SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.26 issue5Relational database for inventory system evaluation and management of urban street trees author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Revista Árvore

Print version ISSN 0100-6762On-line version ISSN 1806-9088

Rev. Árvore vol.26 no.5 Viçosa Sept./Oct. 2002

https://doi.org/10.1590/S0100-67622002000500015 

PARÂMETROS FITOSSOCIOLÓGICOS DE UM CERRADO NO PARQUE NACIONAL DA SERRA DO CIPÓ, MG1

 

João Augusto Alves Meira Neto2 e Amilcar Walter Saporetti Júnior3

 

 

RESUMO - A riqueza de espécies e os fatores determinantes da ocorrência da vegetação de cerrado há muito têm despertado o interesse de pesquisadores. Muitos cerrados protegidos em unidades de conservação ainda não foram investigados florística e estruturalmente. Neste trabalho foi realizado um levantamento florístico e fitossociológico no Parque Nacional da Serra do Cipó (19o22'01''S e 43o37'10''W). Foram instaladas 12 parcelas de 150 m2 e foram amostrados todos os indíviduos lenhosos com circunferência do caule à altura do solo maior ou igual a 10 cm. Foram relacionadas 44 espécies de 37 gêneros e 30 famílias. Entre estas, Leguminosae Caesalpinioideae, Leguminosae Mimosoideae e Guttiferae, com três espécies cada, foram as mais ricas. As espécies mais importantes (VI) foram Hymenaea stigonocarpa, Allagoptera campestris, Diospyros hispida, Rapanea guianensis e Piptocarpha rotundifolia.

Palavras-chave: Fitossociologia, Serra do Cipó, cerrado e savana.

 

PHYTOSOCIOLOGICAL PARAMETERS OF A CERRADO IN "SERRA DO CIPÓ" NATIONAL PARK, MINAS GERAIS, BRAZIL

ABSTRACT - The diversity of species and the factors determining the occurrence of cerrado vegetation have long called the attention of researchers. Many protected cerrados in Conservation Units have not been floristically and structurally studied. This work conducted a floristic and phytosociological survey of the Parque Nacional da "Serra do Cipó" ("Serra do Cipó" National Park) (19o22'01''S and 43o37'10''W). Twelve quadrats of 150 m2 were established and all individuals with a stem circumference at ground level larger than or equal to 10 cm were sampled. A total of 44 species of 37 genera and 30 families were found. The richest families were Leguminosae Caesalpinioideae, Leguminosae Mimosoideae and Guttiferae, with three species each. The most important species (VI) were Hymenaea stigonocarpa, Allagoptera campestris, Diospyros hispida, Rapanea guianensis and Piptocarpha rotundifolia.

Key words: Phytosociology, "Serra do Cipó" National Park, cerrado and savanna.

 

 

1. INTRODUÇÃO

O cerrado, caracterizado como uma vegetação de savana na classificação internacional, localiza-se predominantemente no Planalto Central do Brasil e constitui a segunda maior formação vegetal brasileira em extensão, sendo a primeira a Floresta Amazônica. Esse bioma se estende por cerca de 2 milhões de quilômetros quadrados, representando 22% do território nacional (Ratter, 1992).

Cole (1960) e Eiten (1972), entre muitos outros autores, afirmaram que fatores edáficos, principalmente os teores de nutrientes, além do fogo e da intervenção humana, determinam as diferentes fitofisionomias da vegetação do cerrado.

Os levantamentos florísticos já realizados mostraram a grande riqueza de espécies e que em toda extensão do cerrado ocorre uma contínua variação na composição florística (Ratter et al., 2000). Ainda são inúmeras as áreas em unidades de conservação com vegetação de cerrado sem informações a respeito de sua composição e estrutura. O objetivo deste trabalho foi realizar um estudo fitossociológico de uma área de cerrado sensu stricto no Parque Nacional da Serra do Cipó-MG.

O parque localiza-se na Serra do Cipó, uma das unidades da Serra do Espinhaço, em área que pertence aos municípios de Morro do Pilar, Baldim, Jaboticatubas e Conceição do Mato Dentro. A área de estudos localiza-se no município de Jaboticatubas, nas coordenadas 19°22'01''S e 43°37'10''W, a uma altitude de 850 m. Geomorfologicamente, o local está num pediplano onde o tipo de solo é Latossolo Vermelho. A precipitação média anual é de cerca de 1.500 mm e o clima é Cwb pelo sistema de Köppen, com quatro a cinco meses secos. Dentre os impactos ambientais na área pode-se citar a ocorrência da passagem de fogo, em 1999.

O trabalho de campo foi feito no segundo semestre de 2000. O método fitossociológico aplicado foi o de parcelas (Mueller-Dombois & Ellenberg, 1974). Foram instaladas 12 parcelas de 10 x 15 m em cerrado sensu stricto, perfazendo uma área amostral de 0,18 ha. Foram amostrados todos os indivíduos com 10 cm ou mais de circunferência do caule no nível do solo (CAS). Os indivíduos da espécie de palmeira-acaule (Allagoptera campestris), por apresentarem grande presença, foram incluídos na amostragem, tendo sido medida a circunferência da roseta de folhas à altura do solo.

A identificação taxonômica foi efetuada mediante consultas a herbários, consultas a especialistas e por meio da literatura especializada.

O sistema de classificação utilizado foi o de Cronquist (1998).Todos os nomes de espécies e suas respectivas autoridades foram confirmados e atualizados pelo "software" do índice de espécies do ROYAL BOTANIC GARDENS OF KEW (1993) ou mediante consulta à literatura com informações mais atualizadas que as desse programa.

Pelo levantamento realizado foram amostradas 44 espécies lenhosas, distribuídas em 37 gêneros e 29 famílias. As famílias com maior número de espécies foram Leguminosae Caesalpinioideae, Guttiferae e Leguminosae Mimosoideae, com três espécies cada, seguidas de Sapotaceae, Asteraceae, Erythroxylaceae, Annonaceae, Nyctaginaceae, Leguminosae Faboideae, Myrtaceae, Rubiaceae e Vochysiaceae, com duas espécies (Quadro 1).

 

 

As espécies com maiores densidades relativas (DR) foram Hymenaea stigonocarpa (16,60%), Allagoptera campestris (8,40%), Diospyros hispida (7,46%), Rapanea guianensis e Erythroxylum daphnites (5,78%) e Piptocarpha rotundifolia (5,22%). As espécies que apresentaram maiores freqüências relativas foram Diospyros hispida (6,42%), Byrsonima verbascifolia (5,88%), Hymenaea stigonocarpa, Allagoptera campestris, Piptocarpha rotundifolia, Aspidosperma tomentosum e Acosmium dasycarpum (5,35%), Pouteria ramiflora e Kielmeyera coriacea (4,81%), Rapanea guianensis e Erythroxylum daphnites (4,28). As espécies que apresentaram maiores dominâncias relativas (DoR) foram Hymenaea stigonocarpa (23,24%), Rapanea guianensis (8,08%), Guapira noxia (6,09%), Agonandra brasiliensis (5,73%) e Annona coriacea (5,67%). As espécies de maiores valores de importância (VI) foram Hymenaea stigonocarpa (15,06%), Allagoptera campestris (6,36%), Diospyros hispida (6,16%), Rapanea guianensis (6,046%) e Piptocarpha rotundifolia (5,33%) (Quadro 2).

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

COLE, M. M. Cerrado, caatinga and pantanal: The distribution and origin of the savanna vegetation of Brazil. Geography Journal, v. 106, n. 2, p. 168-179, 1960.         [ Links ]

CRONQUIST, A. The evolution and classification of flowering plants. New York: The New York Botanical Garden, 1988. 555 p.         [ Links ]

EITEN,G. The cerrado vegetation of Brazil. Botanical Review, v. 38, n. 2, p. 201-341, 1972.         [ Links ]

MUELLER-DOMBOIS, D.; ELLENBERG, H. Aims and methods of vegetation ecology. New York: John Wiley & Sons, 1974. 547 p.         [ Links ]

RATTER, J. A. Transitions between cerrado and forest vegetation in Brasil. In: FURLEY, P.A.; PROCTOR, J.; RATTER, J. A. (Eds.) Nature and dynamics of forest-savanna boundaries. London: Chapman & Hall, 1992. p. 51-76.         [ Links ]

RATTER, J. A.; RIBEIRO, J. F.; BRIDGEWATER, S. Woody flora distribution of the cerrado biome: phytogeography and conservation priorities. In: CAVALCANTI, T. B. et al. (Org). CONGRESSO NACIONAL DE BOTÂNICA, 51, 2000, Brasília. Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Sociedade Botânica do Brasil. 2000. p. 340-342.         [ Links ]

ROYAL BOTANIC GARDENS OF KEW. Index Kewensis on compact disc - Manual. Oxford: Oxford University Press, 1997. 67 p.         [ Links ]

 

 

1 Recebido para publicação em 10.9.2001. Aceito para publicação em 6.11.2002. Trabalho realizado na excursão para a Serra do Cipó da disciplina de BIO-330, Ecologia Geral.

2 Departamento de Biologia Vegetal da Universidade Federal de Viçosa - DBV/UFV – 36571-000 Viçosa-MG, <j.meira@mail.ufv.br>;

3 Estagiário do Departamento de Biologia Vegetal da UFV, Graduação em Ciências Biológicas/UFV.

Creative Commons License All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License