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Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões

versão impressa ISSN 0100-6991versão On-line ISSN 1809-4546

Rev. Col. Bras. Cir. vol.42 no.5 Rio de Janeiro set./out. 2015

http://dx.doi.org/10.1590/0100-69912015005005 

Artigos Originais

Aplicação da videotoracoscopia no trauma - experiência de um serviço

Bruno Vaz de Melo1 

Felipe Guedes Siqueira1 

Thales Siqueira Di Tano1 

Paulo Oliveira Silveira1 

Mariama Barroso de Lima1 

1. Serviço de Cirurgia Geral e do Trauma do Hospital Municipal Lourenço Jorge, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

RESUMO

Objetivo:

avaliar os resultados obtidos com o emprego da videotoracoscopia na avaliação dos traumas toracoabdominais e no tratamento das complicações do trauma torácico.

Métodos:

análise retrospectiva dos pacientes submetidos à videotoracoscopia no período de julho de 2007 a maio de 2015, com base em banco de dados criado no início deste período e na coleta dos dados dos pacientes submetidos à videotoracoscopia. Foram avaliados: a eficácia e as indicações do procedimento, a taxa de conversão, as complicações e mortalidade. Foram incluídos os pacientes que apresentavam coleções pleurais pós-traumáticas, como hemotórax retido e empiema pleural, e lesões penetrantes na transição toracoabdominal. Todos os pacientes submetidos apresentavam estabilidade hemodinâmica e consentimento informado do procedimento.

Resultados:

no período analisado, 53 pacientes foram submetidos à toracoscopia, dentre estes, 24 traumas penetrantes (45,3%) e 29 contusos (54,7%) com predominância do sexo masculino (75,5%). O procedimento foi realizado em 26 casos de hemotórax retido (49%), 14 empiemas (26,5%) e em 13 pacientes para avaliação de lesões da transição toracoabdominal (24,5%). A toracoscopia foi eficaz na resolução de 36 casos (80%) sem necessidade de novo procedimento. Houve uma a taxa de conversão de 15,5% e três complicações relacionadas ao procedimento (6,6%). A mortalidade foi nula.

Conclusão:

apesar da série ainda ser pequena, a videotoracoscopia é um procedimento factível, com várias indicações e aplicações em pacientes traumatizados e, na nossa série, a mortalidade foi nula e a incidência de complicações, pequena.

Palavras-Chave: Toracoscopia; Traumatismos Torácicos; Cirurgia Torácica Videoassistida; Hemotórax; Volume Residual

INTRODUÇÃO

O trauma torácico está presente em aproximadamente 30% dos pacientes politraumatizados. Na maior parte dos casos, as lesões são tratadas conservadoramente ou com procedimentos simples, como a toracostomia com drenagem em selo d'água1. Contudo, estes casos não são isentos de complicações e, em alguns pacientes, ainda há necessidade de procedimentos adicionais. As complicações estão relacionadas principalmente a assepsia inadequada nas situações de emergência, esvaziamento parcial nos casos de hemotórax, dor e deslocamento do dreno2.

Nas últimas décadas, a videotoracoscopia tem sido utilizada em casos selecionados em alguns centros de trauma, principalmente na América do Norte e na Europa. As primeiras experiências com casuísticas começaram a ser publicadas principalmente nas últimas três décadas. Deste período até os dias atuais tem-se observado a utilização da videotoracoscopia em várias situações clínicas em pacientes traumatizados3. A videotoracoscopia é um potencial recurso para diversas situações em pacientes com trauma e tem sido utilizada tanto na fase aguda quanto nas complicações, seja para diagnóstico e tratamento de coleções pleurais pós-traumáticas, como empiemas e hemotórax retido, para o controle de sangramentos, principalmente quando relacionados aos de origem na parede torácica, para avaliação de corpo estranho intratorácico, de lesões do diafragma, principalmente nos traumas penetrantes nas regiões de transição toracoabdominal, de lesões pulmonares, do pericárdio e no tratamento de fístulas broncopleurais2,4,5.

A utilização da toracoscopia na fase aguda do trauma é defendida com base na possibilidade de realizar diagnóstico de hemorragias, lesões pericárdicas e diafragmáticas que não seriam detectadas pela drenagem simples e pelo completo esvaziamento da cavidade torácica, mesmo na ausência de coágulos, evitando, assim, as complicações mais comuns6. Sua utilização precoce pode ainda reduzir custos e exposição à radiação, por exigir menor tempo de observação7.

A abordagem por toracoscopia das complicações do trauma torácico também vem apresentando resultados promissores nos centros onde é utilizada.

Neste trabalho, buscamos avaliar os resultados obtidos com o emprego da videotoracoscopia na avaliação dos traumas toracoabdominais e no tratamento das complicações do trauma torácico.

MÉTODOS

Foi realizada análise retrospectiva dos casos nos quais a toracoscopia foi empregada nos pacientes vítimas de trauma. O período avaliado abrangeu de julho de 2007 a maio de 2015. A coleta dos dados foi realizada num banco de dados, criado no início da experiência e na avaliação dos prontuários dos pacientes. Foram avaliados o tempo de internação, as complicações, as reoperações e os óbitos. Todos os pacientes, após a alta, foram acompanhados ambulatorialmente; as sequelas e as complicações que ocorreram neste período foram consideradas. Neste trabalho utilizamos como variáveis analisadas, a eficácia do método, indicações do procedimento no nosso Serviço, a taxa de conversão para toracotomia, complicações e mortalidade associada ao procedimento.

Foram incluídos os pacientes que se encontravam hemodinamicamente estáveis, submetidos previamente à toracostomia com drenagem em selo d'água e que apresentavam lesões penetrantes toracoabdominais, para avaliação de possíveis lesões diafragmáticas, e naqueles pacientes que evoluíram com complicações pleurais do trauma de tórax: hemotórax retido, caracterizado por presença de hemotórax e ausência de expansão pulmonar, num período que variou entre dois dias e quatro semanas e nos pacientes com empiemas pleurais não resolvidos com a toracostomia ou quando havia suspeita do mesmo. Todos os pacientes foram submetidos à tomografia computadorizada. Não tiveram outras indicações nesta casuística.

Todas as videotoracoscopias foram realizadas pela mesma equipe cirúrgica. A maioria com experiência em cirurgia do trauma e videolaparoscopia, sempre buscando utilizar a mesma técnica que foi sendo padronizada. Foi realizada intubação seletiva utilizando tubo orotraqueal de duplo lúmen e posicionamento do paciente em decúbito lateral em todos os casos. Eventualmente, quando por motivos técnicos, a intubação seletiva não era muito efetiva, injetava-se CO2 na cavidade pleural, com uma pressão baixa, sempre monitorizada em conjunto com a equipe anestésica durante a operação. Optamos, em geral, inicialmente em colocarmos o primeiro trocater, de 10mm, posicionado pelo orifício da toracostomia previamente realizada e normalmente utilizamos outros dois trocateres acessórios, preferencialmente no mesmo espaço intercostal quando possível (anterior e posterior). O número dos trocateres era utilizado conforme a necessidade e, se possível, posicionados no mesmo espaço intercostal, como mencionado anteriormente. Era utilizado apenas um monitor, que naturalmente ficava posicionado na posição mais ergonômica para o cirurgião e para uma visão direta. Ao final do procedimento dois drenos torácicos eram posicionados, anterior e posteriormente.

RESULTADOS

No período de julho de 2007 a maio de 2015, 590 pacientes com trauma de tórax foram acompanhados pelo Grupo de Trauma. A videotoracoscopia foi realizada em 53 pacientes, todos incluídos nesta análise. Deste grupo, 42 pacientes eram do sexo masculino (79%) com média de idade de 27 anos. Traumas contusos constituíam 29 casos (54,7%) e os penetrantes 24 (45,3%).

A videotoracoscopia foi realizada em 13 pacientes com traumas toracoabdominais penetrantes (24,5%), em 26 pacientes com hemotórax retido (49%) e em 14 pacientes com empiema pleural (26,4%). O tempo para a realização do procedimento foi variável, sendo realizado em situações mais precoces, dois dias, até momentos mais tardios, quatro semanas, com uma mediana de cinco dias para realização do procedimento.

Nos pacientes vítimas de lesão toracoabdominal submetidos à toracoscopia para avaliação da integridade do diafragma (n=13), houve diagnóstico de lesão em seis pacientes, incidência de 42,8%. Em cinco pacientes, a rafia diafragmática foi realizada por videocirurgia. Em um caso, por problemas técnicos e por ser uma lesão extensa (em torno de 10cm) foi realizada uma minitoracotomia para realização da sutura do diafragma. As lesões de diafragma nas porções costais do diafragma são as de mais fácil visualização na nossa experiência. Em um paciente houve falha na avaliação adequada do diafragma (7%) devido à presença de fortes aderências pulmonares.

Nos casos de hemotórax retido (n=26) houve resolução em 25 pacientes (96,1%). A falha ocorrida se deu por sangramento durante a realização do procedimento, o que levou à conversão para toracotomia. Observamos uma maior facilidade de realização técnica quando o procedimento foi indicado mais precocemente, <5 dias. O tempo de internação após a realização da toracoscopia teve uma média de cinco dias de internação (considerando tempo global de internação).

Em casos com empiema pleural, o procedimento foi realizado em 14 pacientes. Em nove pacientes a toracoscopia foi realizada com tempo maior de evolução do quadro clínico, após duas semanas; a indicação mais tardia foi feita com quatro semanas. Houve necessidade de seis conversões, principalmente relacionadas aos empiemas em fase III com encarceramento pulmonar e por impossibilidade técnica de realização da toracoscopia com segurança, levando à conversão num número considerado alto (42,8%). Todas as conversões ocorreram em pacientes que tiveram indicação tardia de toracoscopia.

A eficácia do procedimento foi obtida em 83% dos pacientes e os melhores resultados foram obtidos nos pacientes em que toracoscopia foi realizada mais precocemente, intervalo menor que cinco dias (Tabela 1).

Tabela 1 - Resolução da toracoscopia no trauma. 

Total Resolução (%)
Hemotórax retido 26 25 (96,1)
Empiema 14 8 (57,1)
Lesão toracoabdominal 13 11 (84,6)
TOTAL 53 44 (83)

Fonte: Serviço de Cirurgia Geral e do Trauma do Hospital Municipal Lourenço Jorge (07/2007-05/2015).

A taxa de conversão foi 13,2%, predominantemente nos casos de empiema e indicações tardias. Houve complicações em 5,6% dos casos, três pacientes, sendo elas sangramento de parênquima pulmonar, por lesão na passagem do trocáter, fístula broncopleural no pós-operatório e lesão iatrogênica do diafragma (Tabela 2). Não houve mortalidade.

Tabela 2 - Conversão para toracotomia e complicações. 

N Conversões (%) Complicações (%)
Hemotórax retido 26 1 (3,9) 1 (3,9)
Empiema 14 6 (42,8) 2 (14,2)
Lesão toracoabdominal 13 1 (7,6) 1 (7,6)
TOTAL 53 8 (15) 4 (7,5)

Fonte: Serviço de Cirurgia Geral e do Trauma do Hospital Municipal Lourenço Jorge (07/2007-05/2015).

DISCUSSÃO

Na maioria dos casos de trauma torácico que necessitam de alguma intervenção, a toracostomia com drenagem em selo d'água é suficiente para resolução do caso. Porém nos casos em que isso não acontece, os procedimentos habitualmente adotados são invasivos e aumentam consideravelmente o tempo de internação e o custo do tratamento, podendo chegar a 20% dos pacientes1,8. A videotoracoscopia vem sendo utilizada como uma opção neste cenário, demonstrando ser um método aplicável tanto com fins propedêuticos quanto na terapêutica4, como na maioria dos casos na nossa série. Apesar de pouco utilizada por cirurgiões do trauma, na nossa realidade, é um procedimento que, com treinamento adequado, pode ser amplamente utilizada, pois não apresenta grande complexidade na execução.

Os casos de hemotórax retido aparecem como uma ótima indicação da videocirurgia torácica. Nossa casuística, apesar de ser uma pequena série, reafirma o que já vem sendo evidenciado nas últimas décadas. Na maioria dos casos há resolução, redução do tempo de internação e consequentemente o custo do tratamento. A abordagem precoce, nos primeiros sete dias, apresenta melhores resultados, sendo o quinto dia de evolução empregado como ponto de corte para piora significativa dos resultados8,9. Nos casos analisados em nosso Serviço houve resultados semelhantes, o tempo prolongado de evolução leva à loculação das coleções e encarceramento pulmonar, trazendo dificuldade técnica adicional ao procedimento e reduzindo a sua eficácia. A toracoscopia para trauma torácico com hemotórax retido apresentou falha de 10% em trabalhos publicadas2.

Nas lesões penetrantes da transição toracoabdominal, a avaliação do diafragma é difícil quando se utiliza os métodos não invasivos, a radiografia de tórax e a tomografia, bem como, outros métodos já descritos não têm acurácia para muito efetiva, chegando, às vezes, a níveis inferiores a 50%6. O diagnóstico precoce de lesões diafragmáticas é importante fator prognóstico. A toracoscopia permite diagnóstico preciso destas lesões quando realizada adequadamente e ainda permite que a correção seja realizada sem a necessidade de intervenção adicional. Martinez et al. apresentaram casuística de 52 pacientes com trauma toracoabdominal penetrante, com diagnóstico de perfuração do diafragma em 67,3% dos casos10. Divisi et al. apontam as lesões com tamanho superior a 3cm como único limite terapêutico para os casos6. Apesar de mostrar incidência menor de lesões do diafragma, houve sucesso no reparo por toracoscopia na maioria dos casos diagnosticados, sendo o tamanho da lesão o fator limitador encontrado. Acreditamos que a toracoscopia seja um método seguro e eficaz para diagnosticar e tratar as lesões do diafragma.

O empiema é a complicação mais associada ao hemotórax retido. Karmy-Joneset al. mostraram incidência maior de empiemas em pacientes submetidos à toracostomia com hemotórax retido em relação aqueles sem hemotórax2. Outros fatores associados ao desenvolvimento de empiema são assepsia inadequada nas situações de emergência e infecções pulmonares associadas a internação1,2. O agente mais comumente identificado foi o Staphylococcus aureus. O tratamento de empiemas pleurais consiste na evacuação da secreção torácica e decorticação em alguns casos11. O uso da toracoscopia nesses casos apresenta resultados ruins. Apesar de ser uma técnica minimamente invasiva, menos traumática que a toracotomia, apresenta altas taxas de falha e de conversão, principalmente quando realizadas nas fases mais tardias. Contudo, a toracoscopia mostrou-se superior ao tratamento com drenagem torácica associada à antibioticoterapia e pode ser uma opção cirúrgica válida antes da indicação da toracotomia9. Nossa experiência, apesar de pequena, apresenta resultados semelhantes aos da literatura, com alta taxa de conversão, principalmente quando indicadas tardiamente. Nas fases mais precoces, tivemos bons resultados, o procedimento foi tecnicamente mais simples. Pacientes com empiemas em fases mais tardias parecem ser um grupo com chances de insucesso maiores. A indicação precoce do procedimento, conforme demonstrada em várias séries da literatura e na nossa casuística é um fator importante no sucesso do tratamento e nos melhores resultados obtidos com esta técnica.

Concluímos, portanto, que, apesar da série ainda ser pequena, a videotoracoscopia é um procedimento factível, com várias indicações e aplicações em pacientes traumatizados e, na nossa série, a mortalidade foi nula e a incidência de complicações baixa.

REFERÊNCIAS

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Fonte de financiamento: nenhuma.

Recebido: 08 de Dezembro de 2014; Aceito: 25 de Fevereiro de 2015

Endereço para correspondência:Felipe Guedes Siqueira E-mail:felipeguedess87@gmail.com

Conflito de interesse: nenhum.

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