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Revista Brasileira de Educação Médica

Print version ISSN 0100-5502

Rev. bras. educ. med. vol.38 no.1 Rio de Janeiro Jan./Mar. 2014

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-55022014000100009 

PESQUISA

 

Aproveitamento teórico-prático da disciplina anatomia humana do curso de fisioterapia

 

Students' theoretical-practical harnessing of the subject of human anatomy in physiotherapy courses

 

 

Rodrigo Moreira ArrudaI; Cintia Regina Andrade SousaI

IUniversidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Jequié, Bahia, BA, Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

A Anatomia Humana estuda as estruturas do corpo humano e as relações entre elas. Assim, seu ensino a estudantes da área da saúde, incluindo alunos de Fisioterapia, é de extrema importância. É necessário um bom aproveitamento nesta disciplina para se tornar um bom profissional, porém as estratégias de ensino-aprendizagem nesta disciplina têm sido bastante discutidas. Com base nesta premissa, este estudo teve por objetivos avaliar o aproveitamento teórico-prático dos discentes do curso de Fisioterapia na disciplina Anatomia Humana, bem como descrever as facilidades e dificuldades enfrentadas e suas implicações durante o curso. Para tanto, foi elaborado um questionário específico e utilizada também a avaliação dos professores realizada pelo Colegiado de Fisioterapia. O tratamento estatístico foi composto por análise descritiva e correlação de Pearson, sendo os dados analisados pelos programas Microsoft Excel® 2007 e Graphpad Prism®. Não se observou correlação entre desempenho do aluno e grau de satisfação diante de diferentes parâmetros analisados neste trabalho. O estudo revelou que os alunos apresentam aproveitamento satisfatório, mas há grandes insatisfações quanto à forma como a disciplina é conduzida.

Palavras-chave: Ensino; Aprendizagem; Anatomia; Educação Médica.


ABSTRACT

Human Anatomy is the study of the structures of the human body and the relationship between these structures. Its teaching to students in the healthcare field, including physiotherapy, is thus of utmost importance. A sound basis in the subject is necessary to becoming a sound professional, however strategies for the teaching of this subject and its learning have been the subject of much debate. Based on this prerogative, this study aimed to evaluate the subject's theoretical and practical use by physiotherapy students on the discipline's Human Anatomy course, as well as to describe the ease and difficulties experienced and their implications during the course. We therefore devised a questionnaire and used teacher assessment conducted by the College of Physiotherapy. Statistical analysis consisted of a descriptive analysis and Pearson correlation, and data was analyzed by Microsoft Excel ® 2007 and GraphPad Prism®. There was no correlation between student performance and satisfaction in terms of the different parameters analyzed in this work. The study revealed that students make satisfactory use of the subject, but that there is great dissatisfaction concerning the way the course is conducted.

Keywords: Teaching; Learning; Anatomy; Medical Education.


 

 

INTRODUÇÃO

O estudo da Anatomia sempre exerceu fascínio sobre o homem através dos tempos. Esta ciência, que estuda macro e microscopicamente a constituição e o desenvolvimento dos seres organizados, dentre eles o homem, é sujeito de pesquisa da disciplina Anatomia Humana1.

A trajetória desta área de conhecimento, desde a pré-história até os tempos atuais, fortalece a importância destes conhecimentos, garantindo o consenso de que esta é uma das disciplinas básicas para a formação de toda profissão da área da saúde2. Dentre essas profissões encontra-se a do fisioterapeuta. Sem as noções desta matéria, tanto o profissional quanto o estudante ficam inaptos para examinar, diagnosticar e tratar seu paciente3.

Dentre as diversas competências adquiridas por meio do estudo da Anatomia destacam-se: demonstrar habilidades na identificação e dissecação de peças anatômicas de segmentos corporais; compreender as funções de órgãos e sistemas e correlacionar ossos, articulações, músculos, vasos e nervos com as regiões topográficas4. Para alcançar esse conhecimento, são necessários conceitos teóricos (desenvolvidos na sala de aula), que, aplicados à prática em laboratório, demandam do professor encarar desafios em busca de novas metodologias para que a Anatomia seja mais bem assimilada pelos alunos5.

Neste contexto é que se insere a importância do processo de ensino-aprendizagem em Anatomia, transformando a prática de uma aprendizagem de certa forma mecânica dos conhecimentos anatômicos em uma aprendizagem mais dinamizada6.

Seguindo a compreensão de que a Anatomia Humana desempenha um grande papel na formação dos discentes em Fisioterapia, este estudo tem por objetivos avaliar o aproveitamento teórico-prático dos discentes do curso de Fisioterapia da Universidade do Sudoeste da Bahia na disciplina Anatomia Humana, bem como descrever as facilidades e dificuldades encontradas durante o andamento dessa disciplina, como também suas implicações durante o curso.

 

METODOLOGIA

Neste estudo optou-se por desenvolver uma pesquisa com abordagem descritiva, exploratória, com metodologia quanti-qualitativa, de acordo com os objetivos previamente citados da pesquisa realizada na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), no curso de bacharelado em Fisioterapia.

A população pesquisada foi composta por 257 discentes matriculados regularmente no curso de bacharelado em Fisioterapia da Uesb, sendo que a amostra inicial foi de 167 discentes selecionados pelo método probabilístico, do tipo aleatório simples. Segundo os critérios de inclusão, os discentes do curso de Fisioterapia da Uesb deveriam se encontrar do quarto semestre letivo em diante e já haver cursado as disciplinas de Anatomia Humana ministradas nos três primeiros semestres do curso, sendo elas: Anatomia I (anatomia básica dos sistemas do corpo humano); Anatomia II (anatomia do sistema musculoesquelético); Anatomia III (neuroanatomia). Os discentes que ainda estivessem cursando as disciplinas Anatomia Humana não seriam considerados, segundo o critério de exclusão. Devido a alguns fatores que inviabilizaram a aplicação do questionário, a amostra foi de 120 discentes.

Os dados foram coletados por meio de um questionário com perguntas objetivas (metodologia quantitativa) e questões subjetivas (metodologia qualitativa). O questionário utilizado nesta pesquisa foi adequado pelos autores do estudo para atender a seus objetivos e continha 22 perguntas, estruturadas em quatro partes: identificação (6 perguntas), avaliação do discente (10 perguntas), avaliação da disciplina Anatomia Humana (5 perguntas) e avaliação do docente (1 pergunta). Foi usado também um questionário semiestruturado de avaliação docente, aplicado aos discentes pelo Colegiado do curso de Fisioterapia, nas turmas do período de 2009.1 até 2011.1 para Anatomia I, de 2009.1 até 2011.2 para Anatomia II e de 2009.1 até 2012.1 para Anatomia III.

Este conjunto de dados foi analisado sob a ótica da estatística descritiva e da análise de correlação de Pearson, utilizando os programas Microsoft Excel® 2007 e Graphpad Prism®. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (CEP/Uesb), CAAE 10688512.7.0000.0055, de forma a respeitar as diretrizes da Resolução 196/966 do Conselho Nacional de Saúde sobre a participação de seres humanos em pesquisas.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

O curso de bacharelado em Fisioterapia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia conta com a disciplina Anatomia Humana desde o início de sua implementação no campus de Jequié (BA), sendo dividida em três disciplinas: Anatomia I, Anatomia II e Anatomia III, dispostas nos três primeiros semestres deste curso, respectivamente. Cento e vinte discentes, regularmente matriculados, responderam ao questionário desta pesquisa, dividido em quatro partes: identificação; avaliação do discente; avaliação da disciplina Anatomia Humana; avaliação do docente.

Na identificação do discente, foi observado um perfil que corresponde ao predomínio de indivíduos do sexo feminino (73,3%), sendo que a maioria tinha 22 anos (20,8%), com média de 21,7 anos, procedentes da cidade de Jequié (29,1%), não cotistas (73,3%), tendo 52,5% do universo amostral cursado o ensino fundamental ou médio em escola pública. Estes dados foram corroborados por outro estudo com discentes de cursos de saúde matriculados na disciplina Anatomia, que demonstrou predomínio do sexo feminino e média de idade de 20 anos, indicando, nesta perspectiva, um índice maior de mulheres no nível superior na área da saúde e de indivíduos jovens7.

Na segunda parte do questionário, referente à avaliação do discente, pôde-se observar que 47,5% (Anatomia I) e 45,8% (Anatomias II e III) dos discentes relataram ter afinidade média com a disciplina Anatomia Humana. A média dos valores relacionados ao grupo que relatou ter alta afinidade foi de 28,88%, enquanto o grupo com pouca afinidade foi de 23,33%. Os dados sugerem grande aceitação da atividade de monitoria, tendo sido observado que 97,5% dos alunos julgaram importante a presença do monitor durante o andamento das disciplinas Anatomia I, II e III. Nesta perspectiva, a presença de monitores em conjunto com assistentes de laboratório e espaço físico próprio para aplicação da disciplina são elementos-chave para o sucesso de uma boa aprendizagem em Anatomia8, 9.

Ao serem perguntados se a nota final foi compatível com o conhecimento adquirido, 42,5% dos discentes assinalaram que nas Anatomias I e II foi compatível, enquanto na Anatomia III este índice foi de 61,6%, sugerindo um grau de satisfação maior dos alunos na Anatomia III. Cerca de 43,3% dos alunos de Anatomia I e 31,67% de Anatomia III revelaram ter pouca dificuldade de aprendizagem, contrastando com os valores observados em Anatomia II, que foi de 9,2%. Maior rendimento foi observado em Anatomia III, onde 61,67% dos alunos revelaram ter notas acima de 8, contrastando com as Anatomias II (20%) e Anatomia I (17,5%), para este mesmo nível de rendimento.

Ao se analisar o índice de aprovação, tem-se que 81,67% dos alunos nunca foram reprovados nas disciplinas de Anatomia (I, II e III). Observa-se um índice de aprovação final de 61,67% para Anatomia I, 42,5% para Anatomia II e 80,83% para Anatomia III. Dos 18,3% que foram reprovados, a Anatomia II apresenta maior frequência de reprovação, com 76% deste universo amostral. Estas informações foram apoiadas por outro estudo10, que, ao analisar a taxa de reprovação da Anatomia nos cursos de saúde, dentre eles um curso de Fisioterapia, verificou um índice maior de reprovação em Anatomia II, que variou de 31,25% a 53,70%. Tais resultados foram justificados pelo fato de na Anatomia I os assuntos abordados terem semelhança com assuntos prévios do ensino médio, ao passo que na Anatomia II são novos assuntos e em quantidade maior.

Com relação às perguntas qualitativas do questionário, na primeira pergunta sobre as dificuldades durante a disciplina, podem-se enquadrar as respostas em cinco categorias: (1) quantidade de conteúdo e material prático (30,0%), destacando-se: "Quantidade de conteúdos trabalhados em curto espaço de tempo" e "Dificuldades nas aulas práticas devido à falta de peças anatômicas e ao estado de conservação das existentes"; (2) memorização e localização das estruturas (30,8%), podendo ser destacado: "O estudo da Anatomia envolve o conhecimento de muitos detalhes e abordagem de um assunto descritivo, o que faz com que seja uma disciplina decoreba"; (3) metodologia e didática do professor (34,2%), com menções como: "Dificuldades em relação à metodologia aplicada, que nos forçava a decorar os assuntos e as disciplinas, principalmente a Anatomia II, em que não havia aplicação clínica"; (4) relação prática x teoria para o curso de Fisioterapia (16,7%), ressaltando-se: "Pouca ou nenhuma correlação clínica, dificultando o entendimento de outras disciplinas; o estudo da Anatomia é estático; se fosse estudada com outras disciplinas, como Fisiologia e Cinesiologia, seria mais fácil fazer associações"; (5) nenhuma dificuldade (4,2%), enfatizada por um discente "Nenhuma, motivada pelo interesse e afinidade com a disciplina".

Tais dificuldades são evidenciadas por vários autores, os quais inferem que o fato de o ensino em Anatomia ter sido vinculado ao ciclo básico dos cursos de saúde nas universidades gera problemas, principalmente pela necessidade de fazer uma abordagem integrada com outras disciplinas; além disso, a proposta pedagógica em uso não ensina a vincular a teoria com a prática, para que o aluno saiba reter o conhecimento e o transpor para a comunidade11,12,13. Neste sentido, tem sido reforçada a ideia de que a disciplina de Anatomia Humana tem um caráter de memorização, o que traz grandes dificuldades para os discentes, que, ao invés de aprenderem a Anatomia, se preocupam em memorizá-la14.

Quando perguntados sobre a importância da disciplina no estágio, houve unanimidade quanto a sua fundamental importância, destacando-se a resposta: "Essencial, é impossível diagnosticar, avaliar e tratar sem conhecer anatomia e suas correlações. Anatomia é uma das bases do trabalho de um fisioterapeuta". Todavia, os estudantes de saúde somente percebem a importância da Anatomia quando se encontram frente ao paciente, uma situação tão corriqueira na vida do profissional da área de saúde, momento no qual ele tem a oportunidade de comprovar todo o conhecimento adquirido15.

Quando indagados sobre a importância dos conhecimentos da Anatomia para as outras disciplinas, eles citaram 29 disciplinas; dentre elas, Cinesiopatologia foi mencionada por 55,0% e Cinesiologia por 51,7% dos entrevistados. Tais dados são reforçados no estudo sobre a importância da Anatomia para o estudante da área da saúde, demonstrando que a Anatomia Humana, na opinião dessa população, influencia muito o desempenho de outras disciplinas16. No entanto, o método de ensino da Anatomia Humana vai de encontro a uma metodologia que empregue correlações com outras disciplinas, não favorecendo um currículo integrado, no qual o estudante seria capaz de abordar uma problemática de forma mais ampla e melhor8.

Na terceira parte do questionário, referente à avaliação da disciplina Anatomia Humana, a maioria dos alunos entrevistados concorda com a existência dos pré-requisitos entre as Anatomias (72,88%) e com a alocação das disciplinas em seus respectivos semestres (79,38%). Quanto aos métodos de avaliação, a prova escrita foi empregada na avaliação do rendimento de todos os entrevistados. O estudo dirigido e a prova prática perfizeram 40,80% e 34,10% dos entrevistados, respectivamente. Poucos alunos foram avaliados de modo processual (17,60%) ou por avaliação oral (9,10%) (Figura 1).

 

 

Na avaliação da satisfação dos alunos de Fisioterapia, a Tabela 1 indica alguns aspectos da disciplina Anatomia Humana. De modo geral, os dados sugerem uma superioridade na taxa média de alunos insatisfeitos (56,67%) ao se analisarem conjuntamente as três Anatomias. Foram observadas taxas de insatisfação de 58,06% para Anatomia II e de 66,94% para Anatomia III. No entanto, os dados sugerem menor taxa de insatisfação para Anatomia I, correspondendo a 45% (55% de satisfeitos) dos alunos entrevistados. Neste conjunto de dados, evidenciamos os valores de 86,7% de satisfação quanto ao conteúdo de Anatomia I e de 79,2% de insatisfação quanto ao uso de peças anatômicas em Anatomia III. Tal insatisfação também está presente no estudo de Costa et al.7, o qual afirma que o uso de tais peças visa apenas mostrar a localização das estruturas, o que muitas vezes não é possível devido ao número de peças e a sua qualidade.

Com relação às perguntas qualitativas do questionário (avaliação da disciplina Anatomia Humana), as sugestões e contribuições para a disciplina podem ser categorizadas em quatro grupos: (1) mudanças na metodologia e didática dos professores (43,3%), evidenciando: "Uma didática que fosse mais bem aproveitada pelos alunos, que aprendessem realmente a Anatomia e não decorassem seu conteúdo para serem aprovados na matéria"; (2) aumento de carga horária, viabilizando a execução da anatomia palpatória (23,3%), destacando: "Anatomia palpatória deveria ser um dos conteúdos-chave da disciplina"; (3) melhores recursos práticos (33,3%), ressaltando: "Maior número de peças anatômicas e em bom estado de conservação"; (4) correlacionar o conteúdo com a Fisioterapia (20,8%), destacando: "Abordagem mais específica da área de atuação da graduação em questão, permitindo que maiores links possam ser feitos pelos alunos quando virem as demais disciplinas".

Em outro trabalho17, neste contexto de sugestões para melhor aprendizado na disciplina de Anatomia Humana, os alunos do estudo sugeriram aumentar os intervalos entre as avaliações e o tempo necessário a sua realização, além de aplicar exames orais e fixar critérios para a execução das avaliações. Em outros trabalhos, mencionaram que a metodologia empregada deveria integrar os alunos de forma dinâmica, independentemente do método do professor, além de citarem que a importância do ensino da anatomia palpatória no curso de Fisioterapia deveria ser enfatizada. Além do conhecimento clínico, o estudante de Fisioterapia necessita ter o conhecimento prático do toque ao examinar os pacientes, tendo, desta forma, uma Anatomia mais dinâmica e correlacionada com a profissão14,3.

Já na quarta parte do questionário, referente à avaliação do docente, os discentes deveriam se manifestar quanto à satisfação ou insatisfação em alguns quesitos demonstrados na tabela 2. De modo geral, os dados sugerem uma pequena superioridade na taxa média de alunos satisfeitos (52,63%) ao se analisarem conjuntamente as três Anatomias. No entanto, as notas dadas pelos alunos aos professores das Anatomias I, II e III, por parte da avaliação promovida pelo colegiado de Fisioterapia, corresponderam às médias de 9,4, 8,5 e 7,9, respectivamente. Foi observada ainda uma taxa média de satisfação de 85,27% para o domínio do conteúdo e de 85,57% para assiduidade. Por outro lado, dentre outros quesitos, foram observadas taxas de insatisfação média entre as três Anatomias de 77,23% para a avaliação que prioriza a memorização ao invés de raciocínio e de 63,07% no quesito qualidade da avaliação.

Buscou-se identificar algumas correlações pertinentes ao estudo, como: (a) rendimento final e afinidade com a matéria de Anatomia Humana, observando-se correlações fracas positivas em todas as disciplinas (Anatomia I r = 0,08; Anatomia II r = 0,14; Anatomia III r = 0,17); (b) rendimento final e dificuldade de aprendizagem, apresentando correlações fracas negativas (Anatomia I r = —0,25; Anatomia II r = —0,26; Anatomia III r = —0,09); (c) rendimento final e conteúdo ministrado, observando-se correlações fracas positivas em Anatomia I (r = 0,07) e Anatomia II (r = 0,11) e fracas negativas em Anatomia III (r = —0,07); (d) rendimento final e método de avaliação do conteúdo, observando-se correlações fracas positivas em Anatomia I (r = 0,21) e Anatomia II (r = 0,36) e fracas negativas em Anatomia III (r = —0,17); (e) rendimento final e didática, notando-se correlações fracas positivas em Anatomia I (r = 0,23) e Anatomia II (r = 0,29) e fracas negativas em Anatomia III (r = —0,15); (f) rendimento final e qualidade dos instrumentos de avaliação, notando-se correlações fracas positivas em Anatomia I (r = 0,16) e Anatomia II (r = 0,30) e fracas negativas em Anatomia III (r = —0,21); (g) rendimento final dos alunos reprovados e o grau de dificuldade desses alunos, observando-se correlações fracas negativas nas três disciplinas (Anatomia I r = —0,30; Anatomia II r = —0,20; Anatomia III r = —0,10); (h) rendimento final dos alunos reprovados e a afinidade pela disciplina, observando-se correlação fraca positiva em Anatomia I (r = 0,08) e correlações fracas negativas em Anatomia II (r = —0,19) e Anatomia III (r = —0,10). Portanto, não se percebe nenhuma correlação significativa entre os parâmetros acima relacionados. A baixa correlação e a fraca correlação negativa observadas sugerem que, diante das questões levantadas neste questionário, existe pouca robustez nos dados fornecidos pelos sujeitos deste estudo.

Após estes achados, pode-se inferir que o processo de ensino-aprendizado é bastante complexo, sendo compartilhado tanto pelo sujeito que ensina (docente), com seus conhecimentos e metodologia de como transpor o material de estudo, quanto pelo sujeito que aprende (discente), que retém o conhecimento passado e o transpõe no decorrer de sua vida acadêmica e posteriormente profissional. Espera-se que esse futuro profissional, formado não só nesta instituição, mas em todas as outras instituições de ensino, possa reconhecer o devido valor dessa matéria enquanto discente e se empenhar em aprendê-la e entender a aplicação de tais conhecimentos, para o benefício dos pacientes.

 

CONCLUSÃO

Com base nos resultados obtidos da amostra estudada, principalmente nos quesitos notas e aprovação, pode-se avaliar que houve aproveitamento teórico-prático satisfatório por parte dos discentes de Fisioterapia na disciplina Anatomia Humana. Todavia, tornou-se evidente a existência de descontentamento do alunato em relação à matéria, o que demonstra uma série de dificuldades em relação às disciplinas, ressaltando-se um alto grau de insatisfação em alguns quesitos, como a estrutura de ensino da disciplina.

Este estudo forneceu alguns subsídios para o aperfeiçoamento das disciplinas Anatomia Humana I, II e III no curso de bacharelado em Fisioterapia, apontando aspectos que podem ser melhorados na opinião dos discentes, que expressaram suas dificuldades e sugestões acerca dessas disciplinas básicas do curso.

 

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ENDEREÇO PARA CORRESPONDÊNCIA
Rodrigo Moreira Arruda
Praça Sá Barreto, Número 110
Centro — Vitória da Conquista
CEP: 45000-620 — BA
E-mail: rodrigo.m.a.fisio@gmail.com

Recebido em: 21/08/2013
Aprovado em: 10/09/2013
CONFLITO DE INTERESSES: Não existem conflitos de interesses de qualquer um dos autores.

 

 

CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES
Os autores participaram de forma suficiente na concepção e desenho deste estudo. Rodrigo Moreira Arruda aplicou os questionários e escreveu o artigo. Cintia Regina Andrade Sousa analisou e interpretou os dados, bem como fez a revisão final deste texto.

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