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Revista Árvore

Print version ISSN 0100-6762On-line version ISSN 1806-9088

Rev. Árvore vol.26 no.3 Viçosa May/June 2002

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-67622002000300006 

POTENCIAL PRODUTIVO DE MADEIRA E PALMITO DE UMA FLORESTA SECUNDÁRIA DE VÁRZEA BAIXA NO ESTUÁRIO AMAZÔNICO1

 

Michelliny de Matos Bentes-Gama2, José Roberto Soares Scolforo3 e João Ricardo Vasconcellos Gama4

 

 

RESUMO - Este estudo teve como objetivos analisar a estrutura arbórea e valorar uma floresta secundária de várzea baixa. A área de estudo está localizada na propriedade florestal da Exportadora de Madeiras do Pará Ltda. - EMAPA, município de Afuá, Estado do Pará. A área inventariada corresponde a 12,5 ha, onde foram medidos todos os espécimes arbóreos com DAP ³ 15,0 cm. Verificou-se a ocorrência de 73 espécies, que totalizaram 357,7 indivíduos/ha e área basal de 23,4 m2/ha. As espécies mais importantes do ambiente estudado foram Virola surinamensis, Symphonia globulifera, Eschweilera coriacea, Pentaclethra macroloba e Astrocaryum murumuru. Entre os grupos de uso foi verificado que as espécies não-comerciais apresentaram o maior número de toras comercializáveis (24,3 toras/ha), seguidas das espécies comerciais (16,2 toras/ha) e das potenciais (12,9 toras/ha). A receita potencial de toras/ha foi de US$ 501,70 e a de palmito/ha foi de US$ 68,50.

Palavras-chave: Análise estrutural, valoração, produto florestal, madeira e palmito.

 

PRODUCTIVE POTENTIAL OF WOOD AND HEART-PALM IN A SECONDARY LOW FLOODPLAIN FOREST OF THE AMAZON ESTUARY

ABSTRACT - The aim of this paper was to analyze tree structure and value a secondary low floodplain forest. The study area is located at EMAPA forest lands, in the county of Afuá, in the state of Pará. The inventoried area presents 12.5 ha, where all the tree specimens with DBH ³ 15.0 cm were measured. A total of 73 species were identified, corresponding to 357.7 individuals/ha and a 23.4 m2/ha basal area, the most important being Virola surinamensis, Symphonia globulifera, Eschweilera coriacea, Pentaclethra macroloba and Astrocaryum murumuru. Among the categories, the non-commercial species showed the highest number of marketable boles (24.3/ha), followed by the commercial (16.2/ha) and potential ones (12.9 boles/ha). The boles and the heartpalms provided a potential income of US$ 501.70/ha and US$ 68.50/ha, respectively.

Key words: Forest structure, valuing, forest product, wood and heart-palm.

 

 

1. INTRODUÇÃO

Na Região Norte as florestas inundáveis ocupam cerca de 98.000 km2 da Amazônia, dos quais 75.880,8 km2 correspondem às florestas de várzea - 1,6 % da superfície da Amazônia brasileira (Araújo et al., 1986). Embora esse ecossistema apresente uma extensão territorial bem reduzida em relação às áreas de terra-firme, historicamente foi o que primeiro contribuiu com o fornecimento de madeira e produtos não-madeireiros - borracha, sementes oleaginosas e fibras, em escala comercial, e favoreceu o desenvolvimento da pesca e da agricultura na região.

Até a década de 60 a produção agrícola e extrativista da Região Norte era quase que totalmente advinda de várzea. A partir de 1970, quando foram lançados os grandes projetos (Operação Amazônia, POLAMAZÔNIA, entre outros) e implementadas as políticas de desenvolvimento direcionadas para a Amazônia, a economia da várzea entrou em declínio, em decorrência de as iniciativas governamentais contemplarem apenas o ecossistema de terra-firme. Apesar disso, Lisboa et al. (1991) afirmam que até o início da década de 90 as várzeas ainda fomentavam cerca de 30 % da produção madeireira amazônica.

Em se tratando da atividade madeireira nessas áreas, verificou-se que esta ainda permanece arraigada nas bases do extrativismo tradicional, decorrente de uma visão unilateral e cheia de falhas da produção florestal regional, que valoriza apenas algumas espécies madeireiras, persistindo aí a exploração predatória, que inibe a sustentação econômica e ameaça a utilização dos recursos florestais sob uma perspectiva de sustentabilidade.

Entretanto, acredita-se ainda na hipótese de que é possível obter retorno econômico com a atividade madeireira e extrativista em florestas de várzea, inclusive em áreas já exploradas. No intuito de investigar esta premissa, os objetivos deste estudo foram: analisar a estrutura horizontal e vertical e valorar o estoque de exploração madeireiro e palmiteiro de uma floresta de várzea baixa já explorada.

 

2. MATERIAL E MÉTODOS

2.1. Área de Estudo

A área de estudo está localizada na propriedade florestal da Exportadora de Madeira do Pará Ltda. - EMAPA, no município de Afuá (0º09'32"S e 50º23'31"W), Estado do Pará. A empresa dispõe de uma área de 1.200 ha destinada para pesquisas com manejo florestal, dos quais 80 ha são de floresta de várzea baixa que sofreu exploração entre 1955 e 1992, período em que houve exploração intensiva de Virola surinamensis, Carapa guianensis e palmito de Euterpe oleracea (açaí). Os valores médios anuais de precipitação e temperatura correspondem, respectivamente, a 2.500 mm e 26 oC (Projeto...-SUDAM, 1984). O solo é do tipo Hidromórfico Glei Pouco Húmico (Vieira, 1988).

2.2. Amostragem e Coleta de Dados

A partir do mapa da área e com base nas recomendações da FAO (1974), foram distribuídas sistematicamente 25 unidades amostrais de 20  x 250 m (0,5 ha), no sentido norte - sul, totalizando uma amostra de 12,5 ha. Em cada parcela foram mensurados todos os indivíduos arbóreos e as palmeiras com diâmetro à altura de 1,30 m do solo (diâmetro à altura do peito - DAP) ³ 15 cm, e registrados os nomes regionais e as alturas, total e comercial, de todas as árvores. Foram avaliados o número de toras comerciais de cada árvore com DAP ³ 45 cm, classificadas em: tora de 1ª - (circunferência no meio da tora de 4 m de comprimento, com casca) C ³ 150 cm; tora de 2ª - 130 cm £ C < 150 cm; tora de 3ª - 110 cm £ C < 130 cm; e o número de árvores de Euterpe oleracea em idade de fornecer palmito comercializável no local de estudo, no caso indivíduos a partir de DAP ³ 10 cm, classificados em fornecedor de palmito de 1ª- DAP ³ 15 cm e fornecedor de palmito de 2ª -10 cm £ DAP < 15 cm.

Foi realizada também a classificação das espécies de acordo com sua categoria de uso na região: comerciais – espécies comercializadas no mercado nacional e internacional; potenciais – espécies comercializadas no mercado local e regional; e não-comerciais - ainda não aceitas pelo mercado local. Para classificação das espécies por grupo ecológico utilizou-se a proposta de Oliveira-Filho (1994), adaptada de Swaine & Whitmore (1988), juntamente com as observações de campo no momento da coleta dos dados e revisões bibliográficas, categorizando-se as espécies em: pioneiras, clímax exigentes de luz e clímax tolerantes à sombra. Os dados foram coletados no período de dezembro de 1998 a fevereiro de 1999.

2.3. Análise dos Dados

A suficiência amostral da composição florística foi verificada, utilizando-se o procedimento REGRELRP - Regressão Linear com Resposta em Platô, do Sistema para Análises Estatísticas - SAEG V.5.0 (Ferreira, 1988; Costa-Neto, 1990; Nappo, 1999). Para o cálculo do padrão de distribuição espacial empregou-se o índice de Morisita (Ludwige & Reynolds, 1988).

Os índices que caracterizaram a estrutura horizontal e vertical, a quantificação do número de toras por espécie e o número de palmitos foram obtidos através do "software" SISNAT - Sistema de Manejo para Florestas Nativas, desenvolvido pelo professor José Roberto Soares Scolforo, do Departamento de Ciências Florestais da Universidade Federal de Lavras-MG.

Os parâmetros fitossociológicos da estrutura horizontal (densidade, freqüência, dominância e índice de valor de importância) foram calculados segundo Curtis & Mcintosh (1951), Lamprecht (1964), Mueller-Dombois & Ellenberg (1974).

A estrutura vertical foi analisada através da posição sociológica, que permite avaliar a participação das espécies nos diferentes estratos arbóreos. Para determinar os estratos adotou-se a recomendação de Souza (1990), utilizada por Mariscal-Flores (1993), que se baseia no desvio-padrão da altura das espécies observadas no inventário florestal.

De posse das variáveis citadas, foi calculado o índice de valor de importância ampliado, de acordo com Finol (1971). Foi calculado também o índice de valor de importância ampliado e econômico (Jardim & Hosokawa, 1986/1987), no qual não foi considerada a regeneração natural, uma vez que o nível de inclusão adotado não contemplou a avaliação deste componente da fitocenose.

Para valoração do potencial produtivo de madeira foi utilizado o preço por classe de tora das espécies comerciais. Já os preços das classes de tora das espécies potenciais e não-comerciais foram definidos por meio da média dos três menores preços por classes de toras (Quadro 1), obtida através da seguinte expressão:

RPMi = (PT1.NTT1) + (PT2.NTT2) + (PT3.NTT3) e RPT = RPMi

 

 

em que RPMi = receita potencial de madeira em tora da i-ésima espécie, em US$; PTi = preço médio por classe de tora da i-ésima espécie, em US$; NTTi = número de toras da i-ésima espécie, para a j-ésima classe de tora; RPT = receita potencial de toras, em US$; e s = número de espécies.

Na valoração do estoque de palmitos foi utilizada a receita potencial de palmito, na qual os indivíduos da palmeira Euterpe oleracea foram avaliados quanto ao número de indivíduos fornecedores de palmitos com as características desejáveis para comercialização local e ao preço por classe de palmito (Quadro 2), utilizando a seguinte expressão:

RPi = PCPi.NPCPi e RPP = RPi

 

 

em que RPi = receita potencial da i-ésima classe de palmito, em US$; PCPi = preço da i-ésima classe de palmito, em US$; NPCPi = número de plantas na i-ésima classe de palmito; CP = número de classes de palmitos utilizadas; e RPP = receita potencial de palmitos, em US$.

A receita potencial final foi obtida através da formulação:

RPF = RPT + RPP

em que RPF = receita potencial final, em US$; e RPT e RPP definidos anteriormente.

 

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Foram mensurados 4.471 indivíduos, pertencentes a 73 espécies, 58 gêneros e 29 famílias, das quais as que apresentaram a maior riqueza de espécies foram Leguninosae Papilionoideae (8), Leguminosae Mimosoideae (6), Leguminosae Caesalpinioideae, Chrysobalanaceae, Guttiferae e Palmae, com cinco cada uma. Leguminosae Papilionoideae e Leguminosae Caesalpinioideae destacaram-se como as famílias mais importantes, com 19 espécies ao todo, como também verificado em Campbell et al. (1986). O valor do índice de diversidade foi H' = 3,35, superior ao estimado por Anderson et al. (1995) e Macedo (1996) para florestas exploradas de várzea no Estado do Pará.

A suficiência amostral ocorreu a partir da 8a parcela, o que significa dizer que uma área de 4 ha, 32 % da área total amostrada, seria suficiente para amostrar a composição florística da área estudada (Figura 1).

 

 

Na distribuição das espécies pelos grupos ecológicos, todas as espécies comerciais foram classificadas como clímax exigentes de luz; na categoria das potenciais ocorreram 6 espécies clímax tolerantes à sombra, 5 espécies clímax exigentes de luz e 1 espécie do grupo das pioneiras; e entre as não-comerciais foram registradas 18 espécies clímax tolerantes à sombra, 27 espécies clímax exigentes de luz e 7 espécies pioneiras. Observou-se que as espécies mais procuradas para comercialização na área estudada enquadram-se no grupo das clímax exigentes de luz. Estes resultados indicam que as operações de corte e derrubada de árvores nesta floresta podem vir a favorecer o estabelecimento e o desenvolvimento das espécies comerciais.

Por meio do índice de Morisita, foi possível observar que a maioria das espécies apresentou um padrão de distribuição agregado (60,3 %), seguido do padrão aleatório (35,3 %); esta mesma tendência foi encontrada por Barros (1986) e Mello (1995). Vale ressaltar que 4,4 % das espécies não tiveram seu padrão de distribuição calculado, pelo fato de terem ocorrido em apenas uma parcela (Quadro 3).

Analisando a estrutura arbórea  foi  possível verificar a ocorrência de 357 indivíduos/ha, que representaram uma área basal de 23,4 m2/ha. Foram observados 331 indivíduos/ha no estoque de crescimento (15 cm £ DAP < 45cm) e 26 indivíduos/ha no estoque de exploração (DAP ³ 45 cm).

Das 73 espécies identificadas (Quadro 3), 46 apresentaram densidade absoluta ³ 1. Na categoria das espécies comerciais, Virola surinamensis e Carapa guianensis foram as produtoras de madeira de maior destaque, assim como a não-madeireira Euterpe oleracea. Essas três espécies representaram 93,2 % dos indivíduos das espécies desta categoria.

Na categoria das espécies potenciais destacaram-se Symphonia globulifera, Pentaclethra macroloba, Terminalia dichotoma e Platymiscium trinitatis, compreendendo 91,3 % do total de indivíduos. Quanto à categoria das não-comerciais, de um total de 54  espécies destacaram-se 18 com densidade relativa ³ 1, o que corresponde a 82,8% da densidade absoluta desta categoria de uso. Deste modo, das 73 espécies computadas na amostra,  37 (50,7%) foram consideradas raras, de acordo com o critério de Kageyama & Gandara (1993).

A dominância da categoria das comerciais referiu-se às mesmas espécies de maior densidade; esta situação também ocorreu para a categoria das potenciais. Com relação à categoria das não-comerciais verificou-se que, das 18 que apresentaram densidade relativa ³ 1, Inga alba, Gustavia augusta, Tachigalia mymercophila, Cecropia palmata e Miconia ceramicarpa apresentaram dominância relativa < 1, o que impossibilita a indicação destas espécies para manejo.

Verificou-se que todas as espécies das três categorias de uso consideradas, com DR ³ 1 e DoR ³ 1, estavam distribuídas em mais de 70% da área amostrada, à exceção de Platymiscium trinitatis, Allantoma lineata,Pterocarpus amazonicus e Pterocarpus officinalis.

Para verificar a ocorrência das espécies nos diferentes estratos da floresta, realizou-se a análise da posição sociológica das espécies (PSR) e do IVIA. Esta análise permitiu identificar que entre as quatro espécies que apresentaram maior densidade e dominância no grupo das potenciais apenas Platymiscium trinitatis não apresentou indivíduos no estrato inferior, o que pode vir a comprometer sua participação nos demais estratos, no futuro. Todas as espécies não-comerciais com DR ³ 1 e DoR ³ 1 foram consideradas para fins de manejo, visto que estavam representadas em todos os estratos da floresta.

Em termos de qualidade de fuste e IVIAE, observou-se que para a categoria das comerciais Virola surinamensis e Carapa guianensis, além de Euterpe oleracea, apresentaram bons índices e, portanto, foram incluídas no grupo das espécies a serem manejadas. Já na categoria das potenciais as espécies eleitas foram: Symphonia globulifera, Pentaclethra macroloba e Terminalia dichotoma, enquanto na categoria das não comerciais as espécies credenciadas foram Eschweilera coriacea, Swartzia racemosa, Inga edulis, Mouriria grandiflora, Licania macrophylla, Allantoma lineata, Pterocarpus amazonicus, Pterocarpus officinalis e Parinari excelsa; porém as excluídas deste grupo foram Hevea brasiliensis, por ser uma espécie proibida de corte (Instituto... - IBAMA, 1995), Crudia bracteata e Protium spruceanum, por não apresentarem indivíduos em todos os estratos da floresta.

As espécies com maior índice de valor de importância ampliado e econômico – IVIAE - foram: Virola surinamensis, Symphonia globulifera, Eschweilera coriacea, Pentaclethra macroloba, Astrocaryum murumuru, Inga edulis, Carapa guianensis, Terminalia dichotoma, Licania macrophylla e Euterpe oleracea (Quadro 3). Gama (2000) verificou que todas essas espécies ocorreram na regeneração natural e que elas são igualmente aproveitadas para produção de madeira ou de produtos não-madeireiros. Portanto, o IVIAE é uma variável indicada para diagnóstico do potencial produtivo de florestas nativas.

As análises evidenciaram que as espécies amostradas têm potencial para produzir 54 toras/ha (59,3% toras de 1º, 25,9 % toras de 2ª e 14,8 % toras de 3ª), o que representa um volume em torno de 60,00 m3/ha, que poderá ser colhido de 20 em 20 anos, gerando uma receita potencial final de toras de US$ 501,7/ha (Quadro 4).

 

 

A floresta estudada foi explorada de 1955 até 1992 - período de extração intensiva de Virola surinamensis, Carapa guianensis e palmito de Euterpe oleracea. Apesar deste histórico, a avaliação das espécies comerciais nesse ambiente demonstrou que Virola surinamensis apresentou o maior número de toras em relação ao total (50,5%), em que 35,1 % destes estavam concentrados em toras de 1ª classe, conforme a classificação local. Carapa guianensis também foi uma espécie de uso comercial que se destacou, representando 28,8 % das toras desta categoria, em que 50,4 % eram de toras de 1ª. Estas duas espécies representaram, assim, 79,3 % do número de toras desta categoria. 

Quanto às espécies potenciais, Symphonia globulifera foi a que apresentou o maior número de toras (39,3%) em relação ao total, com 49,4% concentradas na classe de tora de 1ª, seguida por Terminalia dichotoma, que contribuiu com 33,3% do total de toras, das quais 60,7% foram toras de 1ª. Juntas estas duas espécies corresponderam a 72,6% das toras desta categoria. Com referência às não-comerciais, as espécies que contribuíram com os maiores porcentuais de toras em relação ao total foram apenas Eschweilera coriacea (30,8%) e Parinari excelsa (20,4%). Estas espécies apresentaram, respectivamente, 52,2 e 83,9% de toras de 1ª, correspondendo a 51,2% do número de toras desta categoria.

Essa avaliação destacou que as espécies comerciais, potenciais e não-comerciais contribuíram com 38,1, 20,4 e 41,5% da receita potencial de toras, respectivamente, e que, portanto, houve maior contribuição das espécies não-comerciais no que se refere ao número de toras aproveitáveis. A inclusão dessas espécies na lista de exploração poderá incrementar substancialmente a receita potencial de toras.

A produção potencial anual de palmito (Quadro 5) indica a possibilidade de obtenção de uma receita de até US$ 68,5/ha. Portanto, foi possível verificar que a receita potencial final, considerando apenas o estoque de exploração de madeira e de palmito, foi de US$ 570,20/ha. 

 

 

4. CONCLUSÃO

Apesar de ter sido intensamente explorada até 1992, a floresta secundária de várzea baixa estudada apresentou um estoque de exploração que pode ser aproveitado economicamente. As espécies com maior valor de importância ampliado e econômico foram Virola surinamensis, Symphonia globulifera, Eschweilera coriacea, Pentaclethra macroloba, Astrocaryum murumuru, Inga edulis,Carapa guianensis, Terminalia dichotoma, Licania macrophylla e Euterpe oleracea. A produção potencial de toras foi de 54 toras/ha, enquanto a de palmito foi de 589,7 palmitos/ha, o que gerou uma receita potencial final de US$ 570,20/ha. A análise da vegetação é uma ferramenta fundamental para gerar informações sobre a estrutura da floresta e dar subsídios ao planejamento de uma exploração florestal sustentada. A valoração do estoque de exploração, como instrumento básico de avaliação monetária, permitiu a previsão dos lucros brutos possíveis de serem obtidos com o corte de toras de espécies de interesse comercial, além do que indicou que a inclusão de outras categorias de espécies poderá incrementar a receita potencial final do produtor florestal.

 

5. AGRADECIMENTOS

Aos trabalhadores da EMAPA-Projeto Santana, pela valiosa ajuda no trabalho de campo. Ao professor Manoel Tourinho, pelo apoio e pelos incentivos no dia-a-dia. À Faculdade de Ciências Agrárias do Pará (FCAP) e à CAPES, pela bolsa de mestrado concedida. À Exportadora de Madeiras do Pará Ltda. – EMAPA, pelo auxílio financeiro a este estudo.

 

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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1 Recebido para publicação em 3.5.2001.
  Aceito para publicação em 20.6.2002.

2 Pesquisadora da Embrapa Rondônia, Doutoranda em Ciência Florestal da Universidade Federal de Viçosa - UFV, 36571-000 Viçosa-MG, <mbgama@tdnet.com.br>. 

3 Professor do Departamento de Ciências Florestais da Universidade Federal de Lavras, Caixa Postal 37, 37200-000 Lavras-MG, <scolforo@ufla.br>. 

4 Doutorando em Ciência Florestal, DEF-UFV, e <ds40104@correio.ufv.br>

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