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Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões

Print version ISSN 0100-6991On-line version ISSN 1809-4546

Rev. Col. Bras. Cir. vol.28 no.5 Rio de Janeiro Sept./Oct. 2001

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-69912001000500014 

RELATOS DE CASOS

 

Hemorragia digestiva baixa devido a melanoma maligno metastático

 

Lower gastrointestinal bleeding due to metastatic malignant melanoma

 

 

Orlando Ribeiro Prado Filho, TCBC-PRI; Thayse Gonçalves de LimaII; Orlando Gonçalves MonteiroIII

IProfessor Assistente da Área de Clínica Cirúrgica do Departamento de Medicina da Universidade Estadual de Maringá (UEM) – Maringá, PR
IIAcadêmica do Curso de Medicina da UEM – Maringá, PR
IIIMédico Residente de Cirurgia Geral da Área de Clínica Cirúrgica do Departamento de Medicina da UEM – Maringá, PR

Endereço para correspondência

 

 


ABSTRACT

A case of lower gastrointestinal bleeding due to metastatic malignant melanoma in a man, in which the final diagnosis was made only on surgery, is reported. The patient underwent a segmentary enterectomy with primary anastomosis and he was discharged on tenth postoperative day.

Key words: Gastrointestinal bleeding; Melanoma; Metastasis.


 

 

INTRODUÇÃO

O melanoma maligno é a causa mais comum de lesão metastática no trato gastrointestinal (GI), representando cerca de 33% de todos os tumores malignos metastáticos do tubo digestivo1. As manifestações mais freqüentes são: dor abdominal, hemorragia macroscópica ou microscópica, náusea/vômito, tumor abdominal e obstrução intestinal1.

O objetivo deste trabalho é apresentar o caso clínico, diagnóstico e tratamento de um paciente com quadro de hemorragia digestiva baixa decorrente de metástase de melanoma maligno no intestino delgado.

 

RELATO DO CASO

Paciente do sexo masculino, branco, com idade de 56 anos, foi atendido por queixa de dor abdominal difusa, diarréia com sangue e astenia. Relatou que há cinco anos fora submetido à exérese de lesão na pele. Ao exame físico apresentava-se com pressão arterial sistêmica de 90/60mmHg, freqüência cardíaca de 110 batimentos por minuto, palidez e dor abdominal difusa moderada, sem sinais de irritação peritoneal. Foi internado e os exames laboratoriais mostraram anemia (Hb=8,6g% e Ht=25%). Foi submetido a exame endoscópico digestivo alto (normal) e colonoscopia, que mostrou doença diverticular difusa, sem sangramento ativo. Durante a internação o paciente apresentou novo sangramento digestivo baixo, sendo submetido à celiotomia exploradora com o achado de neoplasia no íleo há 35cm da válvula ileocecal, sem linfoadenopatia regional ou metástase a distância. Foi realizada enterectomia segmentar de 15cm de extensão do íleo com anastomose primária. A peça cirúrgica foi (Figuras 1 e 2) encaminhada para exame anatomopatológico, que revelou melanoma maligno. O paciente recebeu alta em boas condições gerais no décimo dia pós-operatório.

 

 

 

 

DISCUSSÃO

O melanoma maligno tem uma grande predileção para desenvolver metástases no trato GI2.O intestino delgado esta comprometido em 35% dos pacientes3 , sendo o íleo afetado em cerca 41% e o jejuno em cerca de 85% dos casos1. A forma mais comum de metástase é com múltiplos implantes na submucosa, que tendem a crescer em direção à luz do tubo digestivo1.

O intestino delgado é fonte do sangramento digestivo baixo em cerca de 3% a 5% dos casos relatados, sendo as neoplasias causas raras. Nos caso em que o sangramento tenha cessado ou diminuído de forma significante o exame diagnóstico de escolha é a colonoscopia, devido à sua acurácia diagnóstica e capacidade terapêutica4. Outros exames utilizáveis são a cintilografia com tecnécio 99m (injetado diretamente na corrente sangüínea ou em hemácias marcadas), em casos de sangramentos intermitentes, e a angiografia mesentérica seletiva para sangramentos de 0,5 a 1,0ml/minuto de vazão mínima4.

As indicações operatórias são: perda aguda maior que 1.500ml e continuidade do sangramento, necessidade de transfusão de 2.000mL em 24h, sangramento contínuo por 72h e ressangramento significante ocorrendo dentro do período de uma semana4.

No caso apresentado excluiu-se hemorragia digestiva alta e fez-se a investigação do tubo digestivo baixo onde encontrou-se doença diverticular difusa. Como o paciente voltou a aparência sangramento durante o período de internamento preferiu-se não prosseguir com outros exames possíveis, e inclinou-se para o tratamento operatório de urgência, como assim é indicado.

Estudos recentes demonstram uma sobrevida maior para os pacientes em que se foi capaz de fazer a completa retirada da doença neoplásica metastática, o que tem renovado o interesse na ressecção do melanoma no trato GI5.

Concluindo, o sangramento digestivo baixo é um problema complexo que requer investigação disciplinada para que se possa determinar a melhor forma de tratamento. A ressecção cirúrgica completa do melanoma metastático no intestino delgado pode ser realizada de forma segura, o que pode propiciar aos pacientes um tempo de sobrevida maior.

 

REFERÊNCIAS

1. Berger AC, Buel JF, Venzon D, Barker AR, Libutti SK - Manangement of symptomatic malignant melanoma of the gastrointestinal tract. Ann Surg Oncol , 1999; 6:155-160.         [ Links ]

2. Elsayed AM, Albahra M, Nzeako UC, Sobin LH - Malignant melanomas in the small intestine: a study of 103 patients. Am J Gastroenterol, 1996; 91:1001-1006.         [ Links ]

3. Reitgen DS, Thompson W, Garbutt J, Seigler HF - Radiologic, endoscopic, and surgical considerations of melanoma metastatic to the gastrointestinal tract. Surgery, 1984; 95:635-639.         [ Links ]

4. Vernava III AM, Moore BA, Longo WE, Johnson FE - Lower gastrointestinal bleeding. Dis Colon Rectum , 1998; 40:846-858.         [ Links ]

5. Branum GD, Sigler HF - Role of surgical intervention in the manangement of intestinal metastases from malignant melanoma. Am J Surg 1991; 162:428-431.         [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência:
Dr. Orlando Ribeiro Prado Filho
Rua Silva Jardim, 560 - Centro
87013-010 – Maringá, PR

Recebido em 08/11/1999
Aceito; para publicação em 22/05/2001

 

 

Trabalho realizado na Área de Clínica Cirúrgica do Departamento de Medicina da Universidade Estadual de Maringá – Maringá, PR.

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