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Revista Árvore

Print version ISSN 0100-6762

Rev. Árvore vol.32 no.2 Viçosa Mar./Apr. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-67622008000200002 

Épocas de colheita e tratamento pré-germinativos para superação da dormência de sementes Mimosa caesalpiniifolia Benth.

 

Harvest time and pre-germinating treatments to overcome dormancy on germination and vigor of Mimosa caesalpiniifolia Benth. Seeds

 

 

Josivan Viana LealI; Edna Ursulino AlvesII; Riselane de Lucena Alcântara BrunoII; Walter Esfrain PereiraII; Anarlete Ursulino AlvesIII; Evio Alves GalindoI; Adriana Ursulino AlvesIII

IGraduação em Agronomia. CCA-UFPB, Areia-PB, Areia-PB. E-mail : <josivan@onwave.com.br> e <eviogalindoea@hotmail.com>
IIDepartamento de Fitotecnia. CCA-UFPB, Areia-PB. Cx. Postal 2, 58397-000 Areia-PB. E-mail : <ednaursulino@cca.ufpb.br>, <lane@cca.ufpb.br> e <wep@pq.cnpq.br>
IIIPrograma de Pós-Graduação em Agronomia da UNESP-Jaboticabal-SP. E-mail : <urlino@hotmail.com> e <adusp@hotmail.com>

 

 


RESUMO

Este trabalho teve por objetivo avaliar a influência da época de colheita e de tratamentos pré-germinativos na germinação e vigor de sementes de Mimosa caesalpiniifolia Benth. (sabiá). Para tanto, realizou-se um experimento no Laboratório de Análise de Sementes do CCA-UFPB, em Areia, PB, em delineamento inteiramente ao acaso, com os tratamentos distribuídos em esquema fatorial 2 x 2 x 14, com os fatores ano de colheita (2002 e 2003), sementes dentro ou fora do craspédio e tratamentos pré-germinativos, com quatro repetições de 50 sementes. Os tratamentos pré-germinativos consistiram na imersão em água, à temperatura ambiente, por 12, 24, 36, 48 e 60 h; imersão em água quente, à temperatura de 70, 80, 90 e 100 ºC, por 1 min; imersão em água quente, à temperatura de 70, 80, 90 e 100 ºC, até o resfriamento total; e testemunha (sementes intactas). As características analisadas foram: porcentagem, primeira contagem e índice de velocidade de emergência das plântulas. Os tratamentos de imersão em água quente (80 ºC) até o resfriamento total, nas sementes de 2002, seguido do mesmo tratamento a 90 ºC, em sementes que foram semeadas fora do craspédio, mostraram-se mais adequados para condução dos testes de germinação e vigor em sementes de M. caesalpiniifolia. As sementes semeadas fora do craspédio foram as mais apropriadas para avaliação da qualidade fisiológica, apresentando também maior homogeneidade do processo germinativo, independentemente do ano avaliado.

Palavras-chave: Mimosa caesalpiniifolia, sabiá e craspédio.


ABSTRACT

The purpose of this research was to evaluate the influence of harvest time and pre-germinating treatments on germination and vigor of seeds of Mimosa caesalpiniifolia Benth. Thus, an experiment was carried out in the Laboratory of Seed Analysis of CCA-UFPB, in Areia-PB, using a completely randomized design in a 2 x 2 x 14factorial scheme, with the factors being year of harvest (2002 and 2003), seeds inside or outside the craspedium and pre-germinating treatments, with four repetitions of 50 seeds per treatment. The treatments consisted of immersion in water at ambient temperature for 12, 24, 36, 48 and 60 hours; immersion in hot water at 70, 80, 90 and 100ºC during one minute; immersion in hot water at 70, 80, 90 and 100ºC until total cooling and check (intact seeds). The analyzed characteristics were: percentage, first counting and seedling emergence speed index. Immersion in hot water (80ºC) up to total cooling, using the 2002 seeds followed by the same treatment at 90ºC, with seeds sown outside the craspedium were more adequate for the germination and vigor tests in M. caesalpiniifolia. The seeds sown outside the craspedium were more appropriate for evaluation of seed physiological quality, regardless of the evaluated year.

Keywords: Mimosa caesalpiniifolia, craspedium and germination.


 

 

1. INTRODUÇÃO

Mimosa caesalpiniifolia Benth. é uma árvore de pequeno porte pertencente à família Mimosaceae, nativa da Região Nordeste do Brasil, que vem sendo progressivamente cultivada e, hoje, difundida do Maranhão ao Rio de Janeiro (RIZZINI, 1971; RIBEIRO, 1984). A planta possui desenvolvimento rápido, e sua madeira, por ser pesada, dura, compacta e durável, é empregada na confecção de estacas, mourões e dormentes. A folhagem pode ser utilizada como forragem seca ou fenada, especialmente na época da seca (RIZZINI, 1971).

No que concerne à floração, fica evidente a sua precocidade, pois chega a florescer antes de completar 1 ano de idade (ANDRADE, 1956 citado por COSTA, 1983). O fruto é um legume articulado que, ao atingir a maturidade, dispõe de um mecanismo de dispersão que facilita a separação do fruto em pequenos segmentos quadrangulares, unisseminados, denominados craspédios.

As sementes apresentam problemas de dormência devido à impermeabilidade do tegumento à água, que é a causa mais comum nas sementes de espécies de várias famílias, como Leguminosae, Malvaceae, Geraniaceae, Chenopodiaceae, Convolvulaceae, Solanaceae e Liliaceae, entre outras (KRAMER e KOZLOWSKI, 1972; POPINIGIS, 1985; CÍCERO, 1986). Carvalho e Nakagawa (2000) enfatizaram que esse tipo de dormência é encontrado com maior freqüência em Leguminosae.

A dormência é uma característica que favorece a sobrevivência da planta no ambiente, mas é um problema quando se deseja a propagação dessas espécies para fins de cultivo e produção de mudas, entre outros. Isso ocorre devido ao fato de a germinação das sementes tornar-se lenta e desuniforme; nesse caso, é necessário que se estabeleça, primariamente à semeadura, tratamentos que possam aumentar e uniformizar a germinação (LEMOS FILHO et al., 1997).

Sob condições naturais, a escarificação pode-se dar pelo aquecimento úmido ou seco do solo, em temperaturas alternadas, o que permitiria a entrada de água para o interior da semente. Esse processo pode ocorrer, também, pela ação de ácidos, quando as sementes são ingeridas por animais dispersores, além da ação dos microrganismos do solo (VAZQUEZ-YANES e OROZCO-SEGOVIA, 1993).

A exposição de sementes com dormência tegumentar a temperaturas elevadas é um meio eficiente para a sua germinação (HARTMANN e KESTER, 1978). A água quente ou fervente é bastante utilizada e tem-se mostrado efetiva na superação de dormência das sementes de várias espécies florestais de leguminosas, como Acacia spp. (WILLAN, 1990; BRASIL, 1992), Acacia senegal (L.) Willd e Parkinsonia aculeata L. (TORRES e SANTOS, 1994), Acacia mangium Willd (LIMA e GARCIA, 1996), Leucaena leucocephala (Lam.) de Wit (TELES et al., 2000) e Peltophorum dubium (Sprengel) Taubert (OLIVEIRA et al., 2003).

A eficiência dos tratamentos com água quente foi comprovada por Ribas et al. (1996), quando obtiveram germinação de sementes de Mimosa bimucronata (DC.) O. Kuntze entre 97 e 99% ao serem submetidas a tratamentos de imersão em água quente (80 ºC) por 1 e 5 min e imersão em água à temperatura de 80 ºC, seguido de esfriamento natural das sementes por 24 h. Também, Scheffer-Basso e Vendrusculo (1997) indicaram a imersão em água quente, durante 5 min, como um método eficiente, fácil e barato de superação da dureza das sementes de Adesmia araujoi Burk. (Fabaceae). Barbosa et al. (2004) constataram 89% de germinação após a imersão de sementes de Ochroma lagopus Sw. (Bombacaceae) em água a 80 ºC até o resfriamento total.

Martins-Corder e Borges Junior (1999) recomendaram a autoclavagem por períodos entre 20 e 25 min como um método eficiente para superação de dormência e desinfestação de sementes de Acacia mearnsii De Wild. No entanto, enfatizaram que períodos de autoclavagem superiores a 25 min ocasionaram a morte do embrião das referidas sementes.

Apesar de ser um método vantajoso, de baixo custo e eficiente para superar a dormência de sementes de leguminosas, a água fervente tem apresentado resultados inferiores (RODRIGUES et al., 1990). Em sementes de Senna macranthera (Colladon) Irwin & Barneby, os tratamentos com água quente foram menos eficazes do que aqueles com ácido sulfúrico (SANTARÉM e ÁQUILA, 1995). De forma semelhante, nas sementes de Achras sapota L. a imersão em água a 60 ºC por 1, 2 e 3 min não foi recomendada como tratamento pré-germinativo (AZERÊDO et al., 2002). Também, foi constatada a inibição da germinação em sementes de Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong (CANDIDO et al., 1982), Stryphnodendron pulcherrimum (Willd.) Hochr (Varela et al., 1991), Mimosa caesalpiniaefolia Benth (Martins et al., 1992) e de Copaifera langsdorfii Desf. (PEREZ e PRADO, 1993).

De acordo com Eira et al. (1993), vantagens e desvantagens foram detectadas em todos esses tratamentos, de modo que cada um deve continuar sendo estudado, considerando-se também o custo efetivo e sua facilidade de execução. Além disso, em um mesmo lote pode haver sementes com diferentes níveis de dormência. Assim, o método empregado deve ser efetivo na superação da dormência das sementes sem prejudicar aquelas com baixos níveis de dormência.

Diante do exposto, o objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito de diferentes tratamentos pré-germinativos sobre a germinação e vigor de sementes de M. caesalpiniifolia.

 

2. MATERIAL E MÉTODOS

O efeito de diferentes tratamentos pré-germinativos sobre a germinação e o vigor de sementes de M. caesalpiniifolia foi conduzido entre outubro/2003 e maio/2004, no Laboratório de Análise de Sementes do Departamento de Fitotecnia do Centro de Ciências Agrárias (CCA-UFPB), Campus de Areia, da Universidade Federal da Paraíba. As sementes foram obtidas no laboratório, provenientes de 10 árvores com características de matrizes, no Município de Areia, PB, as quais foram coletadas em 2002 e acondicionadas em câmara fria, sob temperatura em torno de 10 ºC e umidade relativa do ar de 60%; também, foram utilizadas sementes recém-colhidas do ano de 2003, ambas coletadas a partir de frutos completamente maduros.

Após a colheita, os frutos foram postos para secar ao sol e, em seguida, submetidos ao método manual de debulha, que consistiu na aplicação de golpes com uma vara de 50 cm de comprimento e 14 cm de diâmetro, sobre um amontoado de vagens secas ao sol durante 5 min. Durante esse processo, os frutos permaneceram em sacos de pano grosso e resistente, de modo a ficarem comprimidos e evitando a dispersão das sementes. O peso de frutos por tratamento foi de aproximadamente 150 g.

As sementes, dentro ou fora dos craspédios, foram submetidas aos seguintes tratamentos pré-germinativos: imersão em água à temperatura ambiente por 12, 24, 36, 48 e 60 h; imersão em água quente nas temperaturas de 70, 80, 90 e 100 ºC por 1 min e posteriormente resfriadas em água fria (choque térmico); imersão em água quente nas temperaturas de 70, 80, 90 e 100 ºC até o resfriamento total e o testemunha (sementes intactas).

O teste de emergência foi instalado em casa de vegetação do CCA-UFPB, em outubro de 2003, tendo como substrato areia previamente esterilizada em autoclave, utilizando-se como recipientes bandejas plásticas com dimensões de 45 cm de comprimento x 30 cm de largura x 6 cm de altura. Posteriormente, as sementes dentro e fora dos craspédios foram semeadas a uma profundidade de aproximadamente 1,5 cm, em posição horizontal.

O delineamento estatístico utilizado foi o inteiramente casualizado, considerando-se para o teste de primeira contagem de emergência quatro repetições de 50 sementes para cada tratamento. Nos testes de emergência e vigor (IVE), utilizou-se o mesmo delineamento em esquema fatorial 2 x 2 x 14, os quais consistiram de sementes dentro e fora dos craspédios, submetidas à imersão em água fria e água quente, sendo, em água fria, por cinco períodos de tempo diferentes e quatro períodos para os tratamentos com água quente, além da testemunha (sementes intactas contidas nos craspédios).

As contagens foram feitas diariamente, a partir de plântulas completamente emersas, ou seja, cotilédones acima do substrato, tendo início no terceiro dia e estendendo-se até o 22º dia após a instalação. A germinação, para as sementes dentro ou fora dos craspédios, estabilizou-se no 16º dia do início do teste, razão pela qual se levou em conta esta data para indicativo de contagem final das plântulas emersas. Para avaliação do efeito dos tratamentos, adotaram-se as variáveis descritas a seguir.

Porcentagem de germinação: consideraram-se, ao final do teste (16 dias), as plântulas normais, ou seja, aquelas que apresentavam todas as estruturas essenciais perfeitas (BRASIL, 1992).

Primeira contagem de emergência: corresponde à porcentagem acumulada de plântulas emersas até o oitavo dia após o início do teste.

Índice de velocidade de emergência (IVE): determinado mediante a contagem diária do número de plântulas emersas a partir do 3º até 16º dia após a semeadura, sendo o índice calculado pela fórmula proposta por Maguire (1962).

em que: IVE = índice de velocidade de emergência; E1, E2, En = número de plântulas normais, computadas na primeira, na segunda e na última contagem; e N1, N2, Nn = número de dias de semeadura na primeira, segunda e última contagens.

Os dados foram submetidos à análise de variância. As médias da ausência e presença do craspédio e do ano de colheita foram comparadas pelo teste F, enquanto aquelas dos 14 tratamentos pré-germinativo, pelo teste de Scott-Knott, ambos a 5% de probabilidade.

 

3. RESULTADO E DISCUSSÃO

As maiores porcentagens de germinação ocorreram nas sementes que foram semeadas fora dos craspédios e submetidas a tratamentos de imersão em água nas temperaturas de 70, 80, 90 e 100 ºC por 1 min e posterior choque térmico, bem como aquelas dos tratamentos de imersão em água quente a 70, 80 e 90 ºC até o resfriamento total (Tabela 1).

 

 

Os tratamentos de imersão em água nas temperaturas de 90 e 100 ºC por 1 min, com posterior choque térmico, das sementes sem craspédio destacaram-se, pois proporcionaram resultados semelhantes nos dois anos de colheita (2002 e 2003). Tais tratamentos diferiram do choque térmico a 70 e 80 ºC, como também daqueles de imersão em água a 70, 80 e 90 ºC até o resfriamento total (Tabela 1).

Um dos fatores limitantes à propagação da Mimosa caesalpiniifolia é a dormência profunda das sementes, o que resulta em germinação lenta e desuniforme. A impermeabilidade do tegumento à água é o fenômeno considerado por Popinigis (1985), como uma das causas mais comuns de dormência em leguminosas. Isso pode ser comprovado pela menor porcentagem de germinação obtida pelas sementes intactas (testemunha), em comparação com aquelas desprovidas do segmento do fruto.

As baixas porcentagens de emergência de plântulas obtidas com sementes imersas em água fria pelos períodos de 12, 24, 36, 48 e 60 h, principalmente naquelas contidas nos craspédios, no ano de 2003 (Tabela 1), indicam provável ocorrência de algum tipo de dano de natureza patológica, uma vez que foi observado processo avançado de deterioração apenas nas sementes dos referidos tratamentos, o que lhes causou a morte.

Médias na mesma linha, seguidas das mesmas letras maiúsculas para anos em um tipo de artículo e minúsculas para variação de artículo em um dos anos, são iguais entre si, pelo teste F a 5% de probabilidade. As médias na mesma coluna, seguidas de mesmas letras gregas, são iguais entre si, pelo teste Scott-Knott a 5% de probabilidade.

De forma semelhante, os tratamentos de imersão em água a 100 ºC por 1 min e posterior choque térmico e nas temperaturas de 90 e 100 ºC até o resfriamento total, no ano de 2002, também apresentaram baixas porcentagens de emergência de plântulas (Tabela 1). Isso indica algum tipo de enfraquecimento das sementes, o que, provavelmente, causou a morte destas ou dificuldades para se livrarem de seus craspédios. Tal hipótese se deve ao fato de que as sementes retiradas dos craspédios e submetidas aos mesmos tratamentos conseguiram emergir.

Quanto à primeira contagem, verificou-se que as sementes contidas nos segmentos do fruto (craspédios) e, principalmente, submetidas aos tratamentos por imersão em água quente (100, 90 e 100 ºC) por choque térmico e até o resfriamento total, respectivamente, no ano de 2002, proporcionaram as menores porcentagens de emergência, os quais foram seguidos de imersão em água fria por 12, 24, 36, 48 e 60 h, no ano de 2003 (Tabela 2).

 

 

Os tratamentos de imersão em água fria por 12, 24, 36, 48 e 60 h, nas sementes contidas nos craspédios e colhidas em 2002 e 2003, acompanhados dos tratamentos em água quente (90 e 100 ºC e 80, 90 e 100 ºC) até o resfriamento total e choque térmico, respectivamente, no ano de 2002, mostraram porcentagens de emergência de plântulas inferiores aquelas da testemunha (Tabela 2) em razão possivelmente, de algum dano ao embrião da semente decorrente dos efeitos relativos aos tratamentos já citados.

Resultados positivos com imersão de sementes em água quente foram obtidos por Passos et al. (1988) com Leucaena leucocephala (100 ºC por 4 seg), Varela et al. (1991) com Stryphnodendron pulcherrimum (90 ºC, por 5, 10 e 15 min), Torres e Santos (1994) com Acacia senegal e Parkinsonia aculleata (entre 80-90 ºC), Ribas et al. (1996) com Mimosa bimucronata (80 ºC, seguido por esfriamento na mesma água por 24 h), Martins-Corder et al. (1999) e Smiderle et al. (2005) com Acacia mearnsii De Willd. e Teles et al. (2000) com Leucaena leucocephala (Lam.) de Wit.

Médias na mesma linha, seguidas das mesmas letras maiúsculas para anos em um tipo de artículo e minúsculas para variação de artículo em um dos anos, são iguais entre si, pelo teste F a 5% de probabilidade. As médias na mesma coluna, seguidas de mesmas letras gregas, são iguais entre si, pelo teste Scott-Knott a 5% de probabilidade.

Embora seja um método vantajoso para superar a dormência em sementes de leguminosas pelo baixo custo, a água fervente tem proporcionado resultados contraditórios (RODRIGUES et al., 1990). Para Stryphnodendron pulcherrimum (VARELA et al., 1991) e Mimosa caesalpiniaefolia (MARTINS et al., 1992), a água fervente foi letal. Com Senna macranthera (colladon) Irwin & Barneby, os tratamentos com água quente foram menos eficientes do que aqueles com ácido sulfúrico (SANTARÉM e ÁQUILA, 1995). Os tratamentos de imersão em água quente por 5, 10 e 15 min inibiram a germinação das sementes de Copaifera Langsdorffii (PEREZ e PRADO, 1993) e não foram eficientes para superar a dormência das sementes de espécies de Cassia estudadas (RODRIGUES et al., 1990). De forma semelhante, Grus et al. (1984) também constataram que o tratamento de imersão em água fervente por 1, 2, 3 e 5 min foram prejudiciais a Caesalpinia leiostachya (Benth.), Ducke e Cassia javanica Ried, matando ou danificando o embrião.

Os maiores índices de velocidade de emergência foram obtidos com as sementes semeadas fora do craspédio e imersas em água quente (80, 90 e 100 ºC) por 1 min, com posterior choque térmico e com aquelas submetidas aos tratamentos de imersão em água nas temperaturas de 80 e 90 ºC até o resfriamento total, nas sementes de 2002. No entanto, destacaram-se os tratamentos de imersão em água quente (90 ºC e 100 ºC) com posterior choque térmico, por terem proporcionado altos índices de velocidade de emergência, tendo estes se apresentado semelhantes nos dois anos (2002 e 2003). Já nas sementes contidas nos segmentos dos craspédios, todos os tratamentos indicaram resultados inferiores (Tabela 3).

 

4. CONCLUSÕES

O tratamento de imersão em água quente (90 ºC) com posterior choque térmico, nas sementes mais velhas (2002), seguido do mesmo tratamento a 100 ºC, em sementes que foram semeadas fora dos craspédios, mostrou-se mais adequados para a condução dos testes de germinação e vigor em sementes de Mimosa caesalpiniifolia Benth.

As sementes sem craspédios tiveram melhor qualidade fisiológica.

A homogeneidade do processo germinativo é maior nas sementes que foram semeadas fora dos craspédios, independentemente do ano empregado.

 

5. REFERÊNCIAS

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Recebido em 07.11.2006 e aceito para publicação em 20.02.2008