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Revista Árvore

Print version ISSN 0100-6762

Rev. Árvore vol.32 no.5 Viçosa Sept./Oct. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-67622008000500010 

Influência do espaçamento inicial sobre a forma do fuste de árvores de Pinus taeda L.

 

Influence of initial spacing on the stem shape of Pinus taeda L. trees

 

 

Gilciano Saraiva NogueiraI; Helio Garcia LeiteII; Geraldo Gonçalves ReisII; Antônio Maurício MoreiraIII

IFaculdade de Ciências Agrárias da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. E-mail: <nogueirags@yahoo.com.br>
IIDepartamento de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Viçosa (UFV). E-mail:<hgleite@ufv.br>
IIIEngenheiro Florestal do Departamento de Pesquisa Igaras

 

 


RESUMO

O objetivo deste estudo foi analisar o efeito do espaçamento na forma dos fustes de árvores de Pinus taeda L. Empregaram-se dados de um experimento sobre espaçamento inicial realizado na empresa IGARAS, localizada no Planalto Serrano do Estado de Santa Catarina, no Sul do Brasil. Os espaçamentos analisados foram: 1,5 x 1,0 m; 2,0 x 1,0 m; 2,5 x 1,0 m; 1,5 x 2,0 m; 2,0 x 2,0 m; 1,5 x 3,0 m; 2,5 x 2,0 m; 2,0 x 3,0 m; e 2,5 x 3,0 m. Foram testados os modelos de afilamento propostos por Demaerschalk, Garay e Biging, sendo selecionado o modelo de Garay. Por meio de testes de identidade de modelos, verificou-se que os espaçamentos menores resultaram em forma menos cônica que os maiores.

Palavras-chave: Espaçamento, teste de identidade de modelos e modelos de regressão não-linear.


ABSTRACT

The objective of this study was to analyze the effect of spacing on the stem shape of Pinus taeda L. trees. Data from a spacing experiment carried out at the company IGARAS, in Santa Catarina, Brazil, were used for this purpose. The analyzed spacings were: 1.5 x 1.0 m; 2.0 x 1.0 m; 2.5 x 1.0 m; 1.5 x 2.0 m; 2.0 x 2.0 m; 1.5 x 3.0 m; 2.5 x 2.0 m; 2.0 x 3.0 m; and 2.5 x 3.0 m. The taper models tested were those proposed by Demaerschalk, Garay and Biging, with the model of Garay being selected. Through model identity tests, it was verified that the smallest spacings resulted in less conical shape than the largest ones.

Keywords: Spacing, model identity test, and nonlinear regression models.


 

 

1. INTRODUÇÃO

O rendimento de conversão de árvores de eucalipto e de Pinus em madeira serrada é dependente da forma do fuste, entre outros fatores. Árvores mais cilíndricas resultam em maior rendimento de conversão em serrarias e em processos de laminação. Em plantios mais adensados, as árvores tendem a ser mais cilíndricas (BALDWIN et al., 2000).

A forma do fuste é definida pela taxa de decréscimo do diâmetro (d), em relação ao dap, ao longo do tronco (HUSCH et al., 2003). A relação d/dap é conhecida no meio florestal como taper ou, no Brasil, como afilamento. Essa relação pode variar com o material genético, idade, espaçamento, regime de corte e desbaste.

O estudo da forma do fuste de árvores é feito por meio de modelos de regressão, alguns já consagrados como os modelos propostos por Kozak et al. (1969), Demaerschalk (1972), Ormerod (1973), Garay (1979), Biging (1984) e Garber e Maguire (2003). Apesar da existência desses e de muitos outros modelos, não existe um que seja eficiente em todos os casos, ou seja, para qualquer amostra de dados. Além disso, conforme Lima (1986), um modelo de afilamento pode gerar estimativas precisas e livres de viés para o diâmetro comercial, porém estimativas tendenciosas para a altura comercial.

A avaliação da identidade de modelos ajustados para diferentes espaçamentos permite verificar o efeito do espaçamento inicial sobre a forma do fuste. Esse tipo de teste (identidade de modelos) foi descrito, entre outros, por Graybill (1976) e permite verificar a igualdade de parâmetros de equações ou o paralelismo entre curvas estimadas pelo modelo de regressão, no caso o modelo de afilamento. Exemplos de uso desse teste são encontrados em Brown (1970), Souza (1988), Leite e Regazzi (1992) e Lisita et al. (1997), entre outros.

Neste trabalho é apresentada uma alternativa de aplicação de um teste de identidade para o caso de modelos não-lineares. Seu objetivo principal foi avaliar o efeito do espaçamento inicial sobre a forma do fuste de árvores de Pinus taeda.

 

2. MATERIAL E MÉTODOS

Foram utilizados dados de cubagem de árvores de Pinus taeda plantadas em diferentes espaçamentos (tratamentos): T1 (1,5 x 1,0 m); T2 (2,0 x 1,0 m); T3 (2,5 x 1,0 m); T4 (1,5 x 2,0 m); T5 (2,0 x 2,0 m); T6 (1,5 x 3,0 m); T7 (2,5 x 2,0 m); T8 (2,0 x 3,0 m); e T9 (2,5 x 3,0 m), com amplitudes de diâmetro (dap) e de altura, respectivamente, de 9 a 35 cm e de 9 a 20 m. Esses dados fazem parte de um experimento sobre espaçamento inicial entre plantas, realizado na empresa IGARAS, localizada no Planalto Serrano do Estado de Santa Catarina, no Sul do Brasil. O experimento consistiu em um delineamento em blocos casualizados com nove tratamentos e três repetições, no esquema de parcelas subdivididas no tempo, sendo o número de árvores por parcela igual a 64.

Em cada tratamento foram cubadas 15 árvores. Essa cubagem foi realizada com as árvores em pé, utilizando-se um Relascópio de Bitterlich, quando as árvores tinha quinze anos de idade. Os diâmetros ao longo do fuste foram medidos nas alturas de 0,1; 1,3; 2,0; e de 2 em 2 m até um diâmetro comercial de 7 cm. O volume real foi obtido por meio da fórmula de Smalian. Esses dados foram empregados para ajuste dos modelos de Demaerschalk (1972), Garay (1979) e Biging (1984), com as seguintes relações funcionais:

em que:

hi = altura num ponto qualquer do fuste, em m;

H = altura total, em m;

di = diâmetro na altura h, em m;

dap = diâmetro a 1,30 m de altura, em cm;

βi = parâmetros a serem estimados por regressão; e

ε = erro aleatório, sendo ε ~ N (0, s2).

Os resultados dos ajustes desses modelos foram avaliados pelo coeficiente de correlação entre valores observados e estimados de (di/dap)2, pelo erro-padrão residual e pela distribuição dos resíduos.

De posse do modelo de afilamento selecionado, foram construídos e aplicados testes de identidade de modelos para verificar a igualdade das equações geradas em cada espaçamento e, com isso, analisar o efeito do espaçamento sobre a forma dos fustes das árvores. Os testes foram construídos com base na hipótese H0: as curvas originárias dos ajustes dos modelos são paralelas! Considerando que os modelos de afilamento são não-lineares, os testes foram aplicados para diferentes grupos de espaçamentos com as seguintes definições:

em que:

y = vetor de variáveis respostas ;

x = vetor de variáveis explicativas do modelo completo e reduzido;

f = função não-linear;

q= (θi, θ2,...θp) = vetor de parâmetros desconhecidos do modelo reduzido;

θi = vetor de parâmetros desconhecidos para cada tratamento, sendo i = {1 . . . 9. }; e

Di = 1 e Di' = 0, para cada tratamento i, i = {1 . . . 9. }, i' = {1 . . .9}; i ≠ i'.

Sob normalidade, a estatística com (pH-p) e (n-pH) graus de liberdade, foi utilizada para avaliar as hipóteses de identidade, em que:

p = número de parâmetros por modelo;

H = número de tratamentos (espaçamentos);

n = número total de observações;

R(H0) = redução devida H0, sendo R(H0) = SQPar(C) - SQPar(R);

SQPar(C) = soma de quadrados de parâmetros do modelo completo;

SQPar(R) = soma de quadrados de parâmetros do modelo reduzido; e

SQRes(C) = soma de quadrados do resíduo do modelo completo.

 

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1. Seleção do modelo de afilamento

Com base nas estimativas dos coeficientes de correlação e dos erros-padrão residual (Sy.x) e também na análise da distribuição de freqüência dos resíduos dos três modelos de afilamento (Quadro 1 e Figura 1), foi selecionado o modelo de Garay.

 

 

Para melhor visualizar a influência do espaçamento sobre a forma do fuste das árvores, elaborou-se a Figura 2, que mostra o perfil médio estimado pelo modelo de Garay para cada espaçamento. Considerou-se como árvore média a árvore com o diâmetro médio (q) e com a média aritmética das alturas das árvores-amostra.

 

 

Foram feitas comparações envolvendo alguns grupos de espaçamentos, definidos com base na Figura 2. As estimativas dos parâmetros do modelo de Garay, ajustado aos dados dos grupos de espaçamentos e nas estatísticas F do teste de identidade aplicado são apresentadas no Quadro 2. Um resumo dos resultados do teste de identidade de modelos pode ser verificado no Quadro 3. De acordo com esses resultados, foram definidas as seguintes equações:

Para os tratamento 1 a 3:

Para os tratamento 4 a 8:

Para os tratamento 8 e 9:

 

 

Na Figura 3 são apresentadas as estimativas do volume total do fuste da árvore média (dap = 19 cm e Ht = 18 m) obtidas pela equação de Garay para cada tratamento. Observou-se diminuição no volume total dos menores para os maiores espaçamentos, devido à influência do espaçamento sobre a forma dos fustes. Para um mesmo dap e altura total, espaçamentos menores proporcionaram volumes maiores, porque apresentam fuste com a forma menos cônica que os espaçamentos maiores. Essa tendência (forma mais cônica nos espaçamentos maiores e forma menos cônica nos espaçamentos menores) pode ser confirmada visualmente na Figura 2.

 

4. CONCLUSÃO

Espaçamentos iniciais maiores resultam em maior conicidade do fuste de árvores de Pinus taeda, sob regime de alto fuste sem aplicação de desbaste, em relação a espaçamentos menores.

 

5. REFERÊNCIAS

BALDWIN JR., V. C. et al. The effects of spacing and thinning on stand and tree characteristics of 38-year-old Loblolly Pine. Forest Ecology and Management, v.137, n.1/3, p.91-102, 2000.         [ Links ]

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GARBER, S. M.; MAGUIRE, D. A. Modeling stem taper of three Central Oregon Species using nonlinear mixed effects models and autoregressive Error Structures. Forest Ecology and Management, v.179, n.1/3, p.507-522, 2003        [ Links ]

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SOUZA, R. N. Efeito do espaçamento na produção em peso de madeira seca e volume de Eucalyptus grandis. 1988. 86f. Dissertação (Mestrado em Ciência Florestal) - Universidade Federal de Viçosa, Viçosa MG, 1988.         [ Links ]

 

 

Recebido em 27.09.2006 e aceito para publicação em 22.08.2008.