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Revista Árvore

Print version ISSN 0100-6762On-line version ISSN 1806-9088

Rev. Árvore vol.27 no.1 Viçosa Jan./Feb. 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-67622003000100014 

Ocorrência do gafanhoto-do-coqueiro Eutropidacris cristata (orthoptera: acrididae) atacando plantas de eucalipto em Minas Gerais1

 

Coconut tree grashopper, Eutropidacris cristata (orthoptera: acrididae) feeding on eucalyptus trees in Minas Gerais, Brazil

 

 

Ronald ZanettiI; Alan Souza-SilvaI; Michelle Alves MouraII; José Cola ZanuncioIII

IDepartamento de Entomologia da Universidade Federal de Lavras - UFLA, Caixa Postal 37, 37200-000 Lavras-MG, <zanetti@ufla.br>; <alandesouza@hotmail.com>
IIV&M Florestal Ltda., Pr. Voluntários da Pátria 81, Caixa Postal 152, 35790-000 Curvelo-MG, <michelle@vmtubes.com.br>
IIIDepartamento de Biologia Animal da Universidade Federal de Viçosa - UFV, 36571-000 Viçosa-MG, <zanuncio@ufv.br>

 

 


RESUMO

Foram avaliados os danos causados pelo gafanhoto-do-coqueiro Eutropidacris cristata (Orthoptera: Acrididae) em plantas de eucalipto, no município de Curvelo, Minas Gerais, Brasil, em junho de 2001. As amostragens foram realizadas, contando-se o número total de plantas por linha e o de plantas atacadas por classe de desfolha de 10%, a cada dez linhas de plantio, em cinco talhões de eucalipto com sinais de ataque desse gafanhoto. Calculou-se a porcentagem de desfolha por talhão e por planta de eucalipto. A porcentagem de desfolha por planta na área atacada foi de 3,70%, variando de 0,84 a 7,93%, enquanto a de plantas atacadas por talhão foi de 4,80%, variando de 1,88 a 11,54%. Os danos causados por E. cristata não justificaram medidas de controle, mas foram feitas avaliações para acompanhar a evolução do ataque desse inseto, cujas populações reduziram-se a níveis inexpressivos após 30 dias de sua constatação nesse plantio de eucalipto.

Palavras-chave: Gafanhoto, eucalipto e danos.


ABSTRACT

Damage caused by the coconut tree grasshopper, Eutropidacris cristata (Orthoptera: Acrididae) was evaluated in an eucalyptus plantation in Curvelo, Minas Gerais, Brazil, in June 2001. Samplings were obtained by counting the number of plants per line and the number of defoliated plants in classes of 10% in 10 planting lines of five blocks of an eucalyptus plantation. Mean percentage of defoliation per plant in the area attacked by this pest was 3.70%, varying from 0.84 to 7.93%, while the number of plants attacked by eucalyptus block was 4.80%, varying from 1.88 to 11.54%. Damage by E. cristata did not justify control measures. Evaluation of this insect showed that its population was reduced to inexpressive numbers 30 days after it was found in this eucalyptus plantation.

Key words: Grasshopper, eucalyptus, damage.


 

 

Cerca de 20 mil espécies da ordem Orthoptera são conhecidas em todas as partes do mundo, principalmente nos trópicos. A família mais numerosa dessa ordem é a Acrididae, com aproximadamente 10 mil espécies (Buzzi & Miyazaki, 1999), a qual compreende os gafanhotos propriamente ditos, que são insetos fitófagos, geralmente muito nocivos à vegetação. Os Acrididae podem ser divididos em dois grupos, de acordo com seu comportamento: sedentários, com hábito solitário e pouco nocivos; e migratórios, que podem formar as chamadas "nuvens de gafanhotos", capazes de devastar plantações inteiras e causar enormes prejuízos (Gallo et al., 1988), pelo fato de se multiplicarem rapidamente e migrarem para diferentes ambientes (Borror & Delong, 1988). Assim, o objetivo deste trabalho foi avaliar os danos causados por gafanhotos em plantas de Eucalyptus urophylla S.T. Blake, no município de Curvelo, Minas Gerais, Brasil, em junho de 2001.

Foi selecionada uma linha a cada dez linhas de plantio de eucalipto, com dois anos de idade, no espaçamento 3x2 m, onde foram avaliados o número de plantas por linha e o de plantas atacadas por classe de desfolha de 10%, em cinco talhões atacados por esse gafanhoto. A porcentagem de desfolha dos talhões foi calculada ao dividir o número de plantas atacadas pelo total de plantas amostradas. A porcentagem de desfolha por planta foi obtida ao dividir a soma das porcentagens de desfolha de cada uma delas pelo total de plantas desfolhadas. Coletaram-se exemplares desse inseto para identificação em laboratório.

O gafanhoto encontrado atacando árvores adultas de eucalipto foi identificado no Laboratório de Entomologia Florestal da Universidade Federal de Lavras, em Lavras, Minas Gerais, como pertencente à espécie Eutropidacris cristata (L., 1758) (Orthoptera: Acrididae), vulgarmente conhecido como gafanhoto-do-coqueiro (Figura 1). Esse inseto apresenta, aproximadamente, 110 mm de comprimento e 15 mm de largura, asas anteriores com cerca de 90 mm de comprimento e coloração verde-pardacenta, enquanto as asas posteriores são esverdeadas, com leve tonalidade azulada. E. cristata é caracterizado por ser polífago e por ter ampla distribuição no Brasil, onde ataca muitas espécies vegetais, incluindo abacateiro, algodoeiro, arroz, bananeira, cana-de-açúcar, pastagens, carnaúba, citros, coqueiro, mandioca, mamona e outras. Essa espécie é popularmente conhecida como gafanhoto-do-coqueiro, tucurão ou gafanhotão (Gallo et al., 1988). Apesar da grande diversidade de plantas atacadas por E. cristata, esta espécie de gafanhoto não havia sido relatada danificando plantas de eucalipto.

 

 

E. cristata estava presente em aproximadamente, 120 ha de eucalipto de 2 anos de idade, mas suas populações eram maiores em áreas de vegetação nativa (cerrado stricto sensu) adjacentes aos plantios de eucalipto. Algumas plantas de E. urophylla (cerca de 1%) foram totalmente desfolhadas, sendo os danos caracterizados por desfolha de cima para baixo, com consumo inclusive das nervuras das folhas, restando somente os galhos (Figura 2). Além do eucalipto, foi verificado o ataque a plantas do sub-bosque dessa cultura, o qual era constituído por vegetação rala com plantas herbáceas e arbustivas, típicas de cerrado.

 

 

A porcentagem média de desfolha por planta foi de 3,70%, variando de 0,84 a 7,93% por talhão, enquanto a porcentagem de plantas atacadas por talhão foi de 4,80%, variando de 1,88 a 11,54%.

Como critério operacional para o controle dos gafanhotos, recomendou-se um nível de desfolha entre 20 e 30%, semelhante ao utilizado para lagartas-desfolhadoras em eucaliptais, uma vez que ainda não são conhecidos os níveis de desfolha desses gafanhotos nessa cultura. Acredita-se que tal procedimento possa ser justificado pelo fato de esse inseto ter desfolhado a planta uma única vez, de forma semelhante ao utilizado por Cruz (1997), quando simulou desfolha artificial em plantas de eucalipto de 2 anos de idade, para determinação de dano econômico provocado por insetos desfolhadores. O autor verificou que plantas desfolhadas uma única vez (como ocorreu com os gafanhotos), com níveis de desfolha abaixo de 30%, não tiveram o desenvolvimento e a produção afetados. Entretanto, estudos devem ser implementados para verificar o nível de desfolha que justifique a adoção de medidas de controle contra esse inseto.

Avaliações realizadas após 30 dias da constatação dos gafanhotos na área mostraram que sua população reduziu-se a níveis inexpressivos. Por isto, não foram recomendadas quaisquer operações de controle contra esses insetos.

Este trabalho é importante, pois relatou a ocorrência de ataque de gafanhotos em uma grande área cultivada com eucalipto, o que inclui esse inseto entre os herbívoros associados à eucaliptocultura. Além disto, o fato de esse inseto se multiplicar rapidamente e migrar torna-o potencialmente perigoso para outros plantios de eucalipto, principalmente se esta espécie se adaptar à cultura, o que justifica a implementação de estudos para constatar tal hipótese.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BORROR, D. J.; DeLONG, D. M. Estudo dos Insetos. São Paulo: Edgard Blücher, 1988. 654 p.        [ Links ]

BUZZI, Z. J.; MIYAZAKI, R. D. Entomologia didática. 3.ed. Curitiba: UFPR, 1999. 306 p.        [ Links ]

CRUZ, A. P. Níveis de dano econômico e determinantes ambientais de ocorrência de lepidópteros-praga em eucalipto na JARI CELULOSE S.A. 1997. 72 f. Dissertação (Mestrado em Entomologia) - Universidade Federal de Viçosa, Viçosa-MG, 1997.        [ Links ]

GALLO, D. et al. Manual de entomologia agrícola. São Paulo: Agronômica Ceres, 1988. 649 p.        [ Links ]

 

 

1 Recebido para publicação em 20.3.2002. Aceito para publicação em 19.2.2003

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