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Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões

Print version ISSN 0100-6991

Rev. Col. Bras. Cir. vol.39 no.1 Rio de Janeiro  2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-69912012000100005 

ARTIGO ORIGINAL

 

Filtro de veia cava: uma década de experiência em um centro de trauma nível I

 

 

Luiz Guilherme Cintra Vidal Reys, TCBC-DF; Raul Coimbra; Dale Fortlage

IProfessor Assistente Voluntário da Área de Clínica Cirúrgica da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília DF-BR
IIProfessor Titular, Chefe da Divisão de Trauma, Terapia Intensiva Cirúrgica e Queimados da Universidade da Califórnia, San Diego, E-mail: rcoimbra@ecsd.edu
IIIAnalista/Programador da Divisão de Trauma, Terapia Intensiva Cirúrgica e Queimados. Universidade da Califórnia, San Diego

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Avaliar os dados relativos à utilização de filtro de veia cava na Divisão de Trauma do Centro Médico da UCSD San Diego, CA/EUA.
MÉTODOS: Estudo descritivo realizado na Divisão de Trauma visando avaliar a experiência acumulada e a conduta terapêutica nos doentes atendidos pela equipe da Divisão de Trauma e submetidos à colocação de filtro de veia cava como método de prevenção ou tratamento do TEP no período de janeiro de 1999 a dezembro de 2008.
RESULTADOS: O estudo compreendeu 512 doentes, destacando-se o sexo masculino (73%). Quanto à causa do traumatismo predominou o acidente automobilístico, seguido por lesões provocadas por quedas. A relação homem/mulher foi 3:1. A faixa etária mais atingida foi 21 a 40 anos, representando 36% dos doentes. O percentual de filtros de cava profiláticos foi de 82% contra 18% de filtros terapêuticos. O traumatismo craniano foi a principal causa para indicação de filtros profiláticos seguido dos traumas raquimedulares. O índice de TVP pós-filtro foi 11%.
CONCLUSÃO:
Na presença de contraindicação ao uso de anticoagulantes em doentes vítimas de trauma grave, os filtros de veia cava inferior demonstraram ser uma opção efetiva e segura. Entretanto, deve-se aplicar rigor ao julgamento clínico para todas as indicações, mesmo após o advento de filtros "recuperáveis".

Descritores: Ferimentos e lesões. Condutas terapêuticas. Filtros de veia cava. Filtros de veia cava/efeitos adversos. Filtros de veia cava/utilização.


 

 

INTRODUÇÃO

As lesões traumáticas estão entre as principais causas de morte e morbidade nas sociedades contemporâneas, segundo dados da Organização Mundial de Saúde OMS1.

O Centro Médico da Universidade da Califórnia, San Diego (UCSD) tem atuado como um Centro pioneiro e de referência no atendimento especializado em Trauma, com a designação de Centro de Trauma Nível I pelo Comitê de Trauma do Colégio Americano de Cirurgiões, desde 1984.

O Centro de Trauma dispõe de três leitos de reanimação e um centro cirúrgico exclusivo localizados em área adjacente à Unidade Cirúrgica de Tratamento Intensivo (SICU Surgical Intensive Care Unit), ao Bando de Sangue e ao laboratório clínico. Os pacientes são assistidos por uma equipe multidisciplinar especializada, sob a liderança do cirurgião geral especialista em cirurgia do trauma (trauma surgeon), enfermeiros especializados (trauma nurses), neurocirurgiões, ortopedistas e cirurgiões plásticos. Todos os aspectos do cuidado especializado ao trauma são disponibilizados a cada paciente nesta unidade. Como parte da abordagem multidisciplinar, os doentes são submetidos à profilaxia da TVP/EP de acordo com protocolos estabelecidos e, semanalmente, a rastreamento da doença tromboembólica por meio de ecografia vascular dos membros inferiores2.

A doença tromboembólica permanece como importante causa de morbidade e mortalidade nos doentes politraumatizados. Nos EUA a incidência anual de embolia pulmonar (EP) não fatal situa-se entre 450.000 e 650.000 casos, com uma estimativa de 50.000 a 200.000 mortes por ano por EP3.

A profilaxia da trombose venosa profunda (TVP) com heparina não fracionada (HNF), heparina de baixo peso molecular (HBPM) e métodos físicos de compressão intermitente dos membros têm sido utilizados com o intuito de diminuir a incidência de TVP, e, subsequentemente, a embolia venosa4. O método preferencial de profilaxia da doença tromboembólica tem sido a anticoagulação sistêmica5. No caso particular dos doentes politraumatizados frequentemente existirão contraindicações a essa terapia medicamentosa devido aos riscos de sangramento pela natureza das lesões traumáticas agudas e da necessidade de tratamento cirúrgico urgente.

Doentes vítimas de trauma grave com risco elevado de complicações tromboembólicas (fraturas pélvicas, da coluna, de extremidades inferiores e retidos ao leito, lesões medulares ou cerebrais) e com contraindicações à anticoagulação sistêmica (risco de sangramento, hemorragia cerebral ou medular) tem sido o alvo principal das indicações para colocação de filtro de veia cava6.

As indicações para colocação de filtros de veia cava têm sido ampliadas nos últimos anos, principalmente com o advento dos filtros recuperáveis que podem ser retirados por via percutânea quando a condição para a qual foram indicados não mais existir7. Embora o seu emprego possa ter vantagens teóricas8, não existem dados relevantes que esclareçam sobre a sua eficácia clínica ou efeitos adversos.

Este estudo tem como objetivo analisar os dados relativos à utilização de filtros de veia cava em pacientes traumatizados atendidos na Divisão de Trauma da UCSD, San Diego, Califórnia, EUA.

 

MÉTODOS

Análise de registros computadorizados, coletados prospectivamente, dos doentes atendidos no período de janeiro de 1999 a dezembro de 2008 na Divisão de Trauma do Departamento de Cirurgia da UCSD.

Todos os doentes atendidos na unidade de Trauma submetidos à colocação de filtro de cava foram incluídos. Os dados foram coletados utilizando-se uma tabela que incluía as seguintes variáveis: data e horário do atendimento e do trauma, idade, sexo, procedência, mecanismo de trauma, características das lesões, lesões associadas, tipo de tratamento, permanência hospitalar e encaminhamento após a alta.

Os casos foram classificados por etiologia em categorias: ASS= Assalto (com agressão física ou violência interpessoal); BIC= acidente com bicicleta (quedas, colisão com outros veículos ou atropelamento, postes, paredes, casas); QDA= queda da própria altura e impactos relacionados a quedas (incluindo traumas de colisão direta com móveis, instalações, e elementos internos e externos em residências); EC= encontrado caído (sem especificação exata da origem do trauma); LAF= lesões por arma-de-fogo (incluindo intervenções legais, assaltos a mão armada, lesões auto-infligidas, lesões únicas ou múltiplas, acidentais, em qualquer parte do corpo); FAB= feridas por arma branca; MOTO= acidente por motocicleta (incluindo colisão contra outros veículos automotores, bicicletas, postes, paredes, casas e quedas), AUTO= acidente automobilístico (incluindo colisão contra outros veículos automotores, bicicletas, postes, paredes, casas; exclui motocicletas); TRC= outros traumatismos contusos; VOR= acidentes com veículos tipo off-road; PED= acidente com pedestres; VTR= acidentes com trens, bondes ou veículos que trafegam em trilhos.

A análise teve como foco todos os doentes com filtros de veia cava permanentes e recuperáveis e as variáveis de associação com trombose venosa. Foram analisados os dados referentes ao tipo de trauma, idade, gênero, Injury Severity Score (ISS), Revised Trauma Score (RTS) e as diferenças entre os grupos com filtro de veia cava profilático e terapêutico relacionando-se com a mortalidade geral e por TEP.

Os resultados foram descritos pela medida da média para quantificação das distribuições; o valor de p <0,05 foi utilizado como significância estatística entre os grupos.

 

RESULTADOS

O estudo compreendeu 512 doentes (Figura 1) que foram submetidos à colocação de filtro de veia cava, destacando-se o sexo masculino (73%). A faixa etária com maior incidência situou-se entre 21 a 40 anos, compreendendo 36% de toda população nos dez anos do período estudado.

 

 

A média de idade foi 44 anos (variação de 13 a 95 anos). Quanto à causa do trauma, predominou o acidente automobilístico (31%), seguido das lesões por queda de altura (23%).

O período médio de permanência hospitalar foi 25 dias. O ISS médio foi de 25,7 e o RTS médio foi de 7,2. As lesões cranioencefálicas e raquimedulares foram as mais significativas neste grupo de doentes.

Todos os doentes que foram submetidos à colocação de filtro de veia cava tinham contraindicação à anticoagulação.

O percentual de colocação de filtros profiláticos (sem TVP prévia documentada à época da colocação do dispositivo + contraindicação à anticoagulação ou falha terapêutica) foi 82% do total dos casos (n=420) no período estudado (Figura 2). O trauma crânio-encefálico foi a principal indicação de filtro de veia cava profilático (254 casos = 60,5%); seguindo-se dos traumas raquimedulares (74 casos = 17,6%), do politraumatismo grave com alto risco para TVP por fraturas pélvicas e/ou de ossos longos em membros inferiores (MMII) com impossibilidade de deambulação (65 casos = 15,5%) e lesões abdominotorácicas ou por uso contínuo de anticoagulante oral (cardiopatia) e que demandavam cirurgia urgente (27 casos = 6,4%). Houve 27 mortes neste grupo de doentes (6,42%); somente uma morte relatada por TEP (0,23%) e confirmada por necropsia.

 

 

Os filtros profiláticos seguiram-se de TVP em 43 casos (10%) em um intervalo de tempo médio de 14 dias (variando de 1 a 106 dias após a colocação do filtro) com duas mortes neste subgrupo de doentes (Figura 3).

 

 

Os filtros terapêuticos (com TVP ou EP prévia documentada + contraindicação à anticoagulação ou falha terapêutica) foram indicados em 18% dos casos (n=92) com oito mortes neste grupo (8,7%). Não houve nenhuma morte relacionada à TEP neste grupo de doentes.

Observou-se um aumento constante na utilização de filtros de cava a partir de 2001, uma estabilização em 2004/2005 e um pico em 2006 após a disponibilização dos filtros recuperáveis. Observa-se, após este período, uma diminuição na utilização desses dispositivos em 2007 e 2008.

Não houve diferenças estatísticas significantes com relação ao sexo, idade, grupo étnico, procedência, permanência hospitalar, mecanismo do trauma, tipo de lesão, lesões associadas e índice de gravidade entre os grupos com filtros profiláticos e terapêuticos.

 

DISCUSSÃO

A doença tromboembólica venosa, incluindo a TVP e EP, são complicações comuns e causas importantes de morbimortalidade nos doentes vítimas de trauma que estão se recuperando de lesões graves. Esta população possui um risco aumentado para tromboembolismo venoso, particularmente em doentes com fraturas de MMII ou pélvicas com incidência em torno de 58% para TVP distal e 18% para TVP proximal na ausência de medidas profiláticas9,10­ ; metade dos doentes que apresentarem TVP proximal desenvolverá episódios embólicos pulmonares11,12­. A taxa de risco13 se correlaciona com fatores associados, tais como: idade, tipo e gravidade do trauma14,15.

Orientações promulgadas pela Eastern Association for the Surgery of Trauma (EAST) e Brain Trauma Foundation sugerem que doentes vítimas de trauma grave com hemorragia intracraniana, lesões oculares com hemorragia associada, lesões de órgãos sólidos intra-abdominais, fraturas pélvicas ou hematoma retroperitoneal necessitando transfusão estariam sob risco de complicações hemorrágicas graves por até 5 a 10 dias após o acidente16.

Pela natureza traumática aguda dessas lesões, frequentemente existem contraindicações imediatas e de médio prazo à profilaxia e anticoagulação medicamentosa em virtude das complicações hemorrágicas potenciais (22% dos doentes vítimas de trauma)17. A proteção mecânica profilática oferecida pelos dispositivos de filtragem intracaval (filtro de cava) estaria, teoricamente, indicada nestes casos18.

Infelizmente, a busca de dados propiciados por ensaios controlados é prejudicada por falhas metodológicas ou de "poder" estatístico nos estudos publicados, demonstrando uma lacuna que impede conclusões relevantes a respeito da eficácia profilática dos filtros para prevenir a embolia pulmonar19,20.

A EAST recomenda considerar a inserção de filtros de veia cava em doentes sem TVP documentada e que não podem receber profilaxia farmacológica, entretanto, existe uma variação significativa na indicação desses dispositivos conforme demonstrado em uma revisão retrospectiva em 21 centros de trauma nos EUA. Observa-se ainda, que os filtros de cava são indicados em um percentual duas vezes maior em unidades de trauma que recebem um baixo volume de doentes.

Os filtros de veia cava são efetivos na prevenção da EP em doentes com TVP documentada e com contraindicação a anticoagulação (indicação terapêutica). Entretanto, não existem estudos controlados quanto à efetividade e segurança desses dispositivos como medida profilática na prevenção da EP em doentes sob risco de TVP e de complicações hemorrágicas graves, e, até o momento, o tipo de profilaxia ideal nestes casos, permanece desconhecida. Existem também estudos que comprovam uma maior incidência no risco para desenvolvimento de TVP nos doentes portadores de dispositivos de filtragem intracaval, que podem resultar em complicações de longo prazo como a insuficiência venosa crônica e ulcerações21.

A maioria dos doentes submetidos à colocação de filtros de veia cava no presente estudo não tinha evidência de TVP prévia (82% de filtros profiláticos versus 18% de filtros terapêuticos). Houve uma tendência definida na utilização de filtros recuperáveis a partir de 2006, embora muitos destes filtros permaneçam in situ de modo permanente, de forma similar ao encontrados em outras publicações22.

Evidenciamos TVP pós-filtro em 10,7% dos casos ocorrendo em um tempo médio de 14 dias após sua inserção, o que demonstra correlação com as taxas publicadas em outros estudos (4% a 30%) e menor do que a taxa de TVP nos grupos históricos de doentes vítimas de trauma com alto risco para TVP (67%) na ausência de profilaxia23. Não pudemos estabelecer se a TVP, após a colocação do filtro, determinou uma alteração de fluxo sanguíneo com tendência a trombose proximal, mas o dispositivo cumpriu sua finalidade de maneira eficiente, pois houve somente uma morte relacionada à TEP (0,19% do total de casos; 0,24% quando consideramos apenas os casos com indicação de filtro profilático). Em estudos anteriores essa taxa variou entre 1,2 e 4,6%24,25.

Deve-se enfatizar que, nos doentes deste estudo, foram realizados exames sistemáticos semanais de ecografia vascular com Doppler no rastreamento e seguimento da TVP em MMII desde a admissão.

Seria interessante considerar em futuros estudos controlados, a possibilidade de comparação entre grupos de doentes de alto risco submetidos apenas a vigilância ecográfica vascular para o diagnóstico precoce da TVP com doentes submetidos à colocação de filtro de veia cava profilático, para avaliar a melhor estratégia de profilaxia da TEP em doentes vítimas de trauma grave e com contraindicação à profilaxia medicamentosa. A taxa de mortalidade ajustada por análise de decisão atribuída à TEP nesta população específica de doentes parece ser pequena (0,22% sem filtro x 0,13% com filtro)26. Este tipo de abordagem foi sugerido pelo grupo da Universidade de Calgary no Canadá, que demonstrou um melhor desempenho na análise de desfechos positivos e menores custos associados com a utilização de ecografia com Doppler seriada em comparação com o filtro de cava profilático. Entretanto, os resultados necessitam ser interpretados dentro do contexto das limitações relacionadas à ecografia vascular com Doppler no rastreamento da TVP neste grupo de doentes, ao desenho do estudo (coorte), assim como por basear-se em análises econômicas de uma unidade de terapia intensiva em centro regional do Canadá, o que restringe generalizações.

Este tipo de abordagem foi sugerido pelo grupo da Universidade de Calgary no Canadá, que demonstrou um melhor desempenho na análise de desfechos positivos e menores custos associados com a utilização de ecografia com Doppler seriada em comparação com o filtro de cava profilático. Entretanto, os resultados necessitam ser interpretados dentro do contexto das limitações relacionadas à ecografia vascular com Doppler no rastreamento da TVP neste grupo de doentes, ao desenho do estudo (coorte), assim como por basear-se em análises econômicas de uma unidade de terapia intensiva em centro regional do Canadá, o que restringe generalizações.

Não foi objetivo deste estudo analisar dados relativos à retirada dos dispositivos recuperáveis implantados. A conduta nestes casos é de acompanhamento dos todos os doentes na Divisão de Trauma, e encaminhamento dos que possuem indicação para retirada dos filtros de veia cava ao Serviço de Radiologia Intervencionista do hospital. Em uma análise prévia evidenciou-se que somente 30% dos filtros são removidos em um período de seis meses após sua colocação.

O advento dos filtros de veia cava recuperáveis propiciou um aumento em sua utilização, principalmente, nos doentes com alto risco para TVP/EP por falha terapêutica, complicações, ou contraindicação ao uso de drogas anticoagulantes. Entretanto, a retirada destes dispositivos temporários está aquém do esperado, expondo os doentes aos mesmos riscos de complicações potenciais dos dispositivos intracavais permanentes. Um estudo recente em 21 instituições, realizado pela Associação Americana de Cirurgia do Trauma (AAST), demonstrou que somente 22% dos filtros intracavais temporários eram retirados, fato este diretamente relacionado ao seguimento do paciente em outro serviço médico diferente daquele que originalmente fez a colocação. Concluíram, portanto, que o serviço ou setor onde foi feita a colocação do filtro intracaval "recuperável" deveria ser o responsável pelo acompanhamento posterior do paciente, na intenção de aproximar os índices de retirada destes dispositivos temporários aos 87% teoricamente desejáveis22.

O acidente automobilístico foi a principal causa de traumatismo nos casos registrados. Os filtros de cava profiláticos (82% dos casos) foram utilizados como estratégia primária nos doentes sob alto risco de complicações tromboembólicas e contraindicação à anticoagulação medicamentosa, principalmente em doentes com trauma cranioencefálico e raquimedular. Houve somente uma morte relacionada à embolia pulmonar (0,19% do total de casos). Evidenciamos uma maior indicação de filtros profiláticos a partir da disponibilização dos filtros ditos "recuperáveis".

Os anticoagulantes continuam a ser a base do tratamento em doentes com alto risco de TVP ou embolia pulmonar. A principal indicação para o uso de dispositivos de filtragem intracaval é a TVP documentada com contraindicação a anticoagulação.

Na ausência de provas irrefutáveis sobre os benefícios do uso rotineiro dos filtros de cava profiláticos, as guias da ACCP4 continuam válidas. Deve-se aplicar criterioso julgamento clínico para todas as indicações, apesar das baixas taxas de eventos adversos de curto e médio prazos, mesmo após o advento de filtros "recuperáveis".

Deve-se estimular a utilização de exames sistemáticos de ecografia vascular com Doppler para rastreamento precoce e seguimento da doença tromboembólica nos doentes vítimas de trauma grave.

Na presença de contraindicação ao uso de anticoagulantes em doentes vítimas de trauma grave, os filtros de veia cava inferior demonstraram ser uma opção efetiva e segura. Entretanto, deve-se aplicar rigor ao julgamento clínico para todas as indicações, mesmo após o advento de filtros "recuperáveis".

 

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Recebido em 27/05/2011
Aceito para publicação em 30/07/2011
Conflito de interesse: nenhum
Fonte de financiamento: Divisão de Trauma da UCSD Medical Center, San Diego, Califórnia - EUA; Governo Federal, Ministério da Saúde, Brasil; Secretaria de Estado de Saúde, GDF-Brasil.

 

 

Trabalho realizado na Divisão de Trauma, Terapia Intensiva Cirúrgica e Queimados da Universidade da Califórnia, San Diego.