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Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões

versão impressa ISSN 0100-6991

Rev. Col. Bras. Cir. vol.38 no.4 Rio de Janeiro jul./ago. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-69912011000400013 

ENSINO

 

Avaliação do treinamento e expectativas profissionais em residentes de cirurgia

 

 

Fernando Augusto Mardiros Herbella, TCBC-SPI; Rogerio A. FuziyII; Guilherme F. TakassiIII; Atilla DubeczIV; Jose C. Del Grande, TCBC-SPV

IProfessor Afiliado da Disciplina de Gastroenterologia Cirúrgica da Escola Paulista de Medicina SP-BR
IIMédico residente da Disciplina de Gastroenterologia Cirúrgica da Escola Paulista de Medicina SP-BR
IIIAluno de medicina da Escola Paulista de Medicina- SP-BR
IVProfessor Assistente da Klinikum Nürnberg Nord, Alemanha
VProfessor Associado da Disciplina de Gastroenterologia Cirúrgica da Escola Paulista de Medicina - SP-BR

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Os programas de residência médica, em especial na cirurgia, vêm passando por modificações constantes, não só em nosso meio, como internacionalmente. Em virtude da deterioração da valorização e remuneração médica, as expectativas e perfil do médico residente na área cirúrgica vêm mudando. A avaliação das atitudes, experiência durante o treinamento e expectativas profissionais nos residentes é tópico importante. Recentes trabalhos internacionais publicados na área demonstram tal fato. É digno de nota a ausência de trabalhos semelhantes em nosso meio e a raridade em outros países. O presente estudo tem por objetivo avaliar em médicos residentes da área de cirurgia, através de questionário, atitudes, experiências durante o treinamento e expectativas profissionais. Foram aplicados e analisados questionários adaptados e traduzidos para o Português em 50 residentes de ambos os sexos e diferentes anos de residência. Os resultados deste trabalho mostram alta satisfação com a especialidade, porém grande preocupação financeira e opiniões conflitantes quanto ao futuro da especiliadade;

Descritores: Avaliação. Cirurgia. Residência médica.


 

 

INTRODUÇÃO

Os programas de residência médica, em especial na cirurgia, vêm passando por modificações constantes, não só internacionalmente, como em nosso meio.

Em virtude da deterioração da valorização e remuneração médica, além da busca por qualidade de vida, nota-se que as expectativas e perfil do médico residente na área cirúrgica vem mudando. Também, condições desfavoráveis muitas vezes alteram as atitudes não só dos residentes, como também dos preceptores, fazendo com que a avaliação de atitudes, experiência durante o treinamento e expectativas profissionais em residentes seja tópico importante para o planejamento correto do ensino e treinamento em cirurgia.

Esse artigo avalia em médicos residentes da área de cirurgia, através de questionário: suas atitudes, experiência durante o treinamento e expectativas profissionais.

 

MÉTODOS

Foram avaliados 50 residentes de ambos os sexos da área cirúrgica do programa de residência médica do Hospital São Paulo, da Escola Paulista de Medicina, dos diversos anos e especialidades, que participaram voluntariamente do estudo e pessoalmente contactados. As entrevistas foram conduzidas por um residente, co-autor deste trabalho, a fim de evitar constrangimentos e viéses de autoridade.

Foi aplicado o questionário de Yeo et al.1 traduzido e adaptado ao Português, cujas opções de resposta são: concordo, indiferente, discordo levando-se em consideração dimensões humanas, técnicas e profissionais, aleatoriamente orientadas (Tabelas 1, 2 e 3). O questionário foi aplicado em folhas não identificadas e as respostas mantidas anônimas.

O estudo foi aprovado pela comissão de ética em pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (1650/09).

 

RESULTADOS

Foram avaliados 41 residentes do sexo masculino e 9 do feminino, com idade mediana de 27 anos (variação 24-32). Eram residentes do 1º, 2º, 3º, 4º e 5º ano, respectivamente 16, 17, 11, 5 e 1 indivíduos.

As respostas ao questionário estão expostas na tabela 4.

 

DISCUSSÃO

Como já mencionado, o perfil e atitudes do médico residente na área cirúrgica vem claramente mudando. Múltiplos trabalhos1-5, todos de origem Norte Americana, demonstram tal fato. Motivados na avaliação local de seus residentes, um grupo de cirurgiões acadêmicos empenhou-se em reproduzir o trabalho publicado por Yeo et al.1. Trata-se de estudo multicêntrico e internacional, tendo participantes da Alemanha, Áustria, Japão, Bolívia, Rússia, Colombia, Hungria, Porto Rico, Brasil e Itália. O Hospital São Paulo é participante único no Brasil. O estudo encontra-se em fase de coleta de dados e redação, estando aqui expostos os resultados da avaliação feita no Brasil. Uma subanálise de resultados baseada no gênero ou ano de residência não foi calculada pelo número pequeno de indivíduos estudados neste braço do trabalho.

O braço brasileiro foi conduzido na Universidade Federal de São Paulo que é uma Autarquia Federal vinculada ao Ministério da Educação, o hospital de ensino é o Hospital São Paulo, pertencente à Sociedade Paulista para o Desenvolvimento da Medicina, entidade sem fins lucrativos constituída por professores da Universidade. A Escola Paulista de Medicina foi uma das pioneiras a implantar Programas de Residência Médica no Brasil. A Residência Médica foi criada seguindo a mesma concepção dos programas desenvolvidos no começo do século, nos Estados Unidos sob a inspiração de Halsted e Osler. Desde 1957, a Escola Paulista de Medicina mantém e procura constantemente aprimorar e modernizar seus Programas de Residência Médica, de acordo com os avanços da medicina e necessidades da sociedade. Na década de 1960, a Residência Médica era composta de dois ciclos básicos: o clínico e o cirúrgico, aonde se distribuíam os seus vinte médicos, 10 clínicos e 10 cirurgiões. As especialidades se iniciavam apenas no terceiro ano. Nos anos seguintes, a Residência Médica passou a ser diversificada até que, no presente, 64 programas diferentes são oferecidos para 555 médicos residentes6. O departamento de cirurgia oferece 16 vagas de cirurgia geral, com programa de dois anos e pré-requisito para as especialidades e 17 vagas de especialidades entre cirurgia do aparelho digestivo, cardiovascular, pediátrica, plástica, torácica, vascular e urologia, com programas de 2 ou 3 anos.

Não é intuito desse estudo comparar os resultados obtidos de outros países ou com a literatura disponível, visto que tais comparações podem ser artificiais por se tratar de realidades diferentes, além de que tais comparações serão publicadas no trabalho multicêntrico.

Nossos resultados mostram nas perguntas que avaliam a satisfação com a carreira de cirurgião (perguntas número 4, 18, 35 a 42), grande satisfação com a especialidade, porém alta preocupação financeira e opiniões conflitantes quanto ao futuro da especialidade. Ressalte-se que as respostas: "gostar de operar" e "importar-se com os pacientes" com 49 respostas "concordo", cada uma, foram as mais freqüentes. As perguntas que avaliam a satisfação com o programa de residência médica (demais perguntas) mostram grande heterogeneidade nas respostas. Interessante, quase 20% dos respondedores já pensaram em abandonar o programa. Outros resultados marcantes são: (1) 76% dos jovens cirurgiões acreditam ser essencial uma formação de especialidade e apenas 4% aceitam a idéia de que a formação limitada à cirurgia geral é adequada; (2) significante número de respondedores preocupa-se com o seguro médico a despeito do mesmo não ser amplamente difundido ainda no nosso país; (3) número altíssimo de descontentamento com a ética de preceptores; (4) apenas 38% dos residentes estão satisfeitos com o conteúdo de formação de suas residências, (5) somente 20% acham o volume cirúrgico ao qual estão expostos suficiente; (6) apenas 60% dos residentes recorreriam aos seus preceptores para resolver problemas na residência; (7) 38% dos residentes negam a presença de uma estrutura de apoio pessoal em seus programas e (8) quase metade(48%) dos residentes acham que suas opiniões não têm valor em seus ambientes de trabalho.

Em conclusão, os resultados deste trabalho mostram alta satisfação com a especialidade, porém grande preocupação financeira e opiniões conflitantes quanto ao futuro da especiliadade.

 

REFERÊNCIAS

1. Yeo H, Viola K, Berg D, Lin Z, Nunez-Smith M, Cammann C, et al. Attitudes, training experiences, and professional expectations of US general surgery residents: a national survey. JAMA 2009; 302(12):1301-8.         [ Links ]

2. Saalwachter AR, Freischlag JA, Sawyer RG, Sanfey HA. The training needs and priorities of male and female surgeons and their trainees. J Am Coll Surg 2005; 201(2):199-205.         [ Links ]

3. Bell RH. Surgical council on resident education: a new organization devoted to graduate surgical education. J Am Coll Surg 2007; 204(3):341-6.         [ Links ]

4. Sachdeva AK, Bell RH Jr, Britt LD, Tarpley JL, Blair PG, Tarpley MJ. National efforts to reform residency education in surgery. Acad Med 2007; 82(12):1200-10.         [ Links ]

5. Bell RH Jr. Graduate education in general surgery and its related specialties and subspecialties in the United States. World J Surg 2008; 32(10):2178-84.         [ Links ]

6. Escola Paulista de Medicina. Coreme Comissão de Residência Médica [online]. São Paulo, Brasil; 2010. [acessado em 29 jul. 2010] Disponível em: http://www.proex.unifesp.br/residencia/coreme/index.htm,         [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência:
Fernando A. M. Herbella
E-mail: herbella.dcir@epm.br

Recebido em 20/10/2010
Aceito para publicação em 30/11/2010
Conflito de interesse: nenhum
Fonte de financiamento: nenhuma

 

 

Trabalho realizado no XXXXX

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