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Revista Árvore

Print version ISSN 0100-6762On-line version ISSN 1806-9088

Rev. Árvore vol.28 no.6 Viçosa Nov./Dec. 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-67622004000600012 

Um modelo alternativo para a quantificação de multiprodutos em árvores individuais

 

Alternative model for the quantification of multiproducts in individual trees

 

 

Thelma Shirlen SoaresI; Helio Garcia LeiteII; Antônio Bartolomeu do ValeII

IPrograma de Pós-Graduação em Ciência Florestal da Universidade Federal de Viçosa. Viçosa/MG. E-mail:<thelsoares@vicosa.br>
IIDepartamento de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Viçosa. Viçosa/MG. E-mail:<hgleite@ufv.br>

 

 


RESUMO

Neste estudo foram conduzidos testes preliminares com o objetivo de avaliar um modelo de taper, proposto a partir da adaptação dos modelos desenvolvidos por Ormerod (1973) e Turnbull (1979), caracterizados pela sua simplicidade e facilidade de ajuste. Em comparação com modelos já consagrados, observou-se que o modelo alternativo apresentou consistência nos ajustes realizados. Portanto, pode-se concluir que o modelo apresentado é recomendável para a quantificação de multiprodutos de árvores individuais.

Palavras-chave: Taper, multiprodutos e eucalipto.


ABSTRACT

Preliminary tests were conducted with the objective of evaluating a taper model, proposed from the adaptation of the models developed by Ormerod (1973) and Turnbull (1979), characterized by the simplicity and adjustment easiness. After adjustments and comparisons with other consecrated models, it was observed that the alternative model presented consistency in the carried out adjustments. In conclusion, the presented model can be recommended for multiproduct quantification of individual trees.

Key words: Taper, multiproducts, and eucalyptus.


 

 

1. INTRODUÇÃO

A avaliação de multiprodutos da madeira de árvores exige uma descrição do perfil de seus fustes, ou seja, requer a determinação ou estimativa de diâmetros ao longo do fuste, através de equações de afilamento ou taper (HUSCH et al., 1982).

Equações de taper são necessárias para a quantificação de multiprodutos, uma vez que as alternativas de uso da madeira são formuladas em função do comprimento da tora, do diâmetro máximo e do diâmetro mínimo (LIMA, 1996).

O uso de equações de taper em inventário e planejamento florestal resulta em informações sobre o número de toras vinculadas às dimensões mínimas de cada produto a ser obtido do povoamento, permitindo um planejamento de produção e logística de transporte e comercialização de madeira (SOARES, 2002).

Diversos modelos de taper têm sido propostos e testados (KOZAK et al., 1969; DEMAERSCHALK, 1972; ORMEROD, 1973; GOULDING e MURRAY, 1976; GUIMARÃES e LEITE, 1992; GARCIA et al., 1993; LEITE e GARCIA, 2001; dentre outros), ressaltando-se que, para cada espécie, método de regeneração e idade, um desses modelos resulta em estimativas de taper mais precisas.

Neste estudo, é apresentado um modelo, modificado a partir dos modelos de Ormerod (1973) e Turnbull (1979), para estimar o perfil do fuste, contemplando as variações de forma.

 

2. MATERIAL E MÉTODOS

Os dados utilizados neste estudo foram provenientes de povoamentos de Eucalyptus grandis W. Hill ex Maiden pertencentes à empresa Celulose Nipo-Brasileira S.A. (CENIBRA), localizados no município de Sabinópolis, Estado de Minas Gerais, entre os paralelos 18º39' e 18º41' de latitude sul e os meridianos 43º04' e 43º06' de longitude oeste de Greenwich, com altitude variando entre 847 e 1.070 m.

Para ajuste dos modelos de taper foram cubadas 84 árvores na idade de 9 anos. A cubagem foi realizada pelo método de Smalian, medindo-se nas alturas 0,1; 0,5; 1,0; 2,0; 4,0; 6,0 m, e assim sucessivamente até cerca de 4 cm de diâmetro do fuste com casca. A distribuição de freqüência das árvores empregadas na cubagem é apresentada no Quadro 1.

2.1 Modelo de taper proposto

O modelo proposto e testado foi escrito com base nos modelos desenvolvidos por Ormerod em 1973 (modelo 1) e Turnbull*em 1979 (modelo 2). Ambos os modelos caracterizam-se pela simplicidade e facilidade de ajuste, sendo as relações funcionais definidas por:

em que:

di = diâmetro comercial, na altura hi, em cm;

dap = diâmetro medido a 1,30 m de altura do solo, em cm;

Ht = altura total, em m;

hi = altura onde ocorre o diâmetro comercial di, em m;

k = distância da extremidade até onde o diâmetro mínimo foi medido, ou seja, Ht-hi;

b0 e b1 = parâmetros a serem estimados; e

ei = erro aleatório, ei ~ NID (0, s2).

Com base nos modelos (1) e (2), propôs-se um novo modelo de taper com a inclusão de uma variável binária Tx, visando à estimação simultânea dos diâmetros ou volumes com e sem casca, de modo consistente. A relação funcional obtida foi:

ou, ainda,

em que:

E = esperança matemática.

Na relação funcional (3) está implícito que a porcentagem de casca diminui com o aumento do porte da árvore, sendo esse fato comum à maioria das espécies de eucalipto.

Isolando di ou hi, obtêm-se as expressões que permitem estimar os diâmetros e as alturas, em cada seção ao longo do tronco e em cada diâmetro considerado, respectivamente:

em que:

e = base dos logaritmos neperianos;

Tx = 0 para o diâmetro di com casca; e

Tx = 1 para o diâmetro di sem casca.

Sabe-se que o volume de uma seção, em m3, pode ser calculado por:

Fazendo

e substituindo na expressão(7) , tem-se:

em que:

h1 e h2 = limites de integração, correspondendo às alturas inferior e superior de qualquer seção, respectivamente, podendo assumir valores desde h1 = 0 até h2 = Ht.

Aplicando propriedades de integrais, tem-se:

Fazendo L = H - h \ h = H - L \ dh = - dL

Substituindo L na expressão (9), tem-se:

Resolvendo a integral da expressão (10):

Como L = H - h, substituindo os limites h1 e h2, obtém-se:

Assim, como, a expressão do volume de um fuste a partir do modelo (3) é:

2.2 Validação do modelo

A fim de avaliar o modelo proposto, ele foi ajustado e comparado com dois modelos tradicionais, Kozak et al. (1969) e Demaerschalk (1972), modificados por Leite e Garcia (2001), sendo:

Do modelo (14), segue-se que:

Do modelo (15) segue-se que:

Cada modelo, individualmente, foi avaliado por meio das estatísticas coeficiente de correlação múltipla , erro-padrão residual e análise gráfica dos resíduos.

Após a avaliação individual dos ajustes dos modelos, realizou-se um teste complementar de validação destes. A validação de modelos consistiu em uma análise comparativa entre os valores estimados e os observados, a fim de verificar a existência ou não de tendenciosidade pela aplicação da equação de regressão resultante. Para tal, optou-se pelo uso do teste de L&O, proposto por Leite e Oliveira (2002), cujo procedimento resulta da combinação do teste de F (FH0) Graybill, do teste t para erro médio (t) e da análise de correlação linear entre os valores observados (Yj) e os valores estimados (Y1). O teste compara o valor observado como variável dependente e o valor estimado como variável independente. Assim, para situações em que F(H0) e t e forem não-significativos (ns) e conclui-se que os valores estimados pela regressão não diferem dos observados.

Para complementar a avaliação, utilizaram-se as equações oriundas dos modelos ajustados para quantificar o número de toras. Consideraram-se, portanto, as seguintes especificações:

- Toras de 6 m de comprimento, com pelo menos 15 cm de diâmetro e sem casca na parte mais fina.

- Toras de 3 m de comprimento, com pelo menos 4 cm de diâmetro e com casca na parte mais fina.

Em seguida, aplicou-se o teste X2 (Qui-quadrado) para verificar se havia diferença estatística no número de toras obtido por equação.

2.3 Ajuste dos modelos

O modelo (14) foi ajustado pelo Método dos Mínimos Quadrados Ordinários (MMQO), já os modelos (3) e (15) o foram pelo procedimento iterativo de Quasi-Newton, disponíveis no software Statistica 6.0 (STATSOFT, 2001).

 

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1 Estatísticas das equações

As estimativas dos parâmetros e as principais estatísticas dos modelos (3), (14) e (15) são apresentadas no Quadro 2. Pode-se observar, na Figura 1, a superioridade do modelo (3) ao analisar e .

Nas Figuras 2 e 3, apresentam-se os relacionamentos entre os diâmetros e alturas observados, em relação aos respectivos diâmetros e alturas estimados pelas equações. As tendências de relacionamento linear, em ambas as figuras, indicam a consistência das estimativas, independentemente da dimensão do diâmetro ou da altura considerados.

3.2 Validação das equações ajustadas

Observando os resultados do teste de L&O (Quadro 3), verificou-se que as equações obtidas a partir dos modelos (3) e (15) apresentaram estimativas precisas na predição das variáveis. No entanto, o taper estimado pelo modelo (14) foi estatisticamente diferente do taper observado (Quadro 3).

Os perfis médios representados pelos três modelos ajustados são mostrados na Figura 4, em que se pode constatar que as estimativas não apresentam tendenciosidade.

De posse das estimativas dos parâmetros dos modelos (3) e (15), foram quantificados os volumes comerciais, empregando-se os modelos (6) e (19), para diâmetros (di) iguais a 4, 6, 8, 10 e 12 cm, com e sem casca.

As estimativas volumétricas obtidas foram comparadas por meio do procedimento L&O (Quadro 4), não sendo observado diferença significativa em nível de 5% de probabilidade. Cabe ressaltar a simplicidade e consistência de ambos os modelos nos ajustes realizados.

Na avaliação complementar realizada para quantificar o número de toras possíveis de serem obtidas das 84 árvores empregadas neste estudo, obtiveram-se 397 toras de 6 m e 44 de 3 m ao utilizar a equação obtida a partir do modelo (6) e 397 toras de 6 m e 41 de 3 m ao empregar a equação obtida pelo modelo (19).

O número de toras obtido foi comparado utilizando o teste X2, em nível de 5% de probabilidade, não sendo verificado diferença significativa (p<0,05).

 

4. CONCLUSÕES

Diante dos resultados, conclui-se que o modelo proposto permite obter estimativas precisas do taper de árvores de eucalipto.

Cabe ressaltar que um mesmo modelo de taper pode gerar estimativas precisas para um conjunto de dados e estimativas imprecisas para outros. Portanto, o modelo proposto neste estudo deve ser testado e comparado com outros, sempre que for conduzido um estudo de taper. Essa recomendação se justifica pelos resultados obtidos neste estudo e também pela simplicidade do referido modelo.

 

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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GUIMARÃES, D. P.; LEITE, H. G. Um novo modelo para descrever o perfil do tronco. Revista Árvore, v.16, n.2, p.170-180, 1992.        [ Links ]

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Recebido em 13.02.2003 e aceito para publicação em 10.08.2004

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