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Revista Árvore

Print version ISSN 0100-6762

Rev. Árvore vol.29 no.6 Viçosa Nov./Dec. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-67622005000600003 

Desempenho radicular de mudas de eucalipto produzidas em diferentes recipientes e substratos

 

Root performace of eucalyptus stecklings, produced in different containers and substrates

 

 

Teresa A. S. de FreitasI; Deborah G. BarrosoII; José G. de A. CarneiroII; Ricardo M. PenchelIII; Kelly R. LamônicaIV; Daniele de A. FerreiraIV

ILFIT/CCTA/UENF, Av. Alberto Lamego, 2000 - Horto, 28013-602 Campos-RJ. E-mail: <tfreitas@uenf.br>
IILFIT/CCTA/UENF. E-mail: <deborah@uenf.br>; <carneiro@uenf.br>
IIIARACRUZ Celulose. E-mail: <rp@aracruz.com.br>
IVBolsista IC, LFIT/CCTA/UENF. E-mail: <krlamonica@bol.com.br>; <danielealvarenga@mailbr.com.br>

 

 


RESUMO

O trabalho teve como objetivo verificar o desempenho, em sacolas, de clones de eucalipto, produzidos em diferentes recipientes e substratos, com ênfase na persistência das deformações radiculares originadas no viveiro e na produção de raízes. As mudas foram produzidas em tubetes (50 cm3) e em blocos prensados (40 x 60 x 7 cm - 16.800 cm3), sendo utilizados como substratos: casca de arroz carbonizada com casca de eucalipto, bagaço de cana com torta de filtro; e turfa. As mudas, com 90 dias, foram transplantadas para sacos plásticos (20 L), com solo da área de plantio. O experimento foi conduzido em delineamento inteiramente casualizado, em esquema fatorial 2 x 7, constituído por dois clones (híbridos naturais de Eucalyptus grandis Hill ex Maiden e E. saligna Smith) e sete tratamentos, com variação de recipientes e substrato, com quatro repetições, constituídas por quatro plantas. Dois meses após o transplantio, as plantas foram avaliadas quanto ao crescimento em diâmetro ao nível do solo, altura da parte aérea, número de raízes emitidas, comprimento, área superficial e deformação do sistema radicular. As plantas originadas de mudas produzidas em blocos prensados apresentaram melhor desempenho nas avaliações realizadas em relação às dos tubetes. As deformações radiculares causadas por recipientes de paredes rígidas tendem a persistir após a fase de viveiro.

Palavras-chave: Raiz, deformação e Eucalyptus.


ABSTRACT

The objective of this work was to evaluate the performance after the planting of eucalyptus stecklings, produced in different containers and substrates, with emphasis in root production and deformations. The stecklings were produced in tubes (50 cm3) and in pressed blocks (40 x 60 x 7cm -16800 cm3), and used as substrates: carbonized rice husk and eucalyptus husk; sugarcane bagasse and sugarcane filter cake; and peat. At ninety days the stecklings were transplanted to plastic bags (20 L), with soil from the planting area. This experiment was set in a completely randomized design, arranged in a 2 x 7factorial, constituted by two clones (natural hybrid of Eucalyptus grandis Hill ex Maiden and E. saligna Smith) and seven treatments, with variation of containers and substrates, with four replicates, constituted by four plants. At two months, the cuttings were evaluated considering their root collar diameter, height, number, length and superficial area of emitted roots, and system root deformations. The plants originated of stecklings produced in pressed blocks presented better performance than the tubes ones. The root deformations caused by containers persist after the nursery stage.

Keywords: Root, deformation and Eucalyptus.


 

 

1. INTRODUÇÃO

A utilização de recipientes na produção de mudas, quando comparada com o sistema de raiz nua, apresenta inúmeras vantagens de naturezas biológica, técnica, econômica e física (ABBOTT, 1982; HARRIS, 1982; GULDIN, 1982a,b; SILANDER, 1984; CARNEIRO e PARVIAINEN, 1988), como: proteção do sistema radicular, controle nutricional e fácil manuseio no viveiro e no plantio.

Recipientes cujas paredes não são perfuráveis poderão, entretanto, formar mudas com deformações radiculares que, segundo Schmidt-Vogt (1984), são mantidas após a fase de viveiro, destacando-se a importância de priorizar metodologias de produção de mudas que não provoquem deformações em suas raízes. Também Carneiro (1987), Parviainen e Tervo (1989), Mattei (1993), Novaes (1998) e Barroso et al. (2000c) observaram a persistência das deformações radiculares em mudas de diferentes espécies florestais após o plantio, por exemplo Pinus e Eucalyptus sp.

A restrição do sistema radicular limita o crescimento e o desenvolvimento de várias espécies, em virtude da redução da área foliar, altura e produção de biomassa (REIS et al., 1989; TOWNEND e DICKINSON, 1995; CAMPOSTRINI, 1997).

A inibição do crescimento da parte aérea de mudas sob restrição radicular é, provavelmente, um processo regulado por sinais hormonais enviados pelas raízes, nos quais os fatores nutricionais ou relações hídricas das plantas podem ou não desempenhar papel secundário (REIS et al., 1989; MARSCHNER, 1995).

A persistência das deformações radiculares após o plantio e o plantio de mudas menores em função da restrição no viveiro podem reduzir, ou atrasar, o crescimento das plantas no campo, o que acarreta maiores custos com o controle de plantas daninhas e o retardamento da produção esperada.

Mudas robustas e que apresentam maior porcentual de emissão de raízes são mais aptas a condições de estresse ambiental, garantindo maiores taxas de sobrevivência no campo.

Nos últimos anos, alguns pesquisadores, testando a viabilidade técnica da produção de mudas de espécies florestais no sistema finlandês de blocos prensados, obtiveram maiores valores em características indicadoras de qualidade, na fase de viveiro e no comportamento pós-plantio (CARNEIRO e PARVIAINEN, 1988; CARNEIRO e BRITO, 1992; LELES et al., 2000; NOVAES, 1998; BARROSO, 1999, MORGADO et al., 2000; SCHIAVO e MARTINS, 2002). Esse sistema também foi testado para produção de mudas de espécies frutíferas (SCHIAVO e MARTINS, 2003; SERRANO, 2003) e de café (SILVA, 2003). Permite também o livre crescimento do sistema radicular, sem que ocorram deformações e, além dessa vantagem em relação aos recipientes de paredes rígidas, permite também a mecanização do processo, maximizando a produção.

Na individualização das mudas produzidas em blocos prensados ocorre uma ou mais podas do sistema radicular, o que favorece a ramificação mais intensa das raízes e, conseqüentemente, maior enraizamento após o plantio. Essa característica é fundamental para o bom desempenho das mudas após o plantio em condições adversas.

Considerando a produção crescente de mudas de eucalipto via miniestaquia nas empresas florestais, sua importância na formação de povoamentos homogêneos e o potencial apresentado pelo sistema de blocos prensados para a produção em larga escala, este trabalho teve como objetivo verificar o desempenho pós-plantio de mudas de clones de Eucalyptus grandis Hill ex Maiden e E. saligna Smith, produzidas em diferentes recipientes e substratos, com ênfase na persistência das deformações radiculares originadas no viveiro e na produção de novas raízes.

 

2. MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido na empresa Aracruz Celulose S.A., no município de Aracruz, região litorânea do Estado do Espírito Santo e localizada a 19º48' S e 40º 17' W, em área de produção de mudas da empresa. A precipitação no período de condução do experimento foi de 81,5 mm, na temperatura média do ar de 24,6 ºC, sendo a mínima de 21,1 ºC e a máxima de 29,7 ºC e a umidade relativa média do ar de 73,9%, em condições naturais.

Para a produção de mudas foram utilizados os recipientes tubetes e blocos prensados, sendo utilizados os seguintes substratos: 1) composto de bagaço de cana-de-açúcar e torta de filtro de usina açucareira - BT (com relação em volume de 3:2); 2) composto de casca de eucalipto decomposta e casca de arroz carbonizada - AR (com relação em volume de 7:3), substrato utilizado pela Aracruz Celulose S.A.; 3) turfa: substrato prensado, adquirido na Finlândia há aproximadamente 15 anos, compondo os seguintes tratamentos: T1 - tubete com o substrato AR e adubação; T2 - tubete com substrato BT e adubação; T3 - tubete com substrato BT; T4 - bloco com o substrato AR e adubação; T5 - bloco com substrato BT e adubação; T6 - bloco com substrato BT; e T7 - bloco prensado com turfa (finlandês).

A adubação utilizada, na produção de mudas, foi o produto comercial denominado Osmocote, com a formulação NPK 19-6-10, na dose de 1,5 kg m-3 de substrato, conforme empregado pela empresa.

As características dos substratos são apresentadas nas Tabelas 1 e 2.

 

 

 

 

Aos 90 dias, quatro mudas de cada parcela foram transplantadas para sacolas plásticas de 20 L, com 40 cm de altura, tendo como substrato solo obtido na área de plantio (Argissolo Amarelo distrófico) e sendo adubado conforme a adubação utilizada pela empresa (120 g por cova do formulado N-P2O5-K2O 06-30-06 + 1% de Zn).

Utilizou-se o delineamento inteiramente casualizado, em esquema fatorial 2 x 7, constituído por dois clones (miniestacas obtidas de híbridos naturais de Eucalyptus grandis Hill ex Maiden e E. saligna Smith) e os sete tratamentos descritos, cada tratamento com quatro repetições.

No Quadro 3 estão mostrados os valores médios de altura e diâmetro das mudas, quando transplantadas para as sacolas.

 

 

Após dois meses, as plantas foram medidas, quanto ao diâmetro do colo, por meio de um paquímetro digital e, quanto à altura, com régua milimetrada. Nessa ocasião, em duas sacolas de cada parcela foram retiradas amostras de volume conhecido (450 cm3), com a utilização de um trado retangular, a 20 cm de profundidade. As amostras foram lavadas em água corrente, sobre peneira, para separação das raízes. Estas raízes foram digitalizadas para avaliação do comprimento por meio do programa "QuantRoot", desenvolvido por professores do Departamento de Solos da Universidade Federal Viçosa1, que realiza medição de raízes nas imagens digitalizadas em escala real, em que o programa cria linhas de igual comprimento ao das raízes.

As mudas das outras duas sacolas de cada parcela tiveram suas raízes lavadas e avaliadas quanto ao número de raízes emitidas na base da estaca e ao número de deformações observadas nas raízes. Esses dados foram obtidos através da contagem, e a partir desses valores foram determinadas as porcentagens de deformação do sistema radicular.

Os dados foram submetidos à análise de variância e as médias, comparadas pelo teste de Tukey a 5% de significância.

 

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Nos Quadros 4 e 5 são apresentados os contrastes entre os tratamentos.

 

 

 

 

Os clones, quando produzidos em blocos prensados, apresentaram maior altura e diâmetro do colo aos dois meses após o plantio (Quadro 4). O número de raízes emitidas a partir da estaca, bem como o comprimento e a área superficial dessas raízes, também foi maior no sistema de blocos prensados (Quadro 5). Nota-se também, no Quadro 4, que nos dois clones houve elevado porcentual de deformação nas raízes laterais quando estes foram produzidos em sistemas de tubetes, o que pode evidenciar o efeito da restrição radicular no viveiro sobre o crescimento inicial das mudas após o plantio nas sacolas de 20 litros. Resultados semelhantes foram observados nos trabalhos de Novaes (1998), em mudas de Pinus taeda, e Morgado et al. (2000), Barroso et al. (2000c) e Leles et al. (2001), em mudas de Eucalyptus ssp. Também Carneiro (1987), Parviainen e Tervo (1989) e Mattei (1993), estudando espécies do gênero Pinus, observaram a persistência das deformações radiculares após o plantio no campo, como resultado da restrição imposta no viveiro. Barroso et al. (2000c) observaram, em povoamentos de Eucalyptus camaldulensis Dehn e E. urophylla ST Blake, que as deformações radiculares podem ser responsáveis pelo menor crescimento inicial do povoamento implantado.

Dentro do sistema de blocos, a utilização da turfa finlandesa não alterou o comportamento das mudas em altura, diâmetro, porcentagem de deformações radiculares e número de raízes laterais emitidas a partir das estacas após o transplantio, exceto em E. saligna Smith (Quadro 4), cujas mudas produzidas nesse substrato apresentaram pequena redução do crescimento em altura.

Observou-se ainda que o E. saligna Smith produzido em turfa apresentou menor comprimento e área superficial de raízes. Já o E. grandis Hill ex Maiden não exibiu diferenças quanto ao número e comprimento de raízes entre os substratos no sistema de blocos, entretanto mostrou maior área superficial de raízes laterais com a utilização da turfa.

A quantidade de raízes finas no sistema radicular é um dos fatores que podem interferir no desempenho inicial das mudas no campo, uma vez que mudas que apresentam grande produção dessas raízes são mais aptas a condições de estresse ambiental, garantindo maiores taxas de sobrevivência e crescimento inicial após o plantio. De acordo com Laclau et al. (2001), a alta densidade de raízes finas aumenta o contato da água com a serapilheira, aumentando também a habilidade do povoamento em absorver água e nutrientes sobre a superfície, por ocasião de chuvas curtas durante a estação seca. Entretanto, as diferenças observadas nas raízes de E. grandis Hill ex Maiden entre os substratos no sistema de blocos não afetaram o crescimento em altura e diâmetro nos primeiros dois meses após o transplantio para sacolas. Comportamento diferente foi observado em E. saligna Smith, em que a maior área superficial das raízes, representada pelo maior comprimento nos substratos AR (casca de arroz carbonizada + casca de eucaliptos e adubação) e BT (bagaço de cana e torta-de-filtro), resultou em plantas com maior crescimento inicial em altura, com relação à produção em turfa no sistema de blocos.

No Quadro 4, observa-se que houve efeito no desempenho da parte aérea das mudas das duas espécies florestais, em razão do substrato no sistema de blocos prensados, ao se compararem mudas produzidas em BT e AR, sendo as maiores médias obtidas em mudas produzidas em BT. Com relação ao E. saligna Smith nesse sistema, a espécie não teve o crescimento radicular afetado por essa variação dos substratos, entretanto o E. grandis Hill ex Maiden apresentou maior comprimento e área superficial de raízes em mudas produzidas em BT.

Apenas as mudas de E. saligna Smith apresentaram maior parte aérea após o transplantio, como resultado da produção em substrato BT adubado, com maior crescimento em altura e diâmetro, quando produzidos em sistemas de blocos prensados. Nesse sistema, a adubação no substrato BT não alterou as características avaliadas no E. grandis Hill ex Maiden, exceto no número de raízes, que foi maior nas plantas provenientes de mudas produzidas na ausência de adubação.

No sistema tradicional de produção de mudas em tubetes, as espécies não apresentaram diferenças na parte aérea, número e deformações radiculares em função dos substratos, aos dois meses após o transplantio. Entretanto, plantas de E. saligna Smith provenientes de mudas produzidas em substrato AR exibiram maior comprimento e área superficial de raízes, com relação às produzidas em BT. Já o E. grandis Hill ex Maiden teve menor área superficial de raízes em plantas provenientes de mudas produzidas em AR.

A presença de raízes finas é muito importante para o desempenho inicial dessas mudas no campo, pelo papel que desempenham na absorção de água e nutrientes. Laclau et al. (2001) observaram alta capacidade de absorção de cálcio pelas raízes, tanto do solo quanto da serapilheira, necessária para a sustentabilidade das árvores adultas, quando pesquisaram povoamentos de Eucalyptus spp. com alta densidade de raízes finas.

A diferença na produção de raízes finas entre espécies foi observada no trabalho de Harmand et al. (2004), com Acacia polyacantha, Senna siamea e Eucalyptus camaldulensis, em que a espécie Senna siamea apresentou maior produção de raízes finas, seguida pela Acacia polyacantha, sendo a menor produção observada no Eucalyptus camaldulensis Dehn.

Embora não tenham sido verificado diferenças na altura e diâmetro das mudas entre os substratos no sistema de tubetes (Quadro 4), as mudas dos dois clones produzidas nesse recipiente, tendo como substrato o composto de bagaço de cana-de-açúcar + torta de filtro (BT), apresentaram os menores valores em diâmetro e altura em relação ao mesmo substrato com acréscimo da adubação, com diferença significativa apenas no E. grandis Hill ex Maiden.

A adubação do substrato BT para a produção de mudas no sistema de tubetes resultou em maior crescimento em altura e diâmetro do E. grandis Hill ex Maiden após o transplantio.

Morgado et al. (2000), trabalhando com mudas de E. grandis Hill ex Maiden; Leles et al. (2000), com E. camaldulensis Dehn, E. grandis Hill ex Maiden e E. pellita F. Muell; e Barroso et al. (2000a), com E. camaldulensis Dehn e E. urophylla ST Blake, constataram que o substrato BT não foi adequado para a produção de mudas no sistema de tubetes.

No sistema de blocos prensados, no entanto, o menor crescimento em altura e diâmetro após o transplantio das duas espécies foi observado com a utilização do substrato AR. Em mudas de E. saligna Smith, maior crescimento em altura e em diâmetro foi verificado quando os blocos foram confeccionados com BT e adubados, diferentemente do E. grandis Hill ex Maiden, cujo crescimento nesse substrato não foi influenciado pela adubação. Pode-se observar, no Quadro 2, que esse substrato possui elevados níveis de macronutrientes.

De modo geral, o maior crescimento em altura de mudas, nas duas espécies, ocorreu no sistema de blocos prensados, evidenciando-se o efeito da restrição no sistema radicular na fase de viveiro sobre o crescimento inicial em altura das mudas após o transplantio para as sacolas de 20 litros. O mesmo comportamento foi constatado por Novaes (1998), com Pinus taeda; Leles et al. (2000), com Eucalyptus spp; e Barroso et al. (2000c), com E. camaldulensis Dehn e E. urophylla ST Blake.

Os valores obtidos indicaram também que o crescimento em diâmetro das mudas foi influenciado pelos recipientes, sendo o E. grandis Hill ex Maiden mais sensível à restrição radicular do que o E. saligna Smith, apresentando diferenças acentuadas e significativas. O mesmo comportamento foi observado por Leles et al. (2001), em que o E. grandis Hill ex Maiden apresentou maior sensibilidade à restrição radicular quando comparado com o E. camaldulensis Dehn. Também Reis et al. (1989), Leles et al. (2000) e Moroni et al. (2003), trabalhando com diferentes espécies de eucalipto, observaram que algumas espécies são mais sensíveis que outras à restrição do sistema radicular, e essa restrição condicionada por recipientes inadequados afeta a parte aérea das mudas.

Freitas (2003) observou o mesmo comportamento em altura e diâmetro do colo em mudas de eucaliptos no momento da expedição, sendo tais valores superiores nas mudas dos clones produzidas em sistema de blocos prensados, em comparação com as mudas produzidas em tubetes.

Pode-se constatar que as mudas que apresentaram maior crescimento em altura, diâmetro do colo, enraizamento e emissão de raízes a partir de estaca foram aquelas que apresentaram, também, maiores dimensões na época do transplantio para as sacolas (Quadro 1). Morgado (1998), Leles (1998) e Barroso et al. (2000 a b c) verificaram que mudas de Eucalyptus spp. produzidas em blocos prensados exibiram maior altura e diâmetro no viveiro, maior potencial de regeneração de raízes e melhor desempenho inicial após o plantio, em comparação com as mudas de tubete.

 

4. CONCLUSÕES

As plantas originadas de mudas produzidas em blocos prensados apresentaram maior crescimento em diâmetro e altura, maior número de raízes emitidas e menor número de deformações do sistema radicular em relação às dos tubetes.

As deformações radiculares causadas pela parede rígida dos tubetes, em mudas de Eucalyptus saligna Smith e E. grandis Hill ex Maiden, tenderam a persistir após a fase de viveiro.

O substrato composto por bagaço de cana e torta de filtro mostrou-se adequado para o sistema de blocos.

As espécies se comportaram de maneira diferente com a adubação do substrato composto por bagaço de cana e torta-de-filtro nos dois sistemas de produção, sendo benéfico no sistema de tubetes para o E. grandis Hill ex Maiden e no sistema de blocos para o E. saligna Smith.

 

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Recebido em 16.09.2004 e aceito para publicação em 10.08.2005.

 

 

1 Fornecido pelo professor Elpidio Inácio Fernandes Filho