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Revista Árvore

versão impressa ISSN 0100-6762

Rev. Árvore v.26 n.6 Viçosa nov./dez. 2002

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-67622002000600005 

Eficiência de nova formulação do herbicida oxyfluorfen no controle de plantas daninhas em área de Pinus caribea Morelet var. hondurensis Barr. et Golf.1

 

Efficiency of new oxyfluorfen formulation to control weeds in area of Pinus caribea Morelet var. hondurensis Barr. et Golf.

 

 

Eduardo Antonio Drolhe da CostaI, 2; Marcus Barifouse MatalloII, 3; José Claudionir CarvalhoIII, 4 e Albino RozanskiIV, 5

IEng., Agr. Doutor em Proteção Vegetal, Pesquisador Científico do Laboratório da Ciência das Plantas Daninhas do Instituto Biológico, LCPD/IBC, Caixa Postal 70, 13001-970 Campinas,SP
II
Eng., Agr. Doutor em Agronomia, Pesquisador Científico do LCPD/IBC
III
Eng., Agr. Doutor em Proteção Vegetal, Rohm and Haas Química Ltda., Fazenda Experimental de Campinas, Caixa Postal 66, 13140-000 Paulínia, SP
IV
Eng., Agr., Pesquisador Científico do LCPD/IBC

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Foi realizado um experimento para avaliar a seletividade e a eficiência do herbicida oxyfluorfen5 formulado a 480 e 240 g/l, em área com mudas de Pinus caribea Morelet var. hondurensis Barr. et Golf. recém-transplantadas (aplicação em pré-emergência das plantas daninhas) e com 12 dias após o transplante (aplicação em pós-emergência inicial das plantas daninhas). O ensaio foi instalado no município de Paulínia, Estado de São Paulo, em um Latossolo Vermelho-Escuro, eutrófico, no ano agrícola 1999/2000. Foi adotado o delineamento em parcelas subsubdivididas no tempo, tendo como tratamento principal, disposto em blocos ao acaso com quatro repetições, o herbicida oxyfluorfen formulado a 480 g/l de ingrediente ativo (i.a.), nas doses de 1,0, 1,5 e 2,0 l/ha, e a 240 g/l (i.a.), nas doses de 2,0, 3,0 e 4,0 l/ha. Como tratamento secundário (subparcelas) considerou-se o modo de aplicação do produto (pré ou pós-emergência das plantas daninhas) e como sub-subparcelas, as diferentes épocas de avaliação da eficácia de controle. As mudas foram plantadas no espaçamento de 0,5 x 0,5 m e os tratamentos foram aplicados por meio de um pulverizador costal pressurizado a CO2, a uma pressão de 2,45 kg/cm2, utilizando-se um volume de calda igual a 200 l/ha. Os resultados mostraram que o herbicida oxyfluorfen formulado a 480 g/l e 240 g/l mostrou-se eficiente no controle de Brachiaria decumbens, Panicum maximum, Ipomoea grandifolia e Sida rhombifolia em diferentes épocas de avaliação, tanto quando foi aplicado em pré como em pós-emergência, sem ocasionar danos às plantas de Pinus caribea var. hondurensis.

Palavras-chave: Controle químico, oxyfluorfen, fitointoxicação e herbicidas.


ABSTRACT

A trial was carried out to evaluate Pinus caribea Morelet var. hondurensis Barr. et Golf. selectivity and weed control with oxyfluorfen formulated at 480 (SC) and 240 g/l (EC) of active ingredient (a.i.). Treatments were sprayed on seedlings at the moment of transplanting and 12 days after. Results showed that oxyfluorfen 480 (SC) g/l was very similar to oxyfluorfen at 240 g/l (EC) and both formulations were efficient to control Brachiaria decumbens, Panicum maximum, Ipomoea grandifolia and Sida rhombifolia when applied in preemergence or early post at different evaluation times, with no damage to Pinus caribea var. hondurensis.

Key words: Chemical control, oxyfluorfen, phytointoxication and herbicides


 

 

1. INTRODUÇÃO

A crescente demanda por produtos florestais, em nível nacional e mundial, registrada nos últimos 50 anos, assim como a intensa pressão exploratória sobre as matas nativas brasileiras, tem levado a iniciativa pública e privada a estimular e implantar extensas áreas florestais com espécies de rápido crescimento. Atualmente, o Brasil possui mais de 8 milhões de hectares reflorestados com plantações homogêneas, predominando as espécies de Eucalyptus (52%) e Pinus (30%) (SOCIEDADE BRASILEIRA DE SILVICULTURA, 1992).

Para atender a demanda por produtos florestais, com o máximo de eficiência, existe a necessidade de controle de certos fatores limitantes, dentre os quais se destacam aqueles decorrentes da presença de plantas infestantes na área reflorestada, pois estas competem por luz, nutrientes, água e espaço. Além de atuarem como hospedeiras intermediárias de pragas e doenças, exercem pressão de natureza alelopática e aumentam os riscos de incêndios em maciços florestais, podendo interferir nas práticas culturais, o que inclui o corte e a retirada da madeira, abrigando vetores de doenças e animais peçonhentos, além do fato de algumas práticas de controle das plantas infestantes poderem injuriar as plantas florestais (Pitelli & Karam, 1988).

A expansão das áreas florestais tem englobado áreas anteriormente ocupadas por pastagens, com predominância das espécies Brachiaria decumbens Stapf (capim-braquiária) e Panicum maximum Jacq. (capim-colonião). Portanto, essas espécies se transformaram em plantas daninhas problemáticas em áreas de reflorestamento, principalmente devido às suas características como elevada agressividade, intensa capacidade de produção e longevidade de sementes.

De modo geral, os sistemas de controle de plantas daninhas em reflorestamentos dependem de vários fatores, como histórico da área, gênero/espécie cultivada, idade do plantio, topografia do terreno, características morfofisiológicas, taxa de colonização da vegetação invasora, dentre outros. A combinação desses fatores determina a escolha do sistema mais adequado de manejo, podendo variar de acordo com a utilização de sistemas manuais, como capina/roçada em área total ou coroamento, capina/roçada mecanizada, controle químico com herbicidas, uso de fogo sob forma controlada, combinação desses sistemas etc. (Brito, 1995).

O método químico de controle vem sendo cada dia mais utilizado e difundido, em razão de seus resultados serem mais rápidos, eficientes e com efeito residual acentuado, o que permite, ainda, o controle da comunidade infestante antes ou depois de sua emergência, diminuindo assim a possibilidade de reinfestação da área e, conseqüentemente, o número de tratos culturais, possibilitando melhor distribuição da mão-de-obra na propriedade. Dentre os herbicidas recomendados, o oxyfluorfen tem sido usado extensivamente no controle de plantas daninhas gramíneas e dicotiledôneas em coníferas, desde a fase de viveiro, assim como em mudas recém-transplantadas e plantas estabelecidas (Yih, 1986).

O objetivo do trabalho foi avaliar o desempenho do herbicida oxyfluorfen formulado tanto como suspensão concentrada a 480 g/l, como concentrado emulsionável a 240 g/l, quando aplicado em pré-emergência, imediatamente após o transplantio das mudas de Pinus caribea var. hondurensis, e 12 dias após seu transplantio, em pós-emergência inicial das plantas daninhas.

 

2. MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi instalado na Fazenda Experimental da Rohm and Haas Química Ltda., situada no município de Paulínia-SP, em Latossolo Vermelho-Escuro de textura argilosa, eutrófico; as características físicas e químicas do solo da área experimental estão no Quadro 1.

 

 

As mudas de Pinus caribea var. hondurensis foram transplantadas em área arada e gradeada, no espaçamento de 0,5 m entre as linhas por 0,5 m entre as plantas, sendo realizada uma adubação de cobertura com aplicação de 1.400 kg/ha da fórmula 20-20-20 de NPK em 31/3/99 (67 dias após o transplante).

Os tratamentos foram aplicados nas subparcelas, em pré-emergência das plantas daninhas, utilizando equipamento de precisão, pressurizado gás carbônico (CO2), provido de barra compensada com quatro bicos DG 11002, espaçados de 0,50 m. O equipamento foi operado a 2,45 kg/cm2, a uma velocidade de 4,2 m/s, empregandose água como diluente em um volume de calda de 200 l/ha. As condições de clima no momento das aplicações dos tratamentos estão apresentadas no Quadro 2.

 

 

Foi adotado o delineamento em parcelas subsubdivididas no tempo, tendo como tratamento principal (parcelas), dispostas em blocos ao acaso com quatro repetições, as doses de oxyfluorfen tanto a 480 g/l como a 240 g/l; como tratamento secundário (subparcelas) adotou-se o modo de aplicação, caracterizando o estádio das plantas daninhas no momento da aplicação (pré-emergência ou pós-emergência inicial), e como subsubparcelas, as diferentes épocas de avaliação da eficiência do oxyfluorfen. As parcelas mediram 6,0 m de comprimento por 6,0 m de largura, com uma área útil de 20 m2 para parcelas e de 10 m2 para as subparcelas; as épocas de avaliação (sub-subparcelas) foram 19, 37, 62 e 95 dias após aplicação dos tratamentos (DAT) para as avaliações em pré-emergência e 9, 31, 55 e 81 DAT para aquelas em pós-emergência. Foram também incluídas duas testemunhas, uma capinada durante todo o ciclo do experimento para avaliar possíveis sintomas de toxicidade às plantas de Pinus caribea var. hondurensis e outra mantida sem capina para fins de comparação da sua eficácia no controle das plantas daninhas, ambas não incluídas na análise de variância. No Quadro 3 encontram-se discriminados os tratamentos utilizados. Foi realizada uma aplicação dos tratamentos em 23/1/99, em pré-emergência em área total, imediatamente após o transplante das mudas, e outra em 4/2/99 em pós-emergência inicial das plantas daninhas, 12 dias após o transplantio das mudas, quando as plantas daninhas dicotiledôneas encontravam-se com duas folhas verdadeiras, e as gramíneas com três folhas abertas. Para fins de avaliação, foram consideradas somentes as espécies com dispersão homogênea e a freqüência de ocorrência positiva nas parcelas experimentais.

 

 

O efeito dos herbicidas foi avaliado, atribuindo-se notas de 0 a 100, em que 0 representa ausência de controle e de toxicidade e 100 controle total das espécies e morte total das plantas. Todos os dados foram submetidos à análise de variância pelo teste F e as médias foram comparadas pelo teste de Tukey, ambos a 5% de probabilidade.

 

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A análise de variância dos dados relativos ao controle de P. maximum (Quadro 4) mostra haver somente efeito significativo dos fatores tratamentos e época de avaliação isoladamente, não ocorrendo interação significativa entre nenhum deles. Apesar da queda no nível de controle de oxyfluorfen na menor dose das formulações 480 e 240 g/l a partir dos 55 DAT, quando aplicado em pós-emergência inicial, todos os tratamentos foram semelhantes entre si e significativamente superiores à testemunha sem capina, independentemente da formulação de oxyfluorfen utilizada, de seu modo de aplicação e da época de avaliação, exceto para a formulação 240 CE a 2,0 l/ha, que não atingiu nível satisfatório de controle, quando aplicado em pós-emergência. Resultados que demonstram o efeito residual de oxyfluorfen no controle de espécies gramíneas também foram encontrados por Lorenzi (1994) e Yih (1986).

 

 

A ação pré-emergente de oxyfluorfen no controle de B. decumbens pode ser observada ao comparar os dados do Quadro 5, no qual se constata que para todas as épocas de avaliação os níveis de controle alcançados foram superiores àqueles observados para as aplicações em pós-emergência inicial, confirmando também seu poder residual, uma vez que aos 95 DAT todos os níveis de controle de B. decumbens por oxyfluorfen foram iguais e superiores a 92%, exceto com relação às menores doses desse herbicida nas formulações de 480 e 240 g/l. A análise de variância mostra haver efeitos significativos dos tratamentos, do modo de aplicação e das épocas de avaliação, assim como das interações entre eles.

 

 

O desdobramento da interação entre tratamentos e épocas de avaliação (Quadro 6) mostra que independentemente do modo de aplicação, até a segunda época de avaliação, todos os tratamentos foram semelhantes entre si, diferindo somente da testemunha sem capina. A partir da terceira época de avaliação, B. decumbens mostrou-se significativamente mais sensível às maiores doses das formulações de oxyfluorfen a 240 e 480 g/l, enquanto na última época de avaliação somente o tratamento com oxyfluorfen a 2,0 l/ha da formulação a 480 g/l apresentou desempenho significativamente superior aos demais e semelhante ao da testemunha capinada considerada como 100%.

 

 

Citado como latifolicida eventual (Almeida & Rodrigues, 1998), a eficácia de oxyfluorfen sobre Sida rhombifolia L. confirma essa característica com índices de controle superiores a 83% durante o transcorrer das avaliações, independentemente das formulações utilizadas (Quadro 7). Há efeitos significativos para tratamentos, modo de aplicação, épocas de avaliação e a interação entre estes dois fatores, com relação ao controle de S. rhombifolia. Nenhum tratamento com oxyfluorfen diferiu da testemunha capinada, independentemente da formulação e dose utilizada, demonstrando ser mais eficiente quando aplicado em pré-emergência, com redução significativa na sua ação residual de controle.

 

 

Com relação ao controle de Ipoema grandifolia (Dammer) O'Donell (Quadro 8), a análise de variância mostra que o comportamento do oxyfluorfen variou de acordo com as formulações, seu modo de aplicação e com a época de avaliação, bem como com as interações entre esses fatores, destacando-se a formulação de oxyfluorfen a 480 g/l quando aplicada a 2,0 l/ha, única cujo controle foi semelhante ao da testemunha capinada dentro de todas as épocas de avaliação.

 

 

Pelo Quadro 9 observa-se que durante todo o ciclo do ensaio as plantas de Pinus caribea var. hondurensis tratadas com oxyfluorfen não apresentaram sintomas de injúrias decorrentes do uso do produto, mostrando um aspecto normal, semelhante ao das plantas das parcelas-testemunha capinada, independentemente da formulação do produto utilizada e de sua aplicação em relação à época de transplante das mudas.

 

 

4. CONCLUSÕES

O herbicida oxyfluorfen aplicado em pré-emergência nas formulações 480 e 240 g/l foi eficiente no controle das espécies I. grandifolia por um período 37 DAT, B. decumbens por 62 DAT e de P. maximum e S. rhombifolia por até 95 DAT. Quando aplicado em pós-emergência, apresentou eficiência no controle de B. decumbens por um período de até 37 DAT e das espécies I. grandifolia, P. maximum e S. rhombifolia por até 55 DAT, independentemente da dose aplicada.

A formulação de oxyfluorfen a 480 g/l, quando comparada com 240 g/l, permite uma redução na dose do produto comercial, sem afetar a eficácia de controle das espécies citadas.

Não foram observados sintomas de injúrias às plantas de Pinus caribea var. hondurensis por ação fitotóxica do herbicida oxyfluorfen, nas diferentes formulações e doses testadas.

 

5. AGRADECIMENTO

Os autores agradecem ao engenheiro-agrônomo Walter Sérgio Pinto Pereira, pelas facilidades oferecidas para a realização do trabalho, e também aos revisores anônimos, pela contribuição no aprimoramento do mesmo.

 

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALMEIDA, F. S.; RODRIGUES, B. N. Guia de herbicidas. Londrina: IAPAR, 1988. 603 p.         [ Links ]

BRITO, M. A. R. Manejo de Plantas Daninhas em Áreas de Reflorestamento. In: CONGRESSO BRASILEIRO DA CIÊNCIA DAS PLANTAS DANINHAS, 20., 1995, Florianópolis. Resumos de Palestras... Florianópolis: 1995. p. 92-95.         [ Links ]

LORENZI, H. Manual de identificação e controle de plantas daninhas. 4.ed. Nova Odessa: Plantarum, 1994. 276 p.         [ Links ]

PITELLI, R. A.; KARAM, D. Ecologia de plantas daninhas e a sua interferência em culturas florestais. In: I SEMINÁRIO TÉCNICO SOBRE PLANTAS DANINHAS E O USO DE HERBICIDAS EM REFLORESTAMENTO, 1., 1988, Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro: 1988. p. 44-64.         [ Links ]

SOCIEDADE BRASILEIRA DE SILVICULTURA - SBS. A quantas anda o setor florestal brasileiro? Silvicultura, v. 12, n. 42, p. 6-9, 1992.         [ Links ]

YIH, R. Y. Goal a herbicide with a myriade of uses. Spring House: Rohm and Haas Company, 1986. p. 30-32.         [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência
Eduardo Antonio Drolhe da Costa
E-mail: costaead@biologico.br

Marcus Barifouse Matallo
E-mail: herbicid@correionet.com.br

Recebido para publicação em 16.10.2000.
Aceito para publicação em 13.12.2002.

 

 

1 Recebido para publicação em 16.10.2000.
Aceito para publicação em 13.12.2002.
2 Eng.-Agr. Doutor em Proteção Vegetal, Pesquisador Científico do Laboratório da Ciência das Plantas Daninhas do Instituto Biológico – LCPD/IBC, Caixa Postal 70, 13001-970 Campinas-SP, <costaead@biologico.br>; 
3 Eng.-Agr. Doutor em Agronomia, Pesquisador Científico do LCPD/IBC, <e-mail: herbicid@correionet.com.br>.
4 Eng.-Agr. Doutor em Proteção Vegetal, Rohm and Haas Química Ltda., Fazenda Experimental de Campinas, Caixa Postal 66, 13140-000 Paulínia-SP. 
5 Eng.-Agr., Pesquisador Científico do LCPD/IBC.