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Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões

Print version ISSN 0100-6991

Rev. Col. Bras. Cir. vol.39 no.6 Rio de Janeiro Nov./Dec. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-69912012000600019 

RELATO DE CASO

 

Pseudoaneurisma de artéria poplítea secundário a osteocondroma femoral - relato de caso

 

Popliteal artery pseudoaneurysm caused by a femoral osteochondorma - case report

 

 

Fabricio Mascarenhas de OliveiraI; Nelson Fernandes JúniorII; Tasso RobertiIII; Edgar BolanhoIII; Regina de Faria Bittencourt da Costa, TCBC- SPIV

IEx-Médico Residente de Cirurgia Vascular - Hospital Heliópolis SP
IIMédico Assistente do Serviço de Cirurgia Vascular - Hospital Heliópolis SP
IIIMédico Assistente de Cirurgia Vascular - Hospital Heliópolis SP; 4. Chefe do Serviço de Cirurgia Vascular - Hospital Heliópolis. SP

Endereço para correspondência

 

 


ABSTRACT

Osteochondromas are the most common benign tumor of the bone. They are sometimes responsible for vascular complications involving either veins or arteries, principally around the knee. Pseudoaneurysms are considered a rare condition. The authors describe the occurrence of a pseudoaneurysm of the popliteal artery in association with a femoral osteochondroma in a 30-years-old man.

Key words: Pseudoaneurysm. Popliteal artery. Osteochondroma surgery.


 

 

INTRODUÇÃO

Osteocondroma é o tumor ósseo benigno mais comum, sendo encontrado em até 2% da população. Esses tumores têm uma cápsula protetora que sofre ossificação no período final do crescimento com o fechamento da epífise. Por este motivo, desenvolvem-se principalmente na adolescência. Pode ser único ou múltiplo e localiza-se nas metáfises ósseas, comumente no fêmur distal1-3.

Normalmente assintomático, achado casual de radiografia, pode estar associado à inúmeras complicações, incluindo deformidades do esqueleto, alterações do crescimento, compressões nervosas, limitação da mobilidade articular, fraturas do tumor e degeneração maligna.

Os autores relatam um caso de pseudoaneurisma de artéria poplítea como complicação vascular do osteocondroma de fêmur.

 

RELATO DO CASO

ASG, masculino, 30 anos de idade, com relato de três cirurgias prévias em fêmur esquerdo por tumor foi encaminhado ao Serviço de Cirurgia Vascular com claudicação limitante do membro inferior esquerdo para 100m, com piora progressiva há dois anos e tumor pulsátil e indolor na região do joelho esquerdo (Figura 1A) de crescimento lento e progressivo. Ao exame ausência de sopros, hipertermia ou sinais de insuficiência venosa crônica, associados à diminuição dos pulsos tibiais.

 

 

 Radiografia de fêmur esquerdo imagem sugestiva de osteocondroma de metáfise medial de fêmur (Figura 1B); ecodoppler arterial pseudoaneurisma de artéria poplítea sem fistula artério-venosa; tomografia de membro inferior esquerdo imagem sugestiva de aneurisma ou pseudoaneurisma de artéria poplítea em íntimo contato com tumor ósseo em metáfise de fêmur (Figura 1C); arteriografia ectasia de artéria poplítea sugestiva de aneurisma ou pseudoaneurisma deste segmento, sem oclusão de artérias de perna (Figura 1D).

Exploração cirúrgica com incisão ântero-medial, ao nível do canal dos adutores, evidenciou tumor pulsátil, de aproximadamente 10cm de comprimento e 4cm de diâmetro, com espícula óssea exuberante em metáfise medial do fêmur.

Optou-se pela abertura do pseudoaneurisma com rafia simples dos dois orifícios fistulosos e ressecção da exostose (Figura 2A).

 

 

Evolução pós-operatória sem claudicação limitante e/ou tumor, presença de pulsos tibiais, alta hospitalar assintomático. Exame anátomo-patológico confirmou a hipótese de osteocondroma de fêmur.

Arteriografia de controle após seis meses de cirurgia sem sinais de tumoração em artéria poplítea esquerda e com perviedade de artérias tibiais (Figura 2B). Permanece assintomático após três anos, seguimento com radiografia simples e ecodoppler.

 

DISCUSSÃO

As lesões vasculares secundárias aos osteocondromas são raras e desenvolvem-se, na sua maioria, na segunda década de vida3. As complicações arteriais são responsáveis por 91% dos casos, sendo o mais comum o pseudoaneurisma (63,9%).

A artéria poplítea é o local mais frequente de formação de pseudoaneurismas, provavelmente pela relativa fixação no canal adutor e na fossa poplítea. O outro motivo é a maior ocorrência de osteocondromas no fêmur distal e na tíbia proximal.

Acredita-se que o trauma físico pela fricção durante a extensão e flexão da perna, levando à fraqueza da parede arterial pelo tumor em crescimento, seja mecanismo associado à formação de pseudoaneurismas. Outro fator potencialmente relacionado é a punção direta da espícula óssea no vaso adjacente4.

Como a maioria dos osteocondromas é assintomática, o tratamento cirúrgico é controverso4,5, sendo indicado quando há complicações (embolia arterial, trombose venosa, flebite) e/ou quando próximos a feixes vásculo-nervosos.

O tratamento do pseudoaneurisma associado ao osteocondroma é cirúrgico: correção do pseudoaneurisma associado à ressecção da espícula óssea1-4. Pode se reconstruir a lesão arterial com enxerto venoso ou protético, secção do pseudoaneurisma com anastomose término-terminal da artéria, ou simples sutura do orifício responsável pelo pseudoaneurisma, como no relato de caso descrito4.

 

REFERÊNCIAS

1. Cardon A, Aillet S, Ledu J, Kerdiles Y. Pseudo-aneurysm of the popliteal artery by femoral exostosis in a young child. J Cardiovasc Surg. 2001;42(2):241-4.         [ Links ]

2. Matsushita M, Nishikimi N, Sakurai T, Nimura Y. Pseudoaneurysm of the popliteal artery caused by exostosis of the femur: case report and review of the literature. J Vasc Surg. 2000;32(1):201-4.         [ Links ]

3. Vasseur MA, Fabre O. Vascular complications of osteochondromas. J Vasc Surg. 2000;31(3):532-8.         [ Links ]

4. Perez-Burkhardt JL, Gómez Castilla JC. Postraumatic popliteal pseudoaneurysm from femoral osteochondroma: case report and review of the literature. J Vasc Surg. 2003;37(3):669-71.         [ Links ]

5. Wiater JM, Farley FA. Popliteal pseudoaneurysm caused by an adjacent osteochondroma: a case report and review of the literature. Am J Orthop. 1999;28(7):412-6.         [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência:
Regina de Faria Bittencourt da Costa
E-mail: costara@uol.com.br

Recebido em 10/04/2007
Aceito para publicação em 22/05/2007
Conflito de interesse: nenhum
Fonte de financiamento: nenhum

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