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Summa Phytopathologica

Print version ISSN 0100-5405On-line version ISSN 1980-5454

Summa phytopathol. vol.44 no.4 Botucatu Oct./Dec. 2018

http://dx.doi.org/10.1590/0100-5405/188409 

COMUNICAÇÕES / COMMUNICATIONS

Enxofre versus acibenzolar-s-methyl no controle do oídio do cajueiro

Francisco Marto Pinto Viana1 

José Emilson Cardoso1 

Marlon Vagner Valentim Martins1 

Marcio Akio Ootani2 

1Embrapa Agroindústria Tropical, Rua Doutora Sara Mesquita, 2270 – Bairro: PICI, CEP 60511-110, Fortaleza, CE, Brasil. E;

2CETENE – Laboratório de Bioprocessos/ UFPE, Av. Prof. Luís Freire, 1 - Cidade Universitária. CEP 50740-545, Recife, PE, Brasil

O oídio, considerado o maior problema fitossanitário da cajucultura brasileira, afeta cerca de 70% dos pomares de cajueiro (Anacardium occidentale L.) em áreas produtoras do Ceará e do Piauí. Estudos concluíram que o agente responsável pelas recentes epidemias de oídio do cajueiro não é o Oidium anacardii Noak, mas o Pseudoidium anacardii Braun & Cook, forma anamórfica de Erisyphe quercicola Braun & Cook (1). A resistência sistêmica induzida, atualmente, é uma alternativa real na proteção de plantas contra o ataque de patógenos. Esta pesquisa comparou o efeito do fungicida Kumulus® (80% enxofre), preconizado para o controle do oídio do cajueiro, com o indutor comercial Bion® (acibenzolar-S-methil), eficiente na indução de resistência para o controle do mofo-preto (nome do patógeno) do cajueiro (2 ). O estudo foi conduzido no período de junho a agosto de 2015 no Campo Experimental de Pacajus, Embrapa Agroindústria Tropical, Pacajus, CE (4o 17’S Lat., 38o 05’W Long., 75 m Alt.). Em um pomar composto por cajueiro anão clone BRS 189, as plantas foram podadas em abril visando uniformizar a epidemia, cujos tratos culturais adotados foram os preconizados para a região. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado com três tratamentos e cinco repetições de uma planta, amostrada por uma panícula em cada um dos pontos cardeais. Os tratamentos consistiram de pulverizações de proteção com 3 g de Kumulus® e 1 g de Bion® por litro de água aplicados a cada 15 dias até o início da formação dos maturis, e testemunha com aplicação apenas de água. As aplicações foram quinzenais, do início ao final da floração, durante de 60 dias. As avaliações foram semanais, durante todo período de floração, abrangendo dois períodos de emissão de panículas. As avaliações seguiram a escala descritiva de severidade: 0- ausência de sintomas; 1- sintoma leve; 2- sintoma moderado; 3- sintoma severo; 4- sintoma muito severo. Os dados de severidade, submetidos à análise da variância, apresentaram diferenças significativas, com baixo coeficiente de variação (CV=7,88%). A comparação das médias de severidade (Tukey, P≥0,05) diferenciou significativamente o fungicida Kumulus® dos demais, resultado confirmado pela estimativa da Área Abaixo da Curva de Progresso da Doença (AACPD), como parâmetro de análise epidêmica (Figura 1).

Figura 1 Severidade do oídio (escala descritiva de 0 a 4) e valores de Área Abaixo da Curva de Progresso da Doença (AACPD) na fase de floração do clone de cajueiro BRS 189, em função de tratamento com enxofre e acibenzolar-S-metil. 

O acibenzolar-S-methil, apesar de sua eficácia no controle do mofo-preto do cajueiro, não reduziu o progresso da epidemia e não diferiu estatisticamente da testemunha (Figura 1). O indutor não foi efetivo no período mais crítico da epidemia, ou seja, no início da floração. A baixa taxa de progresso da doença em plantas tratadas com enxofre ocorreu porque essa substância tem um efeito residual de contato e, assim, reduziu a densidade de inóculo no início da epidemia, pois o enxofre inibe a germinação de conídios de fungos do grupo dos oídios.

REFERENCIAS

1 Cardoso, J.E.; Viana, F.M.P.; Ootani, M.A.; Martins, M.V.V.; Araújo, F.S.A. First report of Erysiphe quercicolacausing powdery mildew on cashew in Brazil. Plant Disease, St. Paul, v.101, n.7, p.1327, 2017. [ Links ]

2 Viana, F.M.P.; Lima, J.S.; Lima, F.A.; Cardoso, J.E. Control of cashew black mould by acibenzolar-S-methyl. Tropical Plant Pathology, Brasília, v.37, n.5, p.354-357, 2012. [ Links ]

Recebido: 27 de Novembro de 2017; Aceito: 12 de Abril de 2018

Autor para correspondência: Francisco Marto Pinto Viana (marto.viana@embrapa.br)

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