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Revista Brasileira de Educação Médica

Print version ISSN 0100-5502On-line version ISSN 1981-5271

Rev. bras. educ. med. vol.40 no.4 Rio de Janeiro Oct./Dec. 2016

http://dx.doi.org/10.1590/1981-52712015v40n4e00862016 

Carta para o Editor

I Fórum Paulista de Serviços de Apoio ao Estudante de Medicina — Forsa Paulista — “A Carta de Marília”

I Forum of Paulista Medical Student Support Services — Forsa Paulista — “The Letter of Marília”

Sergio Pedro BaldassinI 

José Espin NetoII 

Sarah Bortolucci DagostinoIII 

Thuanny Bezerra Moscardini CaladoIII 

Katia Burle dos Santos GuimarãesIII 

Maria de Fátima Aveiro ColaresIV 

Victor Evangelista de Faria FerrazIV 

Fernanda Brenneisen MayerV 

Nilson Rodrigues da SilvaI 

IFaculdade de Medicina do ABC, Santo André, SP, Brasil.

IIPontifícia Universidade Católica de Campinas, Campinas, SP, Brasil.

IIIFaculdade de Medicina de Marília, Marília, SP, Brasil.

IVUniversidade de São Paulo, Ribeirão Preto, SP, Brasil.

VUniversidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil.


RESUMO

No dia 12 de maio de 2016, estiveram reunidos na cidade de Marília, no I Fórum de Serviços de Apoio aos Estudantes de Medicina (Forsa), realizado durante o 10° Congresso Paulista de Educação Médica (CPEM), representantes de serviços de apoio discente, bem como docentes e estudantes de Medicina, a fim de discutir e elencar estratégias de fortalecimento dos serviços de apoio à saúde discente, estritamente necessárias no contexto violento em que se inserem as escolas médicas. Foi criado um documento, denominado “A Carta de Marília”. Em 13 de outubro de 2016, esse documento foi referendado pelo XI Fórum Cobem dos Serviços de Apoio (Forsa Cobem) durante o 54º Congresso Brasileiro de Educação Médica na cidade de Brasília.

Palavras-Chave: Educação Médica; Estudantes de Medicina; Serviços de Saúde Mental; Violência; Assédio Escolar

ABSTRACT

On May 12, 2016 the first Forum for Support Services for Medical Students (Forsa) held in the city of Marilia during the 10th Paulista Congress of Medical Education (CPEM), gathered representatives of student support services, as well as teachers and medical students in order to discuss and rank strategies to enhance the services to support student health, strictly necessary in the violent setting in which medical schools operate. A document was created and named “The Letter of Marilia.” On October 13, 2016, this document was endorsed by the XI COBEM Forum for Support Services (FORSA COBEM) during the 54th Brazilian Medical Education Congress in Brasília.

Key words: Education, Medical; Students, Medical; Mental Health Services; Violence; Bullying

Prezado Sr. Editor da Revista Brasileira de Educação Médica,

Passada a turbulência de vestibular competitivo, pautado – no mais das vezes – em treinamento repetitivo e não em avaliação de conhecimento, o ingressante se depara com uma realidade diferente da que havia vivenciado até então: regime de estudos diferente, maior distanciamento do corpo docente, novas relações sociais, convívio com as diferenças e, muitas vezes, isolamento1. Essas situações podem levar a um sem-número de emoções, inclusive à decepção pela escolha. Por outro lado, no ambiente da escola médica, alguns dos seus cenários de atuação e modos operacionais predispõem o corpo discente a diversas formas de violência2,3, sejam veladas ou explícitas, que põem em risco a sua saúde física, social e psíquica. Não raro, o estudante de Medicina desenvolve problemas psíquicos que comprometem sua formação acadêmica, sua futura atuação profissional e sua inserção social.

A naturalização de práticas violentas dentro das escolas médicas, sob o pretexto da necessidade de se passar por rituais de aceitação, hierarquias e tradições, reproduz práticas autoritárias, sobretudo em relação a grupos historicamente negligenciados e violentados na sociedade, como mulheres, homossexuais e negros, que têm no ambiente escolar a exacerbação das práticas violentas reproduzidas na sociedade.

Nesse sentido, entende-se que é de responsabilidade das instituições de ensino a promoção e recuperação da saúde mental do seu corpo discente mediante serviços que ofereçam assistência médica e psicológica ao estudante, bem como o combate a toda e qualquer forma de violência. A despeito da existência de muitos serviços neste sentido, entende-se a necessidade de fortalecer e ampliar sua atuação por meio das seguintes ações deliberadas em plenária:

  • O cuidado da saúde emocional e psíquica do estudante deve ser considerado objetivo da formação médica, sendo responsabilidade da instituição a garantia de assistência à saúde mental do corpo discente;

  • Os serviços de apoio à saúde mental do discente devem promover a realização de trabalhos científicos por meio de estudos longitudinais que permitam um olhar ampliado para os possíveis determinantes e agravantes dos problemas de saúde do corpo discente e sua relação entre si;

  • Reforçar a garantia do sigilo no atendimento ao estudante, bem como a separação da assistência e da atividade docente, sendo que o profissional que atende o estudante jamais pode ser seu avaliador em cenário da prática médica;

  • Maior vínculo dos serviços de apoio ao estudante com a Academia, servindo de base para eventuais mudanças curriculares com o objetivo de promoção e recuperação da saúde discente;

  • Garantir a promoção e participação em espaços junto aos colaboradores, corpo docente e discente que promovam o debate e a discussão de temas relacionados a opressões, por meio de eventos, congressos, semanas temáticas, cinedebates, oficinas, onde se promova a discussão de temas como racismo, homofobia, transfobia, opressão de gênero, cotas raciais e sociais, entre outros;

  • Promoção e participação em espaços junto aos discentes, colaboradores e docentes que promovam a discussão da saúde do estudante, bem como estratégias de promoção e recuperação da saúde;

  • Promoção e participação em espaços de atividades culturais para além do ambiente escolar que contribuam para a promoção da saúde mental do estudante;

  • Divulgar, ainda no acolhimento do estudante e sua família, a existência dos serviços de apoio, de maneira a otimizar a sua utilização pelos estudantes;

  • Disponibilizar na primeira semana de aula o Código de Ética do estudante de Medicina, elaborado pelo Cremesp, enfatizando seus pontos principais de modo a promover a saúde institucional e reprimir práticas violentas, esclarecendo as repercussões jurídicas cabíveis.

PLENÁRIA DO I FORSA PAULISTA,

Marília, 12 de maio de 2016

REFERÊNCIAS

1. Baldassin S, Alves TC, Andrade AG, Nogueira-Martins LA. The characteristics of depressive symptoms in medical students during medical education and training: a cross-sectional study. BMC Med Educ. 2008;8(1):60. [ Links ]

2. Castaldelli-Maia JM, Martins SS, Bhugra D, Machado MP, Andrade AG, Alexandrino-Silva C, et al. Does ragging play a role in medical student depression - Cause or effect? J Affect Disord. 2012. [ Links ]

3. CREMESP. Cremesp e residentes discutem caminhos para o combate à violência nas escolas. Jornal do CREMESP. 2016 07/2016. [ Links ]

ENDEREÇO PARA CORRESPONDÊNCIA Sergio Pedro Baldassin Av. Principe de Gales, 823 Santo André São Paulo 09060-650 – SP E-mail: spbaldassin@gmail.com

CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES

Todos os autores participaram da concepção e desenho deste estudo, da análise e interpretação dos dados, assim como da redação deste texto.

CONFLITO DE INTERESSES

Os autores declaram não haver conflito de interesses.

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