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Revista Brasileira de Educação Médica

Print version ISSN 0100-5502

Rev. bras. educ. med. vol.34 no.4 Rio de Janeiro Oct./Dec. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-55022010000400002 

RESEARCH

 

Educação permanente: uma ferramenta para o desenvolvimento docente na graduação

 

Continuing education: a tool for undergraduate faculty development

 

 

Carlos Alberto Lazarini; Ieda Francischetti

Faculdade de Medicina de Marília, Marília, SP, Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Descrever a percepção dos docentes tutores e dos docentes da Unidade de Prática Profissional (UPP) da primeira série dos cursos de Medicina e Enfermagem da Famema quanto à relevância de participar do programa de Educação Permanente (EP).
MÉTODOS: Estudo exploratório com questionário semiestruturado. Empregou-se a técnica de análise temática do Discurso do Sujeito Coletivo.
RESULTADOS: A quase totalidade dos sujeitos considerou a atividade de EP como relevante. Os docentes da UPP apontaram ótimo espaço para aprendizagem, troca de experiências e reflexão sobre a prática. As ideias centrais dos tutores foram bom espaço de discussão e reflexão, porém um momento mal aproveitado.
CONSIDERAÇÕES: Para os docentes da UPP, a proposta da EP (reflexão sobre a prática) vem sendo atingida, mas não tem respondido às expectativas e ao entendimento dos tutores. Dada a importância do desenvolvimento docente para a sustentação de um currículo inovador, é necessário problematizar os sentidos implícitos nesta fala em busca de uma EP mais responsiva aos tutores.

Palavras-chave: - Educação - Docente - Currículo


SUMMARY

OBJECTIVE: To describe the perceptions by faculty and tutors in the Professional Practice Unit in the first year of the courses in Medicine and Nursing at Famema, in relation to the relevance of participating in the Continuing Education program.
METHODS: Exploratory study using a semi-structured questionnaire. Thematic analysis technique was used, based on collective subject discourse.
RESULTS: Nearly all of the study subjects considered the Continuing Education activity relevant. The faculty highlighted the activity as an ideal space for learning, fostering exchange of experiences and reflection on practice. The tutors emphasized the activity as a productive space for discussion and reflection, while pointing out that its full potential still remains to be explored.
REMARKS: According to the faculty, the Continuing Education proposal (reflection on practice) has been implemented, but still not in keeping with the tutors' expectations or understanding. Understanding the importance of faculty development for ensuring an innovative undergraduate curriculum, it is necessary to analyze the problems involved in the implicit meaning in this collective discourse in the search for a form of Continuing Education that is more responsive to tutors.

Keywords: - Education - Faculty - Curriculum


 

 

INTRODUÇÃO

Desde a década de 1990, a Faculdade de Medicina de Marília (Famema) adota metodologias ativas de ensino-aprendizagem nos cursos de Medicina e Enfermagem. Em 2004, foi implantado o ciclo de dois anos nas duas primeiras séries dos dois cursos. As atividades desenvolvidas nas Unidades Educacionais Sistematizadas (UESs), que utilizam a estratégia da aprendizagem baseada em problemas (ABP)1, e na Unidade de Prática Profissional (UPP), que emprega a problematização2, são as mesmas, desenvolvidas em pequenos grupos. Na UPP, ocorre a participação conjunta de alunos dos dois cursos.

Para dar suporte ao trabalho dos docentes, a Famema constituiu, inicialmente, o Programa de Desenvolvimento Docente. Este programa tem por objetivo refletir sobre a atividade docente, favorecendo o crescimento do grupo e de seus componentes com a construção de aprendizagens e a transformação das práticas.

O programa considera os seguintes aspectos: trabalho em pequenos grupos com docentes; diversidades socioculturais, representações mentais e práticas internalizadas; atividades docentes com os estudantes no trabalho em grupo e referencial pedagógico institucional; desenvolvimento de consciência cidadã; facilitação de formação de profissionais éticos e competentes, capazes de promover cuidado integral e de qualidade, respondendo adequadamente às necessidades de saúde da população3.

A primeira experiência deste programa foi a Educação Continuada4, na qual o programa propõe temas a serem trabalhados sob a forma de módulos, com duração de 20 horas. Desde 2002, ocorre a Educação Permanente (EP)5, que foca o cotidiano dos docentes junto a seus grupos de estudantes, oportunizando o acolhimento e a problematização da prática docente vivenciada nos diferentes cenários de aprendizagem, bem como a socialização dessas experiências, para favorecer o crescimento dos mesmos e a melhoria/otimização do processo de trabalho.

Para isto, a EP utiliza a proposta de grupo operativo6, com encontros semanais para docentes tutores1 e quinzenais para docentes da UPP, durante todo o período em que estão com os estudantes.

No período em que o programa de EP da Famema estava em funcionamento, o Ministério da Saúde implantou a Política Nacional de Educação Permanente em Saúde, por meio da Portaria GM/MS nº 198, de 13 de fevereiro de 20047, que corrobora o programa existente na Famema, apoiando-o e fortalecendo-o. Esta política criou os polos de educação permanente em saúde, que integravam macrorregiões de saúde que já possuíam articulações para o processo de trabalho conjunto.

Esta proposta ministerial foi reavaliada e culminou na Portaria nº 1.996, de 28 de agosto de 20078, que dá origem à Comissão de Integração Ensino-Serviço (Cies), composta por gestores municipais, estaduais, trabalhadores do SUS, representantes de instituições de ensino que ofereçam cursos na área da saúde e representantes de movimentos sociais ligados à gestão das políticas públicas de saúde e do controle social local do SUS.

Ao longo destes cinco anos de existência na Famema, o programa de Educação Permanente recebe, por meio de avaliações formais e informais, opiniões diversas e às vezes antagônicas quanto à sua forma e ao cumprimento de seu papel.

 

OBJETIVO

Descrever a percepção dos docentes da Unidade de Prática Profissional e dos tutores da primeira série dos cursos de Medicina e Enfermagem em relação ao programa de Educação Permanente da Famema.

 

METODOLOGIA

Estudo transversal analítico, utilizando abordagens quanti e qualitativa, estruturado segundo a análise dos formatos de avaliação utilizados pelo programa de Educação Permanente da Famema. A amostra foi composta por todos os formatos de avaliação, preenchidos tanto pelos docentes da Unidade de Prática Profissional quanto pelos tutores da primeira série dos cursos de Medicina e Enfermagem no final do primeiro semestre de 2008. Este questionário apresenta questões abertas e de múltipla escolha, às quais os participantes do programa de EP responderam por escrito e sem identificação.

Considerando a grande quantidade de resultados obtidos, este trabalho aborda uma questão considerada primordial: "De acordo com sua opinião, há relevância em participar do programa de Educação Permanente? Justifique."

No tratamento dos dados empregou-se a técnica de análise do discurso do sujeito coletivo9, que consiste num conjunto de procedimentos de tabulação e organização de dados discursivos, sobretudo (mas não exclusivamente) daqueles provenientes de depoimentos orais.

Esses procedimentos envolvem, basicamente, as seguintes operações sobre os discursos coletados:

• Seleção das expressões-chave de cada discurso particular, por exemplo, de cada resposta a uma questão. As expressões-chave são segmentos contínuos ou descontínuos de discurso que revelam o principal do conteúdo discursivo; são uma espécie de "prova discursivo-empírica" da "verdade" das ideias centrais;

• Identificação da ideia central de cada uma dessas expressões-chave e que é a síntese do conteúdo dessas expressões, ou seja, o que elas querem efetivamente dizer;

• Identificação das ideias centrais semelhantes ou complementares;

• Reunião das expressões-chave referentes às ideias centrais semelhantes ou complementares em um discurso-síntese, que é o discurso do sujeito coletivo.

O discurso do sujeito coletivo representa, portanto, um expediente ou recurso metodológico destinado a tornar mais claras e expressivas as representações sociais, permitindo que determinado grupo social (no caso, os docentes da primeira série da Famema) seja visto como autor e emissor de discursos comuns, compartilhados entre seus membros. Com o sujeito coletivo, os discursos não se anulam ou se reduzem a uma categoria comum unificadora, já que o que se busca fazer é precisamente o inverso, ou seja: "reconstruir, com pedaços de discursos individuais, como em um quebra-cabeça, tantos discursos-síntese quantos se julgue necessário para expressar uma dada 'figura', um dado pensar ou uma representação social sobre um fenômeno"10 (p. 209).

Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Famema sob o número 315/08. Com o objetivo de respeitar os preceitos éticos, foram utilizados somente dados retirados dos formatos de avaliação do programa de Educação Permanente, garantindo-se, assim, o anonimato do docente que preencheu o referido formato. Como não houve interação humana em campo de pesquisa, não se julgou necessário o Termo de Consentimento Livre Esclarecido, uma vez estabelecidas às condições acima.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados quantitativos são apresentados sob a forma descritiva, e os qualitativos, sob a forma de discurso do sujeito coletivo.

Dos 35 questionários distribuídos, 26 foram respondidos, sendo 13 de tutores (total = 15) e 11 de docentes da UPP (total = 20). Quanto à importância de participar das atividades de EP, 92,3% dos tutores e 100% dos docentes de UPP consideraram essa atividade como relevante.

Os resultados quantitativos mostram que 86,6% dos tutores e 55% dos docentes da UPP responderam aos formatos de avaliação no final do primeiro semestre de 2008. Estes dados nos permitem refletir sobre o significado que estes profissionais atribuem ao formato de avaliação.

Atualmente, na Famema, tem-se trabalhado muito pouco com as informações obtidas nesse formato. Assim, acredita-se que a entrega parcial pode estar relacionada a uma visão, desses sujeitos, da não utilidade deste instrumento. Além disto, é preciso considerar que 50% dos docentes da UPP são profissionais colaboradores da rede básica de saúde, na forma de parceria entre a Famema e a Secretaria de Saúde do município. Sendo assim, esses profissionais, em função de suas atividades assistenciais, não têm apresentado frequência total nas reuniões de EP. Vários não retiraram o formato de avaliação para preenchimento, não respondendo ao mesmo, ou não o entregaram. Não se pode comprovar esta inferência, uma vez que os formatos são anônimos.

Quanto à importância de participar das atividades de EP, a maioria dos participantes considerou essa atividade relevante. Tais resultados sugerem claramente que os docentes atribuem valor positivo a esta atividade institucional. Pode-se corroborar esta hipótese com os relatos que fizeram ao responderem à questão utilizada na análise qualitativa.

Da avaliação como um todo, são apresentados nos Quadros 1 e 2 os discursos do sujeito coletivo considerados mais significativos.

No presente estudo, desenvolveu-se a análise das ideias centrais e dos discursos do sujeito coletivo a partir de uma amostra intencional com os formatos de avaliação do programa de Educação Permanente, preenchido pelos docentes da Unidade de Prática Profissional e pelos tutores da primeira série dos cursos de Medicina e Enfermagem da Faculdade de Medicina de Marília (Famema).

Da primeira ideia central - "Espaço para aprendizagem" (Quadro 1) - surge uma reflexão acerca da proposta do programa de EP da Famema, que está apoiada na reflexão sobre a atividade docente: o programa favorece o "empoderamento" do grupo e de seus componentes11 para a construção de aprendizagens e transformação das práticas2. O discurso do sujeito coletivo revela que os docentes da UPP aproveitam este espaço institucional para trocar experiências com os colegas e teorizar sobre temas levantados pelo grupo. Esse sujeito tem clareza em relação à proposta do programa.

A ideia central - "Troca de experiências" (Quadro 1) - aponta um sujeito coletivo focado num dos referenciais do programa, onde se busca trocar experiências e vivências do cotidiano de trabalho para instrumentalizar os processos de mudança interna do sujeito.

A última ideia central - "Reflexão sobre a prática" (Quadro 1) -, apontada pelos docentes da UPP, evidencia um discurso em que o sujeito coletivo focaliza sua aprendizagem na importância da vivência prática como deflagradora de um movimento de formação profissional, pois, ao refletir sobre a própria prática e a dos colegas, o sujeito pode reconstruir seus referenciais e com isto modificá-la, reconstrução esta apoiada na literatura. Segundo Vasconcellos12, "esse poder transformador é devido a um dos principais objetivos dessa metodologia ser a práxis, ou seja, ação aprofundada ou teorizada para enfrentar os desafios da prática, sendo não apenas uma ação, mas uma ação transformadora que une teoria e prática" (p. 36).

Neste sentido, observa-se que o modelo pedagógico utilizado pelo programa de EP da Famema, a problematização, para este sujeito coletivo, tem fornecido condições de crescimento profissional, uma vez que este sujeito tem utilizado os passos desta proposta metodológica2,13.

As ideias centrais e os discursos do sujeito coletivo do grupo de tutores da primeira série dos cursos de Medicina e Enfermagem da Famema estão apresentados no Quadro 2. Neste quadro, a ideia central - "Espaço de discussão e reflexão" - aponta que o espaço institucional do programa de EP estimula a discussão das situações vividas nos grupos de tutoria, bem como a reflexão sobre os problemas enfrentados pelos tutores em seus respectivos grupos.

Após os cursos de capacitação básica de tutores, na forma de Educação Continuada, criou-se a falsa ideia de que estes profissionais já estavam preparados para desempenhar seu novo papel profissional, ou seja, ser tutor. O discurso deste sujeito coletivo sugere que o papel desempenhado pelo tutor precisa ser constantemente revisitado, uma vez que a discussão e a reflexão sobre a própria prática, no programa de EP, permitem a autocrítica e a atualização de conceitos deflagrados com os relatos das situações práticas.

Berbel14 explica que o estudo/pesquisa se dá a partir de determinado aspecto da realidade. A observação da realidade e a definição do problema são o início de um processo de apropriação de informações pelos participantes, que são levados a observar a realidade em si com seus próprios olhos e a identificar-lhes as características, a fim de, mediante os estudos, poder contribuir para transformar a realidade observada.

A ideia central "Momento mal aproveitado" (Quadro 2) mostra que, embora este programa seja considerado relevante, como apontado na ideia central "Espaço de discussão e reflexão" comentada anteriormente, precisa ser melhorado enquanto dinâmica, principalmente quanto ao momento de teorização, proposto por Bordenave2, na metodologia problematizadora. Estes itens (dinâmica e momento de teorização) podem nos remeter ao papel do docente facilitador de EP3 como catalisador de questões de aprendizagem vindas dos participantes do grupo e também à disposição dos docentes para se colocar ativamente no processo de busca de informações em diferentes fontes para a construção de novos conhecimentos.

Ao docente facilitador de EP cabe orientar e abrir perspectivas a partir dos conteúdos discutidos, garantindo seu envolvimento e ligação com a realidade de vida dos docentes participantes dos grupos. Para Libâneo, citado por Silva15, o facilitador não se restringe a satisfazer necessidades e carências, mas busca despertar outras necessidades, acelerar e disciplinar os métodos de estudo, exigir esforço do docente, propor conteúdos e modelos compatíveis com suas experiências vividas, para que se mobilize uma participação ativa.

Na realidade da Famema, encontramos grande diversidade de formas de trabalho dos docentes facilitadores de EP, que apresentam diferentes acúmulos teóricos, com consequentes diferenças de entendimento quanto à realização desta atividade. Tais diferenças são descritas nas avaliações escritas e verbais ao longo destes cinco anos de existência do programa de EP da Famema. Embora a coordenação da EP se esforce para compor um grupo de docentes facilitadores que tenham desenvolvido habilidade para realizar esta ação, este processo ainda mostra divergências, pois o perfil deste docente facilitador ainda é pouco definido.

Outra relação difícil de equacionar é o constrangimento do facilitador, também docente como os demais participantes do grupo, em se posicionar como mediador, cobrando de seus pares o desempenho de um papel ativo e operativo no sentido da produção de saberes. Os grupos acabam por se limitar, em sua maioria, às aprendizagens resultantes das experiências compartilhadas.

Neste sentido, o facilitador de EP, em seu contexto de atuação, não pode perder de vista a perspectiva histórica do processo de trabalho e de formação, mantendo-se comprometido com um conceito político-educacional amplo, assegurando participação ativa, consciente e crítica do mundo do trabalho na formação educacional. Cabe ressaltar que a opinião dos tutores e docentes da UPP em relação ao papel do facilitador será abordada em outro projeto de pesquisa.

 

CONSIDERAÇÕES

As avaliações dos tutores mostram que o programa de EP é considerado relevante para sua capacitação, embora existam divergências quanto à forma como a atividade é desenvolvida, não satisfazendo a todos. Os docentes da UPP consideram este programa de suma importância no desenvolvimento do processo de trabalho, visto que seus relatos são claros em mostrar que a principal proposta da EP (reflexão sobre a prática) vem sendo atingida.

Considerando que a EP constitui um espaço privilegiado de reflexão sobre a prática docente, vale ressaltar que estimula, em todos os cenários, o acolhimento e a problematização das vivências, e amplia a troca de experiências entre os participantes, favorecendo o desenvolvimento pessoal e do processo de trabalho.

Segundo Mazzeu16, no movimento de problematizar a prática social do docente, além de se identificarem necessidades originadas da prática cotidiana, de suas experiências anteriores ou de sua história de vida, criam-se, sobretudo, novas demandas como objeto de sua reflexão em função de vivências da prática profissional.

Observa-se que, ao mesmo tempo em que o docente, já com bastante habilidade, facilita e media o processo de aprendizagem dos estudantes, colocando-os como responsáveis por seu crescimento, quando colocado na posição de aprendiz, em grupo operativo, tem dificuldade de agir como produtor de sua aprendizagem, aguardando dos facilitadores a transmissão do conhecimento. Neste contexto, o referencial tradicional de aprendiz como receptor é tomado pelo docente, em prejuízo da construção ativa de sua aprendizagem.

Concorda-se em que o facilitador de EP, de certa forma, deve ser mais objetivo e motivar mais o grupo para a problematização. Deve, ainda, retomar com os tutores, no grupo de EP, o objetivo da atividade e os papéis dos participantes, de modo a manter o grupo funcional e a evitar o estado projetivo.

Conclui-se que a problematização dos incômodos do cotidiano, aspecto central das atividades de EP, ao mesmo tempo em que possibilita o levantamento de cadeias explicativas e leva à busca de conhecimentos que permitem o entendimento da realidade, também possibilita a produção de propostas participativas para lidar com as questões dela advindas. Ao se problematizar, além de se capacitar o docente para o exercício dos passos do processo pedagógico, indo além da formação teórica, promove-se uma nova prática profissional, um fazer que se caracteriza pelo compromisso, autoimplicação do sujeito e produção de cidadania.

 

REFERÊNCIAS

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Endereço para correspondência:
Carlos Alberto Lazarini
Av. Monte Carmelo, 800
Marília - São Paulo CEP. 17519-030 SP
E-mail: lazarini@famema.br

Recebido em: 10/03/2009
Reencaminhado em: 03/07/2009
Reencaminhado em: 29/01/2010
Aprovado em: 15/02/2010
CONFLITO DE INTERESSES
Declarou não haver

 

 

CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES
Carlos Alberto Lazarini participou da coleta e análise dos dados, da interpretação dos resultados e da redação do artigo. Ieda Francischetti participou da concepção do projeto, da interpretação dos resultados e da redação do artigo.

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