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Summa Phytopathologica

versão impressa ISSN 0100-5405versão On-line ISSN 1980-5454

Summa phytopathol. vol.44 no.2 Botucatu abr./jun. 2018

https://doi.org/10.1590/0100-5405/175840 

COMUNICAÇÕES

Sensibilidade de isolados de Phakopsora pachyrhizi provenientes da região do centro oeste do Paraná a fungicidas

Eduard Duhatschek1 

Leandro Alvarenga Santos1  1 

Cacilda Márcia Duarte Rios Faria1 

1Universidade Estadual do Centro Oeste - UNICENTRO / PR, Departamento de Agronomia.


Um dos principais fatores que reduzem a produtividade da cultura da soja no Brasil são as doenças. A principal doença da cultura é a ferrugem asiática causada por Phakopsora pachyrhizi Sydow e Sydow. O último levantamento do custo do controle da ferrugem no Brasil, considerando as reduções em produtividade e o custo do controle da doença, foi estimado em U$ 2,2 bilhões por safra (3). O controle eficiente desta doença envolve várias medidas integradas, como plantio de cultivares com ciclo precoce, implantação do vazio sanitário e aplicação de fungicidas protetores e penetrantes móveis. Embora haja um grande número de produtos comerciais registrados para controle da ferrugem asiática no Brasil, pertencem apenas a três mecanismos de ação. Nos últimos anos tornaram-se frequentes relatos de produtos com eficiência reduzida, devido a isto em 2016 com base na Portaria nº 91, 2105/2015, o ADAPAR (1) suspendeu a comercialização no estado do Paraná de 67 fungicidas por baixa eficiência no controle da ferrugem asiática (2).

Diante deste cenário, pesquisas que visem o monitoramento da sensibilidade do patógeno da ferrugem asiática da soja tornam-se imprescindíveis. Portanto, o objetivo deste trabalho foi verificar o efeito de aplicações de fungicidas em áreas comerciais na sensibilidade de isolados de P. pachyrhizi, proveniente de cinco localidades da região de Centro Oeste do Paraná.

Os isolados de P. pachyrhizi foram obtidos de lavouras comerciais, sendo provenientes de quatro cultivares e tratadas com diferentes ingredientes ativos antes da coleta (Tabela 1).

Tabela 1 Origem dos isolado, locais de origem, cultivares e fungicidas (nome técnico e comercial) aplicados na área 

Isolado Coordenada geográfica Cultivar Fungicida aplicado
Boa Esperança 24°14’39.3”S 52°47’30.3”W Syngenta 1163 Ciproconazol e picoxistrobina (APROACH PRIMA®)
CEDETEG 25°23’02.5”S 51°29’30.2”W BMX Apolo RR Sem aplicações
Manoel Ribas 24°31’01.6”S 51°40’04.4”W BMX Van Guarda Trifloxistrobina e protioconazol (FOX®)
Xarquinho 25°21’47.6”S 51°30’13.3”W Ni 6202 Trifloxistrobina e protioconazol (FOX®)
Campina do Simão 25°06’27.6”S 51°48’14.0”W Ni 6202 Trifloxistrobina e protioconazol (FOX®)

Após a coleta, foi obtida uma suspensão de esporos (2 x 104conídios mL-1) utilizada no teste de germinação. O teste foi realizado pelo método da placa de Elisa. As placas foram mantidas em BOD, com fotoperíodo de 12 horas e temperatura de 25°C. A germinação foi paralisada 24 horas após, utilizando 20 μL do corante azul algodão de lactofenol. Foram avaliados 100 esporos em duplicata, estabelecendo o percentual de esporos germinados.

O delineamento utilizado foi o de blocos casualisados, com cinco tratamentos, compostos por cinco diferentes dosagens de dois fungicidas, piraclostrobina + epoxiconazol (Opera®) e trifloxistrobina + protioconazol (Fox®), com 5 repetições. As dosagens utilizadas para o produto piraclostrobina + epoxiconazol foram 332mg/L + 125mg/L; 33,2mg/L + 12,5 mg/L; 3,32mg/L + 1,25mg/L; 0,332mg/L + 0,125mg/L; 0,0332mg/L+ 0,0125mg/L. Para o produto trifloxtrobina + protioconazol as dosagens utilizadas foram 225mg/L + 262,5mg/L; 22,5mg/L + 26,25mg/L; 2,25mg/L + 2,625mg/L; 0,225mg/L + 0,2625mg/L; 0,0225mg/L + 0,02625mg/L, respectivamente.

Os dados foram submetidos à análise de variância e as médias submetidas a regressão polinomial. Posteriormente foram calculadas a concentração inibitória de 50% (IC50) e a concentração inibitória máxima (CIM).

Todos os isolados apresentaram redução da germinação de esporos pelo aumento da concentração dos fungicidas. Para o fungicida a base de piraclostrobina + epoxiconazol, os isolados da região centro oeste do Paraná não apresentaram diferença para a IC50.

Entretanto para a CIM, os isolados provenientes do Xarquinho e Campina do Simão apresentaram menor valor de CIM, indicando alta sensibilidade ao fungicida, ambos os isolados foram obtidos de plantas da cultivar Ni6202, onde foram realizadas pulverizações com trifloxistrobina + protioconazol (Figura 1).

Figura 1 Concentração inibitória de 50% da germinação de esporos (CI50. e concentração mínima inibitória (CMI) das misturas de fungicidas piraclostrobina + epoxiconazol e de trifloxistrobina + protioconazol a cinco isolados de Phakopsora pachyrhizi

A sensibilidade de produtos à base de piraclostrobina já foi determinada por REIS et al. (6), utilizando triazóis e estrobilurinas, demonstraram a ocorrência da redução da sensibilidade de P. pachyrhizi ao fungicidas a base de tebuconazol, porém não se detectou alteração na sensibilidade do fungo à piraclostrobina.

A IC50 da trifloxistrobina + protioconazol, para os isolados de P. pachyrhizi apresentou diferença, os isolados de Manoel Ribas e Xarquinho tiveram os valores de IC50, mais elevados (acima de 100 mL/ha), ambos locais possuem histórico de aplicações com fungicidas com os mesmos ingredientes ativo, demonstrando redução da sensibilidade por exposição a esses ingredientes ativos (5).

Na CIM, apenas o isolado de Boa Esperança apresentou valor inferior aos demais, uma possível explicação é a utilização de fungicidas com outros ingredientes ativos no controle desta área diferentes dos testados. Os demais locais não diferiram estatisticamente. Constatou-se que áreas com histórico de aplicações de Trifloxistrobina + Protioconazol proveram isolados menos sensíveis ao produto, quando comparado aos isolados de áreas que foram conduzidas com outros produtos. Os isolados coletados na cultivar Ni6202 e tratados com trifloxistrobina + protioconazol, apresentaram maior sensibilidade a piraclostrobina + epoxiconazol em comparação aos demais, demonstrando o efeito benéfico da rotação de princípios ativos no controle da ferrugem asiática.

Moura et al. (4) obteve valores da IC50 de oito fungicidas para o controle de P. pachyrhizi de diferentes locais, dentre os tratamentos utilizados, piraclostrobina e a mistura trifloxistrobina + protioconazol obtiveram os menores valores da IC50, e a mistura piraclostrobina + epoxiconazol teve valores mais elevados. Em todos estes trabalhos não foi investigado a área em que os isolados foram obtidos e a quais ativos o patógeno havia sido exposto.

Portanto se pode concluir que as áreas tratadas com trifloxistrobina + protioconazol, apresentaram redução da sensibilidade ao produto. Tornando assim notória a necessidade da rotação de ingredientes ativos, de modo a evitar a seleção de indivíduos resistentes.

REFERÊNCIAS

1 ADAPAR - Agência de Defesa Agropecuária do Paraná. Lista de Agrotóxicos aptos para comércio e uso no Paraná. Disponível em: <www.adapar.pr.gov.br/> Acesso em: 20 de jan. 2017. [ Links ]

2 AGROLINK. Paraná suspende 67 defensivos com baixa eficiência contra ferrugem asiática. Disponível em: <https://www.agrolink.com.br/noticias/parana-suspende-67-defensivos-com-baixa-eficiencia-contra-ferrugem-asiatica_350847.html.>Acesso em: 20 jan. 2017 [ Links ]

3 CONSÓRCIO ANTIFERRUGEM. Conheça a ferrugem: Tabela de custo. Disponível em: Disponível em:<http://www.consorcioantiferrugem.net/> Acesso em: 20 de jan. 2017. [ Links ]

4 MOURA, Bianca; BOLLER, Walter; DEUNER, Carolina Cardoso. In vitro Determination of Fungicide Inhibitory Concentration for Phakopsora pachyrhizi isolates. Summa Phytopathologica, v. 42, n. 2, p. 170-171, 2016. [ Links ]

5 OLIVEIRA, S. C.; CASTROAGUDÍN, V. L; MACIEL, J. L. N.; PEREIRA, D A. S.; CERESINI, P. C. Resistência cruzada aos fungicidas IQo azoxistrobina e piraclostrobina no patógeno da brusone do trigo Pyricularia oryzae no Brasil. Summa Phytopathologica, v. 41, n. 3, p. 298-304, 2015. [ Links ]

6 REIS, ERLEI MELO; DEUNER, ELAINE; ZANATTA, MATEUS. In vivo sensitivity of Phakopsora pachyrhizi to DMI and QoI fungicides. Summa Phytopathologica, v. 41, n. 1, p. 21-24, 2015. [ Links ]

Recebido: 14 de Fevereiro de 2017; Aceito: 14 de Agosto de 2017

Autor para correspondência: Leandro Alvarenga Santos (leandro.alvarenga.s@hotmail.com)

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