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Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões

versão impressa ISSN 0100-6991versão On-line ISSN 1809-4546

Rev. Col. Bras. Cir. vol.42 no.1 Rio de Janeiro jan./fev. 2015

http://dx.doi.org/10.1590/0100-69912015001002 

Artigos Originais

Uso de bebida alcoólica em períodos pré e pós- operatório de cirurgia bariátrica

Ana Carolina Ribeiro de Amorim 1  

Amanda Fernandes Oliveira de Souza 1  

Ana Luisa Valadares Nascimento 1  

Regiane Maio 1  

Maria Goretti Pessoa de Araújo Burgos 1  

1Departamento de Nutrição, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, PE, Brazil

RESUMO

OBJETIVO:

avaliar a ingestão de bebidas alcoólicas nos períodos pré e pós-operatório de cirurgia bariátrica.

MÉTODOS:

os pacientes foram entrevistados no ambulatório de Cirurgia Geral do Hospital das Clínicas/UFPE, no período de julho/2011 a março/2012. Foram analisadas variáveis socioeconômicas, antropométricas e clínicas. A avaliação do consumo de álcool nos últimos 12 meses, foi realizada pelo questionário AUDIT C (alcohol use disorders identification test).

RESULTADOS:

foram estudados 119 pacientes com média de idade de 41,23+11,30 anos, com predominância do sexo feminino (83,2%), raça não branca (55%), casados ou em união estável (65,5%), com ensino médio (40,3%) e ativo ao mercado de trabalho (37%). O peso no período pré-operatório foi 128,77+25,28Kg e IMC 49,09+9,26Kg/m2, classificado em obesidade classe III, e no pós-operatório foi 87,19+19,16Kg e IMC 33,04+6,21Kg/m2, classificado em obesidade classe I, com p<0,001. A doença mais frequente no pré (66,6%) e pós operatório (36,5%) foi a hipertensão. No período pré-operatório 26,6% faziam uso de álcool, sendo 2,2% uso de alto risco e no pós-operatório 35,1%, sendo 1,4% provável dependência, não sendo encontrada diferença significativa entre os grupos de pré e pós-cirúrgico (p = 0,337).

CONCLUSÃO:

foi encontrada uma prevalência do uso alcoólico superior àquela detectada na população brasileira, no entanto não foi evidenciado consumo de alto risco/provável dependência, nem elevação deste consumo em período pós-operatório.

Palavras-Chave: Obesidade Mórbida; Cirurgia Bariátrica; Bebidas Alcoólicas; Etanol; Perda de Peso

INTRODUÇÃO

A obesidade é uma doença crônica não transmissível caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal1. Trata-se de um fenômeno multifatorial envolvendo componentes genéticos, comportamentais, psicológicos, sociais, metabólicos e endócrinos2.

Em sua forma mais grave é denominada de obesidade mórbida, onde o índice de massa corporal (IMC) está acima de 40kg/m2 e é um fator de risco para o desenvolvimento de diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial sistêmica, insuficiência cardíaca congestiva, dislipidemia e aterosclerose, artropatias, hipoventilação, síndrome da apneia do sono e outras doenças, que reduzem a qualidade de vida e a autoestima do paciente2 , 3.

A orientação nutricional, a prática de atividade física regular e o uso de fármacos antiobesidade são a base para a perda de peso. No entanto, pacientes com obesidade mórbida não conseguem manter esta perda de peso e por consequência não reduzem comorbidades. Neste aspecto, a cirurgia bariátrica tem se mostrado o melhor tratamento no que diz respeito à perda e manutenção de peso e comorbidades em longo prazo4.

Nos últimos anos, alguns relatos levantaram a hipótese de que os indivíduos submetidos ao tratamento cirúrgico da obesidade, poderiam estar com o risco aumentado para o abuso do consumo de álcool após a operação. Isto poderia ocorrer, devido a incapacidade de continuar com hábitos alimentares passados, como consumir grandes volumes de alimentos palatáveis, gerando uma procura por substâncias de recompensa semelhantes ao alimento, como o álcool5 - 10. Alguns autores também levantaram a hipótese de haver uma correlação entre a perda de peso, após a operação, e o consumo de álcool5 , 7, porém ainda não há um consenso na literatura.

Diante dos resultados contraditórios, e pela escassez de trabalhos brasileiros neste assunto, o objetivo do presente estudo foi investigar a prevalência da ingestão de bebida alcoólica em período pré e pós-operatório de cirurgia bariátrica e se há diferença de ingestão de álcool entre estes períodos.

MÉTODOS

Foi realizado estudo prospectivo tipo série de casos, envolvendo 119 pacientes (45 no pré-operatório e 74 no pós-operatório), submetidos à cirurgia bariátrica pela técnica de bypass gástrico em Y de Roux, atendidos no ambulatório de Cirurgia Geral do HC/UFPE, no período de julho de 2011 a março de 2012. Foram incluídos pacientes de ambos os sexos, com idade superior a 20 anos, e excluídos aqueles com distúrbios psiquiátricos graves, reoperados por complicações da operação anterior e os que realizaram abdominoplastia.

A pesquisa foi conduzida após aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Pernambuco, registro do SISNEP FR 410772, em obediência à Resolução do Conselho Nacional de Saúde nº 196/96 sobre "Pesquisa envolvendo Seres Humanos". A participação no estudo foi voluntária, após obtenção do consentimento dos pacientes mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

A coleta de dados foi feita através de entrevista e transcrição de informações dos prontuários. As variáveis socioeconômicas pesquisadas foram: cidade, idade, sexo, etnia, estado civil, grau de escolaridade e condição ocupacional. A avaliação antropométrica foi realizada a partir dos dados de maior peso já atingido e altura no pré-operatório, coletados em prontuários, para o cálculo do índice de massa corporal (IMC), classificado segundo os critérios da American Society for Bariatric Surgery 11.

O peso pré-operatório e o peso atual nos períodos de <3 meses; de >3-6 meses; >6-12 meses e >12-18 meses foram coletados. O percentual de perda do excesso de peso foi calculado através da equação: % de perda do excesso de peso = (peso pré-operatório - peso atual x100) / peso pré-operatório - peso ideal. A classificação foi baseada em Higa et al. 12 que consideram adequado a perda de 15% em três meses, 35% em seis meses e 65% a 75% de perda de excesso de peso corporal entre 12 e 18 meses pós-operatório. Os dados clínicos avaliados foram: presença de diabetes mellitus, dispneia, apneia do sono, dislipidemia, refluxo gastroesofágico, alteração menstrual, doenças endócrinas e hipertensão arterial. Estas foram referidas pelos pacientes no momento da entrevista.

Para avaliação do consumo de álcool, o entrevistado foi inicialmente questionado se fazia uso de bebida alcoólica e, nos casos positivos, foi aplicado o questionário AUDIT C13; foi avaliado ainda a o tipo da bebida, a forma de uso e sua associação ou não com alimentos.

Foram utilizados os testes Qui-quadrado de Pearson ou o teste exato de Fisher, quando as condições para utilização do teste Qui-quadrado não foram verificadas e, t- Student foi empregado para amostras independentes.

RESULTADOS

Entre os 119 pacientes estudados, 79 (66,4%) eram procedentes da Região Metropolitana do Recife, com média de idade 41,23+11,30 anos e faixa etária prevalente entre 20 e 39 anos, 60 (50,4%). O sexo feminino apresentou-se em maior proporção, 83,2% dos pacientes, não brancos 55%, casados ou em união estável 65,5%, tendo cursado até o ensino médio 40,3% e ativo ao mercado de trabalho 37%. O peso no período pré-operatório foi 128,77+25,28Kg e IMC 49,09+9,26Kg/m2, classificado em obesidade classe III, e no pós-operatório foi 87,19+19,16Kg e IMC 33,04+6,21Kg/m2, classificado em obesidade classe I, com p<0,001. A hipertensão arterial sistêmica foi a doença associada mais frequente (Tabela 1).

Tabela 1 - Prevalência de doenças e distúrbios clínicos no pré e pós-operatório. 

Doenças Associadas, distúrbios clínicos Pré (N=45)
N (%)
Pós (N=74)
N (%)
Hipertensão 30 (66,6) 27 (36,5)
Dispneia 21 (46,6) 5 (6,8)
Alterações Menstruais 16 (42,1) 8 (10,8)
Refluxo Gastresofágico 17 (37,7) 8 (10,8)
Apeia do sono  13 (28,8) 1 (1,4)
Dislipidemia 12 (26,6) 7 (9,5)
Diabetes Mellitus 11 (24,4) 3 (4,1)
Doenças Endócrinas  2 (4,4) 5 (6,8)

Verificou-se que no período pré-operatório, 26,6% dos pacientes ingeriam bebida alcoólica, e no pós-operatório, 35,1%. Não foi encontrada diferença estatística entre os grupos, p=0,337. A classificação de risco no uso de álcool de acordo com o AUDIT C mostrou que a maioria dos pacientes era de baixo risco, tanto no pré, como no pós-operatório (Tabela 2).

Tabela 2 - Classificação do AUDIT C nos pacientes que ingeriam bebidas alcoólicas. 

Classificação do AUDIT C Pré (N=12)
N       (%)
Pós (N=26)
N       (%)
Baixo Risco / Abstêmio 9 75,0 17 65,4
Risco 2 16,7 8 30,8
Nocivo / Alto Risco 1 8,3 - -
Provável Dependência - - 1 3,8

O tipo de bebida mais usada no período pré (91,6%) e pós cirúrgico (88,5%) foi a cerveja. Dentre os entrevistados, 91,6% do grupo de pré-operatório, e 88,5% do grupo de pós-operatório consumiam alimentos durante a ingestão de álcool. O amendoim foi o alimento mais consumido no pré (91,6%) e o queijo integral, no pós-operatório (73,1%). Quanto ao consumo de alimentos e uso de álcool, observou-se que um baixo percentual, não se alimentava antes de beber, sendo no pré 16,6% e pós-cirúrgico 11,5%. Não foi encontrado nenhum resultado significativo entre hábito de beber nos períodos pré e pós-operatório e sua associação com as variáveis socioeconômicas em questão (Tabelas 3 e 4).

Tabela 3 - Associação do uso de bebidas alcoólicas no período pré-operatório com fatores socioeconômicos. 

Hábito do etilismo
Variável Sim Não TOTAL Valor de p
n % n % n %
Grupo Total 12 26,7 33 73,3 45 100,0
• Faixa etária
Até 39 9 34,6 17 65,4 26 100,0 p(1) = 0,458
40 a 49 2 16,7 10 83,3 12 100,0
50 ou mais 1 14,3 6 85,7 7 100,0
• Sexo
Masculino 2 28,6 5 71,4 7 100,0 p(1) = 1,000
Feminino 10 26,3 28 73,7 38 100,0
• Raça
Branco 5 38,5 8 61,5 13 100,0 p(1) = 0,285
Não branco 7 21,9 25 78,1 32 100,0
• Estado civil
Solteiro 1 33,3 2 66,7 3 100,0 p(1) = 1,000
Casado 11 26,2 31 73,8 42 100,0
• Escolaridade
Ensino fundamental 5 25,0 15 75,0 20 100,0 p(1) = 0,817
Ensino médio 4 23,5 13 76,5 17 100,0
Ensino superior 3 37,5 5 62,5 8 100,0
• Ocupação
Empregado/Autonomo 6 37,5 10 62,5 16 100,0 p(1) = 0,339
Desempregado 2 13,3 13 86,7 15 100,0
Aposentado/ Benefício 1 14,3 6 85,7 7 100,0
Do lar 3 42,9 4 57,1 7 100,0
• Procedência
Recife/ RMR 8 28,6 20 71,4 28 100,0 p(1) = 1,000
Interior do estado 4 23,5 13 76,5 17 100,0

(1) Teste Exato de Fisher. RMR - Área Metropolitana de Recife.

Tabela 4 - Associação do uso de bebidas alcoólicas no pós operatório com fatores socioeconômicos. 

Hábito do etilismo
Variável Sim Não TOTAL Valor de p
n % n % n %
Grupo Total 26 35,1 48 64,9 74 100,0
• Faixa etária
Até 39 15 44,1 19 55,9 34 100,0 p(1) = 0,288
40 a 49 6 31,6 13 68,4 19 100,0
50 ou mais 5 23,8 16 76,2 21 100,0
• Sexo
Masculino 6 46,2 7 53,8 13 100,0 p(2) = 0,361
Feminino 20 32,8 41 67,2 61 100,0
• Raça
Branco 7 30,4 16 69,6 23 100,0 p(1) = 0,570
Não branco 19 37,3 32 62,7 51 100,0
• Estado civil
Solteiro 10 26,3 28 73,7 38 100,0 p(1) = 0,103
Casado 16 44,4 20 55,6 36 100,0
• Escolaridade
Analfabeto 2 40 3 60 5 100,0 p(2) = 0,902
Ensino fundamental 7 33,3 14 66,7 21 100,0
Ensino médio 10 32,3 21 67,7 31 100,0
Ensino superior 7 41,2 10 58,8 17 100,0
• Ocupação
Empregado/Autonomo 12 42,9 16 57,1 28 100,0 p(2) =0,524
Desempregado 7 30,4 16 69,6 23 100,0
Aposentado/ Benefício 3 21,4 11 78,6 14 100,0
Do lar 4 44,4 5 55,6 9 100,0
• Procedência
Recife/ RMR 19 37,3 32 62,7 51 100,0 p(2) = 0,871
Outro Estado 4 30,8 9 69,2 13 100,0
Interior do estado 3 30 7 70 10 100,0

(1) Teste Qui-quadrado de Pearson; (2) Teste Exato de Fisher.

O percentual de perda de excesso de peso nos tempos < 3meses, >3-6 meses; >6-12 meses; >12-18 meses não mostraram associação com o consumo de álcool (Tabela 5).

Tabela 5 - Classificação do percentual de perda do excesso de peso (%PEP) associado ao uso de bebida alcoólica. 

Classificação do % PEP Sim Não Grupo Total Valor de p
N % N % N %
≤ 3 meses
Adequado 19 100,0 30 93,8 49 96,1 p(1) = 0,523
Inadequado - - 2 6,3 2 3,9
TOTAL 19 100,0 32 100,0 51 100,0
>3-6 meses
Adequado 17 94,4 23 79,3 40 85,1 p(1) = 0,225
Inadequado 1 5,6 6 20,7 7 14,9
TOTAL 18 100,0 29 100,0 47 100,0
>6-12 meses
Adequado 2 20,0 8 42,1 10 34,5 p(1) = 0,414
Inadequado 8 80,0 11 57,9 19 65,5
TOTAL 10 100,0 19 100,0 29 100,0
>12-18 meses
Adequado 2 33,3 4 66,7 6 50,0 p(1) = 0,567
Inadequado 4 66,7 2 33,3 6 50,0
TOTAL 6 100,0 6 100,0 12 100,0
Final
Adequado 11 57,9 17 53,1 28 54,9 p(2) = 0,741
Inadequado 8 42,1 15 46,9 23 45,1
TOTAL 19 100,0 32 100,0 51 100,0

(1) Teste Qui-quadrado de Pearson; (2) Teste Exato de Fisher.

DISCUSSÃO

Bebeu-se, em todo mundo, o equivalente a 6,1 litros de álcool puro por pessoa em 200513. O Brasil aparece em quarto lugar na ingestão de bebidas alcoólicas, no continente americano, com a média de 18,5 litros de álcool puro/ano. Segundo, o Ministério da Saúde14 em 2011, 16% da população brasileira fazia uso de álcool. Dados em pacientes obesos9 sugerem que <3% dos indivíduos poderão desenvolver problemas de alcoolismo.

Dentre as variáveis socioeconômicas analisadas, vimos um predomínio do sexo feminino, semelhante aos estudos brasileiros de Prevedello et al.2 e Barhouch et al.3. Explicado provavelmente por maior preocupação das mulheres com o peso, com a saúde, além da elevada prevalência de excesso de peso nas pacientes brasileiras, principalmente entre aquelas de condições menos favoráveis15. A média de idade e a raça diferem dos achados de Costa et al.16 que encontraram em grupo de pacientes em pré e pós-operatório, uma média de idade de 36,07+10,16 anos, com predomínio da raça branca (86,53%). Germano et al.17, detectaram em população bariátrica, um predomínio de casados com atividade profissional, dados semelhantes ao desta pesquisa. Por outro lado, relataram que o baixo nível de escolaridade foi prevalente, diferindo dos nossos resultados, onde predominam os pacientes com escolaridade média. A média de peso pré-operatório encontrada por Costa et al.18 foi 138+28,8kg e IMC 52+8,6kg/m2, enquanto no pós-operatório, de 12 meses, 90+19,5kg e IMC 34+6,6kg/m2, dados superiores a esta pesquisa. A hipertensão arterial sistêmica foi a doença associada mais frequente, corroborando com outros estudos, onde foi visto prevalência de 21,97%17 e 35,9%, 19.

Estudo de Ertelt et al.9 revelou um baixo consumo de álcool no pré-operatório, onde 7,1% possuíam uma dependência de álcool e 1,4% faziam uso abusivo, avaliado pelo DSM IV(Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais IV). Em nosso grupo, com o AUDIT C vimos que 2,2% faziam uso de alto risco no pré-operatório. No período pós-cirúrgico obtivemos um percentual 1,4% dos estudados, já com provável dependência; resultado muito inferior ao estudo de Buffington10, onde 84% consumiam álcool após tratamento cirúrgico. Dados do I levantamento Brasileiro sobre os padrões de consumo de álcool na população brasileira20 mostraram que a bebida mais consumida no país era a cerveja (61%), corroborando com o padrão encontrado nestes nossos pacientes. Segundo Wendling et al.8, indivíduos compulsivos, após o tratamento cirúrgico, na impossibilidade de consumir alimentos em excesso poderão substituí-los por álcool. Neste nosso grupo estudado, não foi observado substituição e sim, a associação com alimentos; habito benéfico que provoca redução significativa na absorção alcoólica, quando associado a alimentos gordurosos ou proteicos21.

Com relação ao uso de bebidas alcoólicas relacionados a fatores socioeconômicos, evidencia-se que embora não tenha ocorrido associação significativa com hábito de beber, os que o faziam estavam na faixa etária até 39 anos (44%), com predominância do sexo masculino, fato comum nesta idade em nossa região, em homens não operados. Percentuais mais elevados neste sexo foram visto na pesquisa do Ministério da Saúde20, onde 11% dos homens consumiam álcool muito frequentemente e 28% frequentemente.

Há evidencias de que o consumo de alimentos palatáveis produz no cérebro efeitos semelhantes aos produzidos após a ingestão alcoólica22. As substâncias, como o açúcar ou a gordura, causam um aumento dos opioides endógenos, no sistema de recompensa mesolímbico e na dopamina, embora não tão drasticamente como o álcool e outras drogas23. O uso de bebidas alcoólicas não é preditivo para perda de peso adequada24. O percentual de perda de excesso de peso após tratamento cirúrgico e sua associação com álcool, semelhante a outros estudos7 , 25não mostrou associação positiva ou negativa com a perda ponderal.

Nesta amostra de pacientes bariátricos em períodos pré e pós-operatórios, foi encontrada uma prevalência do uso alcoólico superior àquela detectada na população brasileira, no entanto não foi evidenciado consumo de alto risco/provável dependência, nem elevação deste consumo em período pós-operatório.

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Fonte de financiamento: nenhuma

Recebido: 20 de Janeiro de 2014; Aceito: 15 de Abril de 2015

Endereço para correspondência: Maria Goretti Pessoa de Araújo Burgos E-mail: gburgos@hotlink.com.br

Conflito de interesse: nenhum

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