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Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões

versão impressa ISSN 0100-6991versão On-line ISSN 1809-4546

Rev. Col. Bras. Cir. vol.43 no.6 Rio de Janeiro nov./dez. 2016

http://dx.doi.org/10.1590/0100-69912016006001 

Artigo Original

Epidemiologia dos atendimentos por urolitíase no Vale do Paraíba

GUILHERME RICARDO NUNES SILVA1 

LUIZ CARLOS MACIEL1 

1 - Universidade de Taubaté, Departamento de Medicina, Taubaté, SP, Brasil

RESUMO

Objetivo:

conhecer o perfil epidemiológico dos pacientes com urolitíase, na região do Vale do Paraíba, identificando sua prevalência e distribuição espacial.

Métodos:

estudo transversal com dados de morbidade por local de residência decorrente de urolitíase no Vale do Paraíba, relativos ao período compreendido entre 2010 e 2012, obtidos do DATASUS. Os dados foram analisados para identificar a prevalência geral, masculina e feminina da urolitíase, a distribuição por idade, tipo de atendimento, estação do ano e sua distribuição espacial.

Resultados:

ocorreram 1901 atendimentos por urolitíase nos 35 municípios do Vale do Paraíba nos três anos estudados, sendo 52,3% dos pacientes do sexo feminino. Do total, 70,1% dos atendimentos foram em caráter de urgência. Os atendimentos femininos, na sua maioria (67,2%), também foram de urgência (p<0,01). A prevalência geral encontrada para a urolitíase foi 31,7/100.000 habitantes. A prevalência masculina foi 30,7/100.000 e a feminina de 32,7/100.000 (p>0,05). A relação de prevalência encontrada foi 0,9 homens para cada mulher. A faixa etária com o maior número de pacientes atendidos foi entre 30 e 39 anos, com 23,1% do total. Nas estações quentes ocorreram 51,6% dos atendimentos, enquanto nas frias 48,8% (p>0,05).

Conclusões:

foi possível identificar que na região do Vale do Paraíba o sexo feminino é mais acometido pela urolitíase do que o masculino, fato inédito na literatura. Não se encontrou relação entre a estação do ano e a doença. Foram identificados municípios onde ações de prevenção da litogênese urinária são necessárias.

Descritores: Urologia; Urolitíase; Epidemiologia.

INTRODUÇÃO

A urolitíase é uma das doenças mais frequentes do trato urinário em todo o mundo, apresentando nas últimas décadas aumento de sua incidência e prevalência em todas as faixas etárias e sexos, principalmente nos países industrializados1-3. Implica em grandes gastos pelo sistema de saúde em todo o mundo. No ano 2000, o custo estimado com o tratamento de pacientes com urolitíase foi de mais de dois bilhões de dólares nos Estados Unidos4. Em 2012, o Sistema Único de Saúde (SUS) gastou mais de 32 milhões e meio de reais com atendimentos e internações por urolitíase no Brasil5.

Os fatores epidemiológicos e litogênicos da urolitíase envolvem etnia, sexo, idade, aspectos nutricionais e dietéticos, clima, ocupação profissional e atividade física, além de ser sabidamente mais frequente em pacientes diabéticos, em hipertensos e nos obesos2,3,6. O pico de incidência ocorre entre 20 e 50 anos, diminuindo após os 70 anos, sendo incomum em crianças menores de dez anos. Os brancos têm três vezes mais chance de desenvolver urolitíase que os negros, já hispânicos e asiáticos têm risco intermediário entre brancos e negros. Por acometer principalmente pessoas na faixa economicamente ativa, é uma importante causa de absenteísmo, impactando na produtividade profissional do doente. Estudos sugerem que a incidência de urolitíase sintomática aumenta durante o verão, haja vista que o aumento da temperatura ambiente e maior exposição à luz solar são importantes fatores de risco para a litogênese urinária, por favorecer um maior risco de desidratação, com consequente maior concentração urinária e maior possibilidade de formação do cálculo urinário e sua manifestação clínica2,6-8.

Historicamente a urolitíase tem sido de duas a três vezes mais frequente em homens do que em mulheres, chegando à relação de três a dois homens para cada mulher acometida2,6,7. No entanto, as mudanças nos padrões de consumo alimentar, ingestão de líquidos e obesidade em homens e mulheres podem causar mudanças na incidência e prevalência da urolitíase. Nos Estados Unidos a prevalência da urolitíase é de uma em cada 11 pessoas e a possibilidade da população masculina e feminina desenvolver cálculo urinário no decurso da vida é de 12% e 6%, respectivamente6,9. Estudos recentes sugerem que essa relação epidemiológica entre o sexo masculino e feminino está mudando. Foi constatado um aumento anual dos atendimentos de mulheres com queixas relacionadas à urolitíase nas unidades de urgência, diminuindo o predomínio masculino nessa doença. A incidência de urolitíase nos Estados Unidos, por exemplo, é atualmente de 1,3 homens para cada mulher9-11. Atualmente não existem estudos epidemiológicos sobre o perfil dos pacientes atendidos por urolitíase no Brasil.

Mudanças na incidência e prevalência da urolitíase podem refletir mudanças subjacentes dos fatores de risco para a doença, e desse modo, identificando-se alterações no seu padrão epidemiológico, novos caminhos para a prevenção e melhor assistência aos portadores dessa doença podem ser elucidados. Este trabalho tem como objetivo conhecer o perfil epidemiológico dos pacientes atendidos por urolitíase na região do Vale do Paraíba paulista.

MÉTODOS

Este é um estudo transversal com dados de morbidade por local de residência decorrente de urolitíase, relativos ao período compreendido entre os anos de 2010 e 2012, que foram obtidos do Sistema Único de Saúde, retirados do DATASUS, dos 35 municípios pertencentes à região do Vale do Paraíba do Estado de São Paulo. Os municípios litorâneos (Caraguatatuba, Ubatuba, Ilhabela e São Sebastião) foram excluídos deste trabalho, pois são geograficamente separados dos demais pela Serra do Mar.

Os dados populacionais foram considerados pela população residente nos municípios nos anos de 2010 a 2012, além de considerar a população residente dos sexos masculino e feminino em cada município. Foram considerados os diagnósticos N20 a N23 (calculose do rim e ureter, calculose do trato urinário inferior, calculose do trato urinário em doenças classificadas em outra parte, cólica nefrética não especificada) da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde, décima versão (CID-10)12.

Os dados foram analisados de forma a identificar a prevalência geral de urolitíase sintomática, por 100.000 habitantes; a prevalência por sexo masculino e feminino; a faixa etária dos pacientes atendidos; o tipo de atendimento (eletivo ou de urgência); a estação do ano onde ocorreram as internações e a distribuição espacial dos atendimentos por urolitíase por município da região em questão, pelo local de residência do paciente. Os meses considerados representantes das estações do ano do verão (janeiro, fevereiro e março), outono (abril, maio e junho), inverno (julho, agosto e setembro) e primavera (outubro, novembro e dezembro) estão de acordo com dados obtidos por meio do Portal de Acesso à Informação do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), para os três anos.

Os dados foram analisados por meio de estatística espacial, sendo georreferenciados e analisados por área, para se obter os índices de Moran Global (I) utilizando o programa TerraView, disponibilizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O índice de Moran Global é uma medida de autocorrelação espacial de primeira ordem, que indica o grau de associação espacial no conjunto de informações a partir do produto em relação à média. Após a montagem dos mapas temáticos com a prevalência geral, masculina e feminina da urolitíase, a distribuição espacial esperada foi avaliada pelo Método Bayesiano Empírico Local, o qual realiza uma suavização das taxas por município, assumindo que os conhecimentos e as incertezas acerca do real valor do risco de ocorrência de um determinado evento em cada área dentro de uma determinada região podem ser representados por uma distribuição de probabilidade13. Com a obtenção das taxas esperadas pelo método de Bayes Empírico Local, estas foram comparadas com as taxas de prevalência reais encontradas.

RESULTADOS

No período do estudo, as queixas por urolitíase foram responsáveis por 1901 atendimentos de residentes nos 35 municípios do Vale do Paraíba paulista, variando entre um e 562. Desses, 665 (35%) ocorreram em 2010, 612 (32,2%) em 2011 e 624 (32,8%) em 2012. A média foi 54,3 atendimentos, com desvio padrão de 107,8. Durante os três anos, 52,3% (995) dos atendimentos foram de pacientes do sexo feminino. Dos 906 atendimentos de pacientes do sexo masculino, 73,3% (664) foram em caráter de urgência. No sexo feminino, dos 995 atendimentos por urolitíase, 67,2% (668) foram de urgência (p<0,01).

A prevalência encontrada para a urolitíase sintomática no Vale do Paraíba paulista, obtida de maneira indireta pelo número de atendimentos decorrentes dessa doença, foi 31,7/100.000 habitantes. Com relação ao sexo a prevalência foi 30,7/100.000 em homens e de 32,7/100.000 em mulheres (p>0,05). A relação encontrada entre a prevalência masculina e feminina foi 0,9 homens para cada mulher acometida com a doença. No período, a faixa etária com o maior número de pacientes atendidos foi entre 30 e 39 anos, com 439 atendimentos, equivalente a 23,1% do total de atendimentos nos três anos considerados. 45,1% do total de atendimentos por urolitíase ocorreram em pacientes com idade entre 30 e 49 anos.

No verão ocorreram 517 atendimentos por urolitíase correspondendo a 27,2% do total. No outono ocorreram 460 (24,2%). No inverno, o número de atendimentos por urolitíase foi 461 (24,2%). Por fim, na primavera ocorreram 463 (24,4%) atendimentos. Nas estações quentes (primavera e verão) ocorreram 51,6% (980) (p>0,05). O índice de Moran global (IM) e o respectivo p-valor (p) foram IM=0,01 (p=0,43) para os atendimentos por urolitíase/100.000 habitantes. A prevalência de urolitíase sintomática geral e por sexo de todos os 35 municípios estudados estão descritas na tabela 1.

Tabela 1 Prevalência de urolitíase sintomática geral e por sexo/100.000 habitantes nos 35 municípios do Vale do Paraíba paulista entre 2010 e 2012. 

Variáveis Geral Masculino Feminino
Aparecida 10,5 9,9 11,0
Arapeí 40,3 79,8 0
Areias 9,0 18,2 0
Bananal 13,0 19,7 6,4
Caçapava 10,9 12,6 9,3
Cachoeira Paulista 41,8 53,8 30,2
Campos do Jordão 43,0 31,2 54,3
Canas 15,0 14,8 15,2
Cruzeiro 47,4 46,1 48,7
Cunha 139,3 132,0 147,0
Guaratinguetá 51,8 55,3 48,5
Igaratá 45,1 73,4 15,4
Jacareí 34,5 38,8 30,3
Jambeiro 6,1 0 12,7
Lagoinha 27,6 26,9 28,3
Lavrinhas 35,2 20,0 50,6
Lorena 33,4 35,8 31,1
Monteiro Lobato 16,0 0 33,5
Natividade da Serra 40,1 28,8 52,4
Paraibuna 17,2 18,8 15,6
Pindamonhangaba 27,1 26,9 27,4
Piquete 9,5 4,9 13,8
Potim 16,8 14,9 19,3
Queluz 14,5 11,4 17,7
Redenção da Serra 34,5 16,6 54,2
Roseira 34,4 27,3 41,7
Santa Branca 12,1 0 24,1
Santo Antônio do Pinhal 20,5 10,2 31,0
São Bento do Sapucaí 76,4 75,9 76,9
São José do Barreiro 16,4 16,3 16,5
São José dos Campos 29,4 28,1 30,7
São Luíz do Paraitinga 60,9 62,7 59,1
Silveiras 11,4 11,3 11,6
Taubaté 27,3 22,5 31,9
Tremembé 22,5 9,1 37,5

Fonte: DATASUS.

Aplicando a estimativa do método Bayesiano Empírico Local, encontramos diferenças na prevalência geral real daquela esperada. O IM e seu p-valor foram, respectivamente, de 0,08 e 0,13. Foi realizada a mesma estimativa do método Bayesiano Empírico Local para a prevalência da urolitíase sintomática no sexo masculino e feminino. No sexo masculino, o IM foi 0,17 e seu p-valor=0,07. Para o sexo feminino, o IM foi igual a 0,11 e seu p-valor=0,1.

DISCUSSÃO

Este estudo sobre a epidemiologia da urolitíase permitiu identificar o perfil da distribuição da doença no Vale do Paraíba paulista, bem como, sua prevalência por sexo, idade, tipo de atendimento e estação do ano com maior número de atendimentos. A urolitíase é historicamente mais prevalente nos homens do que nas mulheres. Seitz et al.3, em uma revisão sobre os aspectos específicos do sexo masculino e feminino que têm relação com a urolitogênese, destacaram que a osmolaridade urinária no homem é maior do que na mulher. Além disso, foi identificado que a resposta antidiurética à vasopressina é diferente entre os sexos, sendo maior no sexo masculino, o que pode influenciar na concentração urinária e, portanto, apresentar maior chance de formação de cálculo urinário. Há anos estudiosos da urolitíase já perceberam a tendência na mudança da sua incidência e prevalência, principalmente pelo aumento gradual no atendimento de mulheres, com consequente diminuição da relação entre os atendimentos do sexo masculino/feminino3,11,14-17.

A prevalência de urolitíase encontrada na nossa região é diferente de todas as outras identificadas nos estudos semelhantes. Encontramos uma prevalência em que o sexo feminino é a maioria, sendo este um fato inédito. Na tabela 2 podemos comparar a taxa de prevalência da urolitíase entre o sexo masculino e feminino encontrada em diversos estudos de sua prevalência.

Tabela 2 Taxa de prevalência de urolitíase entre o sexo masculino e feminino. Adaptado de Seitz et al.3. 

Taxa de prevalência masculina/feminina
Daudon et al.14 2,3 (2001) França
Knoll et al.15 2,4 (1977) Alemanha
2,7 (2006)
Nowfar et al.16 1,6 (1998) Estados Unidos
1,2 (2003)
Lieske et al.17 3,1 (1970) Estados Unidos
1,3 (2000)
Nosso estudo 0,9 (2015) Brasil

Com relação ao tipo de atendimento, ficou claro que o atendimento mais comum é o de urgência, haja vista que a urolitíase, quando sintomática, se apresenta, em geral, com dor intensa e sinais que comprometem a qualidade de vida dos acometidos6,18. As mulheres foram mais prevalentes tanto no atendimento eletivo quanto no atendimento de urgência (p<0,01).

No nosso estudo identificamos que 45,1% dos pacientes atendidos nos três anos estudados tinham idade entre 30 e 49 anos, fato concordante com a literatura3,15. De acordo com Trinchieri et al.19 a incidência geral de urolitíase aumenta cerca de 0,4% ao ano, no sexo masculino 0,6% e no feminino, 0,2%. Pelo seu estudo, esse aumento anual da urolitíase provavelmente é resultado da interação entre fatores ambientais, como o os hábitos alimentares e estilo de vida, particularmente o aumento no consumo de proteína animal. Quando os atendimentos por urolitíase foram analisados por estação do ano, ficou evidente que a maior parte dos atendimentos ocorreu no verão, estação na qual há maior risco de desidratação por conta da maior temperatura média, o que predispõe a uma maior concentração urinária e maior chance de formação de cálculo urinário. Porém, quando comparados os atendimentos nas estações quentes (verão e primavera) com as estações frias (outono e inverno), não houve significância estatística (p>0,05). Soucie et al.20, em um estudo sobre a influência da variação geográfica na prevalência da urolitíase, concluíram que a temperatura ambiente e a intensidade de luz solar são fatores importantes na gênese da urolitíase. Nesse estudo norte-americano se identificou que o risco de uma pessoa desenvolver cálculo urinário é quase duas vezes maior nos residentes de estados mais próximos da linha do Equador e, portanto, mais quentes e com maior incidência de luz solar quando comparados aqueles mais próximos do polo norte, com temperatura média menor e menor incidência de luz solar.

A prevalência da urolitíase sintomática no Vale do Paraíba paulista nos três anos estudados foi 31,7/100.000 habitantes, um número menor do que o encontrado na Flórida, em 2004, por Strope et al.11, de 169,9/100.000. No mesmo estudo, a prevalência de urolitíase sintomática no sexo masculino e feminino foram, respectivamente, 105,5 e 64,4/100.000 habitantes. No nosso trabalho a prevalência encontrada para o sexo masculino foi 30,7/100.000 e 32,7/100.000 para o sexo feminino. Nenhum município da região estudada apresentou prevalência geral maior do que a encontrada no estudo de Strope et al.11, porém Cunha teve uma prevalência masculina maior do que a encontrada nesse estudo, e quanto à prevalência feminina, novamente Cunha e também São Bento do Sapucaí apresentaram uma prevalência maior que a encontrada na Flórida (Tabela 1).

Na análise espacial dos municípios, ficaram evidentes os municípios com maior prevalência de urolitíase no Vale do Paraíba paulista. Na consideração de ambos os sexo, foi possível perceber um aglomerado de municípios, representado por São Luíz do Paraitinga, Cunha, Guaratinguetá, Campos do Jordão e São Bento do Sapucaí. No mapa da prevalência no sexo masculino, o aglomerado de municípios predominantes foi formado por São Luíz do Paraitinga, Cunha e Guaratinguetá. No sexo feminino os municípios pertencentes ao aglomerado de maior prevalência são Redenção da Serra, Natividade da Serra, São Luíz do Paraitinga, Cunha, Guaratinguetá, Campos do Jordão e São Bento do Sapucaí. Esses aglomerados representam municípios onde uma intervenção é importante para a diminuição da incidência e prevalência da urolitíase. Após a avaliação dos municípios pelo método de Bayes Empírico Local, foi possível perceber diferenças na distribuição espacial da urolitíase sintomática geral, masculina e feminina, o que pode significar uma subnotificação de casos de cálculo urinário ou mesmo mau preenchimento das fichas de atendimento pela equipe de saúde, não respeitando o município de residência do paciente.

Em conclusão, a análise epidemiológica e espacial da urolitíase no Vale do Paraíba permitiu identificar que, na região considerada, o sexo feminino parece ser mais acometido do que o masculino. Não se evidenciou relação entre a estação do ano e a doença. Foi possível identificar municípios com altas taxas de prevalência onde uma intervenção é necessária a fim de se diminuir a ocorrência de urolitíase. Novos estudos em outras regiões brasileiras são necessários para que a avaliação epidemiológica da urolitíase no Brasil seja possível.

REFERÊNCIAS

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Fonte de financiamento: Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico (PIBIC/UNITAU/CNPq)

Recebido: 20 de Junho de 2016; Aceito: 26 de Setembro de 2016

Endereço para correspondência: Luiz Carlos Maciel E-mail: luizmaciel@uol.com.br / luizmaciel@me.com

Conflito de interesse: nenhum

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