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Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões

versão impressa ISSN 0100-6991versão On-line ISSN 1809-4546

Rev. Col. Bras. Cir. vol.43 no.4 Rio de Janeiro jul./ago. 2016

http://dx.doi.org/10.1590/0100-69912016004001 

Artigo Original

Avaliação da antibioticoprofilaxia em pacientes cirúrgicos no Hospital Universitário Gaffrée e Guinle

MARISE GOUVÊA1 

CRISTIANE DE OLIVEIRA NOVAES2 

ANTONIO CARLOS IGLESIAS3 

1- Hospital Universitário Gaffrée e Guinle da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).

2- Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).

3- Departamento de Cirurgia Geral e Especializada da Escola de Medicina e Cirurgia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).

RESUMO

Objetivo:

avaliar a antibioticoprofilaxia em pacientes cirúrgicos do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle.

Métodos:

estudo prospectivo de uma coorte de 256 pacientes submetidos à operações eletivas, entre janeiro e setembro de 2014. Foram coletados dados demográficos dos pacientes, se ocorreu utilização ou não do antibiótico profilático e as seguintes características da antibioticoprofilaxia: tipo de antibiótico utilizado, momento da administração e tempo de duração do uso no pós-operatório. Os desfechos de interesse analisados foram "uso ou não uso justificado da antibioticoprofilaxia", "escolha correta do antibiótico", "administração do antibiótico no tempo correto" e "descontinuação do antibiótico no tempo correto".

Resultados:

a antibioticoprofilaxia foi utilizada em 91,8% dos casos. O uso ou não uso da antibioticoprofilaxia foi justificado em 78,9% dos pacientes, a escolha do antibiótico administrado foi considerada correta em 97,9%, a administração do antibiótico foi feita no momento correto em apenas 27,2% dos pacientes e a descontinuação do antibiótico foi realizada no tempo correto em 95,7% dos casos.

Conclusão:

a antibioticoprofilaxia cirúrgica não foi realizada de forma plenamente adequada na amostra estudada.

Descritores: Pacientes; Cirurgia; Profilaxia; Antibioticoprofilaxia; Fidelidade a Diretrizes.

INTRODUÇÃO

Estima-se que 234 milhões de cirurgias são realizadas em todo o mundo anualmente1. Dentre as complicações do período pós-operatório, a Infecção do Sítio Cirúrgico (ISC) é responsável por uma taxa significativa da mortalidade observada na população de pacientes cirúrgicos. Neste grupo específico, a ISC é a causa mais comum de infecção nosocomial, podendo ser responsável por até 77% das mortes observadas2,3.

Esta modalidade de intercorrência é uma das principais formas de infecções relacionadas à assistência em saúde no Brasil, como demonstrado em estudo realizado pelo Ministério da Saúde, no qual a ISC foi observada em 11% do total de procedimentos cirúrgicos analisados4. A ISC ocupa a terceira posição na frequência entre todas as demais, respondendo por cerca de 15% de todos os processos infecciosos observados em pacientes hospitalizados2,5. Além disso, este tipo de complicação acarreta ônus financeiro ao paciente, ao hospital e ao sistema de saúde. Tais fatos fazem da ISC um problema importante de saúde pública e, por conseguinte, um alvo para a melhoria da qualidade do atendimento ao paciente candidato ao tratamento operatório6.

A antibioticoprofilaxia faz parte de um conjunto de medidas que tem como objetivo reduzir a incidência da ISC. O alvo principal da antibioticoprofilaxia é diminuir a carga bacteriana na ferida operatória, de forma a auxiliar as defesas naturais do hospedeiro na prevenção da ISC7. A utilização adequada da antibioticoprofilaxia no perioperatório pode reduzir a taxa deste tipo de complicação em até 50%8.

As práticas de segurança que envolvem pacientes e procedimentos cirúrgicos requerem sistematização adequada dos processos implícitos a este tipo de circunstância. A variabilidade observada na utilização da antibioticoprofilaxia cirúrgica denota uma fragilidade na qualidade do atendimento a esta população8. Esforços têm sido empreendidos no sentido de estabelecer protocolos que orientem o uso adequado da antibioticoprofilaxia visando à prevenção da ISC, cujo objetivo é fornecer aos profissionais de saúde uma abordagem padronizada para o uso seguro, efetivo e de forma racional dos agentes antimicrobianos9.

O objetivo do presente estudo foi avaliar o emprego da antibioticoprofilaxia em pacientes cirúrgicos do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, na cidade do Rio de Janeiro.

MÉTODOS

Trata-se de um estudo prospectivo, de uma coorte constituída de pacientes submetidos a procedimentos anestésico-cirúrgicos eletivos, entre janeiro e setembro de 2014. Dos 283 pacientes inicialmente candidatos a participar do estudo, 27 foram excluídos por não atenderem aos critérios estabelecidos, ficando, assim, a amostra final representada por 256 casos.

O estudo foi conduzido no Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, situado na cidade do Rio de Janeiro, com 220 leitos e cerca de 200 procedimentos cirúrgicos mensais, no qual são atendidos exclusivamente pacientes do Sistema Único de Saúde. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa sob o número CAAE 23959813.3.0000.5258. Todos os pacientes que aceitaram participar do estudo receberam e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

Para composição da amostra foram considerados os pacientes oriundos das seguintes especialidades: Ginecologia, Urologia, Cirurgia Vascular, Neurocirurgia, Otorrinolaringologia, Cirurgia Torácica e Cirurgia Geral. A terminologia cirurgia geral engloba, no presente estudo, os procedimentos próprios dessa especialidade e aqueles específicos das especialidades Coloproctologia e Cirurgia do Aparelho Digestivo. No momento do estudo, não havia protocolo de antibioticoprofilaxia institucional ou alguma outra recomendação específica, ficando a critério de cada equipe cirúrgica. Os critérios de inclusão dos pacientes foram: indivíduos de ambos os sexos, com idade igual ou superior a 18 anos, classificados de acordo com o Sistema de Classificação do estado físico dos pacientes proposto pela American Society of Anesthesiologists como ASA I, II ou III10. Foram excluídos os pacientes com critérios clínicos ou laboratoriais de infecção no momento da intervenção cirúrgica e pacientes que já estavam em vigência de antibioticoterapia.

O cálculo amostral considerou a probabilidade de uso adequado de antibioticoprofilaxia de 50%, com intervalo de confiança de 95%, e erro tipo I <5%. Sendo assim, a amostra estimada foi 232 pacientes.

A coleta de dados contemplou três momentos distintos para o seguimento: o pré, o per e até o sétimo dia de pós-operatório, tendo sido realizado o registro em formulário padronizado. Nos casos em que a antibioticoprofilaxia foi administrada, foram registrados: tipo de antibiótico utilizado, momento da administração e tempo de duração do uso no pós-operatório.

O protocolo de antibioticoprofilaxia adotado nesse estudo seguiu o proposto em conjunto pela American Society of Health-System Pharmacists, Infectious Diseases Society of America, Surgical Infection Society, e pela Society for Healthcare Epidemiology of America9. Além desse, foi também utilizado o protocolo do American College of Obstetricians and Gynecologists11 para os pacientes cujos procedimentos ginecológicos não eram contemplados no primeiro instrumento. Baseando-se nestes protocolos, foram registrados e analisados em cada caso os seguintes desfechos: (1) Uso ou não uso justificado da antibioticoprofilaxia (Desfecho 1): foram observadas as indicações de uso ou não uso de antibiótico profilático pré-operatório em cada tipo de procedimento estudado, sendo que a opção escolhida foi justificada pelos protocolos. Essa análise levou em conta a presença ou não de fatores de risco para infecção do sítio cirúrgico (ISC) relativos aos pacientes e aos procedimentos cirúrgicos, a classificação da ferida cirúrgica quanto ao potencial de contaminação e o tipo de procedimento cirúrgico realizado. O uso ou não uso da antibioticoprofilaxia foi considerado justificado: 1) se a antibioticoprofilaxia foi administrada quando devidamente indicada ou; 2) quando a não administração de antibióticos foi devidamente indicada. (2) Escolha correta do antibiótico (Desfecho 2): se a escolha do antibiótico utilizado foi a preconizada de acordo com os protocolos acima referidos. Considerou-se o espectro de ação desejado, o menor impacto possível na microbiota do paciente, mínimos efeitos adversos e antecedentes de alergia medicamentosa. (3) Administração do antibiótico no tempo correto (Desfecho 3): se o antibiótico foi administrado entre 30 e 60 minutos antes da incisão cirúrgica (no caso de antibióticos com tempo de administração curto) ou entre 60 e 120 minutos para aqueles que requerem tempo de infusão prolongado. Essa análise foi feita respeitando-se a farmacologia de cada agente administrado. (4) Descontinuação do antibiótico no tempo correto (Desfecho 4): se o uso do antibiótico ocorreu em até 24 horas após a realização do procedimento.

Foram analisadas as seguintes variáveis independentes para cada paciente: (1) sexo; (2) idade distribuída em duas categorias (18 a 59 anos; 60 ou mais anos); (3) Índice de Massa Corporal (IMC), para avaliar o estado nutricional dos pacientes segundo a classificação da Organização Mundial de Saúde (OMS)12; (4) estado físico dos pacientes (ASA)10; (5) especialidade cirúrgica; (6) classificação da cirurgia conforme potencial de contaminação9; (7) antibioticoprofilaxia: se administrada ou não; (8) fator de risco para ISC relativo ao paciente e/ou específico para o procedimento realizado, segundo o protocolo9 adotado nesse estudo e considerado pela presença de pelo menos um dos seguintes fatores: a) idade igual ou superior a 70 anos; b) Diabetes Mellitus; c) tabagismo; d) câncer; e) resposta imune alterada (uso de corticoides e imunossupressores, neutropenia, quimioterapia); f) alta chance de contaminação ou infecção do sítio cirúrgico (perfuração gastroduodenal, derramamento de bile e fezes, má nutrição, hipoalbuminemia, anemia, radioterapia); g) aumento do pH gástrico (já que a acidez gástrica é uma barreira eficaz à colonização bacteriana): câncer gástrico, acloridria, uso de H2 antagonistas ou inibidores de bomba de prótons); h) tempo cirúrgico prolongado (>120 minutos); i) obesidade; j) cirurgia vascular em sítio abaixo da cintura pélvica; k) presença de cálculo urinário e/ou obstrução urinária.

ANÁLISE ESTATÍSTICA

Foram realizadas as análises univariadas por meio de frequências simples com o intuito de descrever a amostra avaliada, bem como, foi efetuada análise bivariada para verificar a diferença na distribuição das variáveis independentes para cada desfecho de interesse, utilizando o teste do qui-quadrado. Foi empregada, ainda, análise pelo modelo de regressão logística multivariada, tendo como critério de inclusão das variáveis independentes aquelas com valor de p<0,25 na análise preliminar. Os resultados do modelo multivariado foram expressos como Odds Ratio (OR), tendo sido fixado nível de significância α≤0,05 e intervalo de confiança (IC) 95%. O pacote estatístico utilizado foi o Statistical Package for Social Sciences (SPSS) for Windows, versão 17.0.

RESULTADOS

As características da amostra representada pelos 256 pacientes estudados e os desfechos analisados encontram-se dispostos nas tabelas 1, 2 e 3.

Tabela 1 Sumário das características da amostra (n = 256). 

Variáveis N %
Sexo
Feminino 166 64,8
Masculino 90 35,2
Faixa etária
18 - 59 anos 159 62,1
60 ou mais anos 97 37,9
IMC
Abaixo do peso 2 0,8
Eutrófico 105 41,0
Sobrepeso 102 39,8
Obesidade Grau I 31 12,1
Obesidade Grau II 15 5,9
Obesidade Grau III 1 0,4
ASA
I 95 37,1
II 157 61,3
III 4 1,6
Fator de risco
Não 121 47,3
Sim 135 52,7
Classificação da cirurgia por potencial de contaminação
Limpa 96 37,5
potencialmente contaminada 160 62,5
Uso de antibiótico profilático
Não 21 8,2
Sim 235 91,8

Tabela 2 Especialidades Cirúrgicas (n = 256). 

Variáveis N %
Especialidades cirúrgicas
Cirurgia geral 136 53,1
Ginecologia 48 18,8
Urologia 54 21,1
Outras especialidades 18 7,0

Tabela 3 Resultados dos desfechos estudados. 

Variáveis N %
Desfecho1: Uso ou não uso justificado da antibioticoprofilaxia
Não 54 21,1
Sim 202 78,9
Desfecho 2: Escolha correta do antibiótico
Não 5 2,1
Sim 230 97,9
Desfecho 3: Administração do antibiótico no tempo correto
Não 171 72,8
Sim 64 27,2
Desfecho 4: Descontinuação do antibiótico no tempo correto
Não 10 4,3
Sim 225 95,7

Resultado do desfecho 1 em 256 pacientes estudados

Resultados dos desfechos 2, 3 e 4 em 235 pacientes submetidos à antibioticoprofilaxia cirúrgica

A maioria dos pacientes era do sexo feminino (64,8%). A faixa etária variou de 19 a 90 anos, sendo a média de idade de 52,9+16,2 anos e com predomínio dos não idosos (62,1%).

Em relação à classificação do estado físico, a maior parte da amostra (61,3%) correspondeu aos pacientes ASA II. Em 52,7% dos casos, foi verificada a presença de ao menos um fator de risco para ISC relativos aos pacientes e/ou específicos para os procedimentos realizados. Considerando-se o peso corporal, a maioria foi classificada como sobrepeso e obeso (58,2%). Em relação ao tipo da ferida cirúrgica quanto ao grau de contaminação, observou-se que 62,5% da amostra foi representada por procedimentos potencialmente contaminados.

A especialidade Cirurgia Geral compreendeu 53,1% dos pacientes. Os procedimentos cirúrgicos mais frequentes foram colecistectomias (17,6%), herniorrafias (14,8%), histerectomias (8,2%) e tireoidectomias (7,8%).

A antibioticoprofilaxia foi utilizada em 235 pacientes, ou seja, 91,8% dos casos. O tempo médio da administração do antibiótico antes da incisão cirúrgica variou de 70 minutos antes do tempo preconizado até 90 minutos após, sendo a média de 20,7+15,7 minutos.

O uso ou não uso da antibioticoprofilaxia foi justificado em 78,9% dos pacientes. A escolha do antibiótico administrado foi considerada correta em 97,9%. A administração do antibiótico foi feita no momento adequado em apenas 27,2% dos pacientes. No entanto, a descontinuação do antibiótico foi realizada no tempo devido em 95,7% dos casos.

Os resultados mais relevantes da análise bivariada, para verificação de diferença na distribuição das variáveis independentes para cada desfecho de interesse, estão dispostos na tabela 4.

Tabela 4 Análise bivariada entre os desfechos estabelecidos e as variáveis estudadas. 

Os desfechos 2 e 4 estão descritos no texto.

Para o desfecho "uso ou não uso justificado da antibioticoprofilaxia", as variáveis que apresentaram diferenças estatisticamente significativas foram: sexo feminino (p=0,000), faixa etária de 18 a 59 anos (p=0,013), ASA II (p=0,005), especialidade Cirurgia Geral (p=0,001) e no grupo com presença de algum fator de risco para ISC (p=0,000). Por sua vez, para o desfecho "escolha correta do antibiótico", o grupo com presença de algum fator de risco para ISC (p=0,048) apresentou diferença estatisticamente significante.

O desfecho "administração do antibiótico no tempo correto" apresentou distribuição distinta, com diferença estatisticamente significativa para o grupo classificado como eutrófico de acordo com o IMC (p=0,035) e operações classificadas como potencialmente contaminadas (p=0,024). Finalmente, o desfecho "descontinuação do antibiótico no tempo correto" mostrou distribuição distinta para o grupo pertencente à especialidade cirurgia geral (p=0,024).

Para a análise de regressão logística multivariada, foram incluídas apenas as variáveis independentes com p<0,25 na análise bivariada preliminar. Para o modelo que analisou o desfecho "uso ou não uso justificado da antibioticoprofilaxia", as variáveis que apresentaram diferenças estatisticamente significantes foram: sexo feminino (OR=0,330; IC=0,131-0,833), grupo com presença de algum fator de risco para ISC (OR=11,654; IC=4,255-31,913) e na especialidade Cirurgia Geral (OR=1,798; IC=1,160-2,789). O modelo que analisou o desfecho "administração do antibiótico no tempo correto" mostrou relação estatisticamente significativa com as operações classificadas como potencialmente contaminadas (OR=2,073; IC=1,048-4,102).

DISCUSSÃO

Com o intuito de orientar e avançar na segurança do procedimento cirúrgico, a Organização Mundial de Saúde (OMS) estabeleceu, por meio de um consenso internacional, um Protocolo para Cirurgia Segura8. No estudo de Haynes et al.13, realizado por um grupo de instituições em diferentes países e utilizando um programa baseado na Lista de Verificação de Segurança Cirúrgica da OMS no qual a antibioticoprofilaxia cirúrgica está inserida, foi observada uma significativa queda na taxa de complicações e mortes em operações. Esses dados sugerem que iniciativas para operações seguras levam à eficiência de atendimento e podem melhorar a segurança dos pacientes cirúrgicos.

O presente estudo observou uma coorte de 256 pacientes para avaliação do uso da antibioticoprofilaxia cirúrgica no Hospital Universitário Gaffrée e Guinle. Eventuais discrepâncias dos resultados aqui encontrados, quando comparados com outros artigos previamente publicados, podem ser parcialmente atribuídas aos diferentes métodos de pesquisa utilizados, aos diversos critérios para avaliação da adesão aos protocolos de antibioticoprofilaxia ou ao tipo de população estudada. Chama-se ainda a atenção para o fato de que não faz parte do escopo do presente estudo a análise das razões para a não adesão a protocolo de antibioticoprofilaxia em paciente cirúrgico. A presente investigação tem como característica o fato de explorar um tema cujos estudos são escassos na literatura médica.

Na presente pesquisa, a antibioticoprofilaxia foi utilizada em 91,8% dos casos, o que foi observado de forma semelhante por outros autores, que encontraram taxas variando de 81,4% a 97,5%14-16. No entanto, outros artigos mostraram resultados com frequências inferiores aos citados anteriormente, com uma variação para o emprego da antibioticoprofilaxia da ordem de 58% a 73%17-19.

O desfecho com maior frequência em nossa observação foi "escolha correta do antibiótico" com 97,9% dos casos estudados, o que pode ser considerado aceitável, uma vez que abrangeu a quase totalidade dos casos. Nossos achados estão de acordo com a pesquisa de Castella et al.18, na qual a escolha do agente antimicrobiano foi correta em 95% dos procedimentos cirúrgicos. Malavaud et al. apresentaram resultados de 91,9%20 e 82,8%17 em relação a esse desfecho, enquanto o valor encontrado por Pittalis et al.15 foi 84,5%. Na pesquisa de Gul et al.19, os resultados foram de 87% e 84,3% para procedimentos colorretais e herniorrafias, respectivamente. Entretanto, outros estudos observaram valores bem inferiores para o desfecho "escolha correta do antibiótico", conforme referido por Mahdaviazad et al.21 (25,4%) e Napolitano et al.14 (25,5%). O antibiótico profilático deve ser selecionado de acordo com o provável agente causador da ISC que são, habitualmente, os que fazem parte da microbiota endógena do sítio a ser operado22. Idealmente, o antibiótico escolhido deve ser de baixo custo, de baixa toxicidade e com uma meia-vida suficientemente prolongada para manter concentração adequada até o fechamento da ferida operatória, levando-se também em conta o perfil de segurança e alergia dos pacientes9.

A "descontinuação do antibiótico no tempo correto" foi observada em 95,7% dos casos por nós analisados. Contudo, existe uma grande variação nos relatos pertinentes a este desfecho. A taxa por nós encontrada é superior às relatadas por Malavaud et al.17 (91,4%), Meeks et al.23 (82%) e Castella et al.18 (80%). De forma distinta, Askarian et al.24, Gul et al.19, Mahdaviazad et al.21, Tourmousoglou et al.16, Pitallis et al.15 e Hohmann et al.25 apresentaram resultados contrastantes com os do presente estudo, cujos valores foram de 5,8%, 20%, 29,4% 36,3%, 48% e 67,1%, respectivamente. A administração prolongada do antibiótico profilático não demonstrou benefício na prevenção da ISC e seu uso desnecessário pode favorecer o desenvolvimento de resistência antimicrobiana, acarretar ocorrência de efeitos colaterais e associar-se ao aumento dos custos diretos da assistência26. Na maioria das operações, a administração de uma só dose do antimicrobiano em caráter profilático é suficiente e a droga escolhida não deverá ser empregada no pós-operatório por tempo superior a 24 horas22. Dados do estudo de Santana et al.26, no qual o tempo médio de uso dos antimicrobianos após operações foi 6,6±5,6 dias, exemplificam o impacto do uso excessivo de antimicrobianos para profilaxia de ISC, com indicações questionáveis, o que termina por criar situações que comprometem a segurança dos pacientes e o aumento nos custos hospitalares. Há de se destacar a tendência atual de antibioticoprofilaxia restrita ao tempo cirúrgico9.

Houve justificativa em 78,9% dos casos desse estudo, para o "uso ou não uso da antibioticoprofilaxia", o que revela que a indicação apropriada da antibioticoprofilaxia não foi observada de forma satisfatória. Entretanto, tal resultado está próximo aos encontrados por outros autores, cujos índices variaram entre 81% e 88,1%16,17,20,27. Os resultados de Pittalis et al.15 foram relevantes, com cifra de 95% dos casos, enquanto Durando et al.28 mostrou resultado de 70,3%. No entanto, Mahdaviazad et al.21 e Askarian et al.24 mostram resultados muito inferiores aos já citados, representados, respectivamente, por 35,4% e 2% dos casos. Em estudo realizado no Brasil, Souza et al.29 observou que quase metade dos antimicrobianos utilizados de forma profilática não teve base racional ou critério definido. A antibioticoprofilaxia é dispensável em grande número de situações cirúrgicas de forma que o uso justificado deve respeitar princípios muito bem definidos22.

A "administração do antibiótico no tempo correto", de todos os desfechos analisados nesse estudo, foi o que apresentou o pior resultado, representado por uma taxa de apenas 27,2%. Diversos autores também encontraram resultados com baixa frequência, variando entre 39,7% a 53,4%14,15,17,30. Foram descritos valores intermediários entre 61,1% e 84% para este desfecho18,20,21,23,28. Entretanto, Gul et al.19 e Tourmousoglou et al.16 referem índices de 98% e 100%, respectivamente, representando valores adequados. O momento da administração do antibiótico profilático deve obedecer ao tempo que este leva para atingir a concentração sanguínea e tecidual que exceda a concentração inibitória mínima para os micro-organismos prováveis de serem encontrados no sítio cirúrgico31,32. Além disso, para obter sucesso na profilaxia antimicrobiana, é necessário que a oferta da droga na região a ser operada ocorra antes de uma possível contaminação9, o que deve ser de menos de 60 minutos antes da incisão cirúrgica, conforme o proposto pela OMS13.

A análise de regressão logística multivariada revelou, de forma estatisticamente significante, a associação de alguns fatores aos desfechos de interesse.

Em relação ao desfecho "uso ou não uso justificado da antibioticoprofilaxia", a variável sexo feminino mostrou ser um fator inversamente relacionado, enquanto que se observou associação com os grupos de pacientes submetidos a procedimentos, aqui classificados como Cirurgia Geral e com presença de ao menos um fator de risco para ISC. Para as duas primeiras variáveis, essa associação pode ter ocorrido por conta das características da amostra, já que a maioria dos pacientes era do sexo feminino e de pacientes internados nas enfermarias de Cirurgia Geral. No que se refere à associação de presença de ao menos um fator de risco para ISC, é razoável admitir que o médico tenha observado mais atentamente a indicação do uso da antibioticoprofilaxia nos pacientes com comorbidades e que apresentassem condições mais favoráveis à ISC. De modo semelhante, Napolitano et al.14 relataram que a presença de fator de risco, como, por exemplo, idade avançada e hipoalbuminemia, além de internação em enfermarias de Cirurgia Geral, estiveram associadas à indicação apropriada de antibioticoprofilaxia.

Nenhuma das variáveis estudadas apresentou significância estatística relacionada à "escolha correta do antibiótico". Podemos entender que a escolha do antibiótico a ser utilizado independe das características do indivíduo, fatores presentes ou quadro clínico do paciente. Na realidade, a escolha correta do antibiótico profilático relaciona-se ao tipo de procedimento cirúrgico realizado e microbiota do sítio a ser operado, de modo que os micro-organismos próprios de sítios específicos apresentam perfis de sensibilidade a determinados antibióticos, o que facilita a escolha22,32.

A "administração do antibiótico no tempo correto" apresentou significância estatística para a variável cirurgia potencialmente contaminada. Pode-se admitir que este tipo de procedimento desperta mais a atenção do profissional de saúde para o risco de ISC. Diferentemente, estudos de Simon et al.33 e Thouverez et al.34 observaram que a ferida cirúrgica classificada como potencialmente contaminada é um fator associado a uma maior taxa de não observância ao protocolo adotado.

Nenhuma variável foi associada de forma estatisticamente significante à "descontinuação do antibiótico no tempo correto". O resultado dessa análise multivariada sugere que o desfecho não pôde ser associado a nenhuma variável independente, já que não houve variabilidade importante na frequência desse desfecho, ou seja, a descontinuação do antibiótico foi realizada no tempo devido na maioria dos pacientes (95,7%). Contudo, Wright et al.27 observaram que os grupos de pacientes que mais frequentemente receberam antibióticos por tempo prolongado foram aqueles com maior número de comorbidades ou idosos do sexo feminino.

A antibioticoprofilaxia cirúrgica pode ser considerada adequada quando atinge valores de adesão aos critérios estabelecidos nos protocolos adotados próximos a 100%. De 11 artigos analisados que abordaram a antibioticoprofilaxia cirúrgica adequada, esse parâmetro foi considerado inadequado em 100% dos estudos14-17,20,21,23-25,28,30. Em sua revisão sistemática sobre adesão a protocolos de antibioticoprofilaxia cirúrgica, Gouvêa et al.35 concluíram que todos os estudos revisados indicaram a necessidade de maior adesão a esses protocolos. Em nossa pesquisa, apesar dos desfechos "escolha correta do antibiótico" e "descontinuação do antibiótico no tempo correto" terem alcançado taxas próximas a 100%, os outros dois desfechos não apresentaram resultados considerados satisfatórios. Assim sendo, é possível concluir que a antibioticoprofilaxia cirúrgica não foi realizada de forma plenamente adequada na amostra estudada.

O presente estudo forneceu uma visão global sobre o uso da antibioticoprofilaxia no paciente cirúrgico em nosso hospital, o que torna possível o aprimoramento deste tipo de prática na instituição. Contudo, a antibioticoprofilaxia é apenas uma das muitas estratégias para o controle da ISC, como técnica e experiência da equipe cirúrgica, ambiente hospitalar, instrumental cirúrgico estéril, preparo pré-operatório (degermação, antissepsia, remoção de pelos) e manejo perioperatório (controle glicêmico e da temperatura)9.

AGRADECIMENTOS

Aos pacientes participantes, à equipe de enfermagem, aos médicos dos Serviços de Anestesiologia, Clínica Cirúrgica e Especialidades do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle e, em especial, aos doutores Ana Helena Aragão, Emanuela Vicente, Patrícia Costa, Rafael Nascimento, Thaís Galvão, Vítor Saraiva, Marcus Lima, Raquel Guimarães, Michelle Pinto, Marcellus Moreira, Diego Torres e Raquel Marques.

REFERÊNCIAS

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Fonte de financiamento: nenhuma.

Recebido: 26 de Fevereiro de 2016; Aceito: 04 de Junho de 2016

Endereço para correspondência: Marise Gouvêa E-mail: marisegouvea.mg@gmail.com

Conflito de interesse: nenhum.

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