plântulas de mamoneira; C e D - Isolado de P. nicotianae de mamoneira; C) Cultura em cenoura-ágar, aos 7 dias de cultivo; D) Esporângios (aumento de 400 x). 

Após isso, o isolado de Phytophthora foi enviado para a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira, Centro de Pesquisas do Cacau (CEPLAC/CEPEC), localizado no município Itabuna, no Estado da Bahia, visando a sua identificação. O isolado foi colocado para crescer no meio de cultura cenoura-agar (CA), em estufa BOD a 25 ± 1ºC, sob luz constante, e aos sete dias de crescimento, o mesmo apresentou colônias em forma de estrela, com micélio aéreo ligeiramente floculoso e raros esporângios. Discos (0,7 cm de diâmetro) destas culturas em CA foram transferidos para placas de Petri (5 cm de diâmetro) contendo 8 mL de água estéril e, após 72 h, sob as mesmas condições de temperatura e luminosidade, observou-se a formação de esporângios sobre o disco de cultura e ao redor do mesmo. Os esporângios, formados em esporangióforos com ramificação simpodial irregular, foram predominantemente ovoides, mas vários quase esféricos e raros elipsoides, não-caducos e papilados, as vezes com duas papilas, medindo 37(19,3-49,0) x 28,6(15,8-32,5) µm (média de 50 esporângios), relação comprimento/largura 1.3:1. As papilas mediram 6,2(2,3-8,8) µm de profundidade e 6,4(3,5-8.8) µm para abertura do poro apical (Figura 1). Clamidósporos terminais e intercalares sempre presentes, com diâmetro médio para 50 unidades avaliadas de 22,9(14,9-31,5) µm. O isolado quando cultivado em CA a temperatura de 35ºC apresentou crescimento micelial durante os sete dias de cultivo. Folhas de plântulas de fumo, 30 dias após semeadura foram inoculadas, sem ferimento, colocando-se discos de cultura de CA com estruturas do patógeno sobre a superfície das folhas e mantidas em câmara úmida por 48 h. Quando as lesões começaram a aparecer, isto demonstrou que o isolado foi patogênico às folhas de fumo (Nicotiana tabacum L.) (Figura 1). Crescimento a 35ºC e patogenicidade às folhas de fumo diferenciam P. nicotianae de outras espécies de Phytophthora morfologicamente similares. Correndo chaves taxonômicas de espécies de Phytophthora, as medidas dos esporângios e clamidósporos do isolado de mamoneira enquadram-se dentro dos limites do táxon da espécie P. nicotianae (Waterhouse, G.M. Key to the species of Phytophthora de Bary. Kew Commonwealth Mycological Institute. Mycological Papers, v. 92, 1963. 22 p.; Gallegly, M.E. Hong, C.X. Phytophthora: identifying species by morphology and DNA fingerprints. St. Paul, Minessota: APS Press. 2008, 158 p.). Visando ainda a sua correta identificação, a região ITS-5.8S rDNA do isolado foi sequenciada e essa apresentou 99% de similaridade com sequência de um isolado de P. nicotianae (GU983639) do GENBANK-NCBI, corroborando os dados obtidos pela caracterização cultural e morfológica.

No Brasil há relato de P. nicotianae ocorrendo em guaraná (Paullinia cupana D.), em maracujazeiro (Passiflora sp.) (Kimati, H.; Amorim, L.; Bergamin Filho, A.; Camargo, L.E.A.; Rezende, J.A.M. Manual de Fitopatologia: Doenças das Plantas Cultivadas. 3 ed. São Paulo: Agronômica Ceres, 1997. v. 2, 774 p.) e em diversos outros hospedeiros (Luz, E.D.M.N.; Matsuoka, K. Phytophthora: Fungo protista ou Chromista? In: Luz, E.D.M.N.: Santos, A.F. dos; Matsuoka, K.; Bezerra, J.L. (Ed.). Doenças causadas por Phytophthora no Brasil. Campinas: Livraria Editora Rural. 2001. p. 1-22). Porém, este é o primeiro relato no Brasil de P. nicotianae causando podridão escura no colo e raízes seguido de murcha em plântula de mamoneira.

Recebido: 26 de Setembro de 2012; Aceito: 28 de Abril de 2013

Haroldo Antunes Chagas (haroldo.antunes2099@gmail.com)

Creative Commons License Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.