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Revista Árvore

versão impressa ISSN 0100-6762

Rev. Árvore vol.34 no.1 Viçosa jan./fev. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-67622010000100007 

Substratos e temperaturas para testes de germinação e vigor de sementes de Amburana cearensis (Allemão) A.C. Smith1

 

Temperatures and substrates for germination and vigor test of Amburana cearensis (Allemão) A.C. Smith Seeds

 

 

Roberta Sales GuedesI; Edna Ursulino AlvesI; Edilma Pereira GonçalvesII; Joel Martins Braga JúniorI; Jeandson Silva VianaII; Pedro Nóbrega Quintas ColaresI

IDepartamento de Fitotecnia, CCA - UFPB, Areia - PB. E-mail: <roberta_biologa09@yahoo.com.br>, <ednaursulino@cca.ufpb.br>, <joel-braga@hotmail.com> e <pnqc@msn.com>
IIUnidade Acadêmica de Garanhuns, UFRPE, Garanhus, PE. E-mail: <edilmapg@hotmail.com> e <jeandsonsv@hotmail.com>.

 

 


RESUMO

A Amburana cearensis (Allemão) A.C. Smith é uma espécie nativa da Região Nordeste, que vem sendo progressivamente explorada na movelaria fina, na perfumaria e na medicina, fazendo-se necessários estudos que auxiliem em sua preservação. Este trabalho teve como objetivo definir substratos e temperaturas para a condução de testes de germinação e vigor com sementes de A. cearensis. O experimento foi realizado em delineamento inteiramente casualizado com os tratamentos distribuídos em esquema fatorial 5 x 5, com os fatores temperaturas (20, 25, 30, 35 ºC constantes e 20-30 ºC alternadas) e substratos (rolo de papel Germitest, areia, vermiculita, bioplant® e plantmax®), em quatro repetições de 25 sementes. Foram analisadas as seguintes características: porcentagem e velocidade de germinação, comprimento e massa seca de plântulas (raiz e parte aérea). A temperatura de 35 ºC mostrou-se mais adequada para a condução dos testes de germinação e vigor, independentemente do substrato utilizado. Os substratos areia e vermiculita foram os mais apropriados para avaliação da qualidade fisiológica das sementes.

Palavras-chave: Cumaru-de-cheiro, Florestal e Medicinal.


ABSTRACT

Amburana cearensis (Allemão) B.C. Smith is a species native to the Northeast Region of Brazil. It has been increasingly exploited for fine woodworking, perfumery and medicine, therefore the need for studies that can assist in its preservation. The objective of this work was to determine substrate type and optimum temperature for A. cearensis seed germination and vigor tests. The experiment was carried out in complete randomized design with the treatments distributed in a 5 x 5 factorial scheme, using temperatures (constant of 20, 25, 30 and 35ºC and alternate of 20-30ºC) and substrates (Germitest paper, sand, vermiculite, bioplant and plantmax) with four replicates of 25 seeds each. The following parameters were analyzed: germination percentage, germination speed, length and dry mass of seedlings. The optimum temperature for A. cearensis seed germination and vigor tests was 35ºC, independently of the used substrates. The substrates sand and vermiculite were the most suitable for evaluation of the physiological quality of seeds.

Keywords: Cumaru-de-cheiro, Forestry and Medicinal


 

 

1. INTRODUÇÃO

Amburana cearensis (Allemão) A.C. Smith, Fabaceae, é uma árvore de caule ereto, que chega a atingir 10 a 12 m de altura (ANDRADE-LIMA, 1989). A espécie é também conhecida como cumaru, cumarude- cheiro, cerejeira e, devido às suas qualidades madeireiras, tem sido explorada nos locais de ocorrência até a exaustão, para uso em movelaria fina, esculturas e marcenaria em geral, estando listada como espécie ameaçada de extinção (HILTON-TAYLOR, 2000). Além disso, devido às suas propriedades medicinais, a casca da árvore e as sementes são utilizadas na produção de medicamentos populares destinados ao tratamento de afecções pulmonares, tosses, asma, bronquite e coqueluche. A indústria de perfumaria também faz uso dessa espécie (BEZERRA et al., 2005).

O estudo de métodos adequados em análises de sementes das espécies florestais tem merecido atenção no meio científico, visando à obtenção de informações referentes às condições ideais de germinação das sementes de muitas espécies. A análise foi realizada por meio de um conjunto de procedimentos padronizados pelas Regras para Análise de Sementes (BRASIL, 1992) e buscou avaliar a qualidade quanto à composição do lote e à capacidade germinativa para fins de semeadura. Tal padronização visou uniformizar os resultados, permitindo a comparação entre diferentes laboratórios, e esses métodos devem ser constantemente reavaliados mediante a aplicação de testes de referência, de testes alternativos e da determinação de novas metodologias.

O substrato e a temperatura são dois importantes fatores que afetam o processo germinativo das sementes durante o teste de germinação (CARVALHO e NAKAGAWA, 2000). O substrato influencia diretamente a germinação, em função de sua estrutura, aeração, capacidade de retenção de água e grau de infestação de patógenos, entre outros, podendo favorecer ou prejudicar a germinação das sementes. Constitui o suporte físico no qual a semente é colocada e tem a função de manter as condições adequadas para a germinação e o desenvolvimento das plântulas (FIGLIOLIA et al., 1993). Portanto, a escolha do tipo de substrato deve ser feita em função das exigências da semente em relação ao seu formato e tamanho (BRASIL, 1992). Os substratos mais utilizados listados pelas RAS (BRASIL, 1992) são: o papel-filtro, papel-toalha, pano, papel-mata borrão, terra vegetal e areia, os quais devem estar adequadamente úmidos para que forneçam às sementes a quantidade de água necessária à germinação.

Para sementes de espécies florestais, muitos substratos têm sido testados na condução de testes de germinação, como carvão, vermiculita, pano, papeltoalha, papel-filtro, papel-mata borrão e terra vegetalareia, entre outros (ALBUQUERQUE et al., 1998; ANDRADE et al., 1999).

Outro fator importante na germinação é a temperatura, exercendo forte influência na velocidade e uniformidade de germinação e está relacionada com os processos bioquímicos (CARVALHO e NAKAGAWA, 2000). As sementes apresentam comportamento variável em diferentes temperaturas, não havendo temperatura ótima e uniforme de germinação para todas as espécies. Em geral, a temperatura é chamada de ótima quando ocorre a máxima germinação, no menor tempo. A faixa de 20 a 30 ºC tem-se mostrado adequada para a germinação de sementes de grande número de espécies subtropicais e tropicais, uma vez que estas são temperaturas encontradas em suas regiões de origem, na época propícia para a germinação natural (ANDRADE et al., 2000).

Santos e Aguiar (2000) obtiveram os melhores resultados de germinação de sementes de Sebastiania commersoniana (Baill.) Smith. e Downs na temperatura alternada de 20-30 ºC e com o substrato sobre areia. Para Genipa americana a combinação do substrato no papel com a temperatura de 30 ºC permitiu a maior germinação de sementes (NASCIMENTO et al., 2000). Em sementes de Mimosa caesalpiniifolia Benth. (ALVES et al., 2002), a temperatura de 25 ºC mostrou-se a mais adequada para condução de testes de germinação e vigor, independentemente do substrato utilizado. Santos e Aguiar (2004), trabalhando com sementes de Cnidosculus phyllacanthus Pax & K. Hoffm., recomendaram os substratos areia, vermiculita, papel germitest e papel-filtro combinado com temperaturas alternadas de 20-30 ºC.

Apesar de haver grande diversidade de espécies nativas no Brasil, poucas estão incluídas nas Regras para Análises de Sementes e, para as sementes de Amburana cearensis, ainda não estão estabelecidos os critérios para a realização do teste de germinação. Assim, o objetivo do trabalho foi avaliar substratos e temperaturas ideais para testes de germinação e vigor com sementes de A. cearensis, visando à determinação de procedimentos adequados.

 

2. MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido no Laboratório de Análise de Sementes do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal da Paraíba, Areia, PB, entre novembro e dezembro de 2007. Foram utilizadas sementes de A. cearensis colhidas manualmente em 10 plantas- matriz no início do processo de deiscência dos frutos, no Município de Serra Negra, RN. Depois de colhidas, as sementes foram beneficiadas por meio de debulha manual e mantidas em laboratório, à sombra, para secagem natural por cinco dias. Antes de serem postas para germinar, foram tratadas com o fungicida Captan®, na proporção de 240 g para 100.000 g de sementes. Em seguida, foram submetidas aos seguintes testes:

Teste de germinação - Foi instalado um teste de germinação nos substratos descritos a seguir: papel Germitest na forma de rolo, areia, vermiculita, plantmax® e bioplant®, nas temperaturas constantes de 20, 25, 30 e 35 ºC e alternadas de 20-30 ºC, em quatro repetições com 25 sementes. A semeadura foi realizada em bandejas plásticas com dimensões de 0,40 x 0,40 x 0,60 m, em câmaras de BOD, com fotoperíodo de 8 h. Os substratos areia, vermiculita, plantmax® e bioplant® foram umedecidos com água destilada até se verificar o início da drenagem natural, e o substrato papel germitest foi umedecido com água destilada na quantidade equivalente a três vezes o seu peso de matéria seca. As contagens das sementes germinadas foram realizadas diariamente, do 8º até o 18º dia de teste, utilizando-se o critério de plântulas normais, ou seja, aquelas que apresentavam as estruturas essenciais (BRASIL, 1992). Índice de velocidade de germinação (IVG) - Realizado conjuntamente com o teste de germinação, em que se computou o número de sementes germinadas diariamente, e o índice foi calculado de acordo com a fórmula apresentada por Maguire (1962). Comprimento de plântulas - No final do teste de germinação, a raiz primária e a parte aérea das plântulas normais de cada repetição foram medidas com o auxílio de uma régua graduada em centímetros, sendo os resultados expressos em cm. Massa seca de plântulas - As mesmas plântulas da avaliação anterior foram colocadas em estufa regulada a 80 ºC por 24 h e, decorrido esse período, pesadas em balança analítica com precisão de 0,001 g (NAKAGAWA, 1999). De posse dos resultados, foi realizada a análise estatística, com os tratamentos em delineamento experimental inteiramente casualizado em esquema fatorial 5 x 5, temperaturas constantes de 20, 25, 30 e 35 ºC e alternadas de 20-30 ºC e os substratos papel germitest, areia, vermiculita, plantmax® e bioplant®. Os dados foram submetidos à análise de variância e as médias, comparadas pelo teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade.

 

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

As médias de porcentagem de germinação de sementes de A. cearensis encontram-se na Tabela 1, na qual se verificam interações significativas entre substrato e temperatura, indicando que existe pelo menos uma combinação ideal entre esses dois fatores que otimiza a porcentagem de germinação. A interação significativa entre temperatura e substrato foi relatada por Figliolia et al. (1993), explicando que a capacidade de retenção de água e a quantidade de luz que o substrato permite chegar à semente podem ser responsáveis por diferentes respostas das sementes na mesma temperatura, como ocorreu com as sementes de A. cearensis, neste experimento.

Esses resultados corroboram aqueles obtidos com sementes de Colubrina glandulosa Perk (ALBUQUERQUE et al., 1998), Sebastiania commersoniana (Baill.) Smith. & Downs (SANTOS e AGUIAR, 2000), Mimosa caesalpiniifolia Benth (ALVES, 2002), Parkia discolor Benth. (RAMOS e VARELA, 2003), Cnidosculus phyllacanthus Pax & K. Hoffm. (SILVA e AGUIAR, 2004) e Myracrodruon urundeuva fr. All. (PACHECO et al., 2006) e Bixa orellana L. (LIMA et al., 2007), em que ocorreram interações significativas entre substratos e temperaturas, o que foi diferente dos resultados de Pereira e Andrade (1994), com sementes de Psidium guajava L. e Passiflora edulis Sims., de Andrade et al. (1999), com sementes de Euterpe edulis Mart., e de Lima et al. (2006), com sementes de Caesalpinia ferrea Mart. ex Tul., em que ocorreram interações significativas entre substratos e temperaturas.

De acordo com os dados da Tabela 1, observa-se que as mais altas porcentagens de germinação foram obtidas nos substratos areia a 25, 20-30 e 35 ºC, vermiculita em todas as temperaturas, bioplant® a 35 ºC e plantmax® a 20-30 e 35 ºC. Na temperatura de 20 ºC não houve germinação das sementes. Esses dados evidenciam a necessidade de altas temperaturas para a germinação de sementes dessa espécie, uma vez que as plantas-matriz se encontravam em região de Caatinga, que se caracterizava pelo clima quente e seco. O substrato rolo de papel não favoreceu a germinação devido à alta incidência de fungos, o que provavelmente afetou o processo germinativo, apesar de as sementes terem sido tratadas com o fungicida Captan®.

Para Mimosa caesalpiniifolia Benth., as temperaturas de 20-30 ou 27 ºC (GONÇALVES et al., 2000), bem como as de 25 ºC (ALVES et al., 2002), mostraram-se adequadas para a geminação de suas sementes. Nogueira (2001) indicou as temperaturas de 25-35 ºC para germinação de sementes de Tabebuia chrysotricha (Mart. ex. DC.) Standl., enquanto as temperaturas de 25 e 27 ºC proporcionaram germinação às sementes de Myracrodruon urundeuva Fr. All., resultados esses satisfatórios de germinação em todos os substratos testados (PACHECO et al., 2006). Quanto às sementes de Melocactus bahiensis Britton & Rose, as melhores condições de germinação foram o substrato areia e a temperatura de 25 ºC (LONE et al., 2007).

A temperatura ótima para a germinação de sementes está diretamente associada às características ecológicas da espécie (PROBERT, 1992). Nas temperaturas constantes, obtiveram-se porcentagens maiores de germinação das sementes (Tabela 1), em comparação com as temperaturas alternadas. O fato de ocorrer germinação em ambos os regimes de temperatura evidencia adaptação às flutuações térmicas naturais do ambiente. No entanto, preferem condições de subbosque, nas quais predominam amplitudes térmicas menores. Essas características conferem à A. cearensis maior capacidade de estabelecimento das plântulas em campo, tornando-as capazes de suportar as condições adversas do ambiente.

Os dados referentes ao índice de velocidade de germinação (IVG) de sementes de A. cearensis submetidas a diferentes substratos e temperaturas estão na Tabela 2, em que se verifica que os maiores valores ocorreram nos substratos areia e vermiculita nas temperaturas constantes de 30 e 35 ºC, assim como na alternada de 20-30 ºC. A temperatura de 25 ºC foi responsável pelos menores índices de velocidade de germinação em todos os substratos estudados, não diferindo, no entanto, das temperaturas de 30 e 20-30 ºC, no substrato plantmax. Dessa forma, supõe-se que as temperaturas mais elevadas tenham proporcionado maior atividade metabólica, de forma a acelerar e uniformizar o processo germinativo, o que está de acordo com os resultados de Carvalho e Nakagawa (2000), segundo os quais, quanto maior for a temperatura, até certo limite, mais rápida e uniforme será a germinação.

Em sementes de Acacia mangium Willd., Lima e Garcia (1996) observaram que o substrato rolo de papel a 35 ºC proporcionou maior velocidade de germinação. O índice de velocidade de germinação de sementes de Mimosa caesalpiniifolia Benth. foi maior quando se utilizou a temperatura de 25 ºC (ALVES et al., 2002). Para sementes de Cnidosculus phyllacanthus Pax & K. Hoffm, Silva e Aguiar (2004) recomendaram substrato papel-filtro combinado com a temperatura de 20-30 ºC.

Os substratos entre e sobre areia nas temperaturas de 25 e 27 ºC proporcionaram maiores IVG de sementes de Myracrodruon urundeuva fr. All. (PACHECO et al., 2006). Para sementes de Melocactus bahiensis Britton & Rose, os maiores valores de velocidade de germinação foram obtidos na temperatura de 25 ºC (LONE et al., 2007).

As médias referentes ao comprimento da raiz primária e parte aérea das plântulas são observadas nas Tabelas 3 e 4. Na raiz primária, observou-se que o substrato vermiculita, nas temperaturas constantes de 30 e 35 ºC e alternadas de 20-30 ºC, proporcionou melhor crescimento. Provavelmente no referido substrato tenha ocorrido maior aeração, o que, aliado a uma degradação mais eficiente das reservas presentes nas sementes, tenha favorecido o desenvolvimento das raízes, uma vez que nessa fase todo o desenvolvimento das plântulas se deve à composição química das sementes.

A vermiculita é um substrato utilizado com resultados satisfatórios para a germinação de sementes de espécies florestais (FIGLIOLIA et al., 1993; SILVA et al., 2002), por apresentar características como leveza, fácil manuseio e a boa capacidade de absorção de água. Esse substrato não exige o umedecimento diário e, assim, proporciona bom desempenho germinativo das sementes.

Para Myracrodruon urundeuva Fr. All., o melhor desenvolvimento da raiz primária ocorreu quando as plântulas emergiram de sementes submetidas aos substratos entre e sobre areia na temperatura de 27 ºC e entre areia na temperatura de 20-35 ºC (PACHECO et al., 2006), enquanto Iossi et al. (2003) não recomendaram o uso da vermiculita para condução de testes de comprimento de plântulas de Phoenix roebelenii O'Brien, uma vez que obtiveram os menores resultados, e Pacheco et al. (2008) conseguiram maior comprimento médio de raiz primária de plântulas de Tabebuia aurea (Silva Manso) Benth. & Hook f. ex S. Moore quando as sementes que as originaram foram semeadas no substrato papel-toalha, submetidas à temperatura de 30 ºC.

Para o comprimento da parte aérea (Tabela 4), observou-se maior valor na temperatura de 35 ºC no substrato areia, provavelmente pelo fato de a referida estrutura da plântula ficar mais exposta às condições externas e, assim, tornar-se mais sensível e exigente para expressar seu desenvolvimento máximo. Resultados diferentes foram obtidos por Kissmann et al. (2007), os quais obtiveram o maior comprimento da parte aérea de plântulas de Adenanthera pavonina L. com sementes submetidas a temperaturas de 20-30, 25 e 30 oC, independentemente do substrato (rolo de papel e sobre papel). No entanto, as melhores combinações de temperatura e substrato para o comprimento da parte aérea das plântulas de Tabebuia aurea (Silva Manso) Benth. & Hook f. ex S. Moore foram proporcionadas pela temperatura de 35 ºC nos substratos papel, areia, pó de coco e tropstrato® (PACHECO et al., 2008).

Os maiores valores de massa seca das raízes foram obtidos quando as sementes foram submetidas às temperaturas constantes de 30, 35 ºC e alternadas de 20-30 ºC, nos substratos areia, vermiculita e bioplant (Tabela 5). Observa-se, dessa forma, que as raízes apresentaram bom desenvolvimento em condições mais amplas de temperatura e substrato, provavelmente pelo fato de se encontrarem protegidas pelos substratos, os quais ofereceram condições adequadas ao crescimento das raízes. Tais resultados são semelhantes aos de Pacheco et al. (2008), quando observaram que o maior conteúdo de massa seca do sistema radicular de plântulas de Tabebuia aurea (Silva Manso) Benth.& Hook f. ex S. Moore ocorreu quando as sementes que as originaram foram semeadas no substrato areia submetidas a temperaturas de 20-30 e 30 ºC.

Na avaliação da massa seca da parte aérea (epicótilo), a temperatura constante de 30 ºC foi favorável ao aumento de massa nos substratos areia, vermiculita e bioplant® e a de 35 ºC em todos os substratos. As temperaturas alternadas de 20-30 ºC foram favoráveis apenas quando se usaram areia e vermiculita (Tabela 6).

O substrato areia também proporcionou maiores valores da massa seca da parte aérea e da raiz das plântulas de Mimosa caesalpiniifolia Benth. (SANTOS et al., 1994). Em Phoenix roebelenii O'Brien., Iossi et al. (2003) obtiveram maior conteúdo de massa seca das raízes nos substratos areia e vermiculita, enquanto Kissmann et al. (2007) não observaram diferenças significativas no conteúdo de massa seca de plântulas de Adenanthera pavonina L. oriundas de sementes submetidas a diferentes temperaturas (18, 20-30, 25 e 30ºC) e substratos (rolo de papel e sobre papel).

 

4. CONCLUSÕES

A temperatura de 35 ºC é a mais adequada para a condução de testes de germinação e vigor com sementes de Amburana cearensis (Allemão) A.C. Smith., independentemente do substrato utilizado.

O substrato vermiculita e areia foram os mais apropriados para avaliação da qualidade fisiológica das sementes.

 

5. REFERÊNCIAS

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1 Recebido em 27.02.2008 e aceito para publicação em 14.10.2009.