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Revista Árvore

Print version ISSN 0100-6762On-line version ISSN 1806-9088

Rev. Árvore vol.30 no.5 Viçosa Sept./Oct. 2006

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-67622006000500014 

Variação da retrabilidade da madeira de Eucalyptus grandis Hill ex. Maiden, em função da idade e da posição radial no tronco

 

Influence of age and radial position on the volumetric and linear shrinkage of Eucalyptus grandis Hill ex. Maiden wood

 

 

José de Castro SilvaI; José Tarcísio Silva OliveiraII; Bruno Almeida XavierIII; Vinícius Resende CastroIII

IDepartamento Engenharia Florestal, UFV, 36570-0000 Viçosa-MG. E-mail: <jcastro@ufv.br>
IIDepartamento de Engenharia Rural da Universidade Federal do Espírito Santo, NEDTEC, Alegre-ES
IIIEngenharia Florestal da UFV, 36570-0000 Viçosa-MG

 

 


RESUMO

Este trabalho estudou a variação das retratibilidades volumétrica e linear da madeira de Eucalyptus grandis proveniente de talhões comerciais de quatro diferentes idades (10, 14, 20 e 25 anos) e posição radial. As amostras foram retiradas da tábua diametral, de cada uma das 16 árvores (quatro para cada idade), tomadas de quatro posições eqüidistantes (0, 33, 66 e 100%), no sentido medula-casca. Verificou-se, em todos os testes, o efeito da idade e da variação radial, observando uma correlação positiva dos efeitos em todos os parâmetros estudados. A espécie, como um todo, apresentou elevada instabilidade dimensional, com valores médios de retratibilidade volumétrica de 18,11% e retratibilidade radial, tangencial e longitudinal de 6,09%, 10,14% e 0,45%, respectivamente, além do fator anisotrópico de 1,71. À exceção da retratibilidade longitudinal e do fator anisotrópico, todos os demais parâmetros apresentaram tendência de crescimento com a idade e com a direção radial, no sentido medula-casca.

Palavras-chave: Eucalyptus grandis, retratibilidade, idade e variação radial.


ABSTRACT

The objective of this work was to study the linear and volumetric shrinkage variation of the Eucalyptus grandis wood, along the radial plane at four different ages (10, 14, 20 and 25 years), from commercial stands. The samples were removed from the diametrical board of each of the sixteen trees (four from each age), taken from four equidistant positions (0, 33, 66 and 100%), in the pith -bark direction. The species, as a whole, showed a high dimensional stability, with mean values of volumetric shrinkage of 18.11% and radial, tangential and longitudinal shrinkage of 6.09%, 10.44% and 0.45%, respectively; and tangential/radial ratio of 1.71. Except for the longitudinal shrinkage and the tangential/radial ratio, all of the parameters showed a tendency to increase with age and radial direction, from pith-to-bark.

Keywords: Eucalyptus grandis, shrinkage, age and pith-to-bark direction.


 

 

1. INTRODUÇÃO

A madeira é um material orgânico, de estrutura complexa e heterogênea, que aumenta e diminui as suas dimensões de acordo com a umidade do ambiente.

Durlo e Marchiori (1992) asseguraram que as variações dimensionais e a anisotropia são características indesejáveis da madeira, limitando o seu uso para diversas finalidades e exigindo, por isso, técnicas específicas de processamento e utilização. Panshin e De Zeeuw (1980) e Moreira (1999) afirmaram que a maior alteração dimensional da madeira se manifesta no sentido tangencial aos anéis de crescimento, seguida pela dimensão radial e, praticamente, desprezível no sentido longitudinal. Segundo Panshin e De Zeuw (1980), as contrações longitudinais e transversais variam, basicamente, de acordo com a interação da quantidade de substância da madeira, com a média do ângulo microfibrilar nas paredes das células, em relação ao eixo longitudinal da célula, e com a extensão da lignificação da parede da célula.

Segundo Durlo e Marchiori (1992), o mais importante índice para se avaliar a estabilidade dimensional da madeira é o coeficiente ou fator anisotrópico, definido pela relação entre as contrações tangencial e radial (T/R). Segundo Tsoumis (1991), Vital e Trugilho (1997) e Rocha (2000), a magnitude da variação dimensional é normalmente maior na madeira de maior massa específica devido à maior quantidade de madeira por unidade de volume; além disso, madeiras de maior massa específica para um mesmo teor de umidade contêm mais água na parede celular. Moreira (1999), em estudo com madeiras de várias espécies, verificou que a contração radial e volumétrica aumentou no sentido medula-casca, como um reflexo do incremento a massa específica.

Este trabalho teve como objetivo avaliar a retratibilidade volumétrica e linear da madeira de Eucalyptus grandis, de quatro diferentes idades (10, 14, 20 e 25 anos) e quatro diferentes posições radiais (0, 33, 66 e 100%), no sentido medula-casca.

 

2. MATERIAL E MÉTODOS

O material utilizado neste estudo foi obtido de plantios comerciais de Eucalyptus grandis Hill ex. Maiden, com idades de 10, 14, 20 e 25, procedentes da Fazenda Monte Alegre, da Klabin Fabricadora de Papel e Celulose S. A., localizada no Município de Telêmaco Borba, no Estado do Paraná. Utilizaram-se quatro árvores de cada idade, totalizando 16 exemplares. Aproveitaram-se as duas primeiras toras de cada árvore, e, de cada tora, tomaram-se amostras de quatro posições eqüidistantes da tábua diametral (0, 33, 66 e 100%), no sentido medula-casca, com seis repetições por posição, num total de 768 amostras. O esquema de retirada das amostras está ilustrado na Figura 1.

 

 

Os procedimentos seguiram as determinações da NBR 7190/97. As amostras, de formato retangular, apresentaram dimensões de 2,0 x 2,0 x 3,0, sendo a última medida no sentido longitudinal. As medidas das amostras foram tomadas na condição verde e a 12% de umidade. As dimensões lineares foram colhidas com palmer e paquímetro digital, com precisão de 0,001 mm, nos dois equipamentos. O delineamento experimental foi o inteiramente casualizado, procedendo-se à análise estatística, através da análise de variância e do teste de médias (Tukey), considerando os efeitos da variação da idade e da posição radial no sentido medula-casca, bem como a interação entre os efeitos idade x posição.

 

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1. Contração volumétrica total

Pela análise de variância, verificou-se que os efeitos da variação radial no sentido medula-casca foram muito mais pronunciados que o efeito na idade da contração volumétrica total; a interação desses efeitos teve muito pouca influência na definição dos valores, conforme os dados apresentados no Quadro 1.

 

 

Estatisticamente, observaram-se diferenças entre todas as posições; tais diferenças, também foram observadas entre as idades de 10, 14 e 25 anos, mas não foram encontradas entre as idades de 14 e 25 anos. Verificou-se uma tendência de crescimento dos valores em função da idade e da posição radial, no sentido medula-casca, mostrado no Quadro 2.

 

 

3.2. Contração radial total

Pela análise de variância, verificou-se que os efeitos da variação radial, no sentido medula-casca, foram muito mais pronunciados que a idade na contração radial total; a interação desses efeitos teve muito pouca influência na definição dos valores, conforme o Quadro 3.

 

 

Observou-se uma tendência de crescimento dos valores em função da idade e da posição radial, no sentido medula-casca. O valor médio da contração radial total foi de 6,09%, sendo os limites superior e inferior, respectivamente, de 8,18% (idade de 20 anos na posição mais próxima da casca) e 3,72% (idade de 10 anos mais próxima da medula), com uma variação de 120,0%. Verificou-se que a maior contração radial ocorreu nas madeiras de maior idade e na região mais próxima da casca. Estatisticamente, observaram-se diferenças entre todas as posições; tais diferenças também foram observadas entre as idades de 10, 14 e 25 anos, mas não foram encontradas entre as idades de 14 e 25 anos. Os valores porcentuais da contração radial total estão apresentados no Quadro 4.

 

 

3.3. Contração tangencial total

Pela análise de variância, verificou-se que os efeitos da posição radial no sentido medula-casca foram muito mais pronunciados que a idade; a interação desses efeitos teve muito pouca influência na definição dos valores da contração tangencial total, conforme o Quadro 5.

 

 

Observou-se uma tendência de crescimento dos valores em função da idade e da posição radial, no sentido medula-casca. O valor médio da contração tangencial total foi de 10,14%, sendo os limites superior e inferior, respectivamente, de 13,97% (idade de 20 anos na posição mais próxima da casca) e 6,53% (idade de 10 anos na posição mais próxima da medula), com uma variação de 114,0%. A contração tangencial é menor nas idades mais jovens e nas regiões mais próximas da medula. Estatisticamente, observaram-se diferenças significativas entre todas as posições, no sentido medula-casca; tais diferenças também foram observadas entre as idades de 10, 14 e 25 anos, não sendo essas diferenças detectadas entre as idades de 14 e 20 anos. Estatisticamente, observaram-se as diferenças entre todas as posições; tais diferenças também forma observadas entre as idades de 10, 14 e 25 anos, mas não foram encontrados entre as idades de 14 e 25 anos. Os valores médios de contração tangencial total estão apresentados no Quadro 6.

 

 

3.4. Contração longitudinal total

Pela análise de variância, verificou-se pequena influência da idade, não sendo detectada qualquer influência da posição radial no sentido medula-casca, nem das interações desses efeitos, nos valores da contração longitudinal, conforme Quadro 7.

 

 

Observou-se tendência de redução nos valores de contração longitudinal, em função da posição radial, no sentido casca-medula, mas situação inversa foi verificada na idade, à exceção da madeira de 20 anos, que não acompanhou tal tendência. O valor médio da contração longitudinal total foi de 0,45%, sendo os limites superior e inferior, respectivamente, de 0,98% (idade de 25 anos na região correspondente a 100% no sentido medula-casca) e 0,11% (idade de 20, na região correspondente a 66% no sentido medula-casca). Os valores encontrados no presente trabalho para contração longitudinal total estão em conformidade com os normalmente encontrados na literatura. Estatisticamente, não se observaram diferenças significativas entre as idades de 10, 14 e 20, embora tais diferenças fossem observadas entre as idades de 14 e 25 anos; entre todas as posições, no sentido medula-casca, não se observaram diferenças. Os valores médios estão apresentados no Quadro 8.

 

 

3.5. Fator anisotrópico

O fator anisotrópico é o resultado da relação direta entre as contrações tangencial e radial. O valor médio foi de 1,71, sendo os limites individuais superior e inferior, respectivamente, de 2,00 (idade de 20 anos na região próxima à medula) e 1,43 (idade de 14 anos, na região correspondente a 33% da medula). Verificou-se que o fator anisotrópico apresentou uma tendência crescente no sentido medula-casca e foi sempre maior na idade de 20 anos, em relação às demais idades. Estatisticamente, não se observaram diferenças significativas quanto às variações de idade e posição radial no sentido medula-casca. A variação dos valores do fator anisotrópico apresentou tendência bem definida de crescimento, em função da idade e da variação radial, no sentido medula-casca. A variação do fator anisotrópico no sentido medula-casca somente foi mais pronunciada na região mais externa. Quando se analisa a interação idade x posição, verifica-se que a madeira de 20 anos, localizada na parte mais externa, apresentou o maior valor de fator anisotrópico, correspondendo aos maiores valores encontrados nas contrações radial e tangencial, encontrados nos Quadros 3 e 5, respectivamente, do presente trabalho.

Pela análise de variância, verificou-se que o valor anisotrópico não sofreu qualquer influência da idade e da posição, embora se observasse uma influência discreta da interação idade x posição nos resultados do fator anisotrópico, conforme mostrado no Quadro 9.

 

 

Os valores de fator anisotrópico estão apresentados no Quadro 10.

 

 

4. CONCLUSÕES

Baseado nos resultados, pode-se concluir que:

a) A idade e, principalmente, o efeito da variação radial, no sentido medula-casca, influenciaram as retratibilidades volumétrica e linear das madeiras em questão.

b) Observou-se aumento da retratibilidade em função da idade e da posição radial, no sentido medula-casca, à exceção da retratibilidade longitudinal e do fator anisotrópico, que não apresentaram tendência definida.

c) Os valores de fator anisotrópico acompanharam o modelo de variação verificado na retratibilidades tangencial e radial, crescendo positivamente com a idade e com o sentido radial;

d) Os valores médios encontrados de retratibilidade volumétrica de 18,11%, retratibilidade linear radial de 6,09%, tangencial de 10,14%, longitudinal de 0,45% e fator de anisotrópico de 1,71 são reconhecidamente altos, indicando instabilidade dimensional da espécie.

 

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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KOLLMANN, F. F. P.; COTÊ, W. A. Principles of wood science and technology. Berlin: Springer-Verlag, 1968. v. 1. 592 p.         [ Links ]

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SILVA, J. C. Caracterização da Madeira de Eucalyptus grandis Hill ex Maiden, de diferentes idades, visando a sua utilização na indústria moveleira. 2002. 160 f. Tese (Doutorado em Ciências Florestais) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2002.         [ Links ]

TSOUMIS, G. Science and technology of wood: structure, properties and utilization. New York: Van Nastrnd Reinold, 1991. 494 p.         [ Links ]

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Recebido em 05.10.2004 e aceito para publicação em 05.04.2006.

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