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Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões

versão impressa ISSN 0100-6991

Rev. Col. Bras. Cir. vol.39 no.1 Rio de Janeiro  2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-69912012000100011 

ARTIGO ORIGINAL

 

Análise do emprego de retalhos fasciocutâneos para reconstrução vulvar imediata

 

 

Diogo Franco, TCBC-RJI; Gutemberg AlmeidaII; Marcio Arnaut Jr, ACBC-RJIII; Guilherme ArbexIII;Yara FurtadoIV; Talita Franco, ECBC-RJV

IProfessor Adjunto da Disciplina de Cirurgia Plástica da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (HUCFF-UFRJ)-RJ-BR, E-mail: contato@diogofranco.com
IIProfessor Adjunto da Disciplina de Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IG-UFRJ)-RJ-BR
IIIMédico Residente de Cirurgia Plástica do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF-UFRJ)-RJ-BR
IVProfessora Assistente da Disciplina de Ginecologia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)-RJ-BR
VProfessora Titular da Disciplina de Cirurgia Plástica da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (HUCFF-UFRJ) RJ-BR

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Analisar o emprego de técnicas de reconstrução imediata de vulva, pós-ressecção cirúrgica, com retalhos fasciocutâneos das faces medial e/ou posterior da coxa.
MÉTODOS: Estudo de coorte transversal, retrospectivo, para análise do resultado da reconstrução cirúrgica imediata, com retalhos fasciocutâneos em nove pacientes submetidas à vulvectomia, no período de maio de 2009 a agosto de 2010.
RESULTADOS: A média de idade foi 61 anos (variação 36 a 82 anos). Em 56% dos casos, o diagnóstico foi neoplasia intraepitelial vulvar (NIV) tipo usual. A vulvectomia radical foi realizada em 45% das pacientes, a vulvectomia simples em 33% e as ressecções amplas, em 22%. Foram confeccionados 11 retalhos fasciocutâneos, sendo 36,3% de transposições de retalho posterior de coxa, 18,2% de retalhos mediais de coxa, 18,2% de retalhos em avanço em V-Y, 18,2% de retalhos em avanço simples e 9,1% de rotação de retalho de região posterior de coxa. Não houve casos de perdas importantes dos retalhos confeccionados.
CONCLUSÃO: Os retalhos fasciocutâneos de coxa são, atualmente, boas opções para a reconstrução imediata da vulva pós-ressecção oncológica devido à preservação da sensibilidade e da disponibilidade tecidual nas áreas doadoras. A associação do Cirurgião Plástico com o Ginecologista oferece tranquilidade às pacientes e determina bons resultados pós-operatórios.

Descritores: Vulva. Vulva/cirurgia. Doenças da vulva. Doenças da vulva/reabilitação. Neoplasias da vulva.


 

 

INTRODUÇÃO

O câncer de vulva é responsável por cerca de 2% a 4% dos casos dos tumores malignos no trato genital inferior, incidindo em duas de cada 100 mil mulheres nos países em desenvolvimento1. O tipo histológico mais frequente é o carcinoma epidermoide.

A neoplasia intraepitelial vulvar (NIV) tem sido considerada a principal causa pré-neoplásica de indicação de procedimentos cirúrgicos vulvares. Esta lesão vulvar tem sido observada em sete de cada 100 mil mulheres por ano, sendo a média etária ao diagnóstico em torno de 46 anos, apesar de ocorrer mais frequentemente na sétima década de vida da mulher2.

Embora a história natural da NIV. no que tange à regressão, persistência ou progressão para lesão invasiva seja indefinida, a ressecção cirúrgica adequada é necessária. De 8% a 19% de invasão oculta tem sido encontrada em amostras de ressecção ampla para tratamento de NIV e 9% de incidência de carcinoma invasivo tem sido identificado na NIV quando não ressecado3. Além disso, a incidência de NIV e do câncer invasivo de vulva tem aumentado nas últimas três décadas nos países em desenvolvimento2.

A reconstrução vulvar pós-tratamento cirúrgico de lesões vulvares teve início no começo do Século XX, quando mulheres com tumores malignos de vulva eram submetidas à ressecção das partes moles perineais e a reconstrução ocorria pela cicatrização por segunda intenção da ferida operatória.

Princípios oncológicos mais definidos, com ressecção em bloco da região inguinal com a lesão, se desenvolveram nas Décadas de 30 e 40. Porém, este procedimento, que tinha por objetivo a síntese primária da lesão gerada pela ressecção, raramente era efetivo devido à tensão excessiva e à contaminação.

Nas Décadas de 50 e 60 foram realizadas tentativas iniciais de reconstrução vulvar com enxerto de pele (seja pele parcial ou total), retalhos ao acaso ou a combinação desses4. Porém, somente no final da Década de 70, a reconstrução vulvar conseguiu um verdadeiro progresso com os retalhos cutâneos baseados em territórios vasculares, particularmente os retalhos miocutâneos, cujos pioneiros foram McCraw et al.5.

Após esta época, os retalhos fasciocutâneos baseados nos vasos pudendos internos mostraram-se vantajosos para a reconstrução parcial ou total de vulva. Com isso, tínhamos áreas doadoras variáveis, habitualmente disponíveis, e menor excesso tecidual na área reconstruída.

Baseado no exposto, o objetivo deste trabalho é analisar o emprego de retalhos fasciocutâneos para reconstrução vulvar imediata pós-ressecção oncológica.

 

MÉTODOS

Estudo de coorte transversal, retrospectivo, realizado no Instituto de Ginecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF-UFRJ). Foram selecionadas 16 pacientes submetidas a procedimento cirúrgico para tratamento de lesão vulvar, no período de maio de 2009 a agosto de 2010. Os dados necessários, para a confecção do estudo, foram extraídos de prontuários médicos arquivados. Sete pacientes foram excluídas por terem sido submetidas à reconstrução imediata vulvar por meio de síntese primária, sem a necessidade da utilização de retalhos, realizada pela própria equipe de Ginecologia.

As pacientes foram submetidas à biopsia prévia e, nos casos de confirmação de lesão invasora, foi definido o estadiamento, de acordo com critérios da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO - 2009)6. Nos casos do diagnóstico histopatológico de neoplasia intraepitelial vulvar (NIV), a classificação seguiu os critérios da Sociedade Internacional de Estudos em Doenças de Vagina e Vulva (ISSVD 2004)7. O estudo histopatológico foi realizado pelo Serviço de Anatomia Patológica do Instituto de Ginecologia da UFRJ.

O planejamento cirúrgico foi baseado na biopsia prévia, favorecendo a possibilidade de realização de uma programação cirúrgica entre as equipes médicas, permitindo a reconstrução imediata pela equipe de Cirurgia Plástica.

Os seguintes tipos de procedimentos foram realizados pela equipe de Ginecologia: ressecção ampla da lesão com margem cirúrgica livre de, no mínimo, 5mm; vulvectomia simples (ressecção dos grandes e pequenos lábios, vestíbulo, incluindo a região clitoridiana, com coxim gorduroso até o nível da aponeurose dos músculos superficiais do períneo); e vulvectomia radical (ressecção da região púbica, os sulcos gênito-femorais e toda região perineal até a margem anal, associada à linfadenectomia ínguino-femoral bilateral).

Todas as reconstruções foram realizadas com o emprego de retalhos fáscio-cutâneos. Foram utilizados retalhos com dois eixos vasculares bem determinados para viabilizar a confecção de longos retalhos da face medial e/ou posterior da coxa. O primeiro eixo vascular é oriundo do ramo descendente da artéria glútea inferior que, após cruzar a borda inferior do músculo glúteo máximo, entre o grande trocanter e a espinha isquiática, assume plano subfascial em direção à região poplítea, acompanhando o nervo cutâneo posterior da coxa. Possibilita a confecção de grande retalho inervado fáscio-cutâneo posterior da coxa. O segundo vem de ramos da artéria perineal, que emergem próximos à tuberosidade isquiática, e formam o pedículo vascular principal do retalho fáscio-cutâneo medial da coxa. A inclusão da fáscia aos retalhos de coxa possibilita melhor vascularização dos tecidos, pois preserva os vasos perfurantes que correm junto à mesma, nutrindo os segmentos superficiais.

 

RESULTADOS

A média de idade foi de 61 anos (variação entre 36 a 82 anos). Em 56% (5/9) o diagnóstico foi de neoplasia intraepitelial vulvar (NIV) tipo usual (Figura 1), em 33% (3/9) foi diagnosticado carcinoma espinocelular e em 11% (1/9) a doença de Paget da vulva.

 

 

No grupo de pacientes estudadas, as doenças associadas mais prevalentes foram a hipertensão arterial e o diabetes mellitus, cada uma presente em quatro casos. Houve, também, um caso de epilepsia e um de hipotireoidismo associado ao uso de imunossupressor por transplante renal.

Foram realizadas quatro vulvectomias radicais, três vulvectomias simples (Figuras 2A e 2B) e duas ressecções amplas (Tabela 1). Nas reconstruções vulvares, foram confeccionados 11 retalhos fáscio-cutâneos: quatro transposições de retalho posterior de coxa, duas de retalho medial de coxa (Figuras 3A e 3B), duas de retalhos em avanço em V-Y (Figuras 4A e 4B), duas com retalhos em avanço simples e uma de rotação de região posterior de coxa (Figuras 5A e 5B). Em duas pacientes, por necessitarem de ressecções amplas, foram utilizados retalhos bilaterais (Tabela 2).

 

 

 

 

Em todas as pacientes, utilizou-se dreno aspirativo nas regiões: doadora, receptora e de linfadenectomia, que foram retirados quando o débito, em 24 horas, era menor que 50ml. Além disso, introduziu-se catéter vesical que permaneceu pelo período de 14 a 21 dias.

O período mínimo de acompanhamento pós-operatório foi três meses e a média ficou em oito meses.

Não houve casos de perdas importantes dos retalhos confeccionados. Em 22% (2/9) das pacientes houve deiscência parcial da ferida inguinal, cicatrizada por segunda intenção, e sem comprometimento estético ou funcional. Houve, também, uma deiscência da sutura perivaginal, em uma paciente imunossuprimida, que foi conduzida com curativo e a cicatrização ocorreu por segunda intenção.

 

DISCUSSÃO

A realização de vulvectomia não é frequente em nossos hospitais, possivelmente por não serem comuns as doenças que levam a esta conduta, determinando o encaminhamento das pacientes para as poucas instituições que têm experiência com o procedimento. Isto aprimora o conhecimento e a habilidade desses profissionais envolvidos. A parceria entre Serviços de Ginecologia e de Cirurgia Plástica traz benefícios ainda maiores. Além de propiciar tratamento adequado da lesão tumoral, oferece tranquilidade e esperança às pacientes que terão a possibilidade de reconstrução imediata com os melhores resultados funcional e estético possíveis.

A responsabilidade inferida ao Cirurgião Plástico é grande. O saldo, positivo ou negativo, da reconstrução é, habitualmente, atribuído à sua conduta e à sua opção cirúrgica. As pacientes querem ser curadas, mas também desejam, sobretudo, que tenham preservadas suas formas e funções. O tratamento interdisciplinar aumenta a confiança e cria parceria e cumplicidade por parte das pacientes, facilitando o acompanhamento pós-operatório.

Em 1985, Kaplan8 já apontava a necessidade de se preservar as características locais nas reconstruções vulvares. Contudo, diferentemente do que preconizamos atualmente, utilizava enxertos cutâneos nas lesões menores e retalhos miocutâneos nas maiores. Ressaltava que retalhos locais, do tipo fáscio-cutâneos, não deveriam ser utilizados, pois não eram confiáveis nem tinham resultados satisfatórios. Nesta ocasião, o conhecimento sobre a vascularização dos retalhos não era o mesmo de hoje, o que justifica sua insegurança.

Mayer e Rodriguez9 relatam caso onde utilizaram retalho abdominal baseado na artéria pudenda externa superficial. Defendem que a cicatriz seria melhor disfarçada quando comparada à da coxa. Contudo, mostram um caso onde o resultado estético não parece aceitável e deixam uma ilha cutânea estreita entre as áreas receptora e doadora do retalho, favorecendo complicações. Acreditamos que as reconstruções costumam ser melhores quando os tecidos empregados têm alguma interação funcional e/ou estética com a área a ser reparada, sendo a coxa e o entorno perineal nossas regiões de preferência.

Franco et al.10, em 1995, ressaltam a importância do trabalho conjunto entre as especialidades e as diversas aplicações de retalhos fáscio-cutâneos de coxa para reconstrução de vulva. À época, as áreas cruentas deixadas pelas vulvectomias costumavam ser maiores e, muitas vezes, em continuidade com os esvaziamentos inguinais, o que conferia maiores riscos.

Outras publicações reforçam nossa premissa de se utilizar retalhos que preservem as características naturais locais, deixem cicatrizes bem escondidas, mantenham a inervação sensitiva e se beneficiem da vascularização local4,11-13.

Salgarello et al.14, em artigo interessante, criam algoritmo e sistematizam as reconstruções de vulva, levando-se em consideração o tamanho e a localização das áreas cruentas deixadas após as vulvectomias. Também indicam os retalhos fáscio-cutâneos sistematicamente, usando áreas doadoras diversas, entre elas as coxas. Recomendam não avançar os retalhos além da linha média para se evitar tensão demasiada em sua extremidade e possível necrose ou deiscências.

Em contrapartida, Muneuchi et al.15 utilizam, como primeira opção para reconstrução de vulva, o retalho dermoadiposo de abdome, baseado em ramos perfurantes da artéria epigástrica profunda inferior (DIEP flap). Reconhecem que a preferência atual recai sobre os retalhos fáscio-cutâneos de coxa, mas acreditam que o retalho de abdome tem vascularização mais confiável.

Lee et al.16 recomendam retalhos com inervação sensitiva preservada e de espessura adequada ao local. Para isso, utilizam retalho ilhado, de avanço em V-Y, oriundos do sulco glúteo. Na prática, observamos, neste tipo de retalho, boa indicação quando há preservação da metade anterior da vulva e a área cruenta não é muito extensa. Isso facilita o avanço do retalho e a boa localização das cicatrizes. De outra forma, em lesões maiores, a necessidade de grandes descolamentos e mobilização dos retalhos pode comprometer sua viabilidade e deixam uma disposição das cicatrizes que não se assemelham ao aspecto natural da vulva.

Staiano et al.17 realizaram retalhos diversos sendo que, aproximadamente, metade deles foi fáscio-cutâneo da coxa. Como trataram muitos casos de tumores avançados ou recidivados, também utilizaram retalhos miocutâneos mais extensos e tiveram índices elevados de complicações (53%). Ressaltaram que estas complicações, sendo a mais comum a deiscência de sutura, foram influenciadas pelas múltiplas cirurgias e radioterapia prévia.

Em nossas pacientes, os retalhos fáscio-cutâneos de coxa têm se apresentado como boas opções para as reconstruções de vulva. A faixa etária das pacientes usualmente determina flacidez tecidual local, o que possibilita a disponibilização suficiente de tecidos para cobertura das feridas, deixando pouca sequela na área doadora. Os eixos vasculares da coxa, em sua face medial e posterior, permitem a confecção de retalhos extensos e com boa viabilidade, além de preservarem a sensibilidade.

O diagnóstico precoce possibilita ressecções menores e procedimentos mais simples para reconstrução. Em alguns casos, após descolamento das áreas vizinhas, é possível a aproximação direta de feridas de tamanho médio (Figura 1). Em contrapartida, ressecções maiores solicitam retalhos mais complexos e, quando associadas ao esvaziamento ganglionar, trazem maior chance de complicações (Figura 2 e 3). A linforréia observada nas regiões inguinais pode levar mais de três semanas para regredir e, neste período, é aconselhável a manutenção de drenos de aspiração para acelerar esta resolução. A única paciente que teve os drenos retirados, inadvertidamente, no pós-operatório precoce apresentou deiscência inguinal, resolvida com punções aspirativas periódicas e cicatrização por segunda intenção.

Para as feridas perineais e/ou perianais isoladas, dependendo da extensão, utilizamos retalhos de rotação ou de avanço em V-Y, dermoadiposos ou fasciocutâneos da região glútea (Figura 4).

No passado, costumava-se fazer ressecções em bloco, havendo continuidade entre a área cruenta genital e as lojas inguinais. Isto possibilitava o acúmulo de linfa sob os retalhos usados para a reconstrução vulvar e aumentava as chances de deiscência.

Outro ponto importante a ser ressaltado é a manutenção do catéter vesical no pós-operatório. O cateterismo deve ser mantido até que haja boa cicatrização da ferida ao redor da uretra e do canal vaginal, o que normalmente acontece entre duas e três semanas. A retirada precoce do catéter vesical pode originar coleção de urina abaixo dos retalhos e consequente complicação.

Em nossa amostra, não houve recidivas tumorais e os resultados possibilitaram o retorno ao dia a dia habitual das pacientes.

Observamos que a associação da Cirurgia Plástica com a Ginecologia, e suas áreas de atuação, oferece tranquilidade aos cirurgiões e, sobretudo, às pacientes. Além disso, os retalhos das regiões posterior ou medial da coxa se mostraram boas opções para a reconstrução vulvar.

 

REFERÊNCIAS

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Recebido em 06/05/2011
Aceito para publicação em 01/07/2011
Conflito de interesse: nenhum
Fonte de financiamento: nenhum

 

 

Trabalho realizado no Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF-UFRJ) e no Serviço de Patologia Vulvar do Instituto de Ginecologia (IG-UFRJ) - Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)-RJ-BR.