SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.44 número1Avaliação de formulados biológicos no crescimento e manejo da raiz rosada em cebolinha-verdeEfeito da temperatura e do fotoperíodo na germinação in vitro de esporângios de Peronospora destructor, agente etiológico do míldio da cebola índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Serviços Personalizados

Journal

Artigo

Indicadores

Links relacionados

Compartilhar


Summa Phytopathologica

versão impressa ISSN 0100-5405versão On-line ISSN 1980-5454

Summa phytopathol. vol.44 no.1 Botucatu jan./mar. 2018

https://doi.org/10.1590/0100-5405/167948 

COMUNICAÇÕES

Efeito da temperatura e do fotoperíodo no desenvolvimento micelial de Botrytis squamosa, agente causal da queima das pontas da cebola

Leandro Luiz Marcuzzo1 

José Junior Souza1 

1Instituto Federal Catarinense – IFC/Campus Rio do Sul, CP 441, 89.163-356, Rio do Sul, SC


A queima das pontas da cebola causada pelo fungo Botrytis squamosa Walker destaca-se como a mais importante doença da cultura na fase de muda. Esta doença está amplamente disseminada em regiões de clima temperado, onde são frequentes os períodos de temperaturas amenas (≤ 22ºC), alta umidade (≥ 90%) e pouca luminosidade. Epidemias são favorecidas por temperaturas entre 20 a 25°C, umidade relativa acima de 75% e períodos de molhamento foliar acima de 6 horas contínuas (Wordell Filho et al. Manejo Fitossanitário na cultura da cebola, p.19-30, 2006). Os sintomas da queima das pontas se manifestam nas folhas como manchas esbranquiçadas, dispostas inicialmente de forma isolada e sem esporulação do fungo, no entanto o sintoma que resulta em maior dano é a queima foliar, ocorrendo do ápice para a base da folha, com intensa esporulação e aspecto translúcido na parte necrosada da folha. O conhecimento da biologia do patógeno é de grande importância para compreender o desenvolvimento da doença no campo, bem como para tomar medidas de manejo da doença. Diante disto, este trabalho teve como objetivo avaliar em in vitro a influência da temperatura e do fotoperíodo no crescimento micelial de B.squamosa. A pesquisa foi realizada no Laboratório de Microbiologia e Fitopatologia do Instituto Federal Catarinense/Campus Rio do Sul com isolado de B. squamosa, obtido de planta de cebola com sintoma da doença em lavoura e multiplicado em placas de Petri contendo meio de cultura de BDA(batata-dextrose-ágar) através da coleta de conídios sobre o tecido lesionado. Discos de micélio com 9 mm de diâmetro, foram removidos dessas placas e inoculados no centro de placas de Petri com 8 cm de diâmetro contendo meio de cultura BDA e incubados em câmera de germinação do tipo B.O.D. (Demanda Biológica de Oxigênio) a uma temperatura de 25° C e fotoperíodo de 12 horas durante sete dias para crescimento do micélio e obtenção do inóculo. Após isso, discos de micélio foram transferidos para placas de Petri contendo meio de cultura BDA e incubados nas temperaturas de 5, 10, 15, 20, 25, 30 e 35°C (±1°C) e fotoperíodo de 12 horas. Diariamente foi feita a medição do crescimento micelial em duas linhas diagonais opostas com um paquímetro. No quarto dia o micélio atingiu a proximidade das bordas das placas de Petri e finalizou-se as avaliações. A partir da obtenção da temperatura ótima de desenvolvimento, repetiu-se o ensaio seguindo a mesma metodologia de inoculação, incubando-se a temperatura de 18°C com fotoperíodos de 0, 6, 12, 18 e 24 horas de luz. Verificou-se que a temperatura influenciou o crescimento micelial, tendo apresentado melhor desenvolvimento entre as temperaturas de 15° e 20°C (Figura 1A). Utilizando a equação gerada pela curva (y =-0,028x2+1,029x–1,76, R2=0,998)(Figura 1A) obteve-se a temperatura ótima de 18°C para o crescimento micelial. Resultados semelhantes em patógeno da cebola foram obtidos por Xavier (Efeito da temperatura e do fotoperíodo no desenvolvimento micelial de Sclerotiumcepivorum, agente causal da podridão branca do alho e da cebola. 2015. 27p. Trabalho de curso. Instituto Federal Catarinense, campus Rio do Sul, Rio do Sul), onde verificou que o crescimento micelial ótimo in vitro de Sclerotium cepivorum foi de18°C. Leite et al. (Summa Phytopathologica, v.26, n.2, p.81-84, 2000) também destacam que a temperatura ótima para o desenvolvimento do micélio de Sclerotinia sclerotiorum situa-se também aos 18ºC. Patógenos, como B.squamosa possuem escleródios como estrutura de dormência ou repouso que são provenientes do crescimento micelial, caracterizando que a temperatura entre eles é semelhante. Temperaturas extremas não são favoráveis ao desenvolvimento micelial, pois a 35°C observou-se a inibição do crescimento micelial, enquanto que a 5°C apresentou o menor desenvolvimento (2,4 cm) (Figura 1A). Ellerbrock & Lorbeer (Phytopathology, v.67, n.2, p.219-225, 1977) também encontrou em 18ºC a melhor temperatura de esporulação B. squamosa, sendo desfavorável ao desenvolvimento micelial do patógeno. Em planta de cebola, Alderman & Lacy (Phytopathology, v.73, n.8. p.1020-1023, 1983) verificaram que a produção de lesões teve um ótimo de 20ºC e a basal de 15ºC. Por outro lado, quando a temperatura foi elevada de 20 para 25°C houve um decréscimo da severidade da doença, coincidindo com os resultados obtidos por Sutton et al. (Agriculture, ecosystems and environment,v.18, p.123-143, 1986). Esses resultados in vivo confirmam os obtidos com o presente trabalho in vitro. Em relação ao crescimento micelial em diferentes fotoperíodos, observa-se a formação de uma linha polinomial (Figura 1B) e através da equação y=-0,0005x2+0,143x+6,068 (R2=0,936) verificou-se que o fotoperíodo mais favoravel ao desenvolvimento foi de zero horas de luz, com um crescimento micelial final de 6,1 cm quando comparado a 12 horas de luz que obteve um crescimento final de 5,1 cm, porém pouco expressiva a diferença do fotoperíodo ao se comparar a temperatura. Ellerbrock&Lorbeer (Phytopathology, v.67, n.2, p.219-225, 1977) efetuou o crescimento de B. squamosa em meio de cultura no escuro durante três semanas para produção de micélio e escleródios. É provável que B. squamosa tenha seu desenvolvimento favorecido por menores períodos de luz, assim em dias nublados e com pouca luminosidade como o que ocorre durante o outono/inverno na região do Alto Vale do Itajaí durante o ciclo da cebola favorecem a o crescimento micelial e a ocorrência da doença. Conclui-se que o crescimento micelial de B. squamosa sofre influência da temperatura e do fotoperíodo, onde os maiores valores de crescimento são obtidos em temperaturas de 15 a 20°C, sendo a temperatura ótima de 18°C e o fotoperíodo de zero hora de luz. As informações obtidas em relação à temperatura e o fotoperíodo no crescimento micelial de B. squamosa permitem um maior conhecimento da biologia do agente causal da queima das pontas da cebola, auxiliando no entendimento da epidemiologia e suporte para manejo da doença no campo.

Figura 1 Curva de crescimento micelial (cm) in vitro de Botrytis squamosa em diferentes temperaturas (A) e fotoperíodos (B). IFC/Campus Rio do Sul, 2016. 

REFERÊNCIAS

1 Alderman, S.C.; Lacy, M.L. Influence of dew period and temperature on infection of onion leaves. Phytopathology, St. Paul, v.73, n.8. p.1020-1023, 1983. [ Links ]

2 Ellerbrock, L.A.; Lorbeer, J.W. Survival sclerotia and conidia of Botrytis squamosa. Phytopathology, St. Paul, v.67, n.2, p.219-225, 1977. [ Links ]

3 Leite, R.M.V.B.; Oliveira, M.F.; Vieira, O.V.; Castiglioni, V.B.R. Incidência de podridão branca causada por Sclerotinia sclerotiorum em girassol semeado após a colheita da safra de verão, no estado do Paraná. Summa phytopathologica, v.26, n.2, p.81-84, 2000. [ Links ]

4 Sutton, J.C.; James, T.D.W.; Rowell, P.M. Botcast: A forecasting system to time the initial fungicide spray for managing botrytis leaf blight of onions. Agriculture, ecosystems and environment, v.18, n.2, p.123-143, 1986. [ Links ]

5 Wordell Filho, J. A.; Boff, P. Queima acizentada – Botrytis squamosa Walker. In: Wordell Filho, J.A.; Rowe, E.; Gonçalves, P.A.; Debarba, J.F.; Boff, P.; Thomazelli, L.F. Manejo Fitossanitário na cultura da cebola. Florianópolis: EPAGRI, p.19-30, 2006. [ Links ]

6 Xavier, A. Efeito da temperatura e do fotoperíodo no desenvolvimento micelial de Sclerotium cepivorum, agente causal da podridão branca do alho e da cebola. 2015. 27p. Trabalho de curso. Instituto Federal Catarinense, campus Rio do Sul, Rio do Sul. [ Links ]

Recebido: 16 de Agosto de 2016; Aceito: 22 de Setembro de 2017

Leandro Luiz Marcuzzo (leandro.marcuzzo@ifc.edu.br)

Creative Commons License Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.